Momentos-chave
- O que se passou até agora
- Francisco Assis diz que Moedas não tem condições para continuar no cargo: "Não é um líder e isso tem-se notado"
- Leitão admite que manutenção de elevadores volte a ser feita pela Carris
- "Estou de consciência tranquila em relação àquilo que fiz"
- "Não sou um moderado fofinho. Tenho de me defender"
- Moedas volta a garantir: "Assumirei as minhas responsabilidades"
- Oposição na Câmara de Lisboa lamenta saída de Moedas durante reunião
- Ventura acusa Moedas de fazer declarações falsas sobre demissão de Jorge Coelho
- Pedro Nuno Santos: "Desrespeita as vítimas quem as usa para evitar discutir responsabilidades políticas"
- Associação de trabalhadores da Carris: "Disputa política ou comentário precipitado" só gera ruído
- Chega apresenta moção de censura a Carlos Moedas na Assembleia Municipal de Lisboa
- Ventura critica "falta de sentido de responsabilidade" de Carlos Moedas
- Ferro Rodrigues ataca Carlos Moedas por "mentiras" sobre Jorge Coelho
- Entrevista de Moedas foi "insultuosa" para Jorge Coelho com objetivo de "tentar apagar a sua responsabilidade"
- Ponto de fixação é apenas inspecionado a cada quatro anos e quando cabo é substituído
- Seguro diz que portugueses "têm direito ao apuramento das responsabilidades", mas recusa entrar em questões políticas
- Alexandra Leitão: "Na sequência da tragédia, tivemos 96 horas de inação de Moedas"
- PS diz não ter confiança no Conselho de Administração da Carris
- "Acha que a culpa poder morrer solteira?", perguntam socialistas da CML a Moedas
- Moedas quer atribuir bolsa de estudos aos filhos do guarda-freio e batizar uma rua com o seu nome
- "Este momento trágico não pode ser um momento de aproveitamento político", defende Anacoreta Correia
- Eurico Brilhante Dias: "Carlos Moedas está de cabeça perdida"
- Câmara Municipal de Lisboa discute hoje o Elevador da Glória em reunião extraordinária
- José Luís Carneiro acusa Carlos Moedas de "fuga para a frente" e de insultar socialistas
Histórico de atualizações
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O que se passou até agora
- O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, está a enfrentar críticas significativas no seguimento do trágico acidente do Elevador da Glória, que resultou em 16 mortos. Diversas figuras políticas, incluindo José Luís Carneiro, Eurico Brilhante Dias, André Ventura e Alexandra Leitão, acusam Moedas de fugir às suas responsabilidades e de fazer declarações inaceitáveis, incluindo insultos a membros do Partido Socialista e referências ofensivas ao falecido Jorge Coelho.
- Carlos Moedas afirmou em entrevistas que se demitirá apenas se for comprovado que não deu as condições necessárias à Carris, na sequência do acidente. Defendeu também que não deve politizar-se a tragédia e sublinhou que assumirá as suas responsabilidades, reforçando que não é um “moderado fofinho” e que a busca pela verdade é crucial para ele e para os lisboetas.
- O incidente no Elevador da Glória suscitou discussões sobre a externalização da manutenção da Carris. O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, criticou esta prática, considerando-a uma decisão errada de responsabilidade tanto do PS como do PSD. Por sua vez, a CDU propôs que se inicie uma avaliação para a possível internalização dos serviços de manutenção da Carris, com o objetivo de reforçar a segurança dos equipamentos.
- A Câmara Municipal de Lisboa, através de propostas dos seus vereadores, avançou com a ideia de criação de um fundo municipal de apoio às famílias das vítimas, bem como a instalação de um memorial e a atribuição do nome do guarda-freios falecido a uma rua. Há também propostas para a formação de uma equipa de missão que conceba um novo sistema tecnológico para o Elevador da Glória, envolvendo entidades técnicas de renome.
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Continue a acompanhar toda a atualidade relativa à tragédia do elevador da Glória neste novo liveblog, que agora abrimos.
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Francisco Assis diz que Moedas não tem condições para continuar no cargo: "Não é um líder e isso tem-se notado"
Francisco Assis considerou hoje que o presidente da Câmara de Lisboa deixou de ter condições para exercer o cargo com dignidade face à postura que tem assumido após o acidente no Elevador da Glória. “Carlos Moedas revelou a sua óbvia inaptidão para o desempenho das funções que ainda exerce. Não é um líder e isso tem-se notado. Mas o que se passou ontem à noite numa entrevista que concedeu a uma televisão excedeu tudo o que é imaginável e tolerável”, escreveu o eurodeputado socialista numa publicação no Facebook.
