1235,2kWh poupados 1235,2 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

João Neves

O parente de Pessoa
e Eça de Queiroz
que também
é familiar de Seguro
e tem linhas
de Tavira ao Brasil:
a árvore genealógica
de João Neves



Foi a cara contra a abstenção. Na antecâmara das últimas eleições presidenciais, João Neves, que iria votar pela primeira vez numa eleição presidencial (antes não tinha idade para isso), foi protagonista de uma campanha de sensibilização promovida pelo Governo português para incentivar todos os eleitores nacionais a viver no estrangeiro a irem às urnas no início do ano. Nesse vídeo, o jogador do PSG, acompanhado pela namorada, a atriz Madalena Aragão, simulavam em conjunto a consulta dos cadernos eleitorais online antes de se deslocarem ao Consulado português na capital francesa para se inscreverem para votar. Mostrou jeito para o novo papel de ator, não revelou em quem votou nesse momento. A partir de agora, passa a saber uma coisa: é familiar do candidato que ganhou.

Através dos seus ramos ascendentes da Beira Baixa, João Neves é parente de António José Seguro, atual Presidente da República, com os antepassados mais recentes entre ambos nascidos em meados do século XVII. E com uma outra curiosidade: quando o Observador fez a árvore genealógica do então candidato, identificou ligações a Amália Rodrigues, António Ramalho Eanes e Eduardo Marçal Grilo, mas não ao jogador. Porquê? É fácil de perceber umas linhas mais abaixo, analisando os ramos ascendentes das duas figuras, que estiveram juntas recentemente no Estádio Hard Rock, em Miami, quando Portugal defrontou a Colômbia, a contar para a terceira e última jornada do grupo K, com o Presidente da República nas bancadas antes de passar pelo balneário da Seleção.

Mas as ligações improváveis na árvore genealógica de João Neves não ficam por aqui, da figura de um dos autarcas mais importantes de Tavira, onde nasceu e de onde é natural todo o lado próximo da família materna (do lado paterno, o cenário muda, com os quatro bisavós de concelhos diferentes entre Beja, Loulé, Castelo Branco e Albufeira), a um antigo embaixador brasileiro em Portugal que chegou a pertencer como ministro ao governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 2009 e 2015.

Essas não são as únicas histórias do médio de 21 anos que, depois de ter sido vencedor da Youth League e da Taça Intercontinental Sub-20 pelo Benfica, subiu à equipa principal dos encarnados, o seu clube de sempre, e conquistou um Campeonato e uma Supertaça. No verão de 2024 saiu para o PSG a troco de 60 milhões de euros (que já subiram para 70 milhões pelas cláusulas por objetivos desportivos), naquela que foi a segunda contratação mais cara desse mercado, apenas atrás de Julián Álvarez, que trocou o Manchester City pelo Atl. Madrid, e já ganhou oito títulos em apenas dois anos, incluindo duas Ligas dos Campeões, uma Taça Intercontinental, uma Supertaça e duas Ligas.

A investigação histórica e científica feita em parceria com a Associação Portuguesa de Genealogia, já depois das árvores de outros elementos da Seleção como Cristiano Ronaldo, Vitinha, Rúben Dias ou Bruno Fernandes, conseguiu chegar a um cruzamento ainda mais improvável: João Neves é também parente de dois dos maiores poetas e escritores de sempre da língua portuguesa, com os antepassados comuns mais recentes, Domingos Rolão e Maria Luís, a casarem em Faro… em 1620.

João Pedro Gonçalves das Neves nasceu a 27 de setembro de 2004 em Tavira, sendo um dos poucos algarvios que representam a Seleção a par do amigo e companheiro de clube nos últimos anos, Gonçalo Ramos (primeiro no Benfica, mais tarde no bicampeão europeu PSG).

Por via materna, de onde ficou com o apelido Gonçalves, toda a ascendência próxima entre mãe, avós, bisavós e trisavós está concentrada em Tavira, a cidade onde também nasceu.

Apesar dessa linha, não foi possível encontrar a utilização do nome Gonçalves antes do século XX. João Gonçalves Amâncio, bisavô do jogador que nasceu em Tavira em 1916, é o antepassado mais antigo a fazer uso do apelido. João Gonçalves Amâncio foi pai de Carlos Alberto dos Santos Gonçalves e avô de Sara Maria dos Mártires Gonçalves, mãe do médio.

É possível que este seja um caso de um apelido proveniente de um antepassado nominalmente incógnito mas na prática conhecido, na medida em que João Gonçalves Amâncio era, de acordo com os registos encontrados, filho de pai incógnito e de Ermelinda do Nascimento, nascida em Tavira em 1891, em cuja ascendência imediata não é possível encontrar o apelido Gonçalves.

Assim, e olhando para a linha feminina pura, só foi possível recuar até à sétima avó de João Neves, Inês Francisca. Filha de pais incógnitos, nasceu em Tavira em cerca de 1750 e casou em 1771 com António Rodrigues Pires.

Toda a linha daí até João Neves permaneceu sempre na cidade algarvia de Tavira, com as habituais alterações de apelido na linha feminina por causa dos casamentos.

