As eleições são um momento importantíssimo nos regimes democráticos. Nos regimes como aquele que estamos a construir, a importância é relativa. Em duas semanas de férias, não tive o mais ligeiro contacto com o que o vulgo designa por “actualidade”, política ou outra. Não foi um esforço, foi uma propensão natural para evitar os “media”, as “redes sociais” e os amigos – evidentemente duvidosos – que falam de semelhantes assuntos. Foi um sossego. E um sossego que, durante quinze dias, me poupou a tudo o que aconteceu na campanha. Após quinze dias, e o regresso às obrigações profissionais, verifico que não aconteceu nada. Salvo por uma espécie de polémica alusiva à proibição de vitela na cantina da Universidade de Coimbra, que me surpreendeu por revelar que a Universidade de Coimbra ainda existe, o caminho para as “legislativas” fez-se de 372 debates que ninguém viu, 8193 arruadas que ninguém aturou e 478656 medidas programáticas que ninguém leu. Perante o alheamento dos cidadãos, resolvi juntar o desagradável ao escusado e contribuir com o meu próprio alheamento. Eis, portanto, partido a partido, um guia inútil para o voto útil no dia 6 de Outubro. Ou vice-versa.

Aliança. Após perder não sei quantas eleições internas do PSD, o dr. Santana naturalmente imaginou que possuía um séquito próprio. Não possui. O Aliança, um de vários partidos unipessoais, existirá enquanto o chefe plenipotenciário tiver paciência – ou, nunca se sabe, um emprego no parlamento. Sentença: ele deve andar por aí, mas não se nota.

Bloco de Esquerda. Quando não estão a mentir deliberadamente, o que é raro, os beatos e as beatas do BE deliberadamente produzem moralismos sem sentido. Sucede dirigirem-se a um eleitorado peculiar, capaz de engolir em êxtase as maiores patranhas. Como estamos em Portugal, estes inocentes terminais rondam os 10% (ou 5% das criaturas com direito de voto) e, excepto pelo ocasional devoto tresmalhado para a concorrência do PAN, não prometem vacilar. Sentença: além de montanhas, a fé move tontinhos.

CDS. Mesmo face à concorrência do dr. Rio, tem conseguido a proeza de encolher diariamente nas sondagens. O dr. Portas não se limitou a sair: como nos filmes de acção, deixou tudo armadilhado. Sentença: talvez vençam o PAN.

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