“Insultou a sua adversária directa [a candidata socialista à liderança da Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão] e chamou sicários, isto é, assassinos a mando de alguém, a duas relevantíssimas figuras da vida política nacional. Isto seria sempre inadmissível, é moralmente escandaloso no contexto de uma tragédia”, afirmou.
Francisco Assis disse ainda que o comportamento de Carlos Moedas só pode resultar de um “dramático conflito interior”. “Sabe que não está a agir de acordo com os padrões que estabeleceu para outros. Isso deve ter um efeito psicológico devastador e tem como consequência a perda de condições para exercer com o mínimo de dignidade as funções de Presidente da Câmara de Lisboa”, defendeu.
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Paulo Raimundo considera que externalização da manutenção da Carris foi opção errada
O secretário-geral do PCP considerou hoje que a “externalização da manutenção da Carris foi uma opção errada” e reiterou a ideia de que o presidente da Câmara de Lisboa deveria ter-se demitido após o acidente que causou 16 mortos.
“Se Carlos Moedas fosse coerente com as suas afirmações, teria que, em consciência, tomar uma decisão sobre essa matéria”, disse Paulo Raimundo, deixando implícita a ideia de que o autarca está a ser incoerente e que deveria ter-se demitido na sequência do descarrilamento do elevador da Glória, na passada quarta-feira, em Lisboa, que causou 16 mortos.
Paulo Raimundo referia-se às declarações do atual presidente da Câmara de Lisboa proferidas em 2021, após a polémica do chamado “Russiagate”, quando Carlos Moedas (PSD) pediu a demissão do então presidente do município, Fernando Medina (PS), considerando que era necessário “um novo tipo de políticos, que assumiam as suas responsabilidades, mesmo perante um erro técnico”.
O líder comunista, que falava à agência Lusa durante uma visita às Festas das Vindimas, em Palmela, no distrito de Setúbal, criticou também a externalização da manutenção da Carris, responsabilizando PS e PSD por essa decisão.
“Nós estamos ainda à espera das conclusões finais, das investigações que estão a ser feitas, mas podemos já partir de um princípio, que eu acho que é correto, de que a opção de externalização da manutenção de Carris foi uma opção errada”, disse.
“E essa opção errada – temos de ser justos -, não foi [apenas] da responsabilidade do PSD; foi da responsabilidade do PS e do PSD. E, portanto, eu diria que as responsabilidades políticas são mais amplas”, acrescentou Paulo Raimundo.
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"Protocolos de vistoria têm de ser revistos", defende Alexandra Leitão
A candidata socialista à CML defende que os “protocolos de vistoria [dos elevadores] têm de ser revistos”, tendo em conta que a nota técnica mostrou que a vistoria que foi feita não detectou o problema que esteve na origem do acidente no elevador da Glória.
“Se isto aconteceu é porque estes protocolos têm de ser revistos, com o apoio técnico e com a maior segurança possível”, diz defendendo que “neste momento é fundamental restaurar a confiança dos lisboetas”.
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Candidata do PS defende "modernização tecnológica" dos elevadores
Questionada sobre a retirada da inspeção de segurança da Carris do IMT — decidida durante a governação socialista –, Alexandra leitão diz que não acha “mal que se confie na Carris”. A candidata socialista pergunta a Moedas por que motivo não fez essa avaliação durante os quatro anos do mandato.
Sobre o ajuste direto que foi feito com a empresa de manutenção, depois de o concurso público não ter tido interessados, Leitão começa por dar uma “nota” sobre o lançamento “tardio” do referido concurso e com o “preço inferior” que mostra que “está a ser retirado dinheiro à manutenção”.
Leitão defende que se chamem “técnicos para pensar em soluções de modernização tecnológica para aqueles elevadores”.
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Leitão admite que manutenção de elevadores volte a ser feita pela Carris
A candidata do PS à CML diz que se for eleita vai avaliar qual será a melhor solução para a manutenção destes equipamentos, mas a ideia é “avaliar a reinternacionalização” do serviço.
Defende que isso se faça gradualmente e de acordo com “critérios técnicos e gestionários”, sublinha. As primeiras externalizações do serviço remonta a 2006.
