Arte Urbana

O passeio que mostra Lisboa como uma galeria de arte

732

De Marvila ao Cais do Sodré, a cidade reúne obras de arte urbana que também escondem histórias. A galeria Underdogs acaba de criar visitas guiadas para quem as quiser conhecer.

É uma espécie de maioridade. À 18ª parede, a galeria Underdogs percebeu que já era tempo de organizar um percurso para mostrar a arte que tem feito em Lisboa desde 2013. Chame-se-lhe uma exposição coletiva, com a diferença de que não acontece entre molduras mas espalhada por toda a cidade.

As Public Art Tours arrancam no sábado, dia 21 de março, e são mais um passo no caminho da galeria que abriu pela mão de Pauline Foessel e Alexandre Farto, conhecido como Vhils, para levar a arte urbana para dentro de quatro paredes, e ao mesmo tempo espalhá-la pelas ruas. Depois de uma série de exposições que já trouxeram nomes como Cyrcle e How & Nosm a pintarem fachadas em zonas como Alcântara e Campolide, a galeria acaba de reuni-las num percurso guiado onde se revelam segredos e detalhes de cada trabalho.

O ponto de partida acontece na loja de arte do Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, e segue para o Jardim do Tabaco, onde rapidamente se percebe que estas obras não têm nada de rabiscos desordenados — para quem tem andado desatento e não viu como a arte urbana vai muito para além dos tags — e são antes o resultado de um processo demorado de licenças da Câmara Municipal de Lisboa, pareceres de arquitetos e muito sobe e desce de gruas.

É no Jardim do Tabaco que está um dos trabalhos mais mediáticos de todas as intervenções da galeria: uma colaboração entre o próprio Vhils e o italiano Pixel Pancho, conhecido por desenhar robots enferrujados ou mesmo em decomposição, numa espécie de futuro passado.

Pixel Pancho jardim do Tabaco

Uma das obras de Pixel Pancho no Jardim do Tabaco.

No local, o guia destacado, que é sempre uma das pessoas da galeria, contextualiza a obra dos artistas mas desvenda também alguns pormenores. Neste caso, Pauline Foessel, diretora da Underdogs que fez uma pré-visita para o Observador, conta por exemplo que a casa em betão foi uma dor de cabeça para as brocas com que Vhils e a equipa escavam rostos na parede e que, apesar das dimensões, Pixel Pancho “desenha tudo diretamente na fachada, sem projeção e com o primeiro traço feito a pincel e tinta acrílica, e o resto a spray”.

Diferentes materiais, linguagens e técnicas são mostrados ao longo de cerca de três horas, com obras que passam por artistas brasileiros, como Finok e Nunca, franceses, como Olivier Kosta-Théfaine, alemães, como Clemens Behr, e portugueses, como Mais Menos e AkaCorleone, e que incluem uma paragem para conhecer a própria galeria e ver três curtos vídeos sobre as exposições, os prints e o trabalho na rua.

“Chamamos-lhe uma tour de arte pública, e não urbana, porque no futuro queremos desenvolver também instalações e esculturas”, diz Pauline. “Não é uma visita turística, é cultural, mas o objetivo também é mostrar algumas zonas de Lisboa que as pessoas geralmente não veem”, acrescenta a diretora, com especial enfoque na zona oriental da cidade, onde se concentram algumas peças. “Queremos chamar a atenção para Marvila, até porque temos lá a galeria e temos visto como as coisas estão a mudar nos últimos dois anos.”

Nem de propósito, é em Marvila que duas senhoras, vendo um pequeno grupo tirar fotografias ao Pedro Álvares Cabral desenhado por Nunca na rotunda da Rua do Vale Formoso de Cima, comentam: “Este está muito bonito. Mas já viram o outro, muito colorido e com papagaios? Também vale a pena.” Estão a falar de Okuda e da sua coroação alternativa do rei Felipe de Espanha. E são pombos, o que não interessa para o caso.

“Esta parte também é muito importante para nós, porque estas pessoas vivem aqui e isto dá uma nova vida aos edifícios que elas veem todos os dias”, comenta Pauline.

Não todos os dias mas uma vez por semana, as visitas acontecem aos sábados à tarde, por marcação e mediante um mínimo de sete inscrições (e um máximo de 15), num mini-autocarro e com um custo de 35 euros por pessoa. Para quem preferir algo ainda mais exclusivo e personalizado, há uma VIP tour individual em sidecar que custa 135 euros. No final, cada participante recebe um mapa com todos os pontos avistados, mapa esse que em breve também estará à venda na loja da Underdogs, para quem se quiser aventurar sozinho.

Nome: Underdogs Public Art Tours
Quando: Todos os sábados das 14h00 às 17h00, mediante pré-reserva até à sexta-feira anterior (às 13h00) ou presencialmente na loja.
Preço: 35€ adultos, 12,25€ até aos 12 anos.
Ponto de encontro: Underdogs Art Store (Time Out Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré)
Inscrições: info@under-dogs.net; 21 868 0462

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: adferreira@observador.pt
Livros

O dr. António Sousa Homem & família /premium

Maria João Avillez

Nessa noite, ao apagar a luz, com um cansaço jubiloso, feito de uma curiosidade que galopava à minha frente, surpresa sem nome e raríssimo deleite, olhei distraidamente para o relógio: era madrugada.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)