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A Taboadela tem um caminho de madeira por cima de barris de vinho que tem guardados. O Rodrigo Costa é enólogo, explica-nos precisamente o que ver.

O Barrel Top Walk. Há uma primeira nave, que é uma nave de fermentação, que eu referi. Depois podemos considerar aqui uma segunda parte da adega, que é aquilo que nós chamamos a zona de estágio e de descanso dos vinhos. E nesta zona de estágio, o arquiteto Carlos Castanheira desenhou esta infraestrutura, que vocês já conseguem começar a ver agora, que se chama e batizou de Barrel Top Walk.

Literalmente, estamos a andar por cima de barris.

E literalmente vamos estar a andar por cima de barris, que é uma coisa giríssima.

Sentimos imediatamente, não só o eco, mas também a temperatura.

E sentimos que a temperatura baixa, porque depois nós temos aqui condições especiais, como isto era aquilo que eu dizia, o estágio dos nossos vinhos faz-se aqui, nestas barricas de 500 litros de madeira. Automaticamente nós temos muito cuidado, seja com a humidade, seja com a parte da temperatura. Uma das coisas que vocês podem e que os visitantes também podem fazer, vamos imaginar que nós estamos a trabalhar um encruzado e estamos a mexer na barrica. É giríssimo que as pessoas podem estar aqui, era aquilo que referia anteriormente também, e estão a assistir ao processo. E eu vou vos contar aqui uma coisa, houve um senhor uma vez que esteve aqui aproximadamente uma hora. Nós estávamos a fazer um lote e o senhor não saía daqui e estava sempre a fazer perguntas: "Olha, e agora o que vocês vão fazer?"

Aqui de cima lá para baixo?

Isso, e nós íamos respondendo, e foi muito giro porque se criou aqui uma interação muito gira com o senhor. O senhor era simpatiquíssimo. E era isso.

E se tivessem pessoas a trabalhar aqui embaixo, o que nós estaríamos a ver neste momento?

O que nós estaríamos a ver? Podíamos estar a ver uma trasfega de vinho, podíamos estar a assistir a uma batonage, que no fundo é levantar um bocadinho aquilo que são leveduras mortas que ficam nos vinhos brancos para depois termos um bocadinho mais de volume, de corpo. Podíamos estar a assistir a variadas coisas, que acontecem durante vários meses no ano, porque cada mês temos duas ou três atividades que são pré-definidas. O que nós temos aqui também? Se repararem, só usamos barricas de 500 litros. Carvalho francês. E vocês perguntam assim: "Mas 500 litros por quê?" Porque 500 litros é aquela capacidade que nós achamos, que tudo o que falámos também na primeira fase de fermentação, nós quando fazemos o estágio aqui, não mascarar o vinho. Ou seja, estamos lhe a acrescentar um pouquinho de luxo, ao vinho, mas efetivamente queremos preservar todas as características que a uva tem no exterior.

Assim de cabeça, sabe quantos barris é que estamos a olhar?

Sim, embora não sejam muitos, são de 500 litros, isso ainda já são alguns. A Taboadela ainda é muito jovem, mas efetivamente o crescimento tem sido grande e ainda bem para nós, porque depois nós aqui nas barricas, também dizer uma coisa, que é: nos nossos lotes, nos reservas, que são vinhos muito importantes para nós, onde nós conseguimos mostrar a casta de uma forma muito nítida, temos sempre o estágio em barrica juntamente com o estágio em cimento. Há uma parte do vinho que efetivamente faz aqui o estágio em barrica e a outra faz o estágio em cimento. E é engraçado porque os resultados foram tão bons que os próprios grandes vilás, nós temos um grande vilá encruzado e um grande vilá blend, que é feito de tinta roriz, alfrocheiro e touriga nacional. Também há uma primeira passagem no cimento e só depois é que vêm para estas barricas de 500 litros. Respondendo à pergunta, temos mais ou menos 210.

Manuel Queiroz, é um dos principais pontos este Barrel Top Walk?

Sem dúvida, faz parte da visita da adega. Foi concebido precisamente para isso e é um passadiço para nós. E tem uma característica muito interessante que é: quando as pessoas entram, para nós é um lugar de contemplação, mas tratamos de não transmitir isso às pessoas, até porque é todo o efeito do desconhecido e, portanto, a pessoa vai descobrindo um pouco aquilo que nós temos para mostrar. E quando as pessoas entram, realmente entendem rapidamente que isto é um lugar de contemplação e, por norma, as pessoas começam a falar mais baixo. Que é uma coisa deliciosa, realmente. É delicioso. E as pessoas então param e contemplam, e só depois é que começam a falar e a tirar fotografias. É delicioso. É uma vivência muito agradável para nós, é muito gratificante, realmente, este momento da visita.

