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Na Tabuadela. Rodrigo Costa é enólogo da Tabuadela, com o Rádio Observador. Há vários pontos diferentes, um deles é esta adega. O que ela tem de especial?

Sim, é um pouquinho aquilo que eu vos falava quando nós começámos a entrevista ao classicismo de vinha e de região. E depois temos esta modernidade, que as pessoas não nos vendo, é uma adega que se pretende e que está completamente implementada aqui na natureza onde estamos e neste mosaico de vinha, e que depois o arquiteto Carlos Castanheira teve em atenção e foi construída com materiais nobres como é a madeira e como é a cortiça, e mesmo a pedra que utilizamos, é uma pedra e um granito que é aqui da região. Três materiais nobres para conseguirmos que ela ficasse perfeitamente integrada.

Mesmo sendo um pouquinho mais moderna, não destoa aqui a paisagem.

Eu acho que não destoa nada e dá precisamente essa modernidade, que é aquilo que nós também pretendemos da região. Há um classicismo que deve ser mantido, mas depois a região também tem que se modernizar. E depois é um complemento àquilo que o Manuel também falava anteriormente em relação à questão do turismo, porque efetivamente as pessoas quando vêm aqui, veem uma adega que é uma adega impactante. E depois conseguem, no fundo, estar presentes. Quando nós estamos a trabalhar, conseguem estar presentes no processo, o que se eu tivesse que fazer uma visita, achava giríssimo. Esta adega também pretende efetivamente entregar esse tipo de experiência e depois para as pessoas que trabalham aqui, essa modernidade tem outra palavra que é a questão de precisão. E que depois interiormente, e nós vamos poder depois ver a seguir, há máquinas e há materiais que são muito específicos e que fazem parte da nossa filosofia, como é o cimento. Como é a triagem de precisão, como é o pelém que nós temos, e que depois nós tentamos preservar e ter o mínimo impacto naquilo que é o terroir da Tabuadela, mas que depois efetivamente também são relevantes para o produto final que aqui fazemos.

Vamos ver. Entrando, que tipo de atividades nós vemos? Entramos neste espaço moderno, o que nós vemos?

Nós conseguimos fazer na parte do enoturismo, quando nós fazemos a visita, até devia ser o Manuel, se eu não disser, basta-me complementar. Há uma entrada, há uma perspectiva daquilo que é, chamemos lhe assim, a nave-mãe, onde nós temos as fermentações. Conseguimos visualizar toda uma zona um pouquinho mais atrás, que é a zona da receção da uva. E as pessoas têm o primeiro contacto com o inox e com os materiais que eu referi anteriormente, e depois com a tal precisão.

Com o cimento aqui, não é?

Com o cimento, estas flipas nicobelo que nós usamos para algumas castas, aquelas que nós entendemos que devemos usar. E depois toda a arquitetura que está no exterior, no fundo, também é transporta para aqui. E quando nós olhamos para isto e vemos aqui, isto é de uma elegância absolutamente fabulosa.

Quantos litros é que nós temos aqui?

Nós conseguimos pôr aqui?

Sim.

Alguns. A ideia não é ter muito. Mas a ideia aqui era aquilo que eu dizia, precisão, há uma zona definida onde nós fazemos os estágios dos brancos, tem aproximadamente 8000 L. Há uma zona definida para brancos e alguns tintos em cimento que nós temos também em outro mil e 9000 L. E depois há uma zona de fermentação de tintos, que temos algumas capacidades que também são variadas. O que não é tão importantíssimo, mas é importante que seja o formato das cubas que nós temos aqui para a fermentação dos tintos, que respeita uma série de coisas que nós pretendemos. O cimento como material que nós assumimos, efetivamente, para não mascarar aquilo que está e para darmos um pouquinho de amplitude àquilo que nós temos no exterior, às nossas vinhas e às nossas uvas. Depois a parte tecnológica e de conforto de trabalho.

Manuel Queiroz, os turistas que procuram a Tabuadela, esta é uma das razões pelas quais procuram?

Sim, naturalmente que nós também pensamos nisso, na vivência das pessoas que nos visitam e achamos sempre que isso é o mais importante, que é aquilo que as pessoas levam quando vão para casa. Que são essas vivências, essas experiências dos momentos que passaram conosco. E tudo isto que o Rodrigo estava a explicar, permite, efetivamente, que a pessoa possa ter a experiência emocional de estar próximo daquilo que está a acontecer, sem ser invasivo, protegendo, não só do ponto de vista de segurança, mas também do ponto de vista sanitário e do trabalho que se está a desenvolver, se estiverem a decorrer, o vinho, neste caso, o processo do que está a acontecer. E portanto, todo o desenho da adega é precisamente assim, é que a experiência seja o mais imersiva possível para a pessoa, sem que perturbe os trabalhos, nem crie nenhum tipo de entropias no processo de desenvolvimento.

Porque as visitas e os trabalhos acontecem ao mesmo tempo.

Acontecem em simultâneo, exatamente. Sim.

Se queremos falar aqui um pouquinho, que é importante, nós depois temos aqui alguma polivalência na adega também. Disse mais do Manuel, há uma zona que é a zona que nós estamos a fazer, que é uma zona de trabalho, e depois há uma zona que efetivamente também é adega por uma questão de sala de provas, mas em que nós usamos precisamente este espaço para grupos com maior dimensão, em que fazemos eventos. A Casa Vilaia acho que é um pouquinho mais reservada, correto? E depois aqui pretendemos, essa adega tem uma terceira componente, primeiro o vinho, depois a parte turística e depois uma parte em que nós conseguimos receber pessoas.

E o bem-estar. No fundo, acomodar as pessoas que nos visitam. É importante a gente ter diferentes espaços com diferentes mensagens e é precisamente isso que vamos encontrar aqui. Aqui temos uma zona de entrada onde conseguimos visualizar o que é a zona de vinificação.

Vinificação e as pessoas são recebidas, às vezes, com uma história e com um filme que existe.

Vamos contando uma história no decurso.

Têm também a possibilidade daquilo que eu falava lá fora, de perceberem. Fizemos um estudo geológico bastante aprofundado e conseguem perceber aqui sete unidades de solo que nós temos aqui, que no fundo vão diferenciar todas as 27 parcelas que temos. Este solo tem uma interferência muito grande na planta, e permite-nos fazer quase uma vindima também à la carte. Têm esse contacto com isto. E depois vamos visualizar a seguir uma sala de provas que nos honra muito, foi eleita a melhor sala de provas.