A magia dos filmes da Disney faz parte do imaginário de milhões de crianças, desde que, em 1937, os anões mais conhecidos do cinema saíram das minas a cantar “eu vou, eu vou, para casa agora eu vou”. Todavia, o estudo publicado pelo “The BMJ”, um dos mais repuatdos jornais de medicina do mundo, intitulado “Cartoons Kill” (“Os desenhos animados matam”, em português), citado pelo The Antlatic, explica que o universo de Mickey e companhia pode, afinal, não ser assim tão mágico. Basta lembrar que no filme “Branca da Neve e os Sete Anões”, a vilã é atingida por um raio e esmagada por uma pedra…

A conclusão dos psiquiatras especializados em epidemiologia Ian Colman e James Kirkbride é surpreendente: “Concluímos que filmes de animação para crianças, ao invés de serem alternativas inócuas para o sangue e carnificina típica de filmes americanos, são, na verdade, focos de assassinato e caos”, explicam Colman e Kirkbride.

Os autores partiram da comparação entre os maiores blockbusters de filmes de animação – o top-45, mais concretamente – e 90 filmes dramáticos, entre eles “Pulp Fiction”, de Tarantino. Chegaram à conclusão que em dois terços dos filmes de animação analisados, uma das personagens importantes morre. Em contrapartida, apenas em metade dos restantes filmes acontece evento semelhante. E mais: no que respeita aos filmes de animação, é duas vezes e meia mais provável que o destino dos personagens principais seja a morte, quando comparados com um filme “normal”.

O estudo cita exemplos concretos em que o destino das personagens foi, aparentemente, demasiado cruel para obras que se destinam a uma audiência maioritariamente composta por crianças. Quem assistiu ao filme Bambi lembrar-se-á da morte traumática da mãe de Bambi às mãos de um caçador. Ou então da morte trágica de Musafa, o pai do futuro Rei Leão – empurrado por Scar, o vilão da trama, cai de um penhasco e ainda é esmagado por uma manada de gnus.

E não se pode dizer que a Disney não tenha sido criativa na forma como eliminou as suas personagens, como comprovaram os investigadores: três mortes provocadas por uma arma de fogo (“Bambi”, “Peter Pan” e “Pocahontas”); dois esfaqueamentos (“Bela Adormecida” e “Pequena Sereia”); e, ainda, cinco mortes provocadas por ataques de animais (“A Vida de Inseto”, “Os Croods”, “Como Treinar o teu Dragão”, “Tarzan” e “À Procura de Nemo”).

Foi precisamente o filme que conta a viagem de um pai através do oceano à procura do filho desaparecido, que despertou a atenção de Ian Colman para a crueldade de alguns filmes de animação. O investigador da Universidade de Ottawa foi alertado por um amigo de que não deveria ver os primeiros cinco minutos do filme “À Procura de Nemo” com o filho.

O motivo? Marlin e Coral, pai e mãe de Nemo, são atacados por uma enorme barracuda. Para proteger os ovos depositados na base das anémonas, Marlin investe contra o predador, acaba por ser atingido e desmaia. Quando acorda, descobre que Coral e a maioria das crias por nascer – à exceção de Nemo – tinham desaparecido. Quantos filmes dramáticos se podem orgulhar de ter um guião tão desolador?