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Nas manhãs 360 recebemos agora no ao vivo a Tainá. Olá, Tainá, bom dia.
Olá, bom dia.
Bem-vinda.
Obrigada.
"Sonhos" é o primeiro single do álbum de estreia da Tainá, cantora e compositora também.
Sim.
Álbum que será editado em setembro. É assim?
Sim, exatamente.
Tainá, vieste do Brasil com 21 anos, mas foi lá que estudaste música, um pouco à revelia da família, como é que foi?
Sim, eu estudei música um pouco no Brasil e vim morar cá e decidi dar continuidade. Fiz aqui um curso e a partir daí comecei a trabalhar no estúdio como compositora, componho aqui pra outros artistas. E é isso.
Gravaste um disco de estreia em Lisboa quando a ideia era só gravares uma maquete.
Sim.
O que é que fez mudar de ideias?
Foram mesmo as surpresas de Lisboa.
Sentiste-te inspirada?
Sim.
Como a Madona.
Sim, Lisboa é inspirador, muito poético, as ruas.
Mas tu tens um episódio curioso que eu gostaria que partilhasses com os ouvintes do Observador. Tu passeavas nas ruas de Lisboa quando começaste a cantar com grupo de jam, que estava a cantar na rua, e depois foste desafiada para cantar Corcovado, de Tom Jobim. E no final soubeste que era quem?
A banda do Erlend Øye.
Que é dos?
Dos Kings of Convenience. E eles me convidaram, através disso, pra tocar com eles nos outros concertos aqui em Guimarães, e através disso conheci a minha agência e tudo começou.
Estávamos em que ano? Quando é que foi?
Foi ano passado.
Foi ano passado?
Sim, vai fazer um ano agora, já.
O que temos é que nos trazer os sonhos.
Sim, sonhos.
Vamos ouvir.
Obrigada. Eu não tinha esses olhos, esse desejo de descobrir. Parece que não me encaixo, às vezes me acho uma anomalia. Para de interromper intensidade com medo de se arriscar. Para de se entristecer pela cidade com medo de não agradar. Parece que o universo é curto demais. Você parece nunca se satisfazer. Você existe pra cruzar longas distâncias. A vida foi feita pra você. Você corre, continua e não se cansa, pois seus sonhos são maiores que você. Eu não tinha esses olhos, esse desejo de descobrir. Parece que não me encaixo, às vezes me acho uma anomalia. Para de te esconder dessa verdade, seja quem ama ser. Para de tentar manter felicidade, jogue luz sobre os teus erros. Parece que o universo é curto demais. Você parece nunca se satisfazer. Você existe pra cruzar longas distâncias. A vida foi feita pra você. Você corre, continua e não se cansa, pois seus sonhos são maiores que você. Você existe pra cruzar longas distâncias. A vida foi feita pra você. Você corre, continua e não se cansa, pois seus sonhos são maiores que você. Teus sonhos são maiores que você.
Tens uma voz deliciosa.
Obrigada.
Tainá, este encontro com a banda, com Kings of Convenience, foi uma grande sorte e um grande acaso na tua carreira.
Sim, foi mesmo através disso que tudo se iniciou.
Conta-nos esse episódio. Estavas a passear na rua?
Sim, eu estava na Rua da Bica e tinha lá uns músicos tocando Tom Jobim, que é o meu compositor preferido. E um amigo me desafiou a tocar com eles. Eu achei que eram brasileiros, estavam tocando muito bem, e disse: "Olha "Posso tocar uma música com vocês?" E toquei a do Corcovado e através disso eles me convidaram pra cantar com eles. E eu só soube que eram os músicos do Hernán Doye quando cheguei lá no dia, no Capitólio, e vi o show.
Mas depois fizeste uma primeira parte, cantaste com eles, o que isso quer dizer? Cantaste com eles lá no Capitólio?
Não. Depois quando acabou o concerto no Capitólio, eu fiquei esperando eles pra agradecer e um deles me trouxe a guitarra, já sabiam que eu cantava, e eu cantei uma composição minha, que é Desertos, e através disso eles me convidaram pra cantar no Guimarães. E foi uma parte do concerto deles, onde eles param e tem uma parte acústica e eu cantei dois temas meus.
Que incrível! Tainá, esse tema que falaste agora, Deserto, é outro dos que nos trazes hoje aqui às Manhãs 360. Vamos ouvir então?
Sim.
Obrigada, Tainá.
O meu espaço invade a sala de estar. Me encontro só e só sou eu pra amar. É no silêncio que encontro a canção. Que vem das veias e o pulsar do meu pulmão. Explorador de mim, ainda aprendiz dos meus desertos. De dia sou o sol, à noite escureço, é tão incerto. A solidão é a arte de aprender. A dançar no compasso que o corpo dá. É tão estranho observar e me sentir. Eu, forasteiro, mas agora estou aqui. Explorador de mim, ainda aprendiz dos meus desertos. De dia sou o sol, à noite escureço, é tão incerto. Lindo é o sorriso maior que a cicatriz se acompanhar. Lindo é o sorriso maior que a cicatriz se acompanhar. Isso basta. Há tanto tempo que não paro aqui. Há tanto tempo sou visitante de mim. Mas agora resolvi ficar. Preciso aprender a ser só. Preciso aprender a me encarar, a me consertar e me aceitar. Saber morar em meu lar e minha alma inteira desnudar. E me explorar. Explorador de mim, ainda aprendiz dos meus desertos. De dia sou o sol, à noite escureço, é tão incerto.
Que maravilha! É bom saber que foi Lisboa que te inspirou pra cantar assim dessa forma. Incrível. Muitos parabéns.
Muito obrigada.
Tainá, muito rapidamente, porque temos que seguir pras notícias. Tens concertos marcados, onde é que te podemos ver nos próximos tempos?
Tenho dia 20, agora desse mês, no Festival dos Canais, dia 21 no Marés Vivas e 10 de agosto no MEO Sudoeste.
Portanto, não vão existir oportunidades de te vermos ao vivo. Tainá, nossa convidada musical do Ao Vivo de hoje, muito obrigada pela tua presença e felicidades, Tainá. Rádio Observador