A Europa e o Mundo acordaram com estrondo. A dupla explosão no aeroporto de Zaventem e na estação de metro de Malbeek atraiu todos os olhares para Bruxelas – centro nevrálgico da União Europeia. Uma vez mais, o terrorismo regressou ao espaço europeu, ceifando vidas e causando a paralisação, não só de uma cidade, mas de um país, interligado com muitos outros, todos eles alvos de ameaças pendentes.

O Daesh, como seria espectável, assumiu as despesas de mais um assassínio coletivo, em nome de valores inexistentes e, supostamente, a coberto de uma religião que, oficialmente, demonstrou repudiar de A a Z as barbáries cometidas pelo autodenominado Estado Islâmico, através de minúsculas células amorfas, que agem e reagem a coberto de interesses mais alargados, designadamente, políticos e económicos, tendo em vista a regimentalização do medo e da instabilidade.

É certo que, por cada atentado bem sucedido, muitos outros são evitados, mas não é menos assertivo que a acção de dois ou três indivíduos condiciona a vida de milhares. Os exemplos estão à vista.

Desta feita, não há forma de negar a realidade em que nos integramos. Pelos ensinamentos históricos, sabemos que a religião – construtora de relações éticas e solidárias – pode, infelizmente, ser usada como combustível de guerra, à revelia dos mais básicos ideais da liberdade, democracia e dos direitos humanos.

Por outro lado, elementos nocivos, tais como, nacionalismo, racismo, egoísmo, desigualdade, desregulação e imediatismo, serão sempre fatores que, associados à incapacidade de encontrar valores e interesses comuns, provocam a existência de um horizonte pejado de nuvens. Assim, só a união, assente numa lógica igualitária e inclusiva, poderá contrariar tendências ameaçadoras da paz e da estabilidade.

Certo, certo é que, na Europa, vivem, atualmente, cerca de 15 milhões de muçulmanos, 30 mil dos quais em Portugal. Durante as últimas décadas, os muçulmanos europeus revelaram capacidades notáveis na construção de comunidades e nos processos de institucionalização. Ou seja, adotaram certos hábitos e padrões europeístas, mantendo, no entanto, a religiosidade e cultura próprias, que pouco ou nada colidem com os costumes dominantes. Pode-se até dizer que os enriquecem.

Em Portugal, a salutar convivência é um dado mais que adquirido, até porque a política da comunidade islâmica tem sido, maioritariamente, não política, e a sua atitude pode classificar-se como muito amigável para com o meio em que se insere. Aliás, outra coisa não seria espectável, já que a palavra “Islão” significa paz de espírito, compreensão e bem-estar.

Definitivamente, terrorismo até pode ser crença, mas não é, nem será religião!

Abdool Vakil, presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, disse: “Para nós, os não Muçulmanos não são infiéis e os Judeus e Cristãos são irmãos num só Deus”.

Deputado do Partido Socialista