"Essa é de ficar
de boca aberta":
os primos famosos
(e desconhecidos)
na árvore genealógica
de Seguro
António Rodrigues Carvalho e Maria Gonçalves Seguro casaram no penúltimo dia de 1715, em Capinha, uma pequena localidade do concelho do Fundão. O casal ainda por ali vivia quando, 15 anos mais tarde, nasceu José, seu filho. Por uma decisão que não ficou inscrita nos registos oficiais, o pequeno José não foi batizado com o apelido do pai. Em vez disso, António e Maria optaram pelo nome José Rodrigues Gonçalves Seguro — vingou o apelido da mãe. Se o casal tivesse optado pelo apelido paterno, hoje, o candidato presidencial da área socialista teria um nome não só menos orelhudo como também com menos potencial para figurar nos cartazes da sua campanha.
A poucas semanas das eleições presidenciais, o Observador traçou a árvore genealógica dos principais candidatos para conhecer a história familiar de cada um. Através de uma parceria com a Associação Portuguesa de Genealogia, que desenvolveu a investigação histórica e científica, foi possível recuar vários séculos para descortinar a sucessão de acasos históricos e familiares que conduziram ao nascimento de cada um dos candidatos.
No caso de António José Seguro, foi possível recuar até ao século XVII e documentar perto de uma centena de ascendentes diretos que sempre se fixaram na zona das Beiras, maioritariamente na Beira Baixa, no concelho de Idanha-a-Nova. Na pesquisa, que atravessa onze gerações, foi encontrado um único elemento, Manuel Leitão, que chegou a viver no Algarve, mas por um curtíssimo período. Um acontecimento fatal acabou por fazê-lo voltar a Medelim, em Idanha-a-Nova, onde casou em segundas núpcias com aquela que viria a ser uma das bisavós maternas de Seguro.
Em todas as famílias há uma cadeia de acasos que, de forma quase impercetível, conduz ao nascimento de cada elemento. Nesta família, há outro dado curioso: um bebé deixado na roda de Castelo Branco, filho de pais incógnitos, acaba por casar com uma rapariga de linhagem nobre. Os dois elementos do casal são também bisavós, desta vez paternos, de Seguro.
A árvore genealógica de António José Seguro revela, também, algumas relações familiares curiosas. Com vários graus de distância, o socialista tem dois primos com grande destaque político — que são igualmente primos afastados entre si. Um deles foi Presidente da República no pós 25 de Abril — é o que tem uma maior taxa de aprovação geral, de acordo com um barómetro divulgado pela Intercampus em 2024. O outro é um antigo colega seu no primeiro Governo de António Guterres, numa área governativa de peso onde o então primeiro-ministro queria que houvesse “paixão”.
Mas há uma ligação ainda mais surpreendente: Seguro é primo afastado da diva do fado, Amália Rodrigues. Navegue pela árvore genealógica do candidato apoiado pelo PS para descobrir as histórias que se escondem por trás de quatro séculos de linhagem familiar.
António José Carvalho. O nome não consta do Cartão de Cidadão do socialista, que agora se candidata à Presidência da República. Mas poderia ser assim mesmo, caso os seus antepassados, do lado paterno, tivessem sempre seguido a transmissão do nome de família por varonia — a regra para o apelido do pai ser o último é muito posterior, como veremos mais adiante.
Foi no início do século XVIII que o destino de um apelido mais diferenciado começou a construir-se. Em 1715, Maria Gonçalves Seguro casou em Capinha, no Fundão, com António Rodrigues Carvalho e, em 1730, foram pais de José, um filho que optaram por registar com o sobrenome materno: Seguro. O apelido pelo qual o socialista sempre foi conhecido na política é, assim, fruto de uma decisão tomada há quase 300 anos. Desde então, o apelido Seguro entrou na chamada linha de varonia até chegar ao candidato.
O mais antigo antepassado com o nome Seguro a que se conseguiu chegar foi Francisco Gonçalves Seguro, pai de Maria. É o oitavo avô de António José Seguro e nasceu por volta de 1660. Sabe-se muito pouco sobre a sua vida, apenas que casou com Isabel Francisca, também em Capinha.
Francisco Gonçalves Seguro não é, no entanto, o antepassado mais antigo do candidato a que a Associação Portuguesa de Genealogia conseguiu chegar. Esse é António Rodrigues, nascido em 1615, na linha masculina pura do candidato.