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Leitão diz que relatório sobre acidente "não pode ser apressado"
Alexandra Leitão diz ainda que o relatório sobre o que aconteceu no elevador “não pode ser apressado, tem de ter qualidade técnica”: “Não me irão ouvir pedir coisas apressadas.”
Diz que Carlos Moedas “tem-se escondido atrás do Presidente da República, do próprio primeiro-ministro, do vice-presidente e do presidente da Carris”. E acusa-o de falta de ação nos últimos dias, defendendo que Moedas “em vez de ter ido ao Conselho de Ministros devia ter convocado o executivo [da CML] imediatamente”.
Acusa ainda Moedas de “nada dizer sobre o restaurara de confiança” sobre este género de equipamentos na cidade. “A CML não é um acionista da Carris, é o único detentor da Carris” que “é uma empresa municipal”, sublinha para tentar contrariar a tese de Moedas que diz que é “apenas acionista” da Carris.
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"É falso" que tenha havido "combinação" no PS, diz Alexandra Leitão que reafirma: "Não peço a demissão de Carlos Moedas"
A candidata socialista à CML está neste momento a ser entrevistada na SIC e começa por dizer que não quer “alimentar a questão dos ataques pessoais” de Moedas, a que diz “já estar habituada”. Diz também ser “falso” que exista uma “combinação” com outros socialistas para que sejam eles a pedir a demissão de Moedas.
“Não creio que partido esteja a falar a mais do que uma só voz. Todos os partidos falam pelo secretário-geral e pela candidata à CML que já falou”, disse Alexandra Leitão quando confrontada com as declarações de Pedro Nuno Santos, que deixou avisos ao PS sobre a estratégia na condução política desta situação em Lisboa.
Leitão tem evitado pedir a demissão de Moedas nessa altura, mas desvaloriza outras opiniões, acusando o presidente da Câmara de tentar criar “confusão” ao dizer que “havia qualquer combinação” no PS: “Isso é falso”.
Reitera que não pede a demissão de Moedas, mas “o esclarecimento cabal” e o “apuramento de responsabilidades” sobre o que aconteceu no elevador da Glória.
Sobre a entrevista do dia anterior de moedas, diz que “mesmo quando raiam o insulto acabam por dizer mais de quem os proferes do que de quem é objeto deles”, diz Alexandra Leitão que garante não falar por “interposta pessoa” — isto ainda sobre a acusação de “cinismo” e da suspeita de existirem “sicários” no PS a dizerem o que Leitão não quer dizer.
A socialista diz que o que a “chocou mais” foi o que Carlos Moedas disse sobre Jorge Coelho.
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"Estou de consciência tranquila em relação àquilo que fiz"
A seguir, e tal como já tinha acontecido na reunião da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas admite vir a internalizar a manutenção dos ascensores. “Em primeiro lugar, a segurança.”
“O chegar à verdade é importantíssimo. Não vou parar na busca dessa verdade. Pelos meus filhos, pelos lisboetas”, continua o autarca. “Ninguém foge e todos assumirão as suas responsabilidades.”
Para futuro, Carlos Moedas promete desde logo que os “melhores profissionais” vão desenhar “um novo sistema” com uma “nova tecnologia” capaz de garantir que o Elevador da Glória será seguro.
A terminar, Moedas volta a dizer que aumentou o investimento na Carris e que nunca lhe foi transmitido qualquer problema no Elevador da Glória. “Estou de consciência tranquila em relação àquilo que fiz.”
“Um evento este transforma-nos por dentro. O Carlos Moedas não é o mesmo. Não sou o mesmo. Mas isso é a vida. Não tem que ver com carreiras políticas”, remata o social-democrata.
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"Não sou um moderado fofinho. Tenho de me defender"
“Não pensei na comunicação”, continua Carlos Moedas, justificando o facto de ter ficado mais de 90 horas sem responder às perguntas da comunicação social. “Não tenho pensado nas eleições. Não tenho vontade de eleições.”
O social-democrata é depois confrontado com as declarações sobre Alexandra Leitão e os seus “sicários”.
“Senti alguma mágoa e repugnância. Estive quatro dias a ser atacado no meu carácter por máquinas políticas que querem ganhar votos e politizar uma tragédia desta dimensão. Reconheço que utilizei palavras fortes, mas elas não mudam o que aconteceu.”
