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DJ Fat Boy Slim estreia-se como curador de arte em Lisboa desafiado por Vhils

A exposição "Smile High Club" tem como destaque as obras da coleção de 'smileys' que Norman Cook começou há 30 anos. Mostra curada pelo DJ Fat Boy Slim pode ser visitada até 27 de julho.

"Smile High Club" é inaugurada esta sexta-feira na galeria Underdogs, em Lisboa

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O símbolo ‘smiley’ e o seu criador, Harvey Ball, são figuras centrais de “Smile High Club”, exposição com curadoria do DJ britânico Fat Boy Slim (Norman Cook) que é inaugurada esta sexta-feira na galeria Underdogs, em Lisboa.

“Smile High Club” representa uma estreia de Fat Boy Slim na curadoria de exposições. “Para mim é tão empolgante estar a fazer algo fora da minha carreira na música e explorar o outro amor na minha vida [a Arte]”, afirmou, em declarações à agência Lusa.

A mostra reúne trabalhos de 12 artistas e coletivos, alguns criados propositadamente para a ocasião, e obras da coleção de ‘smileys’ que Norman Cook começou há 30 anos.

“A ideia é promover o trabalho do Harvey Ball [norte-americano que criou o símbolo que consiste num círculo amarelo com olhos e sorriso pretos] e o nome Harvey Ball e eu colaborar com artistas e desafiá-los a fazerem algo à volta do ‘smiley’ ou do Harvey Ball”, explicou.

Dos 12 artistas e coletivos — Andrea Harz, Bob Jaroc, Carrie Reichardt, Chemical X, Estúdio Pedrita, James Joyce, Jimmy Cauty, Joseph Ford, Mark Vessey, Ron English, RYCA e The London Police -, alguns são amigos de Norman Cook, outros conhece porque usam o ‘smiley’ nos seus trabalhos, e de outros, como os portugueses Estúdio Pedrita, é “apenas fã”.

Aos que já usavam ‘smiley’ nos seus trabalhos, Fat Boy Slim pediu-lhes para “irem mais longe”, a outros, como o coletivo britânico The London Police e os Estúdio Pedrita, sugeriu que fizessem um retrato de Harvey Ball. No caso dos portugueses, porque achou “que fazer um ‘smiley’ com os azulejos não funcionaria e sabia que eles fazem retratos muito bons”.

A conversa de Norman Cook com a Lusa decorreu na quinta-feira, na Underdogs, enquanto a exposição estava a ser montada e o DJ via algumas das peças pela primeira vez, sem ser através do ecrã de um telemóvel. “Estou literalmente como uma criança no meu entusiasmo”, partilhou.

A possibilidade de o DJ, pela primeira vez, curar uma exposição de arte aconteceu através “da amizade e colaboração com [o artista português] Vhils” e é “uma espécie de fusão, cruzamento, entre carreira musical e o amor pela Arte”.

“O Vhils só me perguntou se queria fazer uma exposição e eu pensei no que poderia juntar. O ‘smiley’ é algo muito importante para mim, na minha vida, e através da música e da Arte tem sido uma constante na minha vida”, contou.

Na galeria estará uma “pequena parte” da coleção que Norman Cook começou em 1989, numa altura em que “a moda do [estilo de música] ‘acid house’ passou e toda a gente deu o que tinha com ‘smileys'”.

“Como eu gostava do ‘smiley’ em vez de estar obcecado com ‘acid house’, foi quando comecei a colecioná-lo, porque toda a gente estava a livrar-se dele”, recordou, lembrando que na altura em que “a cena do ‘acid house’ explodiu toda a gente usava t-shirts com o ‘smiley’, remendos e autocolantes”.

O DJ não consegue precisar quantos itens tem na coleção, mas vão “desde uma tatuagem [no braço] a preservativos”.

“Tenho uma boa coleção de arte – The London Police, RYCA com quem faço muita coisa de smileys para a minha carreira -, tenho uns 30 quadros ou trabalhos artísticos, milhares de coisas pequenas, uma tatuagem, o telhado de minha casa tem pintado um ‘smiley’ com cerca de nove metros de diâmetro, que pode ser visto do espaço, e uma vez numa atuação no festival Creamfields consegui que o público formasse um ‘smiley’ humano, que provavelmente pôde ser visto do espaço”, referiu.

Apesar de a coleção só ter começado há 30 anos, o primeiro item foi adquirido em 1977: “Acho que a minha cópia, agora assinada, do ‘Psycho Killer’, single de 12 polegadas dos Talking Heads, é provavelmente o primeiro objeto da minha coleção”.

“A capa era uma foto de uma t-shirt com o ‘smiley’, o que em tempos de punk era muito irónico. Mas o uso do ‘smiley’ na nossa cultura é muitas vezes irónico — a imagem da morte com um ‘smiley’ ou da polícia de choque — então funciona como uma posição”, considerou.

Hoje, além de estar prometido um pequeno ‘set’ na inauguração da exposição, Fat Boy Slim tem uma atuação marcada no ‘rooftop’ [terraço, em português] do Terminal de Cruzeiros de Lisboa. “Atuar como DJ na abertura da minha exposição é um sonho tornado realidade”, afirmou Norman Cook, reforçando a ideia de como “é bom poder juntar tudo [música e Arte] e conseguir fazer as duas coisas”.

“Smile High Club”, de entrada livre, pode ser visitada até 27 de julho.

A Underdogs é uma plataforma cultural, fundada pela francesa Pauline Foessel e pelo português Alexandre Farto (Vhils), que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes da cidade, exposições dentro de portas (no n.º 56 da Rua Fernando Palha) e a produção de edições artísticas originais.

A plataforma, que começou em 2015 a organizar visitas guiadas de Arte Urbana em Lisboa, tinha também uma loja, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, que acolhia exposições e que a partir de hoje passa a funcionar no espaço da galeria.

Esta sexta-feira, além de “Smile High Club”, é também inaugurada na Underdogs “Ignorantism”, exposição individual do francês Fuzi, que nesta mostra, de acordo com o texto de apresentação, “regressa à espontaneidade do graffiti, evocando as marcas inscritas em paredes de prisões, rabiscadas em cubículos de casas de banho, ou riscadas em janelas de comboios”.

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