Passaram sete semanas desde que fomos para casa, e os números da pandemia estão felizmente melhores.

Por sorte ou não, todos estiveram genericamente bem: a sociedade, o Governo, a oposição, as autoridades de saúde. Tudo isto apesar de uma compreensível inconsistência na resposta inicial e de uma inaceitável inabilidade para comunicar (que nunca é fácil quando se compreende mal o que está a acontecer e não se sabe bem o que fazer).

Mas o resultado é bom: impediu-se o caos no SNS e, acima de tudo, preparou-se o País para uma próxima vaga da doença, que ninguém deseja, mas que alguns dizem será pior do que a primeira.

E agora?

Algumas situações podemos já antecipar com segurança.

A primeira é que vamos ter de nos habituar a conviver com o vírus. Não vai ser possível manter as pessoas em casa até tudo passar, porque corremos o risco real de ‘morrer da cura’.

Vamos ter de incorporar na nossa vida, de forma permanente, os hábitos de distanciamento social, de proteção e de higiene que adquirimos neste período de confinamento, e vamos ainda ter de aprender alguns mais.

Teremos de entender que a nossa responsabilidade individual aumentou: cabe-nos a todos, a cada um, proteger os outros.

É este o novo normal no que diz respeito à doença, em especial porque não acho que seja possível voltar a fechar o País.

Pouca coisa voltará a ‘ser o que era’, uma vez que esta pandemia é um poderoso acelerador da transformação. O que era considerado tendência e que seria verdade nos próximos anos, sê-lo-á amanhã ou já o é hoje. Por outro lado, o que parecia óbvio e natural, foi posto em causa ou morreu.

No meio de tudo, e como em qualquer processo de transformação, morrem empresas, nascem outras; destroem-se empregos, criam-se outros. Assim como aconteceu com a pandemia, esta nova realidade é um problema quando acontece demasiado depressa, como parece ser o caso.

Não é possível travar esta transformação, mas é precisa a mesma responsabilidade, aqui também, para procurar ‘alisar a curva’ sob pena de ficarmos todos mal.

Vivemos num tempo sem precedentes.

Não existem receitas para o que aconteceu, nem vale a pena tentar estabelecer paralelismo com outros eventos de vida que a humanidade já ultrapassou. As circunstâncias são diferentes, e vamos ter que saber encontrar as respostas certas para resolver o problema.

Para já, reiniciar a vida parece-me uma boa decisão. Vamos ver se o faremos com a mesma responsabilidade que demonstrámos ao ir para casa, em março.