No entanto, há uma particularidade nesta parte do estudo: João Neves descende por uma outra via das suas antepassadas mais antigas que são conhecidas nesta linha feminina pura.

Os pais da avó materna Maria do Carmo dos Mártires Capelinha, Joaquim Baptista Capelinha e Helena dos Mártires, eram parentes próximos, tendo em conta que uma bisavó de Joaquim Baptista Capelinha, Maria da Conceição, era irmã da avó materna de Helena dos Mártires, Mariana das Dores Capelinha.

O que significa esta singularidade em termos de árvore genealógica do jogador? Que Inês Francisca, Ana das Dores e Maria do Carmo, que são sétima, sexta e quinta avós de João Neves por uma linha feminina pura, são também oitava, sétima e sexta avós do médio por via de Joaquim Baptista Capelinha.

Um dos momentos mais complicados da vida e da carreira de João Neves aconteceu na sua primeira temporada desde início na equipa principal do Benfica, em 2023/24, quando perdeu a mãe a 19 de fevereiro de 2024.

Sara Maria dos Mártires Gonçalves lutava contra uma doença oncológica e acabou por não resistir, morrendo na madrugada desse dia aos 50 anos. Sara era professora de Educação Física em Tavira, sendo uma pessoa muito conhecida e querida na cidade, o que gerou ainda mais consternação.

João Neves foi de imediato dispensado pelo Benfica para seguir para Tavira, onde contou com muitos companheiros e amigos próximos no funeral da mãe, como António Silva, Samuel Soares ou André Gomes, além de outros elementos do clube como o presidente dos encarnados, Rui Costa. Por decisão própria, João Neves decidiu jogar poucos dias depois num encontro frente ao Toulouse, a contar para a Liga Europa. “Ficar em casa teria sido pior”, admitiu numa entrevista posterior.

No início do Mundial-2026, logo no sexto minuto do jogo inaugural frente à RD Congo, João Neves marcou o primeiro golo de Portugal e voltou a olhar para o céu de dedos apontados, dedicando o golo à mãe.

“A parte sentimental, a parte mais amável, essa parte é mais da minha mãe. A parte mais militar e mais rigorosa, essa é pelo meu pai”, contou numa entrevista aos meios de comunicação do Benfica, quando foi confirmada a transferência para o PSG.

O pai de João Neves, Pedro Manuel Mateus Neves, fez carreira profissional como agente da PSP, conciliando a profissão de polícia com o futebol. Foi jogador em clubes como Desp. Beja, Despertar, Serpa, Cabeça Gorda, Ourique, Ficalho ou Ginásio de Tavira, tendo passado depois pelo futsal, no Sonâmbulos e no Santo Estêvão de Tavira. Foi também treinador de camadas jovens, orientando o filho numa Casa do Benfica no Algarve.

Em paralelo, Pedro Manuel Mateus Neves é um apaixonado pela tauromaquia, sendo forcado no Grupo de Forcados Amadores de Évora nos anos 90. Foi o pai de João Neves que deu a conhecer o mundo taurino a alguns companheiros do filho como Fredrik Aursnes, que já foi visto na Arena D’Évora.

Pedro Manuel Mateus Neves

Ao contrário do lado da mãe, a ascendência paterna de João Neves tem origens bastante variadas no país. Um exemplo: os seus quatro bisavós paternos nasceram nos concelhos de Beja, Loulé, Castelo Branco e Albufeira.

É do lado do pai que vem o apelido Neves que usa nas camisolas de jogo, nome que parece ter tido início com a sua sexta avó, Maria das Neves, que nasceu na freguesia de Nossa Senhora das Neves, em Beja, em 1779.

Maria das Neves era filha de Francisco de Sousa Horta, natural de Pechão, em Olhão, e de Genoveva Antónia, natural de Portel, não se encontrando aí o apelido de forma imediata. Maria das Neves teve como madrinha Nossa Senhora das Neves, o que era uma prática muito comum na altura. Terá sido a adoção do nome da madrinha por invocação religiosa que levou depois à utilização do apelido Neves.

Maria das Neves casou-se em 1802 com Miguel de Matos, tendo uma filha chamada Maria das Neves, que nasceu em Baleizão, em Beja. Maria das Neves casou com Manuel Maria, que era natural de Nossa Senhora das Neves e que tinha de uma linha que seguiu durante muitas gerações a utilização de Maria como apelido, algo que era pouco usual na época.

Foi com Aureliano Neves, também nascido em Nossa Senhora das Neves, que deixou de ser usado o nome Maria e que a linha passou para Serpa, onde nasceria o pai do jogador, Pedro Manuel Mateus Neves.

Olhando para a linha masculina pura, é possível recuar até Salvador Pinela, nono avô de João Neves que nasceu na freguesia de São Domingos, em Santiago do Cacém, nos finais do século XVII. Salvador Pinela casou-se com Maria de Jesus e tiveram Domingos Gonçalves.

Foi a partir de Domingos Gonçalves, que ainda nasceu em São Domingos, que a linha passou para a freguesia de Nossa Senhora das Neves, em Beja, onde já nasceu o filho Afonso José, que é sétimo avô de João Neves. Mais tarde, com Aureliano Neves, a linha passou então para Serpa, onde nasceria o pai do jogador.

