TMB é o nome do grupo de que aqui se fala: Tiago Bettencourt e HMB, juntos num espetáculo conjunto já esta quarta-feira, 31 de julho, no Jardim na Villa, em Vilamoura, Algarve. O desafio foi proposto pelo Heineken Convida à banda portuguesa: convidar um artista para partilhar o palco. A escolha não foi difícil, de acordo com o guitarrista dos HMB, Frederico Martinho: “Pediram-nos para escolher um artista com quem gostássemos muito de partilhar o palco e fazer esta junção. Nós e o Tiago já temos uma história longa, tanto de ligação musical como de amizade, e achámos que era uma oportunidade muito fixe fazer isto.”

Um concerto que quer ter o melhor dos dois mundos — a soul e o funk dos HMB, o pop rock de Tiago Bettencourt — como também mexer na identidade nas canções de ambos os artistas. “No fundo sou eu a tocar com a banda dos HMB, que é uma grande banda. Por isso deixo um bocado eles tocarem as minhas músicas à maneira deles”, conta Bettencourt. “Obviamente que há determinadas coisas que têm que aparecer ali, acho. Mas de resto foi tudo bastante natural, e eles também tentaram pensar em temas com os quais eu não ficasse muito fora de pé, porque não tenho muita soul na voz, onde a minha parte mais folk/rock não chocasse muito. Mas acho que tem corrido bem, que nos temos adaptado à coisa.”

Entre a energia dos HMB e a serenidade de Bettencourt, o vocalista Héber Marques acredita no resultado final do concerto: “Nos HMB é bastante comum haver muita interação. O Tiago também comunica muito, de uma outra maneira. Os HMB é que puxam muito pela malta, que é para cantarem… Mas está a ser uma boa sinergia. Acho que vai ser um espetáculo muito interessante de se ver.”

A reportagem da entrevista aos HMB e a Tiago Bettencourt

Um dos motivos que levou esta dupla, que se apresenta como TMB (a junção de “Tiago” com “HMB”), a juntar-se foi a admiração mútua. Quando questionado sobre a canção favorita dos HMB, Tiago Bettencourt não hesitou: “Tenho um carinho muito grande pela ‘Não Me Deixes Partir’, que vou cantar. Foi a primeira vez que eu ouvi os HMB e acho que é uma música linda de morrer e ficamos sempre com um carinho especial pela primeira que ouvimos.” Já para os HMB, cada um dos membros da banda poderia ter escolhido um tema diferente de Tiago Bettencourt, mas há um que é óbvio para todos: o “Maria”, já que foi a primeira canção que Tiago sugeriu que tocassem em conjunto.

E já que a dupla se parece entender em palco, fica no ar a hipótese de se voltarem a juntar, talvez para um projeto mais duradouro. “Não é de todo descabido fazer qualquer coisa especial, nem que fosse mais original, com o Tiago. É um artista do qual nós temos muito orgulho em ter como amigo também. E que admiramos bastante. Por isso, faz todo o sentido, não me chocava nada”, conta Héber Marques.

Quanto à preparação antes do concerto, os HMB concordam que o conforto a mais não é um fator que ajude ao espetáculo: “É engraçado, há uma conversa entre o Eddie Murphy e o Seinfeld e eles falam exatamente disso: ‘Não posso estar completamente confortável e no controlo de todas as ideias, porque quando assim é começa a dar buraco’. Acho que é a mesma coisa. Tem que haver um espaço para o medo e para a incerteza, diria”, explica o vocalista dos HMB.

Já Tiago Bettencourt nota a importância em se ter confiança: “Já não fico nervoso nos concertos, só fico nervoso quando não confio que está tudo bem. Ou seja, pelo menos com a minha banda, se sinto que as coisas não estão bem ensaiadas e não sei se as coisas vão correr bem ou não. Aqui eu estou bastante relaxado, ou seja, eu sei que este concerto vai ser longe de perfeito mas vai ter uma grande energia. Porque eu confio imenso neles, no talento deles.”

O certo é que momentos antes de subirem ao palco, seja ele qual for, os HMB não deixam falhar o ritual: cantam sempre um hino espiritual religioso da banda. É o passo final para a energia certa. Já Tiago Bettencourt, opta por algo mais simples: “Bebo um shot de sumo de maracujá.” [risos]

Os membros dos HMB com Tiago Bettencourt

Mas mesmo entre anos de estrada e muita confiança, há sempre desafios. O guitarrista dos HMB, Frederico Martinho, salienta que o mais difícil acaba por ser trazer algo de novo. “Quando começámos, começava-se por um circuito de bares, a malta tinha que se provar nos bares e nos concursos de banda antes de subir em palco. Hoje em dia já mudou totalmente. As pessoas provavelmente saem do quarto para o Youtube e do Youtube para o primeiro concerto até numa plataforma bastante grande. Portanto eu acho que já não estamos propriamente credenciados para dizer qual é o maior desafio. Acho que manter uma carreira é um grande desafio”, conta. “Por exemplo, nós agora estamos noutra frase em que as coisas já não são novas, não é? Não há novidade. Mas há que manter a frescura e descobrir essa inocência e até alguma despreocupação sobre aquilo que os outros vão achar e preocuparmo-nos mais com o que nós achamos. Isso é um grande desafio.”

A honestidade é também, para o baixista Joel Xavier, um fator a ter em conta: “Há cada vez mais informação, há muitas influências e por vezes pode surgir a tentação de sermos uma cópia de alguma coisa que já vimos, até de forma inconsciente. Para nós que estamos numa fase diferente da carreira, com mais maturidade, isso deixa de ser tão difícil porque já temos outra confiança. Mas para artistas mais novos e que estejam agora a começar ou que têm sucesso muito cedo, pode haver uma necessidade de copiar os outros. Acho que isso é um desafio.”

Uma confiança à qual se poderá assistir ao vivo esta quarta-feira, 31 de julho, no Jardim na Villa, em Villamoura (Algarve). É um dos concertos do Heineken Convida que, pelo segundo ano consecutivo, apresenta cinco espetáculos distribuídos pelo verão. Depois da dupla TMB subir ao palco algarvio, seguem-se os DJs Ride e Holly, que formam a dupla “Ridlly” e atuam no Baleal a 16 de agosto. Para acabar em grande: o Heineken Convida fecha a segunda edição com dois concertos em setembro, com os TMB a juntarem-se para mais um concerto a 5 de setembro, no Praia no Parque, em Lisboa. A 20 de setembro, é a vez dos Capitão Severo (que juntam os portugueses Capitão Fausto e Luís Severo), fecharem o evento com um concerto no Plano B, no Porto.