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É fácil — mais, até, do que parece — magoarmos e fazermos mal. E, de descuido em descuido, nem sequer medirmos os pequenos desgostos que promovemos; mesmo sem querer. É fácil desalentar e decepcionar. E, por causa disso, desamparar. E é fácil, no fim de tudo, deixar que o desinteresse se instale como uma bruma, que desce, e faz com que duas pessoas que se partilhem se ignorem, devagarinho. E se ouçam mas não se escutem. E assim se tornem estranhas. E indiferentes. De tão bem se conhecerem, uma à outra.

É fácil — mais, até, do que parece — que uma pessoa passe das discussões, por convicções sem importância quase nenhuma, à desistência de se zangar. E daí, quase sem dar por isso, ao silêncio que se estende e que se estende. E é fácil uma pessoa sentir a sexualidade como um obstáculo. E deixar que ela deixe de ser uma janela para a liberdade e se transforme numa dor. E, de forma quase imperceptível, passe a ser um “tem que ser” ao qual não se foge. E, depois, se pareça com um abuso. E, adiante, com uma violação que se consente.

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