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A não discussão do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal é uma das características mais portuguesas que podíamos exibir no momento em que tentamos redesenhar o futuro da nossa economia. O que devia ser o debate da década, fez-se em duas horas na Assembleia da República e em meia dúzia de programas de rádio e televisão. Números que sustentem a discussão? Nem vê-los. O país devia fazer debates informados, mas não tem hábito nem parece gostar.

Enquanto a Comissão Europeia terá dois meses para analisar minuciosamente e se pronunciar sobre como Portugal planeia investir, ou gastar, os 14 mil milhões de euros do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência, que se juntam aos 31 mil milhões do quadro Financeiro Plurianual e, eventualmente, aos 15,7 mil milhões de empréstimos, a Assembleia da República despachou o assunto num debate em plenário de menos de duas horas, depois de discussões do documento inicial em comissão parlamentar. Claro que houve contributos vários e conversas entre o autor do documento e empresas, sindicatos, ministros, personalidades a eito e mesmo uma consulta pública, que deu origem a mais de mil sugestões. A questão, porém, não é essa. Nunca ninguém duvidou de que Portugal é um país cheio de gente com ideias, algumas óptimas, sobre como gastar dinheiro. A pergunta que um país exigente e com peso na consciência faria, no entanto, é outra: As contas estão feitas? As escolhas têm um estudo de impacto? Se em vez de uma linha de comboio ali se fizer um hospital acolá, isso tem que impacto na economia, na qualidade de vida do país, nas contas públicas, nos impostos ou no PIB? E qual?

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