A antiga deputada comunista Rita Rato foi afastada da direção do Museu do Aljube — Resistência e Liberdade por decisão da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). A decisão é conhecida no seguimento de, também esta semana, Francisco Frazão ter sido notificado de que deixará de ser o diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, gerido pela mesma entidade.

A notícia é avançada pelo jornal Público, que teve acesso a uma nota que Rita Rato enviou aos conselheiros do Museu do Aljube e na qual revela que a decisão da EGEAC de não a reconduzir (o mandato acaba a 31 de março) lhe foi comunicada esta quinta-feira. Em declarações ao jornal, a antiga deputada deixou um agradecimento à equipa com quem trabalhou no museu.

Ao Público, Rita Rato frisou ainda que se “orgulha” do trabalho “árduo” feito ao longo de seis anos.

A diretora cujo mandato agora termina assumiu o cargo em 2020, sucedendo a Luís Farinha. Na altura, o nome foi contestado por vários historiadores, que sustentavam que a ex-deputada comunista não tinha currículo ou experiência para assegurar a direção do Museu do Aljube, inaugurado em 2015, nas instalações onde outrora funcionou a prisão da PIDE. E acusavam a EGEAC de ter mostrado falta de “transparência” no processo, ao qual concorreram cerca de 60 candidatos, muitos com experiência em museologia e formação em História.

Nessa altura, a EGEAC destacava, na biografia publicada, que Rita Rato é licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, foi deputada à Assembleia da República entre 2009 e 2019 e participou, como Coordenadora do Grupo Parlamentar na Comissão de Educação, Ciência e Cultura (2011-2015), tendo-se destacado “pelo projeto apresentado e pelo desempenho nas entrevistas realizadas com o júri”.

Já em 2023, Rita Rato foi reconduzida pela EGEAC para um novo mandato de três anos (o que agora acaba), em comissão de serviço. Dizia então à Lusa estar “entusiasmada”, frisando que os números de visitantes em 2022 tinham sido “os melhores de sempre no Museu do Aljube”.