Momentos-chave
- Com comparações à ditadura militar, Moraes marca o tom para votação do Supremo
- Sessão encerrada. Julgamento retoma amanhã às 13h
- Dino também vota pela condenação dos oito réus
- Dino identifica diferentes níveis de culpabilidade no seio do "núcleo crucial"
- "A violência é inerente a toda narrativa que consta dos autos", declara Dino
- "Há atos preparatórios que já são atos executórios", declara Dino, citando jurisprudência de sustentação
- "Não há julgamento de uma posição política", declara Flávio Dino
- Tribunal retoma terceira sessão do julgamento
- Sessão suspensa para almoço
- Moraes: réus cometeram os cinco crimes descritos na acusação da PGR
- Viagem aos EUA no 8 de janeiro foi "disfarce" da liderança de Bolsonaro
- "Ninguém viu golpista que deu certo no banco dos réus": Moraes reforça diferença entre "consumar golpe" e "consumar o crime de golpe"
- "Núcleo crucial" criou "confusão" no país para justificar a redação da "minuta do golpe", aponta Moraes
- Moraes compara planos do "núcleo" para o matar a ele e a Lula às ações da ditadura militar brasileira
- Moraes diz que ações violentas pós-eleitorais fizeram o Brasil "quase voltar a ditadura"
- Flávio Dino aponta "intuito dissuasório" de ação da polícia rodoviária, numa intervenção questionada por Luiz Fux
- Moraes atira à relação dos Bolsonaro com EUA: reunião com Embaixadores foi primeiro passo para devolver Brasil a estatuto de colónia
- Declarações de Bolsonaro no dia 7 de setembro representam "sem dúvida" grave ameaça ao poder judicial
- Confusão entre "voto auditável" "voto impresso" foi decisão programada de "má fé", acusa Moraes
- Os 13 momentos da alegada "trama golpista", resumidos por Alexandre de Moraes
- Julgamento não analisa materialidade dos alegados crimes, mas a sua autoria, defende Moraes
- Moraes recusa acusações de falta de tempo para analisar provas
- Moraes acusa equipas de defesa de "má fé" por recusarem testemunho de Mauro Cid
- Moraes avalia preliminares já recusadas pelo STF durante a receção da denúncia
- Tem início a terceira sessão do julgamento
Histórico de atualizações
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A cobertura do julgamento de Jair Bolsonaro desta terça-feira fica por aqui. Continuaremos a acompanhar todos os desenvolvimentos esta quarta-feira. Fique connosco.
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Com comparações à ditadura militar, Moraes marca o tom para votação do Supremo
Os dois primeiros juízes votaram a condenação de todos os réus, incluindo Jair Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado. Sem dar espaço aos argumentos sobre o facto de ter sido uma “mera tentativa” ou às questões técnicas.
Com comparações à ditadura militar, Moraes marca o tom para votação do Supremo
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EUA admitem usar poderio económico e militar para "proteger liberdade de expressão no mundo"
As afirmações da porta-voz da Casa Branca surgem na sequência do julgamento de Jair Bolsonaro. Leavitt diz que proteger a “liberdade de expressão no mundo” é uma prioridade da administração Trump.
EUA admitem usar poderio económico e militar para “proteger liberdade de expressão no mundo”
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Sessão encerrada. Julgamento retoma amanhã às 13h
Depois do voto de Dino, o presidente da Secção, Cristiano Zanin, encerra os trabalhos.
O julgamento será retomado amanhã, pelas 9h locais (13h em Lisboa), para uma única sessão, em que votará o juiz Luiz Fux — que já prometeu fazer uma intervenção mais extensa, como a de Moraes
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Dino também vota pela condenação dos oito réus
Flávio Dino termina a sua intervenção votando na mesma direção que Moraes: pela condenação de todos os crimes imputados pela PGR.
No entanto, ressalva que as penas deverão ser ajustadas aos diferentes níveis de culpabilidade.
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Dino identifica diferentes níveis de culpabilidade no seio do "núcleo crucial"
Flávio Dino debruça-se agora sobre os níveis de culpabilidade de cada um dos oito réus e declara que “não há a menor dúvida que os níveis de culpabilidade são diferentes”, um ponto em que diverge de Moraes.
“Em relação a Bolsonaro e Braga Netto, não há dúvida que a culpabilidade é bastante alta e portanto a dosimetria deve ser congruente com o papel que eles exerciam. Do mesmo modo, digo que a culpabilidade é alta em relação a Andersson Torres, Almir Garnier e Mauro Cid, sendo que Mauro Cid tem o benefício da colaboração”, analisa.
“Contudo, em relação a Paulo Sérgio, Heleno e Alexandre Ramagem, eu considero que há uma participação de menor importância”, destaca.
No caso de Ramagem, porque saiu do Governo em março de 2022 e, depois disso, não cometeu atos executórios, logo, teve menos “eficiência causal”. No caso de Heleno, também não identifica “atos exteriorizados” no segundo semestre desse ano e ele não participa nas reuniões no final de 2022 — classificando como “plausível” a argumentação da defesa de que este se tinha aproximado do centro. No caso de Paulo Sérgio, considera o juízo mais “complexo”, pois reconhece o seu afastamento do plano, mas por motivos alheios à sua vontade e não por uma mudança de posição. Ainda assim, acha relevante a “ideia de que tentou demover”.
