O primeiro ponto, desde logo, tem a ver com a minha total concordância com o evento. Sob qualquer ponto de vista: empresarial, de investimento, de retorno do investimento, de envolvimento do Estado. Tudo. Penso que dificilmente poderíamos ter conseguido um evento melhor – até bom sob o ponto de vista da transversalidade política que gera e do interesse para Portugal, no matter what – e tão mobilizador para a sociedade portuguesa e internacional e que traz paybacks rápidos, do turismo aos negócios, efetivos e potenciais.

Isto dito, vêm os meus segundo e terceiro pontos deste pequenino escrito.

O segundo ponto tem a ver com os “similarity effects”. Se houve novidades, e muitas, se houve inspiração e entusiamo houve, também, um modelo que de certa forma já se conhece e está a ficar, digamos, familiar. Não que isso tenha algum mal, em si mesmo. Não tem. Mas, de facto, espera-se sempre mais e sempre diferente, mais ainda porque é technology driven. E isso tem a ver com alguns aspetos interessantes da mente humana: da learning theory vem o efeito atração pelo que aporta recompensas valorizadoras – efeitos conhecidos e sobejamente estudados: é o “foi bom, logo vai ser bom”. E, se não houver grandes dissonâncias cognitivas entre um e outro web summit, ano após ano, tudo está tranquilo. Estará?

Neste segundo ponto há questões que se devem colocar desde logo: a) o evento está a tornar-se mais individual, i.e., com mais potencial de customização para quem a ele assiste e a poder trazer mais valor acrescentado? b) The hindsight (restrospectiva) effect is beautiful, está claramente a verificar-se, tal como os similarity effects pelo que, as zonas de conforto constituem problemas neste caso? c) Cada evento transporta já os seus “grey mice” e há stock deles; isto constitui problema?

Como se diz para os carros, “all the birds are aerodynamic and don’t look the same”. E os eventos? Rolam mas a questão é que não são necessariamente diferentes mas, em muitas coisas, similares. They really look like the same. Constitui isto uma questão?

O terceiro ponto tem a ver com os ingredientes do modelo enquanto modelo de sucesso: a) a necessidade de jogar seguro porque o seguro traz recompensas e paga-se a si mesmo; b) a necessidade de encontrar zonas de conforto e aversão ao risco (equipa que ganha é equipa em que não se mexe); c) dentro da inovação aparece sempre o conservadorismo – na linha da aversão ao risco – porque o conservadorismo, ao não agitar, remunera; d) há uma identidade de marca e de evento que não se quer perder e isso é uma importante questão de marketing; e) o modelo, ao ser conhecido e dominado, oleia a operação e o que lhe está intrínseco pelo que o custo de produção tem tendência a baixar (curva de experiência a funcionar). Tudo boas coisas para o modelo. Será?

A questão é, de novo, e inexoravelmente, a da inovação. Porque começam a haver mimetizações de summits por todo o lado (o que antes era um ponto em relevo no meio da planitude das coisas – summit, de forma literal – hoje são vários, variadíssimos pontos de relevo, de modo que tudo se torna ou pode tornar relevo e logo, e novamente, tudo plano). Porque, adicionando a isto, o mundo começa a ficar demasiado similar nos eventos – e noutros – que se vão sucedendo o que nos leva de novo à questão da summitização de tudo e equalização em áreas onde deve haver, tem de haver, inovação. O Web Summit é uma delas.

Aqui chegados apenas posso reforçar, de novo, que para Portugal isto é excelente. Para Paddy Cosgrave é excelente, e ainda bem. Mas estará este evento, pelo que já transporta, a colocar-se no fim da inovação? Ou melhor, e tudo não tem um ciclo de vida? Ou melhor ainda, não era altura de lançar um Web Summit que permitisse “contornar” o ciclo de vida?