 

João Neves Fernando Pessoa Eça de Queiroz

João Neves foi ganhando várias alcunhas ao longo do tempo, sobretudo desde que, na época de 2022/23, foi chamado pelo técnico Roger Schmidt à equipa principal do Benfica de onde não mais viria a sair até ser transferido para o PSG, naquela que foi a segunda maior transação no verão de 2024, apenas superada pela venda de Julián Álvarez pelo Manchester City ao Atl. Madrid. Nesse ano de 2022/23, e num trajeto atípico, o médio jogou no conjunto de juniores, nos Sub-20, nos Sub-23, na equipa B e na formação principal.

A partir de agora, é legítimo que comece a ser tratado também como um “poeta da bola”. E para se perceber essa analogia, é preciso viajar até Miguel Rodrigues, nascido no Bairro da Sé, em Faro, a 12 de outubro de 1664.

Miguel Rodrigues era filho do casamento entre Inês Rodrigues e Diogo Dias Fernandes, um cristão-novo membro de uma família de sapateiros nascido em Serpa, em 1619, que era frequentemente fustigada pela Inquisição.

Quando era mais novo, Diogo Dias Fernandes chegou a fugir de casa dos tios, com quem viveu, e estabeleceu-se no Algarve. Acabaria por ser preso pela Inquisição em 1672, saindo em auto de fé em Évora no ano seguinte.

Miguel Rodrigues casou-se a 2 de julho de 1691 com Beatriz Correia. Manuel Rodrigues Calado nasceu em 1700, em Faro, como filho mais novo do casal, que tivera antes José Rodrigues Calado (decore este nome, já lá vamos).

Manuel Rodrigues Calado casou com Inês Maria no Bairro da Sé, a 3 de fevereiro de 1727. Foram pais de António Rodrigues Calado, nascido a 15 de setembro de 1729, que casou depois com Maria da Conceição.

A filha de ambos, Maria Joaquina da Conceição, nasceu noutra freguesia de Faro, São Pedro, em 1755. Mais tarde, Maria Joaquina da Conceição, neta de Manuel Rodrigues e Inês Maria, casou-se em Santa Maria, antiga freguesia do município de Tavira, com Manuel Pires a 11 de junho de 1772.

Depois disto, toda a linhagem até João Neves acabou por permanecer em Tavira. Manuel Pires e Maria Joaquina da Conceição são avós de Lourenço Pires e Maria do Carmo, que casaram a 29 de maio de 1935 e tiveram, entre mais filhos, Maria da Conceição e Mariana das Dores Capelinha. É a partir daqui que existe essa nuance na linha do médio: Lourenço Pires e Maria do Carmos são quintos avós de João Neves pela linha feminina pura de Mariana das Dores Capelinha e sextos avós de João Neves por outra via, do lado de Maria da Conceição.

Voltamos agora a Miguel Rodrigues e a Beatriz Correia. Além de Manuel Rodrigues Calado, tiveram um outro filho, quase sete anos mais velho: José Rodrigues Calado, nascido no Bairro da Sé a 25 de dezembro de 1693.

José Rodrigues Calado casou-se com Bárbara dos Santos a 3 de agosto de 1689. Do matrimónio nasceu, a 25 de agosto de 1723, D. Maria Bárbara Teresa da Encarnação.

D. Maria Bárbara Teresa da Encarnação, que também nascera no Bairro da Sé, casou-se a 31 de agosto de 1748 com um primo afastado, António Rodrigues Nogueira Mimoso (sendo necessária para o matrimónio uma dispensa da Igreja Católica pelo quarto grau de consanguinidade entre os noivos).

António Rodrigues Nogueira Mimoso, médico e fidalgo nascido no Bairro da Sé a 30 de agosto de 1721, era neto de Manuel Rolão, que nasceu em 1645, em São Brás de Alportel, e Joana Mimoso, que casaram a 12 de fevereiro de 1680 em São Pedro, também em Faro.

António Rodrigues Nogueira Mimoso e D. Maria Bárbara Teresa da Encarnação foram pais de D. Bárbara de Sequeira Mimoso (1754), que se casou a 7 de dezembro de 1777 com José António de Araújo e Sousa.

D. Bárbara de Sequeira Mimoso e José António de Araújo e Sousa foram pais de D. Joana Xavier Pereira de Araújo e Sousa, que nasceu em Faro (Bairro da Sé) a 13 de março de 1788 e que se casou com o médico Daniel Pessoa e Cunha, a 20 de fevereiro de 1808.

D. Joana Xavier Pereira de Araújo e Sousa e Daniel Pessoa e Cunha são bisavós por varonia de Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido apenas por… Fernando Pessoa.

O filho de Daniel Pessoa e Cunha e D. Joana Xavier Pereira de Araújo e Sousa, Joaquim António de Araújo Pessoa, nasceu em Tavira e não em Faro a 15 de fevereiro de 1813. Casou depois na extinta freguesia da Fé, em Lisboa, com D. Dionísia Rosa Estrela de Seabra.

Joaquim António de Araújo Pessoa e D. Dionísia Rosa Estrela de Seabra foram pais de Joaquim de Seabra Pessoa, nascido também na Sé a 28 de maio de 1850. Casou-se a 5 de setembro de 1887 com D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira, sendo pais de Pessoa.