Ainda assim, Dino salienta que “dosimetria” não é sinónimo de “artimética” e considera que é preciso avaliar como é que os diferentes níveis de culpabilidade devem ser condenados de acordo com os mesmos.
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"A violência é inerente a toda narrativa que consta dos autos", declara Dino
Flávio Dino declara que a invasão da esplanada dos Ministérios, por apoiantes de Bolsonaro, foi necessariamente “violenta” e com grave ameaça, uma vez que não é possível confrontar a polícia sem o fazer de forma violenta.
Ainda na concretização dos crimes com recurso a “violência e grave ameaça”, o juiz destaca o nome da operação para eliminar Lula e Moraes. “O nome do plano era ‘Punhal Verde e Amarelo’, não era ‘Bíblia Verde e Amarela'”, declara.
“Se está com intuito pacifista, vai ao culto, acampa à porta de igreja. Mas não, os acampamentos foram à porta de quartéis. Portanto, a violência é inerente a toda narrativa que consta dos autos”, remata.
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"Há atos preparatórios que já são atos executórios", declara Dino, citando jurisprudência de sustentação
Flávio Dino continua a sua intervenção olhando para a diferença entre “atos preparatórios” e “atos executórios” de um crime. O magistrado mobiliza jurisprudência sobre um caso de um furto, em que, ainda que o “núcleo do tipo não foi executado” — ou seja, o crime de furto não se concretizou — o facto de ter o ladrão ter entrado numa casa, quando já tinha furtado outras “os atos periféricos [estão] indubitavelmente ligados ao tipo penal do delito de furto”.
Da mesma forma que a jurisprudência condenou este caso por furto, Dino argumenta que “há um encadeamento de atos preparatórios que já são atos executórios e foi isso que é isso que está sobejamente demonstrados nos atos”.
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"Não há julgamento de uma posição política", declara Flávio Dino
Flávio Dino começa a sua intervenção confirmando a competência do STF para apreciar o processo legal em causa. “Temos uma moldura para esse julgamento de absoluta normalidade no que se refere aos critérios técnicos”, declara o magistrado logo à partida.
“Por isso, o meu voto é um voto de lógica aristotélica, de premissas e conclusões”, justifica Dino. “Agressões, coações, ameaças até de governos estrangeiros não são assuntos que constituem matéria decisória”, declara, recusando, por isso, que seja visto qualquer tipo de “recado” no seu voto.
Dino procura focar o seu voto nos factos e avaliações jurídicos e recusa que se torne numa avaliação “mediática ou política”. “Não há julgamento de uma posição política”, continua.
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Tribunal retoma terceira sessão do julgamento
Cristiano Zanin retoma a terceira sessão do julgamento. Da parte da tarde, irá votar o juiz Flávio Dino.
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Sessão suspensa para almoço
Proclamado o voto de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin suspende a sessão para uma pausa de almoço.
O julgamento será retomado às 15h30 locais (19h30 em Lisboa) para a votação do segundo juiz da secção, Flávio Dino.
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Moraes: réus cometeram os cinco crimes descritos na acusação da PGR
Alexandre de Moraes declara que os réus praticaram todos os cinco crimes imputados na acusação da PGR. O juiz relator defende, sem surpresas, a impossibilidade de absorção de penas e propõe a sua acumulação.
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Moraes: "O gabinete de crise corrobora todos os atos executórios desde julho de 2021"
“O que ocorreu no dia 8 de janeiro não foi combustão espontânea, foi a conclusão de tomada e manutenção de poder a qualquer custo por um grupo político que se tornou numa organização criminosa” continua Moraes, deixando clara a leitura de os factos comprovam “a consumação dos crimes” apontados pela PGR.
O juiz remata a sua intervenção com o olhar sobre o “gabinete de crise, que corrobora todos os atos executórios desde julho de 2021”. Uma vez mais, Moraes sublinha que os documentos relativos a este gabinete foram impressos no Palácio do Planalto.
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Viagem aos EUA no 8 de janeiro foi "disfarce" da liderança de Bolsonaro
Moraes chega agora ao penúltimo ponto da sua argumentação: os ataques do 8 de janeiro. “Tudo aqui mostra que a organização criminosa tentou até aos 45 minutos do segundo tempo impedir a posse. Ao não conseguir, se organizou para, na virada, tentar a deposição”, elabora, apontando que o golpe não foi concretizado no dia 1, em que Lula tomou posse, porque a segurança estava mais reforçada.
“E qual o melhor disfarce do líder da organização criminosa para efetivar o golpe que não conseguiu durante esse período todo do que viajar para o exterior?”, questiona. No entanto, apesar de Bolsonaro poder dizer “eu não estava lá”, Moraes ressalva que a Lei permite a autoria mediada.
