Com o Verão, um indivíduo arrisca-se a ficar viciado em listas, sejam elas mentais ou, mais prudentemente, escritas. Lista do que obrigatoriamente se tem que fazer antes de férias. Lista do que se leva para férias. Lista do que se vai ler nas férias. E por aí adiante. Isto, mesmo que as férias durem um tempo ridiculamente curto. Convém levar os rituais a sério.

O problema é que o espírito começa a ficar preso a esse modo exclusivo de pensar, a enumeração, que tende consabidamente para o regressivo. Mas uma vez não são vezes e é preciso de vez em quando ceder à conhecida força das circunstâncias. Um passo atrás, para dar depois dois passos à frente, adoptando a fórmula de uma mente prática que deixou  escola. O que se segue é uma cedência em toda a linha ao imperativo das listas. Suponho que é inútil procurar alguma coerência entre os tópicos escolhidos.

António Costa. Temos um primeiro-ministro com tendência para a encenação e para a graçola. Deu-nos a conhecer várias fotografias em que coordena à distância o combate aos fogos em Monchique. O ridículo e o obsceno convivem bem e ele, honra lhe seja feita, sabe harmonizá-los como ninguém. Depois declarou que os devastadores fogos de Monchique são “a excepção que confirma a regra” do indiscutível sucesso do governo no combate aos fogos. Sem querer ser pretensioso, permito-me lembrar que nenhuma excepção confirma uma regra: as excepções infirmam as regras. Mas a utilização do mentiroso lugar-comum por Costa confirma (agora sim) algo que é lícito pensar: que, para ele, qualquer excepção confirma a sua regra. A estrutura do seu pensamento é a da plasticina. Mil excepções confirmariam sempre a sua regra. O socialismo tem o seu futuro garantido. A plasticina mental é invencível.

Bruno Aleixo. Um oásis de inteligência no longo e continuado deserto do humor nacional. A atenção aos modos de falar que quem faz aquilo tem é admirável, bem como a capacidade de criar personagens. Hoje em dia, espero os programas do Bruno Aleixo como, em inícios da década de oitenta, os de Herman José. Ajuda a viver.

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