Fernando Pessoa nasceu a 13 de junho de 1888 em Lisboa, no quarto andar do número 4 do Largo de São Carlos, em frente ao Teatro Nacional de São Carlos, na agora extinta freguesia dos Mártires. Teve um irmão biológico e mais quatro meios irmãos, fruto de uma nova relação da mãe, D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira, depois da morte do pai, Joaquim de Seabra Pessoa, quando foi viver para Durban, na África do Sul.

Fernando Pessoa é um dos maiores poetas da história da língua portuguesa e uma das grandes figuras do movimento modernista em Portugal. Essa vivência em Durban permitiu-lhe ter uma formação bilingue e uma ideia mais cosmopolita do mundo, que se reverteram em toda uma obra que acabou por revolucionar a literatura em português, apesar de ter apenas uma obra publicada em vida na sua língua, Mensagem (deixando também três folhetos com poemas, mas em inglês).

O maior traço de genialidade de Pessoa foi a criação dos heterónimos, que lhe permitiram explorar por palavras e pensamentos toda a complexidade do eu cruzada com misticismo, melancolia e identidade nacional. A forma como construiu pseudónimos que falavam entre si, do bucólico Alberto Caeiro ao rebelde e modernista Álvaro de Campos, passando pelo clássico Ricardo Reis, ficou como uma das imagens de marca de uma obra que ainda hoje é estudada, depois de deixar num baú, o “baú dos manuscritos”, cerca de 25 mil páginas de poemas, textos inéditos e notas pessoais.

Mas as ligações de João Neves à literatura e aos grandes nomes da História de Portugal não ficam por aqui. Longe disso. E voltamos a dois nomes já supracitados: Manuel Rolão e Joana Mimoso, que casaram em São Pedro em 1680.

Manuel Rolão e Joana Mimoso foram pais de Joana Mimoso, mãe de António Rodrigues Nogueira Mimoso do casamento com Manuel Rodrigues Nogueira, e de Amaro Sequeira Mimoso, três anos mais velho do que a irmã.

Amaro Sequeira Mimoso, nascido em São Pedro, Faro, a 15 de janeiro de 1685, casou-se a 20 de setembro de 1710 com D. Catarina Josefa de Azevedo Freire. Tiveram uma filha, D. Luísa Joana de Azevedo Freire de Castro, que nasceu na freguesia de Salvador, em Torres Novas, a 18 de setembro de 1718.

D. Luísa Joana de Azevedo Freire de Castro, que era prima direta de António Rodrigues Nogueira Mimoso, casou-se com António José Pereira de Eça em data desconhecida, com a descendência que se seguiu a manter Pereira de Eça como apelidos noutros pontos do país.

Francisco António Pereira de Eça, filho de António José Pereira de Eça e D. Luísa Joana de Azevedo Freire de Castro, nasceu a 9 de setembro de 1756 em Santa Maria dos Anjos, em Valença. Já José António Pereira de Eça, filho do matrimónio de Francisco António Pereira de Eça com D. Ana Franzelina Soromenho, nasceu a 5 de setembro de 1784, na freguesia de Santo Estêvão, em Valença.

José António Pereira de Eça casou-se a 3 de maio de 1815 com D. Angélica Abreu de Castro, tendo uma filha, D. Carolina Augusta Pereira de Eça, nascida a 7 de agosto de 1826 em Monção. D. Carolina Augusta Pereira de Eça casou-se a 3 de setembro de 1848 com José Maria Teixeira de Queirós.

José Maria Teixeira de Queirós e D. Carolina Augusta Pereira de Eça tiveram sete filhos. O primeiro, José Maria Eça de Queiroz, nasceu fora do casamento a 25 de novembro de 1845, na Praça de Almada, na Póvoa de Varzim. Para evitar o alarido social, foi registado como filho de “mãe incógnita”, ficando com os avós em Vila do Conde até aos dez anos. Aí, com a morte da avó paterna, que não dava o seu consentimento ao casamento, voltou a casa.

Diplomata de carreira, Eça de Queiroz foi um dos romancistas mais influentes da língua portuguesa e um dos expoentes máximos do Realismo na literatura nacional. Um pouco à semelhança do que acontecera com Fernando Pessoa, que pelas ligações supracitadas também é seu parente, Eça de Queiroz aproveitou os tempos no estrangeiro para refletir sobre a essência da maneira de ser portuguesa, o que fez com que, com uma mordaz ironia, fosse analisando todos os vícios, faz de conta e decadência da sociedade burguesa e do clero no país no final do século XIX.

Os Maias, O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro são três exemplos paradigmáticos disso mesmo, com Eça de Queiroz a aproveitar a prosa para fazer um espelho das fragilidades morais, das tragédias familiares e da estagnação cultural de Portugal, em Lisboa e nas províncias. Morreu em 1900, com apenas 54 anos, vítima de doença prolongada na cidade francesa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris.

Desta forma, os antepassados comuns mais recentes entre João Neves, Fernando Pessoa e Eça de Queiroz são Domingos Rolão e Maria Luís, que são décimos segundos e décimos terceiros avós de João Neves, duas vezes oitavos avós de Fernando Pessoa e sétimos avós de Eça de Queiroz.