As pessoas usufruírem da sala exatamente como é suposto usufruírem, não é?

Exatamente.

Já agora, dizia para nós fazermos o passadiço. Porque depois também cria aqui perspectivas completamente diferentes, porque ele não tem uma forma regular e permite-nos aqui, por exemplo, já sentirmos que estamos muito mais próximos das barricas, ou seja, muito mais próximo do processo. E é giro que aquilo que o Manuel referia, que efetivamente as pessoas, além do silêncio, de baixarem a voz Fazem questão também de fazer esta caminhada que estamos a fazer agora.

Aproveitam todos os-

Sim, os bocadinhos, porque é como eu dizia, a perspectiva das barricas é completamente diferente aqui na sala de testagem.

Do ponto de vista do enoturismo, para nós, tudo isto realmente é um processo muito gratificante, porque é uma vivência que as pessoas têm, que quando entram aqui, envolvem-se. É imersivo. As pessoas envolvem-se e quando saem, já saem de uma forma diferente. E depois há uma outra coisa que é: tudo isto traz as pessoas às origens, às raízes, à terra. O contacto com a terra, o contacto com a natureza, o setor primário, digamos, de desenvolvimento agrícola, embora hoje as práticas sejam completamente mais modernas. Inclusive por própria preservação das espécies e dos trabalhos que se desenvolvem. Mas efetivamente nós sentimos que as pessoas, e mesmo nós, vivemos isto sempre, quase como se fosse a primeira vez, porque é muito gratificante a gente voltar à terra. E à medida que vamos fazendo este caminho e a pessoa vai se envolvendo, e depois passamos à sala de provas, e passamos à varanda que fica virada para as vinhas, e servimos um vinho à pessoa e a pessoa está a beber a história. Ela está a beber a história, está a sentir a história, está a identificar, conhece o enólogo, conhece as pessoas que produziram aquele vinho, consegue entender o circuito e o ciclo de produção do vinho, desde a planta até ao copo, digamos. E toda essa história faz com que as pessoas se envolvam e levem com elas uma garrafa de vinho com outro significado e tenha outro valor. E quando elas estiverem com os amigos e com a família, elas vão passar essa história. E isso é a coisa mais importante que nós podemos passar. Realmente, o nosso objetivo é esse. Conseguindo isso, objetivo alcançado.

Manuel Queiroz, e a sala de provas onde nós estamos agora, quando entramos aqui, o que vemos, sendo que esta foi uma sala principalmente distinguida, como nos estava a contar há pouco.

Sim, é uma sala que já foi premiada várias vezes. Temos ali algumas dessas, mas realmente, como eu dizia, é gratificante esses prêmios, porque realmente as equipas também sentem que têm um propósito, que estão a fazer um bom trabalho. É meritório, vamos dizer assim, mas realmente o mais gratificante e o melhor prêmio que nos pode dar é precisamente quando as pessoas nos vêm visitar, quando elas se sentam, quando elas se identificam e conseguem reconhecer o trabalho que a gente se envolvem e conseguem entender a cultura da Tabudela e do vinho, como se trabalha, a filosofia do enólogo, porque há aqui uma mensagem, há uma linguagem e é esse propósito que nós temos em passar com tudo isto que nos rodeia.

Só dizer uma coisa. Esta sala de provas, o que estávamos a comentar também há bocadinho, que a pessoa quando nos visita, grande parte da visita de enoturismo, por vezes culmina com a prova, precisamente aqui, nessa sala de provas, que pode ter o enólogo também, como o Manuel dizia, presente. E depois uma das coisas que nós fazemos é que o arquiteto criou aqui este quase anfiteatro, este tudo vidrado, e que permite que as pessoas venham cá e veem sempre uma paisagem que é completamente diferente e no fundo nunca se cansam.

A proximidade da pessoa.

Exato.

A experiência, a prova de vinho, a proximidade com a vinha.

Claro.

O envolvente da adega que está inserida no meio da vinha e o contacto com a natureza. Tudo isto tem uma história. E tem uma linguagem e efetivamente é muito emocionante.

O Rodrigo falava de um quadro há pouco.

É um quadro. É um quadro que quando temos o outono, o quadro fica um bocadinho mais em tons de laranja. Quando temos a primavera, começam a despertar aquilo que nós daqui a uma ou duas semanas vamos ter, começa uma série de cores. Quando temos o verão, chegamos aqui a uma parte mais verde. Venham visitar-nos e depois desfrutem daquilo que podem fazer, juntamente com a parte do enoturismo, e a prova de vinhos, porque um e outro são completamente indissociáveis.