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Continuamos aqui na Casa de Santar e Magalhães. Estamos mesmo a terminar esta visita também ao projecto do Santar Vila Jardim, um projeto que, e continuo com Ana Constantino, é um projeto que não só envolve a vila, mas envolve também uma região, não só pela onda solidária, pela onda de ação social, mas também por dar espaço, dar palco a outros produtos também muito endógenos.

É verdade. Nós temos esse cuidado de procurar inserir não só a comunidade santarense, mas toda a região aqui ao redor, e permitir que eles também se desenvolvam em conjunto com todo o projeto. A prova disso é a nossa loja oficial de Santar Vila Jardim, que fica em frente à Casa de Santar e Magalhães e é geralmente o ponto de partida das nossas visitas guiadas. É aqui que nós vendemos alguns produtos regionais, que temos em parceria precisamente com alguns artesãos de toda a região. Posso inclusive dar alguns exemplos muito simpáticos. Nós trabalhamos com a Olaria Arte Antiga, que é relativamente perto aqui da vila de Santar, fica em Tondela e em Molelos. Eles fazem a nossa coleção de bases de Santar Vila Jardim.

E cuja história vai poder ouvir em outros episódios da nossa cultura da Rádio Observador.

É verdade. Trabalhamos também com o Centro de Dia Suzanne de Lamego para a produção das nossas compotas. Temos também todo o trabalho de saboaria, os sabonetes, as velas, que são produzidas pela AmorLuso, que nada mais são do que estes artesãos que estão aqui ao redor e que procuram manter esta arte do saber fazer, que tem que ser valorizada e mostrada não só a todo o nosso público nacional, mas acima de tudo a nível internacional.

E voltando à vila, há também relação de uma grande cordialidade com a Santa Casa da Misericórdia, mas também com a Escola Primária.

É verdade. No decorrer de todo o ano, nós vamos criando algumas iniciativas com estas instituições. Nós fazemos parte inclusive do projeto Eco-Escolas, em colaboração aqui com a Escola Primária de Santar, e vamos desenvolvendo a cada período letivo uma atividade com a Escola Primária de Santar, desde que esteja de acordo com aquilo que é estudado efetivamente no decorrer de todo o ano letivo. Poderemos falar um pouco acerca do património, da história, dos resíduos, da água. E com a Santa Casa da Misericórdia, temos vindo a fazer precisamente o mesmo. Vamos criando algumas visitas e algumas atividades dinâmicas com esta faixa etária relativamente mais velha, mais idosa, mas acima de tudo permitindo que eles possam sair um pouco daquele contexto regular da Santa Casa da Misericórdia, do Centro Dia, e criar alguma atividade que possa fazer com que eles se sintam um pouco mais acolhidos pelo projeto Santar Vila Jardim e acima de tudo-

Dar vivência à vila, acima de tudo.

Precisamente, isso mesmo.

Estamos a terminar esta nossa visita à Casa de Santar e Magalhães. Volto ao convidado principal desta visita guiada, José Luís Vasconcelos e Sousa. Unir jardins, derrubar muros, fazer pontes, foi um lema que nós ouvimos muitas vezes ao longo destes episódios e que como demos agora conta não só com o projeto ligado ao vinho, mas acima de tudo com os projetos ligados à escola primária, também à Casa da Misericórdia e acima de tudo com outros produtores e com outros impulsionadores da região. É uma marca que é para continuar?

Eu penso que sim. Eu penso que é uma marca que está na origem deste projeto, que também tem que ver com a sustentabilidade social, com isso a coesão social, que criou esta dinâmica, que no fundo da mesma forma que temos ciclos viciosos, também temos ciclos virtuosos. E este foi um ciclo virtuoso, que está a transformar a vila de Santar e que tem origem detrás dos nossos pais, dos nossos avós, que comunicavam de uma forma afável, de amizade, de relações humanas.

Um legado para continuar.