'Retrato de Fernando Pessoa' por Almada Negreiros, 1964

Ainda assim, e a partir de Domingos Rolão e Maria Luís, é possível estabelecer de forma separada parentescos mais próximos. Dessa forma, os antepassados comuns mais recentes entre João Neves e Fernando Pessoa são Miguel Rodrigues, neto de Domingos Rolão e Maria Luís, e Beatriz Correia, casados em 1691. Já entre Pessoa e Eça de Queiroz são Manuel Rolão, outro neto de Domingos Rolão e Maria Luís, e Joana Mimoso, casados em 1690.

De acrescentar que a família Pereira de Eça, cuja genealogia é estudada há muito tendo como exemplo o trabalho de Domingos de Araújo Affonso, inclui várias outras figuras de destaque no mundo das Letras como Júlio Dantas, Alexandre O’Neill ou Afonso dos Reis Cabral (descendente do próprio Eça). Também a família de Fernando Pessoa foi objeto de vários estudos a partir de meados do século XX, tendo uma ascendência maioritariamente cristã-nova pelo seu bisavô por varonia Daniel Pessoa e Cunha e pelo seu trisavô armigerado José António Pereira de Araújo e Sousa.

De acrescentar ainda que o parentesco relativamente próximo entre Fernando Pessoa e os Pereira de Eça parece ter passado despercebido até ao início do século XXI. A primeira publicação que fez essa divulgação foi o artigo “Costados Inéditos de Fernando Pessoa: a ascendência de Dona Bárbara Joaquina de Sequeira Mimoso”, de Maria Manuela Pereira e Rui Miguel F. R. Pereira. Foi aí que surgiu incluída uma referência ao ramo Rodrigues Calado, a que João Neves pertence, mas apenas com essa nota de ter descendência até à atualidade, sem detalhes.

 

João Neves António José Seguro

Assim como João Neves tem ligação a Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, também António José Seguro, atual Presidente da República, é parente da fadista Amália Rodrigues, outro dos grandes símbolos da cultura nacional.

Segundo a árvore genealógica de António José Seguro publicada pelo Observador, e além das ligações a António Ramalho Eanes e a Eduardo Marçal Grilo, o Presidente da República tem, como antepassados mais recentes comuns com Amália, João Salvado Sanches e Maria Rodrigues, que viviam em Alcongosta em finais do século XVII. João Salvado Sanches e Maria Rodrigues são oitavos avós de Seguro e sétimos avós de Amália Rodrigues.

João Salvado Sanches, filho de João Salvado Sanches e Maria Rodrigues, que casou com Luísa de Campos em Idanha-a-Nova, é a ligação que desce até António José Seguro. Já a sua irmã mais velha, Isabel Salvado, que casou com José Gonçalves Rebordão, é a ligação que desce depois até Amália Rodrigues.

Mas há um aspeto curioso e pertinente quando se estudam as árvores genealógicas: aquilo que através das linhagens da pessoa A não se consegue ver pode ficar depois à vista quando se estuda a ascendência de pessoa B. Ou seja, e substituindo A por António José Seguro e B por João Neves, já se percebe onde se vai dar…

Um exemplo prático: quando se estudou a árvore de Henrique Gouveia e Melo, chegou-se à ligação a Cristiano Ronaldo e através de duas linhas diferentes. Quando agora o Observador desenhou a árvore do capitão da Seleção, ainda foi encontrada uma terceira linha de ligação como parentes do jogador com o almirante.

No caso de João Neves, a ligação a Seguro vem do lado do pai, Pedro Manuel Mateus Neves, e dos ramos ascendentes da Beira Baixa.

Ponto de partida: João Simão, nascido em 1650 na freguesia de Álvaro, no município de Oleiros, e Isabel Gonçalves, que nasceu em 1655 em Tinalhas, em Castelo Branco.

João Simão e Isabel Gonçalves tiveram uma filha, Ana Gonçalves, nascida em 1695 também em Tinalhas, que se casou com João Pires Lucas a 28 de setembro de 1721.

Foi a partir deste casamento que a linha passou para Sobral Campo, sede da freguesia com o mesmo nome que fica na zona norte do distrito de Castelo Branco durante cerca de 150 anos.

É preciso chegar ao quinto neto de Ana Gonçalves e João Pires Lucas, José Mateus, que nasceu a 12 de maio de 1889, filho de Joaquim Mateus e Maria Bárbara, para a linhagem sair de Sobral Campo, em Castelo Branco.

José Mateus teve com Dilita do Carmo Martins uma filha, Maria Raquel Martins Mateus, que nasceu a 6 de junho de 1948 em Cascais. Maria Raquel Martins Mateus casou-se com Aureliano Custódio Neves em Pias, freguesia do município de Serpa.

Aureliano Custódio Neves e Maria Raquel Martins Mateus são os avós paternos de João Neves, que tiveram o pai, Pedro Manuel Mateus Neves, em Santa Maria, Serpa. Pedro Manuel Mateus Neves casaria com Sara Maria dos Mártires Gonçalves em Tavira, onde o jogador nasceu a 27 de setembro de 2004.