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"O conteúdo das minutas é sempre o mesmo". Moraes recusa argumentos da defesa
O juiz recusa agora a defesa de pelo menos um dos réus de que, entre as provas, existem diferentes documentos, todos eles identificados como “minuta do golpe”. A justificação é simples, argumenta Moraes, pois “foi ocorrendo uma evolução na redação das minutas, mas o conteúdo golpista é sempre o mesmo”.
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"Ninguém viu golpista que deu certo no banco dos réus": Moraes reforça diferença entre "consumar golpe" e "consumar o crime de golpe"
Alexandre de Moraes continua a sua análise da minuta do golpe e identifica como ponto de viragem a reunião com os comandantes das Forças Armadas, em dezembro de 2022, quando estes se recusaram a aceitar o plano. “Aqui, a consumação do golpe começou a diminuir. Não confundamos consumação do golpe, com consumação do crime de golpe de Estado”, salienta, voltando a sublinhando que a mera tentativa é crime, uma vez que “a consumação não vai possibilitar responsabilidade de ninguém”. “A tentativa consuma o crime”, reforça. “Ninguém na História da Humanidade viu golpista que deu certo a colocar-se no banco dos réus“, ilustra, ainda.
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"Núcleo crucial" criou "confusão" no país para justificar a redação da "minuta do golpe", aponta Moraes
A sessão do julgamento é retomada e Alexandre de Moraes debruça-se sobre o ponto (10) do seu voto. O juiz identifica nos documentos, encontrados no gabinete de Braga Netto, que detalham a “Operação 142” “o início da tentativa de redação desse golpe”, algo visível nos conceitos utilizados. Moraes cita ainda o documento encontrado no gabinete de Jair Bolsonaro na sede do Partido Liberal que incluiria um possível discurso para a concretização do golpe.
“Não há nenhum dúvida da ocorrência de reuniões entre o réu Jair Messias Bolsonaro e os comandantes das Forças Armadas para discutir a quebra da normalidade constitucional”, declara Moraes, notando que Bolsonaro confirmou estas reuniões, na busca por uma solução para reverter o resultado das eleições além do poder judicial. “Não existe previsão constitucional para decretação de estado de sítio ou estado de defesa no caso de derrota eleitoral. Chama-se como quiser, aquilo era uma minuta de um golpe de Estado”, continua, passando para o ponto (11) do seu voto.
Moraes responde ainda diretamente à defesa de Bolsonaro que declarou que estas reuniões e documentos procuravam dar resposta à “confusão” que imperava no país à data. “Quem estava coordenando essa confusão no país?”, questiona o juiz, acusando os réus de terem planeado essa mesma confusão desde a primeira ação do ponto (1).
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Sessão de julgamento suspensa
A sessão do julgamento foi suspensa por cinco minutos. Ainda decorre o voto de Alexandre de Moraes, mas o relator pediu uma breve interrupção ao presidente da secção, que aprovou o pedido. O julgamento deve ser retomado nos próximos minutos.
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Moraes compara planos do "núcleo" para o matar a ele e a Lula às ações da ditadura militar brasileira
Mesmo com todos os atos violentos, Alexandre de Moraes afirma que “nem os mais pessimistas podiam esperar que o que estava a ser planeado seria o assassinato do Presidente e vice-presidente eleitos e do então presidente do TSE”. Moraes recorda que o plano recebeu o nome de código “Punhal Verde e Amarelo” enquanto a operação em si mesma foi nomeada “Copa 2022”, segundo os documentos recolhidos pela Polícia Federal (PF).
“Isso não foi impresso numa gruta, isso não foi impresso escondido numa sala de terroristas, isso foi impresso no Palácio do Planalto, isso foi impresso na sede do Governo ao mesmo tempo que lá se encontrava Jair Messias Bolsonaro”, declara, sublinhando os detalhes do plano, que inclui até planos de reserva, a definição de armamento pesado como arma para matar Moraes e de veneno para matar Lula.
“Não é possível banalizar esse retorno a esses momentos obscuros da História”, acrescenta, voltando a comparar os planos do “núcleo crucial” com as ações da ditadura militar brasileira.
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Moraes diz que ações violentas pós-eleitorais fizeram o Brasil "quase voltar a ditadura"
Sobre os “atos executórios” já depois das eleições, Alexandre de Moraes afirma que foram tantos, que muitos já foram esquecidos. O juiz elenca os planos de monitorização das autoridades, incluindo o próprio Moraes e o então Presidente eleito, Lula da Silva; o pedido para anular apenas parte dos votos eletrónicos; a reunião dos chamados “Kids Pretos” (o grupo de elite do Exército brasileiro); o financiamento dos acampamentos em frente aos quartéis das Forças Armadas; a carta enviada aos Comandantes da Força Aérea e do Exército para os pressionar a colaborar com o plano do poder político — o Comandante da Marinha “já tinha aderido ao golpe” e é um dos réus em julgamento; os ataques a autocarros e a bomba no aeroporto.
“Estamos esquecendo aos poucos que o Brasil quase volta a uma ditadura que durou vinte anos porque uma organização criminosa constituída por um grupo político não sabe perder eleições”, afirma o magistrado.