Moedas diz ter ficado “profundamente ofendido” com a sugestão de que esteve quatro dias sem fazer nada. “Não politizem uma tragédia. Assumirei sempre as minhas responsabilidades, mas não politizem este drama.”
“Sou um moderado assertivo. Aqueles que vão para os extremos gostam de moderados fofinhos. Não sou um moderado fofinho. Tenho de me defender e tenho de o fazer com palavras fortes.”
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Moedas volta a garantir: "Assumirei as minhas responsabilidades"
Carlos Moedas fala agora à CMTV. “Temos de levar tudo até às últimas consequências. Vamos com este trágico incidente poder tomar medidas para o futuro”, nota o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
“Assumirei as minhas responsabilidades. Se for provado que o presidente da Câmara não deu as condições à empresa Carris, então o presidente da Câmara demite-se”, sublinha Carlos Moedas.
O autarca volta a dizer que o investimento da Câmara aumentou o orçamento da manutenção “em 30%”. Moedas explica depois que o ajuste direto para a manutenção do Elevador da Glória também representou um aumento nesse sentido.
Moedas diz depois que não baixa os braços. “Quem se demite, neste caso, é um ato de cobardia. Temos de apurar as responsabilidades políticas, técnicas e humanas.”
“Não fui informado de que havia algo de errado. Nem ninguém da minha equipa”, repete Carlos Moedas.
O social-democrata fala depois novamente no acidente de 2018 para dizer que não havia nenhum relatório sobre o sinistro, sugerindo que houve algum tipo de responsabilidades por parte da anterior administração.
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Manutenção externa e rutura no conhecimento são fatores indiretos
O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (Strup) aponta a externalização dos serviços de manutenção e a subsequente rutura na passagem de conhecimento como fatores indiretos para o mortal acidente no elevador da Glória.
Eletricista de autocarros da Carris e já na altura sindicalista, o atual dirigente nacional do Strup, Manuel Leal, salienta a “rutura na transmissão do conhecimento dos trabalhadores mais antigos para os trabalhadores mais novos” como o fator mais gravoso da externalização dos serviços de manutenção, considerando que, por isso, esta “deve configurar os trabalhos” do inquérito ao acidente no Ascensor da Glória, registado na quarta-feira, que fez 16 mortos e vários feridos.
Isto porque, se “a excelência do trabalho dos trabalhadores oficinais da Carris não oferece problemas” na reparação de autocarros e elétricos, “dadas as inovações tecnológicas que estes veículos têm e as facilidades de formação profissional”, o mesmo não acontece com a frota de elevadores e ascensores, que “assume um caráter completamente diferente”, distingue.
Trata-se de “veículos com mais de 100 anos”, para os quais “não existe material de substituição no mercado”, nota o técnico, recordando que anteriormente “todo o material era construído nas próprias oficinas da Carris”.
Neste contexto, a “transmissão do conhecimento oral dos trabalhadores mais antigos para os trabalhadores mais novos assume uma relevância enorme”, sustenta, vincando que a comissão de inquérito deve apurar “as responsabilidades de quem há 20 anos decidiu por esta rutura” e se esta “não estará também entre os fatores indiretos” do acidente da semana passada no Ascensor da Glória.
Além disso, acrescenta, se os serviços de manutenção fossem garantidos pelos trabalhadores da Carris, “a empresa não estaria sujeita à variação do fim dos contratos e dos processos de contratação”.
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Mendes enquadra declarações de Moedas em “ambiente pré-eleitoral” e pede serenidade
O candidato presidencial Luís Marques Mendes enquadrou hoje as últimas declarações do presidente da Câmara Municipal de Lisboa num contexto de “ambiente pré-eleitoral” e apelou à serenidade, considerando que este não é “tempo de demissões” mas de investigações.
“Estamos num ambiente de pré-campanha eleitoral e o ambiente de campanha ou pré-campanha eleitoral é sempre um ambiente de algum exagero, de alguns excessos. Mas o apelo que eu fazia é para que as pessoas discutissem tudo o que há a discutir com maior serenidade, porque estas querelas partidárias, acho que não são úteis para ninguém”, defendeu.
Marques Mendes falava à imprensa após uma visita à Associação Luiz Pereira Motta, no concelho de Loures, depois de ter sido questionado sobre a entrevista de Carlos Moedas à SIC, no domingo, na qual o autarca criticou “a politização” do descarrilamento do elevador da Glória e acusou a candidata socialista Alexandra Leitão de não pedir a sua demissão mas encarregar “os seus sicários” de o fazer.
