A ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, anunciou, esta quarta-feira, ter nomeado “Paula Ferreira e Luís Menezes para os dois lugares em representação do Estado no conselho de administração da Fundação de Serralves”.
A decisão de escolher os dois representantes que faltavam no conselho de administração da Fundação de Serralves estava do lado do primeiro-ministro, Luís Montenegro, como confirmou o Observador a 3 de abril junto de uma fonte do gabinete do Ministério da Cultura, contrariando aquilo que vinha sendo hábito no que toca no processo de nomeações para a instituição.
No entanto, o comunicado esta quarta-feira indica que a decisão última partiu da ministra, mesmo que em pleno “período de gestão, citando um “pedido expresso e urgente da Presidente daquele Conselho de administração, para garantir o regular funcionamento da Fundação”. A nota do Ministério da Cultura refere-se assim a Isabel Pires de Lima, que tomou posse como presidente do conselho de administração dessa instituição em janeiro.
A fonte do gabinete do MC tinha mencionado ao Observador que Luís Montenegro seria o responsável pelas nomeações, pois “chamou a si a definição dessas duas pessoas”.
Segundo as notas biográficas que acompanham o anúncio, Paula Ferreira exerceu funções como juíza entre 1999 e 2016 e é atualmente administradora na Media Capital, sendo vice-presidente da Pluris Investments de Mário Ferreira e administradora executiva da MysticInvest Holding e responsável de assuntos legais (‘chief legal officer’) e de recursos humanos (chief human resources officer’) na DouroAzul. É casada com o empresário Mário Ferreira
Já o economista e antigo deputado do PSD Luís Menezes — filho do ex-presidente social-democrata e ex-autarca de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes — é, atualmente, presidente executivo do Grupo Ageas Portugal.
A ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima é a atual presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, sucedendo a Ana Pinho, que passou para a presidência, ainda em 2024, do Conselho de Fundadores da instituição.
Os dois representantes do Estado no conselho de administração da fundação eram os elementos que faltavam para que aquele órgão, no período 2025-2027, ficasse completo, sendo composto também pelo colecionador Armando Cabral, o cientista Manuel Sobrinho Simões e os gestores Fernando Cunha Guedes (Sogrape), Tomás Jervell (Grupo Nors) e Luís Silva Santos (Ascendi). Maria do Carmo Oliveira é a mais recente adição ao conselho e o seu nome já consta no site da instituição. A gestora, com um passado no Banco BPI, é membro não-executivo do Conselho de Administração da Altri SGPS e do Grupo Ibersol e membro do Conselho Municipal de Economia da Câmara Municipal do Porto. Entrou em funções em Serralves no início de janeiro, confirmou ao Observador fonte da instituição.
Como já fora mencionado pelo Observador, segundo os estatutos da Fundação de Serralves, “o Conselho de Administração é composto por nove membros, sendo um presidente, três vice-presidentes e cinco vogais”, com a designação de novos administradores a efetuar-se “por voto secreto e maioria absoluta”, sendo que a escolha dos membros é da responsabilidade do próprio conselho, “com a exceção de dois, que serão sempre nomeados pelo Estado“.