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Sejam bem-vindos ao podcast de cultura da Câmara de Aveiro. Apertem os cintos de segurança, porque neste Aveiro On vamos acelerar nos carrinhos de choque. Vamos comer farturas.

Sai tudo um pouco.

Andar nos carroceis. E não só. Já começou a maior feira de Aveiro, a Feira de Março. Há um odor a farturas no ar. A família de Mário das Farturas dedica-se ao negócio desta iguaria há 40 anos. É em Aveiro que termina o jejum de vários meses, longe das festas e romarias. Maria Taveira, a esposa, está hoje ao balcão. É aqui que começa o ano para vocês.

É, sim, senhor. Depois de meio ano parados. No inverno não há romarias.

Atrás do balcão, contam-se meia dúzia de empregados. O senhor Mário está na rolota a descansar. A família veio de Santa Marta de Penaguião, na região do Douro. É o filho, que vive há 24 anos em Aveiro, que nos revela o segredo de uma boa fartura.

Eu costumo dizer que é um bom óleo, boa farinha e feitas com amor e carinho.

A 20 metros dali, encontramos a família Armando. Vende farturas há 49 anos. Aveiro é desde sempre paragem obrigatória. Gosta da Feira de Março?

Gosto. Gosto daquilo que faço. Gosto muito das farturas. E as nossas são muito boas.

Lotaria da Páscoa é €10 cada uma e sai 120 mil cada uma.

António Rocha tenta a sorte, a sua e a dos clientes, também é presença habitual na Feira de Março.

Já desde lá de baixo, já quando era lá embaixo no Rossio e quando era junto ao mercado. Já ando aqui há 43 anos. E gosto muito disso. Gosto disso, distraio-me e convivo.

Enquanto falamos com António Rocha, somos interrompidos pelo som dos instrumentos da Escola de Música da Banda da Quinta do Picado. Diga lá, senhor presidente Vítor Silva, o que andam aqui a fazer?

É tradição já nossa. E temos aí o nosso stand de quermesse, de angariação de fundos e divulgação da associação também.

Também vêm a fazer negócio.

Não, o negócio no fundo é residual. No fundo, o objetivo principal é a divulgação.

Decidimos rumar à zona dos stands, onde 24 coletividades de Aveiro se mostram aos visitantes da Feira de Março. Roda-roda.

Pode sair um guarda-chuva por €1. Arrisque ali, amigo.

O que é que sai?

Sai o shot ou a caneta, o imã, postal, fita, copo, pin. O melhor prêmio aqui é o azulejo com o São Gonçalinho.

No stand da Mordomia de São Gonçalinho, encontramos o juiz da mordomia, Nuno Portela.

A Mordomia de São Gonçalinho é basicamente a comissão de festas responsável pela organização das festas em honra do São Gonçalinho em janeiro. Normalmente, as associações são convidadas pela Câmara Municipal. Nós fomos convidados e já vem sendo tradição, fazemos questão de marcar presença.

Por esta altura, já a banda de música da Quinta do Picado entrou na zona de mesas do Armando das Farturas.

Mãe, onde é que estão os carroceis?

Estão já ali, Tiago. Salta à vista a roda-gigante, a pista dos carrinhos de choque e o canguru XXL.

Eu quase vomitei. Isso aqui estava assim . Vai para trás, é mais radical.

Foi divertido?

Foi. É mais divertido.

Foi muito divertido. Para o primeiro dia foi fantástico. Viemos mais vezes.

Não muito longe dali, o simulador 9D, de onde acaba de sair o casal Felipa e Bruno. A partir de Aveiro, eles mergulharam na vastidão da Amazônia.

Ficamos a viver como se estivéssemos em plena Amazônia. Andamos sobre uns carris, tem animais e a sensação da adrenalina, como se estivéssemos a andar num carril a fazer uma montanha-russa.

Vi muitos passarinhos, vi templos, também, que nós passamos, e rios. Cascatas, muitas cascatas.

As mãos de José Simões remexem as centenas de fichas na gaveta da cabina da pista de carrinhos de choque.

Muitos anos a virar pratos e a virar pistas.

José Simões trouxe da Moita, distrito de Setúbal, uma das maiores pistas de carrinhos de choque do país. Começou a trabalhar nas diversões de feira aos 12 anos. Aos 20, por conta própria. Já lá vão 50. José Simões é um clássico da Feira de Março. E o povo de Aveiro, o que acha dele?

Espetacular.

Havemos de regressar à pista do senhor José daqui a pouco, para sermos guiados pelo autarca de Aveiro, Ribau Esteves. Para já, senhor presidente, que feira é esta, a Feira de Março?

É uma tradição que passou por tantas gerações, que teve vários sítios onde se foi localizando na cidade, mas que nós quisemos sempre cuidar dela, fazer com que a cada ano ela possa ser melhor, apostar em novas áreas, como apostamos há meia dúzia de anos no cartaz musical mais rico, colocar uma tenda, porque a Feira de Março ocorre nesta altura do ano em que de vez em quando chove.

Então e os carrinhos de choque?

Aqui os choques não são contra ninguém, os choques são para induzirmos energia uns para com os outros.

Vamos lá.

Vamos embora.

Ora malta, isto é sempre o nosso divertimento. É vir dar uma volta no carrinho de choque e comer fartura. São dois dos ícones da feira. Dois dos ícones principais.

Estou aqui todos os anos.

Todos os anos, várias vezes. Miguel, isso está muito lento.

Cuidado!

