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Há quem defina o ser adulto como a aceitação da imprevisibilidade da vida. Que nesta, nada é expectável. Pior, ou melhor se aceitarmos que assim é, que não se emenda. Scott Peck começa O Caminho Menos Percorrido a afirmar que a vida é difícil. Que a dificuldade da vida é uma grande verdade e que quando a aceitarmos a transcendemos ao ponto de a vida deixar de ser difícil, não porque se torne fácil, mas porque a dificuldade deixa de ter importância.

Este foi um ano difícil para todos. Para dizer a verdade, nem para todos, mas já lá vamos. Foi um ano difícil para a grande maioria. O que não significa que tenha sido necessariamente mau. Até há um ano tínhamos uma série de certezas que se esboroaram. A título de exemplo, Portugal ia construir um novo aeroporto em Lisboa. O turismo era tanto que se considerava que o da Portela não chegava para as encomendas. Havia sinais de que um novo aeroporto podia não ser uma boa ideia, como a tendência para reduzir as deslocações por avião devido às alterações climáticas (atenção que não estou a dizer que há uma relação directa entre as duas – que até pode existir –, mas que essa relação estava a ser posta em prática) e ao desenvolvimento do turismo digital que a pandemia poderá acentuar. Nessa medida, a Covid-19 chegou no momento certo de evitar (por agora) um erro grosseiro. Mas havia outras certezas que se foram desfazendo. Uma dizia respeito à ciência.

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