Ao mesmo tempo que a venda de CD’s desce, a de vinis sobe. Que o diga o músico norte-americano Jack White, cujo segundo álbum a solo, Lazaretto, conseguiu a proeza de ser o vinil mais vendido dos últimos 20 anos, apesar de só ter sido lançado a 10 de junho. Sinal de que o vinil voltou a rodar em cada vez mais gira-discos espalhados pelo mundo.

A edição em vinil de Lazaretto tornou-se no maior êxito de 2014 e mesmo dos últimos 20 anos, com 60 mil cópias vendidas apenas nos Estados Unidos, informou a revista Billboard, com base nos números da SoundScan.

Parece pouco, mas os números ganham outra dimensão se compararmos com o segundo vinil mais vendido em 2014, AM, dos Arctic Monkeys: tem 29 mil cópias vendidas. Em 2013, o vinil com mais saída foi Random Access Memories, dos Daft Punk, com 49 mil cópias. O novo disco de Jack White conta 60 mil em menos de dois meses.

O vinil de Jack White, lançado pela editora que ele próprio fundou, Third Man Records, saiu a 10 de junho e logo na primeira semana bateu o recorde de 1991 (ano em que o sistema Nielsen SoundScan começou a contabilizar as vendas nos Estados Unidos e no Canadá), com 40 mil unidades vendidas. Agora, Lazaretto destronou Vitalogy, dos Pearl Jam, lançado em 1994 e detentor, até agora, do título de vinil mais vendido.

Em meados dos anos 90, o CD tomou conta do mercado e as vendas de vinil foram diminuindo. Até 2008, o ano da viragem. De acordo com o sistema Nielsen SoundScan, foi nesse ano que os LP venderam mais do que em qualquer outro ano desde 1991. Uma tendência que é mundial  que contrasta com as vendas de CD, que têm vindo a diminuir de ano para ano.

De acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, as vendas em vinil representam uma pequena fração dentro dos lucros da indústria da música, mas têm aumentado nos últimos anos. De acordo com dados do SoundScan, nos Estados Unidos da América as vendas de vinil aumentaram 32% em 2013. No mesmo ano, mas no Reino Unido, as vendas aumentaram para 101%, ou seja, duplicaram em comparação com o ano anterior.

Em Portugal a tendência é a mesma. Segundo um estudo da GfK Portugal sobre o mercado do entretenimento, em parceria com a Associação Fonográfica Portuguesa, em 2013 o mercado da música, que engloba quer o mercado físico quer os downloads pagos, caiu 13% em Portugal. No entanto, verificou-se que os portugueses estão a aderir cada vez mais ao streaming e a voltar ao vinil.