Casou com Maria Fernandes e foram pais de António Rodrigues Carvalho. António deu exatamente o mesmo nome ao seu filho, nascido em 1645, mas o apelido Carvalho ficou por aqui, tal como já foi referido — seria o apelido materno, Seguro, a vingar nas gerações seguintes.
Entre o final do século XVII e o final do século XIX, os Seguro fixaram-se na aldeia de Capinha, no Fundão.
António Seguro, avô paterno do candidato, é o primeiro familiar em linha direita e com este apelido a sair da aldeia de Capinha.
O registo do seu casamento é já feito em Penamacor, a 18 de maio de 1922. Casa com Maria José Sanches Castilho, que já vivia nessa vila da Beira Baixa. É onde a família se fixa a partir daqui.
É em Penamacor que, quatro anos depois de António e Maria José casarem, nasce Domingos Sanches Seguro, o pai do socialista.
É na mesma terra que este casa, em 1914, com Maria do Céu Martins. E seria também em Penamacor que, em março de 1962, viria a nascer o próprio António José Seguro.
Há quatro homens com o primeiro nome António e o último Seguro — como o candidato — entre os seus ascendentes. Todos eles nascidos em Capinha, no Fundão. Os primeiros três são pai, filho e neto. Depois, em 1887, há outro, e em 1962 mais um: António José Seguro. O candidato presidencial perpetuou a tradição e também deu o nome António ao seu filho.
A ligação a Penamacor pode ser mais recente, mas a maioria dos ascendentes de António José Seguro viveu sempre naquele mesmo distrito de Castelo Branco, com uma passagem menos significativa pelo distrito da Guarda. Se seguirmos o que os genealogistas chamam de linha feminina pura da família, chegamos a registos de ascendentes em meados do século XVII na zona do Sabugal, por exemplo. É o caso de Catarina Antunes e Manuel Nunes Marracho, que casaram na povoação de Casteleiro, Sabugal, em 1690.
O lado materno do candidato fixa-se no concelho de Idanha-a-Nova a partir da segunda metade do século XVIII. Seguindo a tal linha feminina pura, sabemos que Joaquina Reina e José Mourão casaram, em 1788, em Monfortinho. Já nos ascendentes do avô paterno, o lado Martins, vemos que José Álvares Martins e Sebastiana da Costa casaram em Monsanto, em 1753.
A pesquisa pelos antepassados de Seguro depara-se subitamente com um vazio, já a meio do século XIX: um dos bisavôs paternos do candidato é filho de pais incógnitos, foi abandonado à nascença na "roda" de Castelo Branco.
Manuel dos Anjos Melha, bisavô paterno do candidato, é filho de pais incógnitos. No seu registo de nascimento consta apenas o nome "Manuel dos Anjos", com uma referência ao facto de ter sido "exposto na roda desta cidade", Castelo Branco. O mesmo acontece no assento de casamento, em 1874. Mas no assento de batismo de um dos seus filhos, Máximo, Manuel já aparece com os apelidos Sanches Melha que, no entanto, não se sabe de onde vêm. Nesse mesmo registo, a madrinha de Máximo chama-se Maria Sanches Melha, mas não há referências a qualquer parentesco com Manuel dos Anjos.
Certidão de batismo de Manuel dos Anjos. "Manuel dos Anjos exposto na roda desta cidade" (Castelo Branco)
A mulher de Manuel dos Anjos, Joaquina Rosa de Castilho, é o primeiro elemento encontrado nos antepassados de Seguro com um apelido ligado a uma família nobre: os Tudela de Castilho, de origem espanhola, que se estabeleceram em Castelo Branco desde o século XVII. Manuel e Joaquina são, assim, uma das uniões mais curiosas da família: um "exposto" casa com uma descendente de nobres.
Assento de casamento de Manuel dos Anjos e Joaquina Rosa de Castilho.
O apelido Sanches corre no passado de Seguro também pelo lado da mãe, mas aqui a origem é conhecida. A primeira vez que é encontrado é em 1655, altura em que nasceu João Salvado Sanches, oitavo avô de António José Seguro. O mesmo nome é dado ao seu filho e por este também ao seu filho — três gerações seguidas em que o nome é transmitido exatamente com a mesma composição. Depois, subitamente, termina aí a transmissão do apelido Sanches entre ascendentes diretos de Seguro e o nome que passa à geração seguinte já é Salvado.