Estás a chegar. Vamos chegar por aqui, temos que ir beber uma minizinha.

E depois jantar. Na feira, para além das farturas, há hambúrgueres, batatas fritas, kebab, muitas iguarias da moda e carne marinhoa, típica da região da Beira Litoral, que Agostinho Abranches, do restaurante Temudos de Coimbra, trouxe para a Feira de Março. Como é que se come a carne de raça marinhoa?

Muito bem. Preferencialmente fazemo-la grelhada no carvão. E também temos uma versão estufada na panela.

Por esta altura, há muita azafa na cozinha.

Nós somos uma presença assídua na Feira de Março, o que muito nos honra e esperamos corresponder ao que esperam de nós também os clientes. Eu creio que sim, é uma feira com pergaminho.

A Feira de Março remonta ao ano de 1434, no final do reinado de Dom Duarte, como nos conta a historiadora Maria José Curado.

Terá sido por volta desse ano que Dom Duarte concedeu à vila de Aveiro a possibilidade de ter uma feira franca, à semelhança do que havia noutros sítios de prestígio, noutros sítios desenvolvidos, por consideração aos serviços prestados por o Infante Dom Pedro. É nesta altura também que se ergue a muralha de Aveiro e as vilas que tinham uma muralha eram vilas com prestígio. Aliás, aquela muralha não era defensiva, era sobretudo de prestígio. Com isso, Aveiro começou a ter uma pujança maior do que aquela que tinha, um crescimento maior, uma atratividade maior, um estatuto maior e foi nesse sentido que o rei concedeu este privilégio à vila de Aveiro.

600 anos depois, a Feira de Março é uma das maiores feiras populares do país e a maior mostra económica da região Centro.

As empresas que vêm à Feira de Março fazem um balanço sempre muito positivo. É por isso que o espaço da mostra económica é muito disputado, apenas não temos condição, provavelmente o espaço tem limites para acolhermos mais pessoas. No ano passado tivemos aqui 600 mil pessoas e é uma oportunidade de promoção e de negócio muito importante para as empresas que aqui vêm promover os seus produtos.

Mas a Feira de Março também se faz de música. Vão passar pelo Parque de Feiras e Exposições até ao dia 25 de abril, nomes como MC Daniel, Dilass, os Quatro e Meia, Evandro, Lonar Johnny e Ana Moura. A Feira de Março abriu com a música do sempre único e original José Cid. E nos próximos três meses, Aveiro vai continuar a dar destaque à cultura. A programação do segundo trimestre da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura é dedicada à cultura e democracia.

Temos os 50 anos do 25 de Abril, temos a comemoração do feriado municipal no dia 12 de maio, também honrando a nossa padroeira Santa Joana Princesa. Temos o 10 de junho, honrando a portugalidade, Camões, aqueles que são os instrumentos principais da cultura portuguesa no mundo, que são os imigrantes, as comunidades portuguesas, como se convencionou chamar. E chamámos um instrumento de cultura muito importante em Portugal, que é a Marinha Portuguesa, que vai, em meados do mês de maio, viver o seu dia com múltiplos episódios de cultura em Aveiro.

As comemorações do Dia da Marinha vão acontecer entre os dias 4 e 19 de maio, com ações de divulgação junto das escolas de Aveiro, visitas ao Navio Escola Sagres, batismos de mar, terminando com um concerto da Banda da Armada na Praça Marquês de Pombal no dia 17 de maio à noite. Mas há muito para ver e ouvir nos próximos três meses em Aveiro. Tome nota de algumas sugestões. "Idiota", performance de Marlene Monteiro Freitas nos dias 5 e 6 de abril à noite no Teatro Aveirense. No fim de semana grande do 25 de abril, Mercados das Madrugadas, espetáculo multidisciplinar de Patrícia Portela numa coprodução do Teatro Nacional Dona Maria II, Teatro Aveirense e Rota Clandestina. No dia 3 de maio à noite, no Teatro Aveirense, Clara Andermatt estreia o espetáculo de novo circo "Muda" e no dia 9 de maio há teatro no Teatro Aveirense, Fado Alexandrino com encenação de Nuno Cardoso a partir de texto de António Lobo Antunes. Já quase no fim de maio, dia 25, "Quis Saber Quem Sou" de Pedro Pnin. Espetáculo entre o concerto e a peça de teatro. São momentos de cultura que convocam o público a pensar na democracia, como refere José Pina, coordenador da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura.

O que é esta questão da democracia? O que é isto da liberdade, do poder pensar, agir, fazer livremente? Valorizamos ou não valorizamos esse privilégio que temos atualmente? O outro lado é como é que nós construímos uma sociedade, uma comunidade que se raciona de forma positiva com o outro, aquele que pode não ser proveniente das nossas origens, mas que connosco habita um determinado território, um determinado contexto e connosco molda o futuro desse território. Outra dimensão é a dimensão da participação. Até que ponto é que esta lógica de participação, de envolvimento, de diversidade, de inclusão, de estar presente e ter uma voz ativa, decisória, é relevante ou não e como é que o podemos fazer? Em traços gerais, é um bocadinho isto.

Nos próximos três meses são ainda inauguradas duas exposições em parceria com a Fundação de Serralves e a Fundação Cupertino de Miranda. Fica por aqui o "Aveiro Ano" deste mês. Consulte toda a programação da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura em www.aveiro2024.pt. Regressamos no dia 25 de abril. Até lá, dê um salto à Feira de Março.