Um legado para continuar, daí também eu vim-te chamar à memória. Memória, mas desta forma virtuosa. Por isso o bem gera o bem. E acho que isso é uma nota muitíssimo importante deste projeto. Aliás, curiosamente, uma pessoa que fez a visita, um empresário, o Bruno Lobão, pode ser depois o nome, que escreveu depois num jornal, penso que no Jornal de Notícias, depois de ter feito a visita, escreveu um artigo que começava dizendo: "Afinal, Portugal é possível".

Para conhecerem mais sobre este projeto, o que é que os nossos ouvintes têm que fazer? Que indicações têm de ter, acima de tudo, que dias e que horas é que têm para visitar esta Casa de Santar e Magalhães, mas também o projeto de Santar Vila Jardim?

No fundo, nós temos todas as informações disponíveis no nosso website oficial de Santar Vila Jardim, mas temos diversos horários de visita para que estas visitas possam ser realizadas, geralmente às 10:00, às 12:00 e às 15:00. E a verdade é que poderão dar uma vista de olhos no nosso catálogo de programas de enoturismo e visitas guiadas, porque por lá poderão encontrar diversas possibilidades, desde circuitos de visita simples ao interior da casa, o conjunto da visita aos jardins e ao interior da casa, e ainda o complemento de provas de vinho Degustação de produtos regionais ou até mesmo um maravilhoso almoço na Loggia da Família, um espaço muito agradável e com uma vista panorâmica incrível sobre o jardim histórico da casa.

Estamos no final de janeiro, ou seja, Viseu não dá tréguas ou pelo menos a chuva de Viseu não dá tréguas, por isso certamente os nossos ouvintes irão aproveitar os jardins, caso queiram, em outras alturas do ano. Por isso, Ana, em que melhores alturas é possível visitar os cinco jardins, visto que têm dinâmicas distintas entre verão, primavera, outono, inverno, qual é o melhor período do ano?

É precisamente como refere. Eu não diria que nós temos uma época específica para ser visitáveis, precisamente porque os jardins têm um benefício maravilhoso. Qualquer que seja a estação do ano em que nos visitem, há coisas diferentes para ver, há coisas diferentes para acompanhar. Temos no outono, desde a transição das tonalidades das folhas para os tons outonais, os laranjas, os tons de tijolo, que fica maravilhoso, a natureza vista numa outra perspectiva. O período da primavera também é muito agradável, com as florações das nossas rosas, as rosas de Santa Teresinha, as rosas inglesas. Eu diria que todo o ano, sem exceção, é uma boa altura para visitar Santar Vila Jardim e, no fundo, o meu convite ficaria para todos os ouvintes para poderem vir a Santar Vila Jardim, não só numa altura de ano em específico, mas todas elas, para ver de que forma é que o jardim se adapta à passagem dos tempos e precisamente para poderem ficar a conhecer os nossos jardins em perspectivas totalmente diferentes.

Para terminar, José Luís Vasconcelos e Sousa, realmente qual é a melhor altura do ano, apesar destas diferentes dinâmicas, o que dizer aos nossos ouvintes sobre os melhores dias, melhores alturas para visitar este projecto?

Não esquecer que a casa também é visitável. Por isso, numa altura em que o tempo ou o clima está menos agradável, todo o centro interpretativo e toda a parte histórica e cultural da casa é também uma visita extremamente agradável. Ainda por cima que temos lareira, temos toda uma ambiência que tem a ver com a história e tem a ver com a cultura do lugar. Por isso, a alma do lugar está na casa e nos seus jardins. Por isso, ambos são visitáveis e ambos têm o charme da sua própria estação.

E ficamos aqui resumidos em mais um podcast da Nossa Cultura da Rádio Observador. Foi a visita à Casa de Santar e Magalhães, inserida no projecto Santar Vila e Jardim, que começámos aqui por aflorar com um conjunto de cinco jardins que marca a vila de Santar, mais ou menos 20 minutos de Viseu. Fica por aqui mais um episódio de A Nossa Cultura da Rádio Observador.