Interrogado sobre se as declarações de Carlos Moedas foram excessivas, Marques Mendes recusou comentar em concreto, insistindo que “este não é um tempo nem de demissões nem de acusações, é um tempo de investigações”.
“Ainda ninguém faz ideia, nesta ocasião, porquê é que aconteceram aquelas terríveis 16 mortes. Essa é a primeira coisa a saber e, portanto, exige-se alguma serenidade”, argumentou.
Para o antigo líder do PSD, só depois de serem identificadas as causas é possível apurar responsabilidades.
“Insisto: é um ambiente pré-eleitoral, convida a algum excesso, a algum exagero. Mas eu faço um apelo a todos, aos que são mais à direita, aos que são mais à esquerda, para concentrar no essencial. E o essencial é aguardar serenamente as investigações”, sublinhou.
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PS questiona Governo sobre competências inspetivas e autorizações para contratar
O PS questionou hoje o Governo sobre competências inspetivas nos transportes e autorizações para contratações para serviços como o gabinete que investiga o acidente no elevador da Glória, considerando ser preciso perceber como o Estado pode evitar estas tragédias.
“Nós tivemos, infelizmente, na semana passada uma tragédia no Elevador da Glória e é preciso nós percebermos o que está a correr mal do ponto de vista da administração pública e que seja necessário melhorar para evitar ter acidentes destes”, afirmou, em declarações à agência Lusa, o deputado do PS Miguel Costa Matos.
Sublinhando o respeito pelas vítimas — na sequência do acidente da semana passada morreram 16 pessoas -, o socialista explicou que o seu partido não pode deixar de fazer o seu trabalho e perceber “o que é que está a falhar” em diferentes aspetos.
“Por um lado, as competências inspetivas e por outro lado a falta de pessoal que alguns destes serviços têm e que pedem autorização para contratar mais pessoas e esses pedidos não são aceites da parte do Ministério das Finanças”, detalhou.
Foi por esse motivo que o PS enviou, através do parlamento, duas perguntas ao ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considerando Miguel Costa Matos que é do “interesse de todos que se possa compreender como é que o Estado pode funcionar melhor em antecipação a situações como esta”.
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Câmara do Porto faz minuto de silêncio pelo “trágico acidente”
O executivo da Câmara do Porto aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pelo “trágico acidente” do Elevador da Glória, em Lisboa, e cumpriu um minuto de silêncio.
O voto de pesar foi apresentado pelo vereador do Bloco de Esquerda, Sérgio Aires, que dirigiu “as mais sentidas condolências” às famílias das vítimas e quis prestar uma “homenagem às forças de socorro, profissionais de saúde e voluntários que, com dedicação e coragem, responderam de imediato à emergência”.
“A Câmara Municipal do Porto manifesta a sua mais profunda consternação perante esta perda irreparável e associa-se ao luto nacional e municipal decretado, expressando a sua total solidariedade à Câmara Municipal de Lisboa e a toda a população lisboeta”, pode ler-se no documento, que considerou o Elevador da Glória “um marco histórico e patrimonial”.
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Oposição na Câmara de Lisboa lamenta saída de Moedas durante reunião
A oposição à liderança PSD/CDS-PP na Câmara de Lisboa criticou hoje o facto de o presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), ter saído da reunião extraordinária sobre o acidente com o elevador da Glória, que acabou por ser interrompida.
Segundo o gabinete do presidente da câmara, Carlos Moedas saiu da reunião do executivo municipal pelas 12h00 para se encontrar com a ministra da Saúde no sentido de ter “um ponto de situação sobre os feridos” do descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu na quarta-feira e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
O vereador do PS Pedro Anastácio disse que Carlos Moedas “abandonou a reunião” e repudiou a ausência na discussão de “uma situação com esta gravidade”, considerando ainda que a sessão já deveria ter acontecido e referindo que, após os trabalhos da manhã de hoje, “ainda há muitos aspetos que são necessários esclarecer”.
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Ventura acusa Moedas de fazer declarações falsas sobre demissão de Jorge Coelho
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, antes de uma reunião com a Liga dos Bombeiros, André Ventura voltou a defender que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa deve assumir responsabilidades na sequência do acidente mortal e desafiou o primeiro-ministro e líder do PSD a pronunciar-se.
