Política

Um novo partido: para quê?

Autor
  • Diogo Prates
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Os portugueses para mudarem o seu sentido de voto ou para trocarem a abstenção pelo voto num partido praticamente desconhecido precisam que esse partido diga algo diferente do que os outros propõem.

A Iniciativa Liberal apresentou recentemente o seu programa político, o qual aconselho a leitura. É um documento simples sem ser simplista, de fácil leitura que apresenta uma alternativa sem ser radical, que tem propostas para aquilo que realmente interessa à maioria das pessoas e ao nosso futuro colectivo: segurança social, justiça, educação, saúde, reforma do sistema político. Independentemente da orientação política de cada um, é indiscutivelmente um documento corajoso e não um conjunto de generalizações onde se defende por exemplo a diminuição do número de funcionários públicos quando o governo prevê exactamente o contrário.

Numa altura em que o parlamento se tem visto a braços com um conjunto de escândalos acerca dos subsídios de deslocação de deputados de diferentes bancadas, revelando um verdadeiro desrespeito pelos sacrifícios impostos aos portugueses nos últimos anos, a IL propõe: “Alteração do sistema eleitoral obsoleto. Facilitando candidaturas independentes, o voto deslocalizado ou eletrónico, introduzindo círculos uninominais e um círculo nacional, com maior representatividade das comunidades portuguesas.” São sem dúvida propostas interessantes, mas talvez se pudesse ir mais longe, com uma redução do número de deputados, aumento de salários e uma imposição de exclusividade que evitasse que certas leis se façam em escritórios de advogados. Isso daria um sinal à sociedade que este novo partido, apesar de ser objectivamente prejudicado por essa redução, dificultando a sua entrada no parlamento, punha os interesses do país acima dos seus.

Os portugueses para mudarem o seu sentido de voto ou para trocarem a abstenção pelo voto num partido praticamente desconhecido precisam que esse partido diga algo diferente, alguma coisa que para eles faça sentido e que não seja defendido por nenhum outro partido, sobretudo os que hoje já têm representação parlamentar,

António Costa disse que os ministros até à mesa do café se têm que lembrar que são ministros, mas eu diria antes que qualquer político devia ouvir o que se diz nas mesas dos cafés,. É, por exemplo, incompreensível para qualquer português que os senhores deputados recebam devoluções de viagens que não realizaram, é um insulto que recebam subsídios de deslocação quando vivem em Lisboa há vários anos. É por isso que os portugueses percecionam o parlamento mais como um clube de amigos que de vez em quando se zangam e trocam insultos quando as câmaras estão ligadas e há pessoas nas galerias, mas que partilham dos mesmos expedientes quando se trata de aumentar uns euros ao salário.

A IL tem aqui a sua hipótese de demonstrar ao que vem, sobretudo se quiser mostrar que não é mais um partido que pretende apenas ascender ao poder e beneficiar das suas benesses, antes quer mesmo mudar o panorama político português, bem deprimente diga-se de passagem.

Churchill disse um dia que a responsabilidade é, mesmo em doses homeopáticas, uma bebida excitante. Um partido novo tem a responsabilidade de trazer alguma coisa de novo, alguma coisa que faça a diferença e que se possa confiar. Com o PS às voltas com Sócrates e PSD às voltas consigo próprio, talvez sobre espaço para alguma alternativa responsável.

Médico

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