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O Centro Interpretativo da Máscara Ibérica em Lazarim, em Lamego, tem não só máscaras, mas disfarces completos logo na segunda sala. Continuamos a conversa com a Tatiana Cardoso, a responsável por este centro interpretativo. Tatiana, é muito mais do que apenas máscaras. O que vemos quando entramos nesta sala?
Nesta sala, pretendemos mostrar a diversidade que existe em termos de tradições ligadas à máscara, quer em Portugal, quer em Espanha, e a época em que elas se realizam. Começamos com uma festa de Miranda do Douro.
Portanto, em Portugal.
Aqui em Portugal, que se realiza no dia 13 de dezembro, precisamente no dia de Santa Luzia. Depois, daqui para frente, vamos avançando com várias tradições que se realizam na altura do Natal. Aqui, por exemplo, temos Varge, na zona de Bragança. Esta festividade aqui já se realiza na altura dos Reis, nas Astúrias, já em território espanhol.
E já são máscaras muito diferentes. A de Varge é-
Já é uma máscara, neste caso, em chapa, já é pintada. E esta é em pele de um animal. Esta espanhola, em específico, é feita em pele de animal. Já vemos aqui uma variedade de máscaras e mesmo os fatos são diferentes. Esta é uma personagem específica desta tradição de Espanha.
E a máscara de Lazarim e o fato são completamente diferentes dos outros, em termos de cor, principalmente, contrasta com as restantes.
Sim. A utilização de elementos naturais, conforme já foi referido. Neste caso, são as folhas do milho. A presença também da serapilheira, que é muito utilizada aqui nos fatos de Lazarim. Tudo muito ligado ao mundo rural da vila e das aldeias do norte de Portugal.
E estas próximas são todas espanholas ou não é o caso?
Esta primeira é espanhola, é da zona de Ourense. Também é uma tradição que se realiza na altura do Entrudo. Esta também é uma das personagens desta tradição. Depois avançamos, como pode ver, já tem cor.
Sim.
A presença da cor.
Estão mais carnavalescos.
Exatamente. E de seguida, temos uma tradição que já não é Carnaval, mas é logo no dia a seguir, da Quarta-feira de Cinzas, que acontece em Vinhais, que são a Morte e os Diabos de Vinhais.
Ok, portanto vemos um fato completamente vermelho e um fato preto com esqueletos.
Sim. O vermelho é o Diabo e o escuro é a Morte de Vinhais, portanto, Bragança. E terminamos com a Bugiada e Mouriscada de Sobrado, que pertence a Valongo, que se realiza no dia 24 de junho. Como pode ver, desde o início, nós começamos em dezembro e fomos avançando até terminarmos em junho com estas tradições.
E as máscaras de junho parecem pelo menos um pouco mais recentes, talvez feitas com material diferente, não sei.
Mais recentes, talvez não digo, porque esta tradição da Bugiada e Mouriscada também é uma tradição antiga, mas diferenciam-se também pela própria máscara e pelos fatos.
Sim, a máscara a imitar a cara de uma pessoa.
Sim, o bugio. Aí temos o mourisqueiro, portanto, são personagens que fazem parte desta tradição, além de outras também, mas não digo que não seja tão antiga quanto as outras.