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A fotografia ficou famosa. É um bonito pôr-do-Sol na Azambuja. Os animais posam de tacha arreganhada, olhar vazio, membros flácidos e inertes. Não é preciso ser-se especialista em caçadas para perceber que se trata de um casal de espanhóis. Atrás deles, jazem filas e filas de veados, gamos e javalis. Enfim, é impossível não ficar incomodado com a quantidade de Bambis e Pumbaas mortos. (Eu sei que o Pumbaa, fiel amigo do Rei Leão, não é um javali, é um facochero, mas, para efeito de apelo à emoção baseado em personagens de histórias infantis, vai ter de servir).

Felizmente, consola-me o facto de, quer esta mortandade, quer a desflorestação à bruta que também está a ser levada a cabo na Herdade da Torre Bela, não serem em vão. Extinguem-se animais e árvores com um propósito nobre: a construção de uma central fotovoltaica que vai fornecer energia solar e salvar o planeta do aquecimento global que extingue animais e árvores. Ok, se calhar, como a Economia Verde promete, podia-se ter reconvertido os postos de trabalho dos bichos, que iriam animar uma Quinta Pedagógica a instalar nos Restauradores, por exemplo. Fica a dica para uma próxima vez. Mas o que interessa é que os animais e as árvores foram sacrificados por um bem maior. Algumas centenas de árvores arrancadas e de animais mortos para haver energia limpa para todos os portugueses, é uma óptima permuta.

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