Voltando a João Simão e Isabel Gonçalves, o casal tivera antes de Ana Gonçalves outra filha, Catarina Gonçalves, nascida em Tinalhas, Castelo Branco, em 1680. Foi também aí que casou com Manuel Lourenço Pardino, a 2 de fevereiro de 1704.

Esta linha permaneceu sempre em Tinalhas até à neta de Manuel Lourenço Pardino e Catarina Gonçalves, Maria Vaz Muacho, nascida em 1734, casar com Simão Rodrigues Quelindo.

O casal teve uma filha, Joaquina Maria, que já nasceu em Alcains, também em Castelo Branco. Joaquina Maria casou com Máximo Lopes do Aguiar a 18 de agosto de 1790.

Esta linhagem ficou depois radicada até aos finais do século XIX em Alcains, altura em que Joaquina Rosa de Castilho, trineta de Simão Rodrigues Quelindo e Maria Vaz Muacho, e bisneta de Máximo Lopes de Aguiar e Joaquina Maria, teve Maria José Sanches Castilho, do casamento com Manuel dos Anjos Sanches Melha a 19 de agosto de 1874.

Maria José Sanches Castilho, avó paterna do Presidente da República, já nasceu em Penamacor, vila do distrito de Castelo Branco. Casou com António Seguro a 18 de maio de 1922, tendo Domingos Sanches Seguro, pai de António José Seguro, a 11 de dezembro de 1926, em Penamacor.

Foi em Penamacor que nasceu António José Seguro, a 11 de março de 1962, o mais novo de três irmãos do casamento de Domingos Sanches Seguro com Maria do Céu Martins.

António José Seguro com Gianni Infantino, presidente da FIFA, no Colômbia-Portugal do Mundial

Antes de ter vencido a segunda volta das eleições presidenciais de 2026, António José Seguro teve uma vasta vida política: liderou a JS, foi deputado, esteve como ministro nos governos de António Guterres, foi eurodeputado, liderou a bancada parlamentar do PS e chegou a secretário-geral do PS. Após perder as eleições internas pela liderança do partido, esteve mais de uma década concentrado apenas na vida académica e na atividade empresarial privada, regressando com sucesso à política nas recentes eleições para a Presidência da República.

É desta forma que conseguimos encontrar a explicação para João Neves e António José Seguro serem parentes, com João Simão e Isabel Gonçalves a serem nonos avós do jogador e também do Presidente da República.

 

João Neves Luiz Felipe Lampreia

As ligações à política de João Neves não se ficam por aí. Mais: as ligações de João Neves à política saltam fronteiras e conseguem mesmo chegar ao Brasil, com um nome conhecido da presidência de Fernando Henrique Cardoso, que liderou o país entre 1995 e 2003 eleito pelo Partido da Social Democracia Brasileira, que sucedeu a Itamar Franco e seria depois sucedido por Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira passagem de oito anos pelo cargo.

Neste caso, é através da ascendência mais distante de antepassados, oriunda de Castro Marim, que João Neves chega a essa figura, tendo como antepassados comuns mais recentes João Velho de Sarre e Inês Rodrigues, que viveram em Castro Marim na segunda metade do século XVI.

A ligação de João Neves a João Velho de Sarre e Inês Rodrigues vem da filha do casal, Maria Pereira, que nasceu em 1670. Maria Pereira casou-se pela segunda vez com Simão Rodrigues (nascido em Oiã, Oliveira do Bairro) em Castro Marim, a 30 de setembro de 1696, tendo o filho João de Matos a 14 de abril de 1698.

João de Matos nasceu em Castro Marim mas passou depois para Tavira, mais concretamente para a freguesia de Santa Maria, onde casou a 12 de fevereiro de 1719 com Maria Rodrigues.

Desse casamento, e sempre em Santa Maria, nasceu Bartolomeu dos Santos em 1720, que casou com Inês Maria da Conceição a 10 de novembro de 1743. Tiveram um filho, Joaquim José dos Santos, nascido em 1745, que casou com outra Inês Maria da Conceição a 7 de janeiro de 1773.

Joaquim José dos Santos e Inês Maria da Conceição tiveram depois Ana Maria das Dores, nascida em Santa Maria a 5 de outubro de 1778, que se casou mais tarde com Custódio Pires na mesma freguesia de Tavira a 29 de setembro de 1799.

Custódio Pires e Ana Maria das Dores tiveram Lourenço Pires, a 15 de abril de 1809. Foi este antepassado que se casou com Maria do Carmo, a 29 de maio de 1836, tendo três filhos. Duas, Maria da Conceição e Mariana das Dores Capelinha, fazem depois a ligação a João Neves através de ramos diferentes.

Mas de onde vem a ligação de João Neves a alguém ligado à política do Brasil? Através de outra filha do casamento de João Velho de Sarre com Inês Rodrigues, Isabel de Sarre.

Isabel de Sarre nasceu em Castro Marim em 1684, casando a 15 de agosto de 1700 com Belchior Fernandes. Foram pais de João Velho de Sarre, nascido em 1725, nome que iria ser comum nas gerações que se seguiram.

João de Velho de Sarre, neto de João Velho de Sarre e bisneto de Isabel de Sarre e de Belchior Fernandes, foi também militar, como grande parte da linhagem, morrendo na prisão do Limoeiro pelo apoio à causa liberal em 1831.

