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É uma viagem pela história do Conselho de Tondela, no Museu de Terras de Besteiros. A Rádio Observador continua a fazer esta visita era a era com a ajuda do Rúben Marques, técnico superior do Museu Rubenia, e agora entramos na sala dedicada ao Império Romano, à romanização deste território. Que marcas da passagem dos romanos é que se podem encontrar em Tondela?

O Império Romano estendeu-se por toda a Europa. Entraram aqui na Península Ibérica no século III a.C., e nós temos todos aqueles registos de que houve uma luta feroz para combater o invasor. Temos a questão dos lusitanos, que foram, pelo menos durante algum tempo, liderados por Viriato.

Aqui bem perto, em Viseu.

A lenda diz que ele tinha a sua base em Viseu. Em termos históricos, talvez não seja bem assim, mas de facto as lendas são muito curiosas. Falam-nos então aqui de Viriato em Viseu. Existe, num livro chamado "Viriato Trágico", também referência a um outro general chamado Briseu. Esse seria proveniente do Caramulo e que veio auxiliar Viriato com os seus 2 mil besteiros e que com essas forças bem coordenadas deram muito trabalho aos romanos. Os romanos perderam soldados, perderam batalhas, mas a verdade é que, no final, ganharam a guerra. Eles dominaram todo o território da Península Ibérica e por aqui permaneceram muitos séculos. Tondela não foi exceção e como eles permaneceram aqui tanto tempo, é inevitável que nos tenham deixado muitos vestígios. E nós aqui no museu temos a sorte de ter em exposição alguns desses vestígios. Temos algumas moedas, temos pesos de tear, temos materiais que encontrámos em castros e que representam materiais de construção. Temos uma coluna, por exemplo. Temos uma pedra muito curiosa. Não sabemos verdadeiramente qual é a sua origem, mas apresenta-nos um nome gravado e, portanto, nós achamos que isto será proveniente de uma construção romana ou de uma casa ou até de um muro, e o seu proprietário orgulhosamente colocou o seu nome. A pedra terá andado ao longo de todo este tempo por várias localizações. Foi descoberta quase por acaso aqui numa casa, mesmo no centro de Tondela, durante a sua demolição. Foi uma sorte alguém ter dado conta que havia, de facto, ali uns caracteres gravados e salvou-se a pedra.

Também há estradas, também é uma das partes onde se nota essa romanização em estradas aqui em Tondela. Que tipo de estradas é que estamos a falar?

Fora do museu, os vestígios mais facilmente identificáveis da presença dos romanos são, de facto, os troços de calçada romana. Existem dois que estão particularmente bem conservados e que merecem, sem dúvida, uma visita. Um deles é na povoação do Guardão, quando subimos para a vila do Caramulo, e outro, talvez até um pouco mais extenso, fica na povoação de Paranha de Besteiros. Estamos a falar de quê? De troços de caminhos nos quais se colocaram pedras de grande dimensão. Para quê? Para facilitar a viagem dos soldados, para facilitar o percurso dos comerciantes. Temos de nos lembrar que Roma tinha um império gigantesco e, portanto, dependia de uma grande mobilidade para os seus soldados, comerciantes, administrativos e restante população.

Daí aquela frase muito famosa de todas as estradas irem dar a Roma.

Exatamente.

Deixe-me perguntar-lhe também, destes vestígios que são encontrados aqui nesta região, não só em Tondela, mas nesta região, é seguro dizer que não havia nenhuma cidade romana de grandes dimensões e que seria outro tipo de povoações?

Ao que sabemos, e a história é feita de construções e reconstruções, portanto, no futuro podemos descobrir qualquer coisa diferente. Até ao momento, aquilo que nos parece é que a ocupação romana foi uma ocupação sobretudo rural, constituída à base das chamadas vilas, e também terá acontecido com a ocupação dos castros. O que é que são os castros? Os castros são aquelas povoações mais antigas, fortificadas, geralmente construídas no topo de cabeços e montes. E aquilo que os romanos fizeram foi chegar, nalguns casos conquistar e romanizar esses sítios.