Quando se comemora o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa importa sublinhar a influência histórica e afectiva que ele transmite e que permite redimensionar Portugal muito para além das nossas fronteiras. Falado por mais de 260 milhões de pessoas que representam 3,7% da população mundial, presente nos cinco continentes, o português é também a língua mais falada no hemisfério sul.

Transporta com ela uma cultura e um “ser português” que podem e devem ser reforçadas neste tempo de mudança.

Num país cada vez mais multicultural onde convivem gentes vindas do mundo lusófono, é também dia de fazer pensar sobre quem somos. Que “saber fazer” é este que se tem vindo a construir ao longo do tempo e que incorpora saberes e sabores de onde passa e de quem vem? Que capacidade única é esta de fazer pontes entre pessoas de diferentes credos e origens tão bem demonstrada em cargos internacionais desempenhados por portugueses em áreas que impliquem cooperação e superação das diferenças?

Soubemos sempre educar a mentalidade colectiva para a aceitação do outro, fundamental para a integração e convivência entre os povos. E é isso mais uma vez que precisamos de fazer, numa época em que Portugal e a Europa registam uma acentuada quebra demográfica que põe em causa a sua sustentabilidade económica e o seu modelo de sociedade e que enfrenta agora o terrível desafio que esta pandemia nos coloca a todos. Acolhendo quem vem com uma perspectiva humana em relação a quem escolhe a nossa Pátria como sua e mantendo uma Identidade que sabemos ser nossa.

Mas como é que este “Ser Português” pode ser alterado com a actual inexistência de políticas estruturais que promovam a natalidade e diminuam as assimetrias demográficas que diminuem o bem estar da população e potenciam o aparecimento de fenómenos mais extremistas? Os dados oficiais não deixam dúvida: há que actuar e já para reforçar este sentido de pertença que sempre foi o nosso. Num Portugal que afirme a sua portugalidade na diversidade da sua multiculturalidade.

Quem são os portugueses reais de 2020 e como serão os portugueses do futuro?

O que é preciso para construir “Um Futuro Português”?