O primeiro João Salvado Sanches conhecido casa com Maria Rodrigues, em Alcangosta (Fundão), na segunda metade do século XVII. E, ainda que não tenha sido encontrado o registo deste casamento, dessa união resultam dois filhos que, por sua vez, unem o candidato presidencial a um ícone nacional.
É preciso avançar 200 anos para chegarmos a essa curiosidade e focarmo-nos num ramo específico da árvore da família do candidato.
João Salvado Sanches e Maria Rodrigues têm, pelo menos, dois filhos, João e Isabel, ambos nascidos em Alcongosta, do Fundão.
Os dois vão seguir caminhos distintos: enquanto João se muda para Medelim depois do seu casamento, Isabel casa em 1708 com José Gonçalves Rebordão e opta por manter-se em Alcongosta.
Da união de Isabel e José saem duas gerações que se mantêm naquela localidade do Fundão, onde predominava a atividade agrícola. A filha do casal, Maria, fica na terra, bem como a filha desta, Francisca, que casa com um familiar, João Gonçalves Rebordão (tem, de resto, os mesmos apelidos que o seu avô José).
É só no final do século XVIII que a família deixa Alcongosta. O filho de Francisca e João, com o mesmo nome do pai, vai casar-se com Jacinta Ferreira de Oliveira a uma povoação a cinco quilómetros dali, em Souto da Casa.
Um filho de ambos, Joaquim, fica com o Oliveira, da parte da mãe, como último nome. Ainda assim, é o apelido do pai, Rebordão, que acaba por passar ao seu filho António Joaquim.
Em maio de 1892, no Fundão, nasce a filha de António Joaquim e Ana Rosária, a quem é dado o nome de Lucinda da Piedade Rebordão. O casal havia de ir viver para Lisboa mais tarde, em busca de melhores condições de vida.
Lucinda ficou pelo Fundão onde, aos 21 anos, casou com Albertino de Jesus Rodrigues. No Verão de 1920, os dois visitam os pais de Lucinda em Lisboa e, no final de julho, ainda durante a estadia na capital, têm uma filha: Amália Rodrigues.
Pais de Amália com as três filhas Celeste, Odete e Amália
O político e a diva do fado são, assim, parentes através de um ramo de ascendência de Alcongosta. Os antepassados mais recentes comuns são João Salvado Sanches e Maria Rodrigues, que viviam em Alcongosta nos finais do século XVII, sendo oitavos avós de Seguro e sétimos avós de Amália, os dois pelo lado materno. Seguro e Amália são primos em 14.º grau.
Exploremos agora outro lado da família da mãe de António José Seguro para percebermos a origem de um apelido bem menos conhecido do candidato presidencial: Martins.
O antepassado mais antigo de Seguro que foi possível encontrar com este apelido é Tomé Martins, nascido no Sabugal em 1695, sétimo avô do candidato. Casou com Maria Gonçalves.
Apesar da origem no distrito da Guarda, a geração seguinte dos Martins passa a viver em Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. E por aí se mantêm, passando por várias localidades do mesmo concelho ao longo de 135 anos: Monsanto, Zebreira, Salvaterra do Extremo.
Os avós maternos de Seguro casam em Penamacor. De acordo com a informação recolhida, foram os primeiros das suas famílias a escolherem este concelho.
Mas vamos lá atrás. Já vimos que, do lado Martins — apelido de uma das linhas maternas dos antepassados de Seguro —, a preferência foi por fixarem-se, num primeiro momento, no concelho de Sabugal, onde nasceu Tomé Martins e também o seu filho, José Álvares Martins.
A partir daqui, a família deslocou-se para um outro concelho, a mais de 50 quilómetros, Idanha. José Álvares Martins já casou com Sebastiana da Costa em Monsanto, em 1753. A partir daí, e até ao avô do candidato, os Martins permaneceram sempre naquele concelho, como já vimos.
Um dado curioso é o facto de os ascendentes em linha direta da avó materna de Seguro, Maria José Freire de Novais, fazerem um percurso pelo mesmo território e no mesmo período, sem nunca se cruzarem.
Vejamos então o que se passou com a família de Maria José de Novais. Entre o final do século XVII e a segunda metade do século XVIII, também viveram no Sabugal.
Joaquina Reina é o primeiro elemento da família que, em mais de cem anos, não nasce no Sabugal, mas sim no concelho de Idanha, mais concretamente em Monfortinho. A família mantém-se pelo concelho nos anos seguintes.