João Velho de Sarre nascera em Castro Marim em 1760, casando-se com D. Ângela Rita de Figueiredo Mascarenhas Lampreia a 6 de julho de 1766. Do casamento nasceu João Lampreia de Sarre, a 14 de janeiro de 1790.

João Lampreia de Sarre, que teve uma vasta carreira como militar no Exército de Portugal, chegando ao posto de capitão com relevantes funções como comandante do Depósito Geral Militar, casou com D. Isabel Hermínia de Sá Camelo em data desconhecida.

João Lampreia de Sarre, que está na génese da união dos apelidos Sá Camelo Lampreia, morreu a 16 de setembro de 1856 na Madeira. Foi aí que nasceu um filho do casamento com D. Isabel Hermínia de Sá Camelo, Francisco Joaquim de Sá Camelo Lampreia, a 27 de junho de 1829 na Sé, no Funchal.

Francisco Joaquim de Sá Camelo Lampreia formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, sendo descrito como alguém com uma capacidade oratória e uma inteligência “brilhantes”. Regressou depois ao Funchal, onde foi médico, professor no Liceu do Funchal e militante ativo do Partido Progressista Histórico, onde se tornou amigo próximo do Duque de Loulé.

Francisco Joaquim de Sá Camelo Lampreia foi eleito para as Cortes e foi representante como deputado da Madeira de vários círculos eleitorais no Continente, entre os anos de 1864 e 1874 (morreria de forma precoce em 1876). Casou-se a 14 de julho de 1860, na freguesia de São Gonçalo, também no Funchal, com D. Ascendina Natália de Oliveira. Do casamento nasceu João Oliveira de Sá Camelo Lampreia, que nasceu a 16 de setembro de 1863.

João Oliveira de Sá Camelo Lampreia casou na freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, com D. Amélia de Campos Ferreira Lima. Foi um distinto diplomata e Conselheiro de Estado português, cumprindo missões internacionais relevantes como a liderança na Legação de Portugal em Haia, entre 1908 e 1910, entre demais funções. Foi durante muitos anos o embaixador de Portugal no Brasil, onde se fixou após a implementação da República. Morreu no Rio de Janeiro em 1943, um ano depois de ter estado, já debilitado, em representação da rainha D. Amélia no casamento do Duque de Bragança, D. Duarte Nuno, com D. Maria Francisca de Orléans e Bragança, que era sua parente brasileira.

João Oliveira de Sá Camelo Lampreia e D. Amélia de Campos Ferreira Lima tiveram um filho, José Lima de Sá Camelo Lampreia, a 16 de novembro de 1885, em Santa Isabel, freguesia de Lisboa.

José Lima de Sá Camelo Lampreia prolongou a tradição diplomática das gerações anteriores, casando no Rio de Janeiro, a 30 de setembro de 1911, com Celina de Souza Leão Gracie.

José Lima de Sá Camelo Lampreia e Celina de Souza Leão Gracie foram pais de João Gracie Lampreia, que nasceu em Santos a 17 de novembro de 1912 e casou-se com Maria Carolina Guimarães Palmeira no Rio de Janeiro, a 25 de julho de 1940.

João Gracie Lampreia e Maria Carolina Guimarães Lampreia foram pais de Luiz Felipe Lampreia, considerado uma espécie de “expoente máximo” que fechou com chave de ouro uma dinastia diplomática no Brasil.

Luiz Felipe Lampreia (à direita) num encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa Rica, Roberto Rojas López, nas Nações Unidas

Nascido a 19 de outubro de 1941, Luiz Felipe Lampreia foi um prestigiado diplomata que se formou em Sociologia na Universidade Católica do Rio de Janeiro e casou em 1963 com Alda Carneiro Vital Brazil, conhecida por ser neta do imunologista Vital Brazil.

Entre várias funções desempenhadas, Luiz Felipe Lampreia foi embaixador do Brasil no Suriname entre 1983 e 1985 e em Portugal entre 1990 e 1992, antes de passar para Genebra como representante brasileiro na Organização Mundial do Comércio. Foi também presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e membro do Conselho de Administração da subsidiária brasileira da Caixa Geral de Depósitos.

Luiz Felipe Lampreia foi também durante seis anos ministro das Relações Exteriores do Brasil, entre 1995 e 2001, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Morreu no Rio de Janeiro, a 2 de fevereiro de 2016, com condecorações como a Ordem do Infante D. Henrique, em 1977, elevada mais tarde a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1991, entre outras distinções.

Luiz Felipe Lampreia (à direita) com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Malásia, Abdulah Badawi, numa reunião do G15 em Kuala Lumpur

É através desse ramo da família de Castro Marim que João Neves se torna parente da família luso-brasileira Camelo Lampreia e de Luiz Felipe Lampreia. João Velho de Sarre e Inês Rodrigues são nonos avós do antigo diplomata brasileiro e décimos primeiros e décimos segundos avós de João Neves.