“Dirijo-me aqui especialmente ao primeiro-ministro de Portugal, porque é líder do partido a que o engenheiro Carlos Moedas pertence. Qual é a sua perspetiva sobre isso? Qual é a sua opinião sobre isso? Podem morrer 16 pessoas e ninguém ter culpa? Podem morrer 16 pessoas e olharmos para o lado e fingimos que nada aconteceu? Não há aqui uma responsabilidade política que nós sempre dissemos em democracia que tem que ser assumida e que tem que ser partilhada? Vamos olhar para o lado e fingir que não morreram pessoas?”, questionou.
O presidente do Chega criticou igualmente as declarações de Moedas, no domingo à noite, sobre as razões da demissão do antigo ministro socialista Jorge Coelho após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, considerando que “são absolutamente falsas”.
“Jorge Coelho demitiu-se na noite em que caiu a ponte Entre-os-Rios, com todas aquelas vítimas mortais. Carlos Moedas andou à fuga a ver onde é que se podia esconder naquela noite. Essa faz a diferença entre políticos, há os que dão a cara, os que não se escondem, e há os que estão sempre à procura de um beco para se poder esconder da responsabilidade”, defendeu.
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Pedro Nuno Santos: "Desrespeita as vítimas quem as usa para evitar discutir responsabilidades políticas"
O ex-secretário-geral do PS Pedro Nuno Santos também reagiu à entrevista de ontem do presidente da Câmara de Lisboa, criticando os políticos que dizem uma coisa na oposição e outra quando estão no poder e afirmando que “desrespeita as vítimas quem as usa para evitar discutir responsabilidades políticas”.
“Carlos Moedas não percebeu que a discussão dos últimos dias não é uma guerra entre pessoas que pensam diferente, mas sim sobre um acidente que vitimou 16 pessoas, sobre responsabilização política e sobre a honestidade dos políticos, que dizem uma coisa na oposição, para ter o voto dos cidadãos, e fazem outra quando estão no poder”, escreveu no Facebook.
Pedro Nuno Santos sublinhou que as palavras de Carlos Moedas nada dizem sobre si, Alexandra Leitão, candidata do PS à Câmara de Lisboa, ou sobre o antigo ministro socialista Jorge Coelho, que se demitiu em 2001 na sequência do colapso da ponte de Entre-os-Rios, que fez 59 mortos. “Mas diz muito sobre si próprio, sobre o seu carácter e, já agora, sobre a sua moderação”.
“Quem pede responsabilização política não está a desrespeitar as vítimas ou o luto dos familiares, antes pelo contrário. Desrespeita as vítimas quem as usa para evitar discutir responsabilidades políticas”, apontou.
O antigo líder do PS acrescentou que “há várias pessoas a explicar que não pedem a demissão de Carlos Moedas, porque também não concordaram com as demissões ou os pedidos de demissão de Fernando Medina, Jorge Coelho ou Marta Temido”. “Só que o ponto, pelo menos o meu, nunca foi esse. Nenhum deles disse na oposição o que Carlos Moedas disse, nenhum deles estava refém de um determinado entendimento sobre a assunção de responsabilidades no caso de um “erro técnico”. Prestamos um péssimo serviço à democracia quando desvalorizamos a importância da palavra num político. Degradamos a qualidade da nossa democracia quando achamos normal que os políticos digam o que for necessário para ganharem eleições”, criticou, acrescentando que Moedas “enganou os lisboetas para ter o seu voto” e que “deve ser derrotado” nas eleições autárquicas de outubro.
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Associação de trabalhadores da Carris: "Disputa política ou comentário precipitado" só gera ruído
A Associação Sindical dos Trabalhadores da Carris e Participadas (ASPTC) sublinhou esta segunda-feira que não vai fazer parte do “circo mediático em que se transformou o fatídico acidente recentemente ocorrido no Elevador da Glória”.
“Qualquer disputa política ou comentário precipitado, sem que estejam devidamente apuradas as causas e eventuais omissões, apenas contribui para gerar ruído na opinião pública e no seio dos trabalhadores”, indicou a entidade em comunicado. “Em memória do nosso colega e associado André Marques, não queremos, nem iremos contribuir para esse ruído”, acrescentou.
A ASPTC garantiu que não deixará “que as causas deste gravíssimo acidente sejam esquecidas” e que “continuará a lutar para que tragédias desta dimensão não se repitam”. “Quando as causas forem totalmente esclarecidas, a ASPTC atuará de forma firme e responsável, em conformidade com a gravidade da situação”, assegurou.