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A Tabuadela, na região do Dão, em Sátão, tem uma iniciativa diferente. Produz vinho e é uma quinta de produção onde se pode ser enólogo por um dia. Rodrigo Costa, o que é ser enólogo por um dia?

Uma vez que é enólogo todos os dias. Ser enólogo por um dia acho que é uma experiência extremamente enriquecedora, na medida em que as pessoas quando nos vêm visitar podem pegar em três, quatro vinhos que eu seleciono. E de repente estamos todos num momento muito informal e a ideia é que eles depois façam o seu próprio vinho, personalizem o seu vinho também num rótulo que nós damos, e eles próprios também conseguem fazer a personalização de rótulo, e que depois um dia mais tarde, num momento que eles considerem especial, abram essa garrafa, provem e depois sintam o momento que tiveram e o momento em que aquele vinho foi feito. Acho que vale a pena fazerem, porque é uma experiência giríssima.

E há uma proximidade diferente das pessoas por terem acesso a esse tipo de experiências aqui na Tabuadela, essa proximidade com a forma como é feito o vinho?

Sim, eu acho que tudo que é feito na Tabuadela é feito com muita paixão. A mesma experiência da visita, que nós já falámos. A experiência da visita, a experiência da prova, e depois, neste caso, o Enólogo por um Dia, efetivamente cria aquilo que nós podemos considerar laços. E cria memórias. E como é feito, como eu dizia há pouco, com tanta paixão, acho que as pessoas efetivamente recordam-nos. E depois dizer que o vinho também é particularmente bom.

Nesta experiência de ser enólogo por um dia, as pessoas levam a sua garrafa, uma garrafa para ocasiões especiais, participam em provas, nesse tipo de atividades. Já recebeu algum conselho bom de um enólogo por um dia dado a quem é um enólogo a tempo inteiro?

Sim, é giro. Nem sempre estou disponível, mas sempre que me procuram, eu faço essa componente do Enólogo por um Dia. É muito giro porque houve um dia, os senhores eram estrangeiros, e a determinada altura o lote que ele fez estava tão bom que eu tive que lhe dizer que provavelmente eu iria usar parte daquilo que ele tinha feito num dos vinhos que depois íamos lançar para o mercado. É giro. Esta interação que se cria e toda esta transmissão de conhecimento, porque a ideia depois também é transmitir um pouco, porque as pessoas a determinada altura têm alguma curiosidade em saber como é que se faz, como é que não se faz. Há uma parte de contas um pouco mais chata, que é para percebermos as porcentagens.

Isso também faz parte do trabalho.

Também faz parte do trabalho, exatamente. Mas depois aquilo que nós pomos, que são os diferentes materiais que nós usávamos, que eu estava a referir. E depois algumas castas que são diferentes, que depois permitem brincar e jogar um pouco com aquilo que acho que é interessantíssimo para as pessoas que querem fazer e que nos visitam.

A maior parte das pessoas que procuram esta experiência do Enólogo por um dia e que muitas vezes se cruzam com o Rodrigo, são pessoas, na sua maioria, que já percebem alguma coisa de vinho ou que estão a ter a sua primeira experiência e vêm praticamente de olhos fechados?

Eu acho que existe um pouco os dois pontos. Existem efetivamente pessoas que já têm um conhecimento forte e que levam essa componente numa vertente até mais séria. Isto para eu lhe contar aquilo que eu sinto quando estou com as pessoas. Levam isso de uma forma mais séria, porque efetivamente querem fazer bem, e como já conhecem, quando abrirem a garrafa daqui a cinco ou seis anos, vão tentar perceber se efetivamente aquilo correu muito bem e era isso que eles queriam. E depois há as pessoas que vêm por uma questão de conhecimento e a maior parte das vezes até para passar um bom momento e depois terem essa recordação daquele momento em que estiveram juntas, às vezes até em família. E que nós quando percebemos isso, às vezes nem interferimos tanto, mas é sempre gratificante estar com toda a gente.

Com o objetivo, imagino eu, de demonstrar que o vinho é algo que vai além da garrafa.

Com certeza, o vinho é algo que vai além da garrafa. O vinho tem uma componente social fortíssima, tem uma componente cultural fortíssima, tem uma componente económica também fortíssima. Portanto, um brinde a todos e visitem-nos.