 

João Neves Isidoro Pires

Tavira é uma cidade conhecida pelas igrejas (ao todo são 37 igrejas e conventos pelo seu centro histórico), pelas praias, pela gastronomia (com muito peixe fresco, polvo e marisco, entre os tradicionais arroz de lingueirão e a feijoada de búzios) e pelas salinas ainda ativas na zona. É também conhecido a partir de agora por João Neves, a quem já chamaram o “pequeno génio de Tavira”. A ligação à cidade não fica por aí.

É através da linhagem materna que chegamos a mais uma ligação famosa do médio, neste caso uma ligação que diz muito sobre a cidade onde nasceu e onde começou a jogar futebol na rua e na praia, antes de passar para a Casa do Benfica de Albufeira, o “trampolim” para o Seixal.

Voltando à ligação de Lourenço Pires e Maria do Carmo, que se casaram na antiga freguesia de Santa Maria, em Tavira, a 29 de setembro de 1836, o casal teve três filhos: Maria da Conceição e Francisco António Pires, que nasceram em 1840, e Mariana das Dores Capelinha, nascida 11 anos depois.

Como já foi dito, João Neves descende das duas filhas de Lourenço Pires e Maria do Carmo. Ou seja, Mariana das Dores Capelinha, que é avó de Helena dos Mártires e tetraavó pela parte de linhagem feminina pura do jogador, e Maria da Conceição, que é bisavó de Joaquim Baptista Capelinha (que se casou com Helena dos Mártires) e quinta avó do jogador.

Neste caso, a ligação aparece pelo irmão de Maria da Conceição e Mariana das Dores Capelinha, Francisco António Pires.

Nascido também em Santa Maria, antiga freguesia do Município de Tavira, Francisco António Pires casou-se, em data desconhecida, com Ana Rosa.

Do casamento entre Francisco António Pires e Ana Rosa nasceu Manuel António Pires, a 22 de outubro de 1871 também em Santa Maria.

Manuel António Pires casou-se a 19 de junho de 1893 com D. Virgínia das Dores, neste caso numa outra freguesia de Tavira, Santiago.

Manuel António Pires e D. Virgínia das Dores são pais de uma das figuras mais marcantes da história do município de Tavira, Isidoro Pires.

Nascido no início do ano de 1894, Isidoro Manuel Pires ficou conhecido pela sua veia autodidacta desde a sua juventude, estando ligado desde cedo à poesia e à escrita.

Durante os anos 20 e 30, escreveu peças de teatro e revistas à portuguesa para os grupos amadores locais de teatro, ao mesmo tempo que começava a publicar os seus primeiros poemas. Em paralelo, e também por essa ligação grande à escrita, tornou-se redator do semanário “O Povo Algarvio”, que mais tarde viria a liderar (depois de o ter comprado).

Além dessa ligação à escrita, Isidoro Pires teve desde cedo um papel ativo na sociedade civil, ficando também conhecido pela forma como conseguiu autonomizar e reestruturar a Banda de Música dos Bombeiros, que se tornaria a Banda Musical de Tavira por sua influência.

Essas ligações que foi criando através da escrita, do jornalismo e das ações na sociedade civil abriram portas para que fosse eleito presidente da Câmara Municipal de Tavira, um cargo que na altura estava mais reservado para as elites políticas e não tanto para quem viesse de fora.

Isidoro Pires foi presidente da Câmara entre 1937 e 1939, em pleno Estado Novo, estando primeiro na liderança de uma Comissão Administrativa e depois com plenos direitos. Nesses dois anos terá conseguido começar, finalizar e lançar obras que mudaram a vida de Tavira na altura, do Parque Municipal da cidade à requalificação de edifícios históricos que se foram degradando com o tempo até à ajuda dada ao Hospital de Tavira.

Isidoro Pires saiu em 1939, já com os festejos dos Centenários preparados para o sucessor, e voltou à escrita e ao jornalismo, comprando O Povo Algarvio em 1946 e ficando como diretor, embora o jornal pertencesse de uma maneira formal ao irmão, Manuel Virgínio Pires.

“Sabia trabalhar a rima com graça, com facilidade e com talento, deixa publicados dois livros, de versos, que a crítica recebeu com aplauso e um dos quais mereceu a honra de ser prefaciado por Júlio Dantas e deixa esparsas numerosas composições, sobretudo sonetos e quadras, algumas das quais cantadas pelo povo, o que constitui para o género uma das mais puras e perfeitas consagrações”, escreveu o jornal Correio do Sul, que destacou também os seus dotes como orador além de escritor.

Busto de Isidoro Pires no Jardim do Coreto, Tavira

Isidoro Manuel Pires, que se casou com Maria José Neto de Sousa Pires e teve Maria de Lourdes Neto de Sousa Pires, ainda esteve em Lisboa no ano de 1958, quando o seu estado de saúde se começou a deteriorar, mas pediu para voltar a Tavira, onde morreu a 21 de julho desse ano. Entre as homenagens que foram feitas, e que ainda hoje se podem encontrar na cidade, encontram-se o busto colocado no Parque Municipal, a rua Poeta Isidoro Pires e o Retrato Oficial nos Paços do Concelho.

Desta forma, João Neves e Isidoro Pires são parentes, com os antepassados comuns mais próximos a serem Lourenço Pires e Maria do Carmo, bisavós do antigo presidente da Câmara Municipal de Tavira e quintos e sextos avós do jogador internacional português.

 

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.