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Centro Interpretativo das Termas Romanas de São Pedro do Sul. Continuamos esta nossa visita guiada com Eduardo Nuno Oliveira. E, Eduardo, no início desta nossa visita guiada falamos de Dom Afonso Henriques, da importância da realeza portuguesa nestas infraestruturas das Termas de São Pedro do Sul, mas não falamos de um elemento também bastante importante da realeza portuguesa, a Rainha Dona Amélia.

A Rainha Dona Amélia foi uma figura marcante na história e na memória popular durante a sua passagem por estas termas. Mas ainda, uma vez que estamos no século XIX, antes de falar da Rainha Dona Amélia, aproveitava para dizer que este edifício onde nós estamos, no princípio do século XIX, ainda funcionou como um hospital militar. Isso veio no contexto das invasões francesas, depois durante as guerras entre liberais e absolutistas, guerras armadas, civis, em que os soldados da Beira feridos vieram e aproveitaram este hospital e aqui procediam aos seus tratamentos e à sua recuperação. Também no século XIX, fizeram-se obras neste espaço, principalmente a construção de um conjunto de banheiras individuais onde já estivemos e das quais já falamos um pouco, são do século XIX. E então no final desse século, na última década do século XIX, recebemos neste lugar a presença da última rainha de Portugal. A Rainha Dona Amélia, que veio para tratamentos ao aparelho respiratório e permaneceu durante várias temporadas entre 1894 e 1898. Cada vez que a Rainha vinha para São Pedro do Sul, isso constituía-se aqui numa grande animação. As pessoas podem efetivamente imaginar a presença da corte portuguesa em São Pedro do Sul.

A azáfama habitual.

Também, era a Rainha, era o Rei Dom Carlos, que também veio, os príncipes, damas, cavalheiros, fidalgos, os ministros do reino que vinham.

A semelhança da azáfama com Dom Afonso Henriques.

Precisamente. Era um grande corrupio e de pessoas que vinham de todo lado para ver a Rainha, integrarem-se nas homenagens, nas festividades que se faziam em honra da Rainha. A Rainha Dona Amélia, curiosamente, nunca ficou hospedada aqui na povoação termal. Ela ficava sempre em São Pedro do Sul, umas vezes alojada no magnífico Palácio dos Marqueses de Reis, que fica no centro histórico da cidade, junto à Igreja Matriz, e outra vez ficou no Palacete do Forno Telheiro, um palacete já às margens do Rio Vouga. Mas todos os dias a Rainha deslocava-se a um então balneário novo, que tinha sido inaugurado uma década antes da vinda da Rainha. Era conhecido como o Balneário Novo. Um balneário moderno, bem equipado, onde a Rainha procedia aos seus tratamentos. De maneira que ficaram marcas e homenagens da presença da Rainha. Uma delas foi logo em 1894, quando resolveram homenagear a Rainha atribuindo o seu nome a esse balneário novo, que desde então passou a chamar-se Balneário Rainha Dona Amélia. E em 1895, essa homenagem foi ainda mais longe. O próprio nome da localidade passou a ser Termas da Rainha Dona Amélia. Era um nome monárquico. De maneira que em 1910, quando se dão os movimentos para a implantação da República, os republicanos revolucionários são pedrenses acharam isso uma ofensa muito grande e resolveram apresentar uma proposta de mudança de nome. Quiseram chamar Termas da República a este lugar, mas depois, como o nome era um exagero, ficaram-se pela designação Termas de São Pedro do Sul. De maneira que este nome, Termas de São Pedro do Sul, é o nome que vem desde 1910 até hoje.

E há pouco falava dessa presença notória nos balneários onde nós já estivemos, a presença, neste caso, dos azulejos. É uma das marcas dessa presença da Rainha Dona Amélia.

São anteriores à presença da Rainha Dona Amélia, mas são azulejos da segunda metade do século XIX, ali à volta de 1800, 1850, 1870. Essas banheiras foram construídas na época, umas eram em granito, outras forradas a azulejos, muito bonitas, mas todos esses banhos individuais e também um conjunto de banheiras amovíveis que existiam, foram construídas por cima e em substituição de uma piscina secundária romana mais antiga. E esse compartimento antigamente era conhecido como a sala das senhoras, porque era nessa piscina secundária que as senhoras procediam aos seus tratamentos termais, enquanto que os homens faziam o mesmo gênero de tratamento, mas em ambiente separado na piscina chamada de Dom Afonso Henriques.

Falou há pouco que a Rainha Dona Amélia veio, deslocou-se até São Pedro do Sul, concretamente para fazer a cura de uma doença respiratória. Depois dessa passagem, houve ainda mais elementos da Corte Real que também vieram cá para fazer outro tipo de cura outras doenças?

Não, a Rainha Dona Amélia foi a última rainha consorte de Portugal. Depois dela, só o filho Dom Manuel II, que reinou. E de facto, ele também esteve aqui com os pais, com a Dona Amélia e com o Rei Dom Carlos. Ele e o Príncipe Dom Luís Filipe, que foi também, juntamente com o pai, assassinado em 1908. Mas depois disso, já não. No entanto, durante o século XX, estas termas viveram uma grande dinâmica social. Era uma moda vir às termas, passar tempos de termalismo e foram beneficiadas principalmente a partir de 1914, porque foi nesse ano inaugurado este troço da linha ferroviária do Vale do Vouga. Esta povoação tem uma antiga estação ferroviária, portanto, foi também um fator importante para o desenvolvimento deste lugar. A par com isso, foram construídos aqui vários hotéis também, ainda no século XIX, alguns deles, e depois durante os princípios do século XX, que também vieram dinamizar o espaço. Comércio, pequeno comércio, pequenos serviços, também importantes para a dinâmica.

Continuam a dinamizar esta região.

Já no século XX, a partir dos anos 80 do século XX, foi construído o Balneário Dom Afonso Henriques, tem esse nome em homenagem também à presença do primeiro rei de Portugal. É dos anos 80 do século XX e depois já com posteriores remodelações e esses dois balneários modernos, o Dom Afonso Henriques e o Rainha Dona Amélia, são dois equipamentos com tecnologia de ponta no que diz respeito ao termalismo, aos tratamentos termais de saúde e bem-estar.

Fica então aqui quase com um resumo da presença da Corte Real Portuguesa aqui em São Pedro do Sul. Falamos já há pouco sobre a presença de Dom Afonso Henriques para curar um corte, uma lesão na perna e agora a Rainha Dona Amélia curar essa doença respiratória. Tudo aqui em São Pedro do Sul, onde regressamos já a seguir.