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Boa moeda, má moeda. Arranca agora mais uma edição com o Paulo Ferreira. Paulo, não tem havido boa moeda, mas será que hoje há?
Eu acho que esta primeira pode ser uma boa moeda, depende do resultado que isto tudo venha a ter. Estou a falar da semana dos quatro dias. Parece que vão, de facto, avançar algumas experiências piloto desta nova organização do tempo de trabalho. Isso vai obrigar, seguramente, muitas pessoas a tomar decisões que mexem com o seu bolso. Por exemplo, vocês trocariam mais um dia de descanso, o tal terceiro dia que sumaria o fim de semana, por 20% do ordenado, ou não? 20% é a parcela, já agora, se dividirmos cinco dias em fatias, são 20% de cada dia.
Vale a pena fazer contas.
Vale a pena fazer contas.
Depois não fazíamos manhãs de 360 à sexta-feira, era assim?
Por exemplo.
Não temos hipótese, esquece.
Nós não temos.
Isto não é para nós.
Esta experiência concreta dos quatro dias, ou melhor, de ter mais um dia de descanso em troca de 20% do ordenado, já foi feita em Portugal há muito tempo. Vocês não se lembram, seguramente, são tudo gente nova. Função pública portuguesa, 1999.
Não me lembro.
Era Jorge Coelho ministro.
Eu ainda gatinhava nessa altura.
De um governo de António Guterres e foi lançada essa possibilidade. Na altura previa-se que cerca de 50 mil funcionários públicos podiam aderir. Foram 50 só, talvez, no final. Porque lá está, muita gente não pode prescindir de 20% do ordenado.
Não pode, com certeza, tens de ter um salário mais simpático.
Exato, não se pagam as contas de fim de mês, depois com um dia de folga. E, portanto, isso vai depender de muitas coisas. Ou ainda, por exemplo, trabalhar mais uma hora e meia por dia para ter um dia de folga.
Essa hipótese já é trabalhar quase as mesmas horas por semana, mas concentradas.
Exatamente.
Isso ainda é mais justa e não tens quebras de salário.
Depende muito do contexto familiar, da distância que se mora do emprego.
Mas nessa segunda opção não haveria quebra de rendimento.
Eventualmente, não haveria quebra de rendimento. Enfim, isto vai começar a discussão, já está em cima da mesa, ainda bem que se tem essa conversa, mas vai obrigar muita gente, obviamente, a tomar decisões e a fazer contas.
E a fazer contas, sobretudo.
Sobretudo, entre custos e vantagens e inconvenientes.
Mas é interessante a discussão estar em cima da mesa.
Mais aquilo que se gasta depois no tal dia de fim de semana grande. Também há que fazer contas a isso, claro que sim.
Sem dúvida.
Paulo, esta é a moeda mais ou menos boa. Vamos à má moeda?
A má moeda. Vai haver mais um aumento de tarifas, neste caso, as tarifas reguladas de gás natural, que são aquelas que são fixadas pela entidade reguladora. Elas vão subir 3,3% em julho e mais 3,9% em outubro. A decisão lá está, é da ERSE, Entidade Reguladora para os Serviços Energéticos, que aprovou e divulgou ontem esta atualização trimestral nestas tarifas de gás. Isto é um aumento de cerca de 2 € por mega watt hora. Vai aplicar-se a cerca de 200 mil famílias que estão sob este regime tarifário, isto entre os cerca de 1 milhão e 200 mil clientes domésticos que consomem gás natural em Portugal.
E não serão os únicos aumentos.
Não, não são os únicos aumentos. Estes são aqueles trimestrais decididos agora. Além destes, a atualização de preços anuais do gás natural, que habitualmente acontece em outubro e, nesse caso, aplica-se às tarifas. Esta atualização de outubro vai aplicar-se a estas tarifas reguladas definidas pela ERSE, mas também aos clientes que estão no chamado mercado liberalizado, que estão expostos àquilo que são as decisões de tarifas do seu fornecedor. Portanto, feitas as contas, estamos todos já e vamos continuar a pagar mais pelo gás nos próximos meses.
Mais aumentos no horizonte. A boa moeda desta sexta-feira, a semana de quatro dias de trabalho, a má moeda, o aumento das tarifas do gás natural. Paulo Ferreira com a boa moeda e má moeda. Na segunda-feira há nova edição, mas se não ouviu desde o início ou se quer partilhar esta, então pode fazê-lo através do podcast em observador.pt e nas plataformas habituais.