Os avós maternos de Seguro são os primeiros a sair do concelho de Idanha, nas respetivas famílias. No caso de Maria José, já nasceu mesmo no Fundão. Casou com Manuel Martins em Penamacor, a 12 de julho de 1914. Treze anos depois, nasce Maria do Céu Martins, mãe de António José Seguro.
O candidato fez referências às suas origens humildes num "Portugal do interior onde a vida se fazia com pouco, sem qualquer privilégio". As suas raízes estão todas, de facto, no interior do país. Das poucas ocupações que tinham e que ficaram registadas em assentos de batismo e de casamento encontramos, sobretudo, atividades ligadas à terra.
Entre os bisavós de Seguro há homens identificados como "proprietários".
Mas também há jornaleiros (trabalhadores rurais contratados para tarefas de curta duração, como colheitas). Por vezes, os assentos de casamento têm registada a atividade dos membros do casal e até dos seus pais e padrinhos (como se pode ver na imagem).
Assento de casamento de José Martins e Teresa Marques Galvão
Há um carpinteiro, o já referido Manuel dos Anjos.
Encontramos ainda uma "criada de servir" e também um guarda fronteiriço.
Talvez tenha sido precisamente a atividade profissional de Manuel Leitão, segundo cabo da Guarda Fiscal, a levá-lo para outras paragens. O guarda fronteiriço viveu em Alcoutim, no Algarve — foi o primeiro de que há registo nos antepassados de Seguro a aventurar-se para fora da região das beiras interiores. Chegou mesmo a casar com uma algarvia muito nova, que morreu pouco mais de um ano depois do casamento.
O guarda Manuel Leitão voltou então às origens, a Medelim, no concelho de Idanha, onde acabou por casar em segundas núpcias com Júlia Freire, dez anos mais nova, em janeiro de 1895. É mãe de Maria José Freire de Novais, avó materna de Seguro.
Maria do Céu, mãe do candidato presidencial, nasceu na Sertã mas viveu sempre em Penamacor. Depois de casar com Domingos, ocupou-se das tarefas domésticas, enquanto o marido saía para trabalhar. Primeiro, Domingos teve um café e depois uma papelaria, em Penamacor. Era a Papelaria Seguro, junto do Café Central — como consta na biografia de António José Seguro, "Um de nós".
Foi também na papelaria do pai que Seguro começou a ter contacto mais frequente com revistas e jornais e onde teve expostos, mensalmente, exemplares do jornal policopiado que lançou com os primos: "A Verdade de Penamacor." As edições eram resultado dos contributos, entre outros, do seu primo, antigo governante e deputado do PS Jorge Seguro Sanches.
Jorge Seguro Sanches
O pai Domingos dava este palco à investida do filho no mundo dos jornais. Mas era a veia política que dominava, tanto que, quando o Presidente Ramalho Eanes fez uma visita oficial a Penamacor, Seguro aproveitou para desviar Manuela Eanes da comitiva para a levar às instalações do jornal.
Conseguiu também, para o jornal, uma entrevista ao então Presidente da República, António Ramalho Eanes. Um encontro que, naquele momento, António José Seguro não sonharia ter também uma dimensão familiar.
Jornal A Verdade de Penamacor
Para encontrar o momento que dá origem a esse cruzamento familiar, temos de recuar no tempo e subir na árvore genealógica do candidato presidencial. Começamos por olhar para o casamento de João Nunes Leitão e Lourença Duarte.
João e Lourença casaram-se em Alcains, a 22 de fevereiro de 1735.
Assento de casamento de João Nunes Leitão e Lourença Duarte
A linha que conduz a António José Seguro provém de uma filha do casal, Maria Duarte, que nasceu em 1740 e casou em 1761 com António José Serra. Os seus descendentes mantiveram-se em Alcains até finais do século XIX. Nessa altura, os bisavós paternos de Seguro, Joaquina Rosa de Castilho e o seu marido Manuel dos Anjos Sanches Melha (o menino da roda, lembra-se?), passaram a residir em Penamacor, onde já nasceu em 1899 a avó paterna do candidato, Maria José Sanches Castilho.
Mas do casamento de João Nunes Leitão e Lourença Duarte já tinha nascido, logo em 1736, Amaro Nunes Leitão, o primogénito do casal.
