“Siga a Banda!”

O cinema francês a fazer aquilo que fazia muito, e muito bem, noutros tempos: um filme popular, comercial e de qualidade, acarinhado por público e crítica e que viaja bem para fora de portas. Thibaut Desormeaux (Benjamin Lavernhe), um maestro de renome internacional, descobre que tem leucemia, e que foi adoptado, quando o ADN dos testes feitos pela irmã para saber se lhe pode doar medula, não bate com o seu. A mãe adotiva revela-lhe também que tem um irmão, Jimmy (Pierre Lottin), que ficou na vila mineira do norte de França onde ambos nasceram e foi adotado por um casal local. Thibaut viaja para lá, conhece Jimmy, que trabalha na cantina da escola, também tem o dom da música e toca trombone na banda local, e decide ajudá-lo, e ao agrupamento. Siga a Banda! é a história de um encontro de irmãos que a música ajuda a juntar, e também o de dois universos musicais aparentemente estanques, e o realizador Emmanuel Courcol mostra que se podem mesmo fazer bons filmes com bons e sinceros sentimentos e um fundo realista, e sem ter que transigir com finais “confortáveis”. Sim, sigamos esta banda.

“Vitória”

Andrucha Waddington, autor de títulos como Eu Tu Eles e Casa de Areia, assina Vitória, com Fernanda Montenegro no papel do título, e que se baseia no caso real de uma idosa que desmantelou um esquema de tráfico de droga no sítio em que vivia. Nina é uma octogenária que vive sozinha em Copacabana e se sente cada vez mais angustiada por causa da crescente violência no seu bairro, associada ao tráfico de droga. Apesar da relutância dos vizinhos, que têm medo de represálias, ela decide comprar uma câmara portátil e filmar, da janela de sua casa, as movimentações dos traficantes, na esperança de que isso possa ajudar a polícia a acabar com o flagelo. Depois de vários meses a registar as atividades dos traficantes, Nina atrai a atenção de um jornalista, que se propõe ajudá-la na sua missão, mas acabam ambos por ficar em perigo porque os traficantes também estão atentos e têm os seus informadores. Vitória tem estreia simultânea em Portugal e no Brasil.

“Black Bag”

Steven Soderbergh realiza, com argumento de David Koepp, esta fita de espionagem. George Woodhouse (Michael Fassbender) e Kathryn St. Jean (Cate Blanchett) são marido e mulher, vivem em Londres, trabalham ambos nos serviços de informações britânicos e confiam inteiramente um no outro. Certa noite, George recebe, de um outro agente, uma lista com os nomes de cinco colegas que podem ser traidores e que vão passar para mãos perigosas um dispositivo secreto que pode desencadear um conflito nuclear com a Rússia. George vê que um desses nomes é o da mulher, que, por coincidência, vai ausentar-se alguns dias para uma missão em Zurique, cuja natureza não revela ao marido, por ser, no jargão do ofício, “black bag” (ou seja, um operação confidencial cujos detalhes não podem ser partilhados) Poderá ela ser a traidora? George decide então juntar todos num jantar em casa do casal. Black Bag foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.