Mais de uma centena de trabalhos da fotógrafa norte-americana Vivian Maier, entre fotografias e vídeos, poderão ser vistos no Centro Cultural de Cascais, a partir de 16 de janeiro, numa “mostra inédita em Portugal”, foi anunciado esta terça-feira.

Num comunicado, a Fundação D. Luís I, que coorganiza a exposição, refere que “a enigmática fotógrafa norte-americana Vivian Maier (1926-2009) terá a sua excecional obra apresentada entre 16 de janeiro e 16 de maio de 2021, no Centro Cultural de Cascais, numa mostra inédita em Portugal”.

Com curadoria de Anne Morin, “Vivian Maier: Street Photographer”, reúne 135 trabalhos, entre fotografias e filmes em Super 8, da “ama que impressionou o mundo com a sua fotografia e que, através da sua profunda vontade de documentar, registar e interpretar o mundo ao seu redor, captou inúmeras peculiaridades da América urbana, na segunda metade do século XX”.

Os trabalhos que estarão em exibição em Cascais, realizados entre 1953 e 1984, na sua maioria a preto e branco, “incluem uma série dos peculiares autorretratos da artista realizados com um cunho muito pessoal, quase como se estivessem assinados”.

“São também apresentadas fotografias a cores que Maier produziu nos últimos 30 anos da sua vida, nas quais se evidencia o seu olhar atento para a harmonia das cores na composição das imagens”, lê-se no comunicado.

A Fundação D. Luís I destaca que “o que torna Vivian Maier única é que as suas fotografias não foram feitas por encomenda, nem com o intuito de serem expostas ou publicadas em busca de reconhecimento artístico ou retorno financeiro”.

“A esmagadora maioria dos seus negativos não foi impressa enquanto foi viva. As suas fotografias são testemunhos silenciosos das suas experiências e da sua visão sobre a complexidade da experiência humana”, acrescenta

Vivian Maier é “uma artista velada pelo mistério”, que durante mais de quarenta anos trabalhou como ama em Chicago.

“Nos tempos livres, percorreu as ruas daquela cidade e de Nova Iorque, fotografando cenas da vida quotidiana com empatia, espontaneidade e sensibilidade, observando pessoas de todas as idades e classes sociais, e captando os seus retratos em arrojados enquadramentos”, recorda a fundação.

O resultado desses passeios “é uma obra impressionante que compreende mais de 100 mil imagens, descobertas em 2007 quando o historiador John Maloof, mais tarde também ele fotógrafo e realizador de cinema, comprou em leilão o conteúdo abandonado de dois contentores de armazém e se viu na posse de milhares de negativos, diapositivos e fotografias impressas, além de uma série de vídeos caseiros e gravações de áudio”.

Vivan Maier, filha de pai austríaco e mãe francesa, nasceu em Nova Iorque, em 1926, tendo vivido a maior parte da juventude em França.

Em 1951, quando começou a trabalhar como ama, regressou aos Estados Unidos. Morreu em Chicago, em 2009, aos 83 anos.

O trabalho de Vivian Maier foi tema de um documentário, “À Procura de Vivan Maier” (2013), de John Maloof e Charlie Siskel, nomeado para um Óscar.

A exposição “Vivian Maier: Street Photographer” é coorganizada pela Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da programação do Bairro dos Museus.