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Este som não engana, é o da Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira na Rádio Observador. Paulo, há mais um país no euro.
É verdade. Quem tem feriazinhas na Bulgária, por exemplo, já não é preciso trocar moeda, nem há risco cambial. A Bulgária acabou de aderir no dia 1 de janeiro de 2026, é o 21° membro da zona euro. Estão a passar agora por aquilo que nós passamos ali na viragem do século, deixar os escudos.
Também vão fazer conto, certo?
Exato. Não sei se eles lá fizeram o preço certo, de facto, para as pessoas aprenderem a conter o lev, que é assim que se chama a moeda, ou se chamava a moeda oficial da Bulgária.
Agora vamos fazer aquelas contas que nós fizemos.
É verdade. O old divide por cinco. Nós tínhamos duas moedas, verdadeiramente em Portugal, era o escudo e o conto.
E os 25 tostões.
Os 25 tostões só.
Exato. Portanto, a boa notícia é essa: feriazinhas na Bulgária, já dá para ir com euros, sem estatistas de câmbio, sem perder dinheiro depois nas comissões, essas coisas todas. Já são 21 os países da moeda única.
Vamos à Bulgária.
Vamos fazer emissão na Bulgária.
Isso é que era, perguntar como é que eles estão a adaptar ao euro.
Sim, claro, obviamente. E dar os nossos conselhos de velhos experientes nesta matéria.
Entretanto, o que é que se passa com o crédito à habitação, Paulo?
No crédito à habitação, aquela garantia que foi dada aos jovens e que está em vigor ainda, garantia de 15% do Estado, que no fundo garante os 15% para chegar aos 100% da casa, em relação àquilo que os bancos emprestam, que não emprestam a totalidade, já se esgotou mais de metade do montante até novembro. São dados que foram divulgados ontem pelo Banco de Portugal.
Mais de metade?
Mais de metade. 52,8% do montante que o Estado tem atribuído para este subsídio, este apoio, para todos os efeitos, já foi gasto. Estamos a falar da compra de casas para jovens até aos 35 anos, que têm um limite de montante também na casa dos 400 mil euros, à volta disso. E foram feitos só ao abrigo deste apoio, se quisermos, quase 23 mil contratos desde o início, isto há cerca de um ano. Estes contratos representaram, quando olhamos para o montante, cerca de um quarto do montante de novos créditos à habitação, imagine-se. Em cada quatro, um foi feito com o apoio. Poderá haver também casos em que os jovens são os signatários verdadeiros.
São testas de ferro.
Testas de ferro.
São os fiadores.
Os fiadores dos pais, basicamente. Em que são eles que acabam por dar o nome e serem os responsáveis pelo crédito, precisamente para aproveitar esta vantagem, que aliás é cumulativa com a outra, que é da isenção de impostos, o IMT e o imposto de selo na escritura da casa.
E que faz diferença.
Exatamente. Quando olhamos para o total do país, um quarto dos contratos foram feitos com este apoio. Mas nalgumas regiões, e o Banco de Portugal também detalha isso, houve mais de metade dos contratos feitos com este apoio. Estamos a falar de regiões como o Alentejo, a Beira Baixa, a Lezíria do Tejo, Trás-os-Montes e a zona da Serra da Estrela, até novembro, mais de metade dos contratos de crédito à habitação destas regiões foram feitos com o apoio de crédito desta garantia dada aos jovens. São zonas também em que a estrutura etária da população não terá tantos jovens até como a nível nacional, estará abaixo da média, mas mostra que este apoio pode fazer a diferença, de alguma maneira, naquele estímulo para comprar ou na habitação.
Quem está a pensar nisto, só restam 47 vírgula qualquer coisa.
Exatamente. Pode acontecer que o Estado, que o governo prolongue e reforce, depois quando chegar ao fim, o que significa que este ano acaba a este ritmo, este ano, lá por volta de agosto ou verão, acaba o montante que está previsto. Pode acontecer que o governo decida reforçá-lo ou não, depende da avaliação que se faça também, porque também é um facto que este tipo de apoios ajuda, se não a aumentar, pelo menos a travar alguma descida de preços à habitação que pudesse acontecer, porque obviamente há aqui um estímulo da procura que de outra forma não acontecia. Portanto, há aqui efeitos perversos. Ajuda-se uma parte da população, como é evidente, que provavelmente de outra maneira não tinha acesso a crédito à habitação, não tinha dinheiro pra entrada, mas, por outro lado, há um efeito no mercado que deve ser avaliado também, nomeadamente o impacto nos preços.