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O Centro Interpretativo da Máscara Ibérica em Lazarim, em Lamego, está aqui desde 2016. Continuamos esta visita com o doutor Fernando Ribeiro, da área cultural da Câmara Municipal de Lamego. Em 2026, a exposição é esta que acabamos de ver. O que se pode esperar nos próximos tempos?

Nós acabamos de reformular a exposição permanente há muito pouco tempo, antes do Entrudo de 2026. A ideia que nós temos agora é de uma segunda fase, que é utilizar mais meios tecnológicos, nomeadamente realidade aumentada, e toda uma outra série de acréscios interativos para tornar esse espaço ainda mais atrativo. Nós achamos que ele é muito atrativo da forma como já está, porque é muito visual, mas ao mesmo tempo queremos transportar isso para fora destas portas. Queremos mostrar ao visitante que vem aqui, ou à aldeia de Lazarim ou ao CIMI, que quando vai para o exterior, de alguma maneira, não estando cá na época do Entrudo, poderá ver, através de uma aplicação de telemóvel, qual é o alvoroço que se cria nestas ruas e como os caretos circulam e se mostram. Por isso, agora vai haver uma segunda fase exatamente para podermos fazer um upgrade desta nova exposição.

De certa forma, ter o Entrudo no telemóvel, mesmo à distância.

Mesmo à distância e também ao longo de todo o ano. Apesar do nosso objetivo e a nossa pretensão, é que as pessoas nos visitem ao longo do ano, e principalmente porque é muito importante localmente, até do ponto de vista económico, os visitantes na altura do Entrudo, porque há um investimento muito grande por parte da população de Lazarim em dar o melhor acolhimento às pessoas que nos visitam. Isso é importante do ponto de vista da sustentabilidade económica. Mas ao mesmo tempo queremos que o visitante tenha motivos, e tem, para nos visitar ainda mais ao longo de todo o ano.

E para conseguir fazer chegar a Máscara de Lazarim a mais pessoas que podem não ter conhecimento deste vosso centro interpretativo.

Sim, é verdade. Também paralelamente existirá esse investimento em meios de comunicação e divulgação desta manifestação. Estivemos recentemente na BTL, falamos do Entrudo de Lazarim e sempre que vamos a algum lado, é sempre um elemento que levamos conjuntamente com outras manifestações culturais aqui do Conselho de Lamego, nomeadamente as festas de Nossa Senhora dos Remédios e da Semana Santa, que está a ganhar uma importância crescente, mas ao mesmo tempo levamos também sempre connosco o Entrudo de Lazarim, porque é um elemento muito identitário, não só de Lazarim, mas até do próprio Conselho e da região.

Falou da BTL. Há pouco tínhamos falado também de máscaras de Lazarim que já viajaram um pouco por todo o mundo. Em que zonas é que já tiveram exposições, máscaras destas expostas?

Nós sabemos que temos máscaras expostas nos Estados Unidos, no Japão e em outras partes do mundo, porque tem havido aquisição, quer por particulares, e assim serão para coleções particulares ou para símbolos de decoração, mas também sabemos que tem havido aquisição destas máscaras por parte de algumas instituições ou de arte moderna, ou de museus etnológicos ou antropológicos, por isso essa diversificação está a ocorrer. Temos alguns registos de sítios onde elas estão, e por isso falei nos Estados Unidos, porque isso é uma certeza, mas sabemos que estão diversificadas noutras partes do mundo.

E são máscaras compradas aos artesãos aqui da região?

São máscaras compradas aos artesãos, porque nós aqui não vendemos máscaras. Ou seja, nós aqui podemos promover e podemos ajudar a divulgar o trabalho dos artesãos. É uma montra. É uma forma de entrada, mas depois, sempre que se pode, nós colocamos em contacto com os próprios artesãos para irem às suas oficinas, para falarem com eles, e essa comercialização é feita entre os artesãos e os visitantes.

Quantas pessoas costumam visitar este museu por ano? Há forma de saber?

Nós contabilizamos o número de visitas. Podemos dizer que no ano 2025 foram autour de 5700, sem contar o número de visitantes que nós temos na época do Entrudo. Aí é quase impossível nós contabilizarmos isso.

Mas fica cheio.

Sim, fica muito cheio. Às vezes temos que fechar as portas por uma questão de controlo e até de usufruto por parte dos visitantes. Mas se contabilizássemos todas essas pessoas, poderíamos dizer com facilidade que num ano teríamos autour de 10, 12 mil visitantes. Numa localidade pequena, que já fica no extremo do concelho, fica a 12 km de Lamego.

Quantas pessoas vivem em Lazarim?

Em Lazarim, penso que neste momento viverão autour de 350.

Dois mil pessoas no museu é muito grande.

Nem fiz as contas em quanto duplica a população local, mas é sempre complicado em termos logísticos, nessa altura, recebermos tanta gente.