Centro Cultural De Belém

“A cabeça entre as mãos”, o novo ciclo para explicar o cérebro aos mais novos

Música, teatro e oficinas fazem parte do programa do ciclo "A cabeça entre as mãos", planeada pela Fábrica das Artes do CCB. Programa tem início a 23 de janeiro e prolonga-se até março.

A Fábrica das Artes é o serviço educativo do Centro Cultural de Bélem, em Lisboa

LUSA/LUSA

Curiosidade, medo, solidão, consciência, tudo isso cabe no cérebro humano e num ciclo de espetáculos e oficinas que a Fábrica das Artes, o serviço educativo do Centro Cultural de Belém, programa para os próximos três meses em Lisboa.

Intitulado “A cabeça entre as mãos”, o ciclo começa no dia 23 e prolongar-se-á até março com uma extensa programação de música, teatro, oficinas e uma exposição sobre o cérebro, tendo como ponto de partida um livro ilustrado e três perguntas, como contou à Lusa a programadora da Fábrica das Artes, Madalena Wallenstein.

O núcleo deste ciclo é uma exposição criada a partir do livro “Cá dentro”, escrito por Isabel Minhós Martins e Maria Manuel Fonseca e ilustrado por Madalena Matoso. É a partir dele que se estruturam vários percursos associados às neurociências e ao pensamento.

“Se pensarmos bem, não deixa de ser irónico (e até cómico) que o órgão que faz de nós aquilo que somos — seres que pensam, dançam, inventam, que se comovem e choram ou que são capazes de dar gargalhadas —, o órgão responsável por tudo isso, é uma massa esquisita e acinzentada, enrolada como uma noz e com uma textura próxima à de um cogumelo: um cérebro”, lê-se nas primeiras páginas do livro, editado em 2017 pela Planeta Tangerina.

Ao longo do livro, as autoras deixam ainda interrogações e respostas sobre a relação entre o cérebro e a felicidade, sobre alimentação, sono e prazer, sobre capacidades artísticas e motoras do ser humano, revelam como funciona o cérebro de alguns animais e apresentam factos e mitos associados a “uma das estruturas mais complexas e misteriosas do universo”.

Na Fábrica das Artes, o livro é convertido sobretudo em oficinas para todas as idades, de música, de artes plásticas, de artes visuais, de escrita criativa e de filosofia.

“Quis partir de três perguntas: O que é que nos acontece quando lemos um livro? Por que perdemos a noção de tempo quando brincamos? Como criamos memórias de uma nova paisagem? A exposição tem três portas de entrada e escolhemos a pergunta que queremos seguir e depois desdobra-se em muitas coisas”, contou Madalena Wallenstein.

Rita Pedro e Dina Mendonça, da área da Filosofia, farão uma oficina de filosofia para maiores de oito anos, sobre emoções, a mente e a memória, Ana Rita Fonseca e Patrícia Correia, ligadas às neurociências, dedicarão uma oficina para adolescentes para falarem de consensos. Madalena Matoso prepara uma oficina de artes plásticas para todas as idades que se apresenta como uma instalação coletiva que irá crescer à medida da participação dos espectadores durante o trimestre.

Destaque ainda para uma oficina “neuro-gastronómica” para adultos, conduzida por Patrícia Correia e Marina Garcia para “saborear diferentes alimentos e entender como o cérebro consegue fazer degustações”.

O ciclo contará ainda com dois momentos de música e teatro, ambos encomendas da Fábrica das Artes, ambos em estreia. A partir do livro infantil “O pequeno livro dos medos”, que Sérgio Godinho escreveu e ilustrou, o CCB convidou-o a fazer um concerto “para todas as infâncias”, tendo como tema central o medo. Em palco, de 8 a 10 de março, Sérgio Godinho contará com o pianista Filipe Raposo e na produção de imagem com o realizador André Godinho.

A 28 de março estreia-se a peça “A bolha”, uma criação do coletivo Os Possessos, de João Pedro Mamede e Catarina Rôlo Salgueiro, sobre alienação e adolescência.

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