Nesta linha direta, o apelido Leitão não tem existência longa. Amaro ainda o passa ao filho, João, mas já não surge no registo da filha deste, Maria Inês Munhoz.
Maria Inês casa a 14 de fevereiro de 1820, em Alcains, com Manuel dos Santos Carrega. Foram pais de Angélica dos Santos Carrega que casou, também em Alcains, em janeiro de 1849, com António Antunes Ferreira Anes.
Assento de casamento de Manuel dos Santos Carrega e Maria Inês Munhoz
Desta junção nasceu José dos Santos Carrega Anes que, por sua vez, casou, também em Alcains, com Maria Felícia.
O nome Anes sofre então uma alteração e passa a Eanes, quando, em 1900, é registado Manuel dos Santos Eanes. E foi nesta formulação que acabou por entrar para a história.
Aos 25 anos de idade, Manuel Eanes casa, em Alcains, com Maria Gregório Ramalho. O casal tem um filho a 25 de janeiro de 1935 a quem dá o nome de António Ramalho Eanes.
Fotografia oficial do Presidente Eanes
A linha de Ramalho Eanes manteve-se em Alcains até ao seu próprio nascimento nessa localidade, em 1935.
O candidato a Presidente da República tem, assim, um antigo Presidente na sua árvore genealógica. São primos em 12.º grau.
O apoio eleitoral de Ramalho Eanes é sempre muito disputado, mas o antigo Presidente da República tem-se mantido à margem dessa discussão. Já a sua mulher, Manuela Eanes, declarou apoio oficial a Luís Marques Mendes.
A ligação entre os dois começa lá atrás, em 1735, e no casal João e Lourença. António José Seguro é sétimo neto deste casal, enquanto Ramalho Eanes é sexto neto.
Mas esta ramificação não fica por aqui no que a notáveis diz respeito. Para o percebermos, temos de voltar a Maria Inês Munhoz.
Lembra-se de Angélica, a filha deste casal que casou com um Anes? É da descendência de um irmão seu, João dos Santos Leitão, que surge a ligação familiar entre Seguro e outra figura conhecida da política nacional.
Não há muitas informações sobre a data do casamento, mas sabemos que João casou com Maria Duarte Simões.
O filho deste casal, Joaquim, terá, ao contrário do seu pai, o apelido Carrega que vinha do avô paterno. É o primeiro deste ramo da família a sair de Alcains.
Joaquim vai casar à Sertã, em maio de 1904, com Guilhermina de Jesus. Mas é novamente em Alcains que nasce, um ano depois, a primeira filha do casal: Maria Carrega.
Por sua vez, Maria casa com José António Marçal Grilo, em Castelo Branco, em 1926. E é lá que nasce, 16 anos mais tarde, o filho de ambos: Eduardo Marçal Grilo.
O antigo ministro da Educação é a terceira figura conhecida que tem ascendência em comum com António José Seguro. Tem o mesmo grau de parentesco, em relação ao candidato, que tem Eanes: são primos em 12.º grau.
Seguro e Marçal Grilo chegaram a fazer parte do mesmo Governo de António Guterres, o primeiro. Marçal Grilo foi ministro da Educação entre outubro de 1995 e outubro de 1999 e Seguro foi secretário de Estado da Juventude entre outubro de 1995 e novembro de 1997 e, depois, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, até 1999.
Tomada de posse do XIII Governo Constitucional
Em fevereiro deste ano, na rádio Observador, Marçal Grilo revelava não sentir grande entusiasmo com a candidatura presidencial de Seguro. E dizia que teria preferido ver avançar Mário Centeno ou António Vitorino.
A ligação entre os dois tem origem na mesma ramificação de Eanes: em 1735 e no casal João e Lourença. António José Seguro é sétimo neto deste casal, enquanto Marçal Grilo é, tal como Eanes, sexto neto.
Já o antigo Presidente da República e o ex-ministro têm uma ligação menos distante entre si: são ambos trinetos de Maria Inês Munhoz e Manuel dos Santos Carrega e são, por isso, primos em quinto grau.
A árvore genealógica de António José Seguro traçada pela Associação Portuguesa de Genealogia mostra exatamente 84 ascendentes do socialista que agora se candidata à Presidência da República.
Nesta lista há sobretudo trabalhadores rurais, principalmente da Beira Baixa. E antepassados que vão dar a celebridades como Amália Rodrigues ou a políticos como António Ramalho Eanes e Eduardo Marçal Grilo, primos de António José Seguro.