A extinção da Fundação Júlio Pomar foi formalizada esta quinta-feira, com a publicação em Diário da República do despacho do Governo sobre o assunto.

Em dezembro do ano passado, o presidente da fundação, Alexandre Pomar, disse à Lusa que tinha sido entregue todo o património daquela entidade ao Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, esperando pela extinção da fundação ainda em 2025.

Contactado na altura pela agência Lusa, Alexandre Pomar, filho de Júlio Pomar (1926-2018), indicou que o processo de encerramento, iniciado em 2023, estaria “prestes a ser formalizado pela tutela”, aguardando apenas a confirmação da Secretaria-Geral da Presidência do Concelho de Ministros.

“Da parte da Fundação Júlio Pomar está tudo encerrado. Todo o espólio foi entregue ao Atelier-Museu, e também foi oficializada a transferência de propriedade” para a Câmara Municipal de Lisboa, referiu o responsável pela obra do pai, um dos artistas de referência da História da Arte portuguesa do século XX e início do século XXI.

A Fundação Júlio Pomar foi criada em 2004 para acolher doações da obra do artista, o que veio a acontecer em vários momentos, nomadamente em 2014, quando ainda em vida o autor doou à fundação com o seu nome cerca de 300 obras, incluindo pinturas, esculturas, desenhos e gravuras.

Nesse conjunto encontravam-se, entre outras obras, os óleos Mulheres na Lota, de 1951, Ponte de D. Luiz, de 1962, Estudo em vermelho, de 1964, em acrílico e pastel sobre tela, Mariza, de 2011, e Fernando Pessoa e Alfredo Marceneiro, do mesmo ano.

Desde a decisão do encerramento da fundação em 2023, como a Lusa então noticiou – ligada à aposentação de Alexandre Pomar “e também aos reduzidos rendimentos anuais que não davam para ter uma administração profissionalizada ou ter funcionários” -, que o espólio foi sendo transferido para o Atelier-Museu onde já se encontrava muito do acervo, recordou o responsável à Lusa.

Inaugurado em 2013 no centro histórico de Lisboa, o Atelier-Museu Júlio Pomar, dirigido pela curadora Sara Antónia Matos, foi criado pela Câmara Municipal de Lisboa sob gestão da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural – Lisboa Cultura para exibir, divulgar e estudar a obra do artista, composta por pintura, escultura, cerâmica e colagens.

Ao longo de mais de uma década, o museu tem vindo a receber entre oito mil a dez mil visitantes por ano, e tem realizado exposições fora de Lisboa, nomeadamente no Porto, Foz Côa, Anadia, Arraiolos, Viana do Castelo, Loures e Torres Vedras.

O imóvel onde está instalado o museu, um antigo armazém do século XVII, próximo da Igreja de Nossa Senhora de Jesus, foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa em 2000 com o objetivo de o recuperar para ali instalar o espaço dedicado ao estudo e divulgação da obra do artista.