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A Tabuadela faz vinho, mas muito mais do que isso. Manuel Queiroz é diretor de turismo da Tabuadela, aqui na região do Dão. O que lhe pergunto é quão fácil ou difícil é trazer pessoas a este tipo de explorações.

Esforçamo-nos por isso. É desafiante. Mas eu acho que é mais desafiante cativar a atenção das pessoas, porque uma vez que as trazemos cá, elas efetivamente não querem sair. É isso que nos diz a nossa história. Claro que isto é metafórico, mas é o que nos diz a nossa experiência, que quando as pessoas entram, depois querem ficar. E temos, com frequência, pessoas que nos vêm visitar e que vêm passar alguns dias conosco e muitas vezes prolongam. Isso acontece com frequência.

O enoturismo é um dos vossos principais objetivos, principais formas de vender a Tabuadela?

É uma forma de nos apresentarmos e de darmos a conhecer aquilo que fazemos, não só na vertente do serviço de turismo, de hospitalidade, mas também na excelência dos vinhos que produzimos na Tabuadela e na região do Dão. Portanto, cativar as pessoas a virem visitar-nos é um foco importante para nós e com base nisso nós desenvolvemos várias iniciativas, muitas delas direcionadas para as famílias, para crianças, outras para wine lovers, para pessoas mais apaixonadas do vinho.

Sendo que é um bom acrescento, mas não é absolutamente obrigatório.

Sim, não é obrigatório, embora achamos sempre que a pessoa vai desfrutar muito mais se eventualmente apreciar, mesmo que não seja consumidor, mas se apreciar, acho que é realmente muito interessante. Temos várias iniciativas e posso falar aqui rapidamente de uma ou duas. Nós temos uma iniciativa que é o Dão Portas Abertas, neste caso, a Tabuadela Portas Abertas, que é uma iniciativa que nós estamos a desenvolver a partir de abril, que queremos fazer com a comunidade local, de forma que seja uma iniciativa da região para alavancar a região e não só uma coisa direcionada individualmente por parte da Tabuadela, que designamos por Dão às 17h, onde aos sábados, às 17h, oferecemos uma visita a quem nos visitar.

Mais ou menos a visita que estamos a fazer agora.

Uma visita como estamos a fazer agora, ao longo da propriedade, que começa na parte da Wine House e termina na adega. Paralelamente, no ano passado fizemos uma iniciativa muito interessante também, que este ano iremos repetir, com o propósito de aproximar as pessoas à cultura do vinho, demonstrando que o vinho tem muita história para contar, tem cultura, tem gastronomia e tem muitas envolventes e é uma forma inclusiva de aproximar as pessoas e elas mesmo contarem as suas histórias. Desenvolvemos uma iniciativa em torno dos cogumelos.

Também têm aqui cogumelos entre as vinhas? Como é que isso funciona?

Não. Na época de outono, a região tem a floresta riquíssima de várias espécies de cogumelos. A região do Sátão está classificada como sendo a capital do míscaro. Sabemos que é uma terminologia que não é muito comum, mas considerando que Sátão está classificada com isso, sim, eles usam a terminologia. Nós fizemos um evento em torno dos cogumelos, onde trouxemos dois especialistas, dois micologistas, dois especialistas em cogumelos, que entraram nos nossos bosquetes da nossa propriedade e foram fazer a apanha dos cogumelos com as pessoas e explicaram a biodiversidade que nos rodeia na nossa propriedade. Posteriormente a isso, tivemos um momento gastronómico com três chefs, entre eles o chef André Carvalho, que é o chef da Quinta Nova e da Tabuadela, e o Diogo Rocha, que é um chef aqui da localidade de Viseu, e o Renato Cunha, que faz cozinha nos potes, tradicionalmente. Tudo em torno dos cogumelos. A iniciativa foi toda em torno dos cogumelos.

Era isso que lhe ia perguntar. Únicos ingredientes, cogumelos e vinho.

Cogumelo e vinho. Sim, funcionou muito bem. Foi muito agradável. A adesão foi muito grande. Tivemos aqui aproximadamente 300 pessoas. Tivemos muitas histórias para contar. Fizemos provas de vinhos, fizemos apresentação de cogumelos, tivemos música, tivemos a componente gastronómica e uma festa que durou a noite toda.

Exatamente. Além disso, em complemento, nós tivemos aproximadamente 20 produtores, em que puderam mostrar também os vinhos. Isto pretendia ser uma festa que, no fundo, é agregadora também a nível de região. E além daquilo que o Manuel já referiu, tivemos também provas comentadas.

Provas comentadas?

Exatamente. A determinada altura podiam assistir. Uma delas em que tivemos um futuro Master of Wine português também a fazer. E foi fantástico. A adesão foi fantástica, estamos muito contentes e acho que se calhar este ano vai haver outra vez, não é?

Sim, seguramente. Será a segunda edição do Mushroom Edit, mas com isto conseguimos demonstrar essencialmente uma coisa, que a região tem muito para dar e muita coisa para oferecer. Tem oferta, tem diversidade. Associamos inclusive o vinho à cultura também, não só à cultura gastronómica, como à cultura da biodiversidade e à parte patrimonial do meio envolvente em que estamos e da região, neste caso, da Tabuadela. E pudemos também trazer uma amostra do vinho de excelência que se faz aqui com o convite de desafio que se fizeram aos produtores locais, em que eles acederam a vir e dar uma amostra dos vinhos deles aqui na adega.

Portanto, vários produtores a trabalhar em conjunto para demonstrar os seus vinhos.

Vários produtores, sim.

Espera, por isso, uma adesão muito boa agora em abril a estas iniciativas de porta aberta, como estávamos a falar há pouco.

Esperemos que sim, porque a iniciativa das portas abertas é precisamente as pessoas poderem caminhar e desfrutar da natureza, digamos, um encontro com a natureza, essencialmente, e naturalmente, a parte do vinho, do meio onde estamos inseridos, também ele é importante e também alavanca a região. Dá valor àquilo que de bom se faz na região e acho que isso também é importante as pessoas terem conhecimento.