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Este é o som da nossa conferência de imprensa, altura em que lhe falamos de histórias ou artigos da imprensa nacional ou internacional. Ontem o Paulo falou aqui da jovem artista nigeriana que criou a própria linha de moda e japes para Barbies.

Para Barbie, exatamente.

Hoje trago uma outra notícia relacionada com o filme da Barbie, mas no sentido contrário, li no Público. O filme, que já fez mais de US$ 1 bilhão nas bilheteiras e que chegou agora ao Oriente, arrisca-se a ser banido do Líbano por, alegam, promover a homossexualidade. Quem o diz é o ministro da Cultura do país, defende que o filme Barbie seja banido dos cinemas porque contradiz os valores religiosos de fé e moralidade ao diminuir a importância da unidade familiar. Com base nesta posição, o ministro do Interior pediu agora ao Comitê de Censura da Segurança Geral para rever o filme e dar a sua recomendação. O Líbano foi o primeiro país árabe a realizar uma semana do orgulho gay em 2017 e geralmente até é visto como um refúgio seguro para a comunidade LGBTQIA+ no Médio Oriente, mas ultimamente têm havido tensões sobre esta matéria. Parece que as coisas estão a mudar, outra vez pela negativa, e muito porque o tal ministro da Cultura, Muhammad Mortada, é apoiado pelo poderoso grupo armado xiita, o Hezbollah, cujo chefe, num discurso recente, pediu a punição de indivíduos LGBTQIA+ com a morte. O filme Barbie já passou da marca dos US$ 1 bilhão nas bilheteiras de todo o mundo. Agora deveria chegar a vários países do Médio Oriente, mas não parece que vá acontecer facilmente. No Kuwait também já foi banido e no mês passado foi proibido no Vietnã. E é esta a realidade em que vivemos. Ontem celebramos o fato de uma jovem nigeriana ter criado uma linha de moda. Hoje-

Lamentamos

...falamos de países que proíbem filmes como este, como a Barbie.

Eu que vi o filme, confesso, não devo ter visto o mesmo filme. Não percebi por que há ali uma promoção à homossexualidade.

É isso.

Não dei por nada.

É incrível.

Mas tem sempre a ver com o ponto de partida.

É sempre isso.

Sem dúvida. Olhem, eu trago aqui, não é uma notícia, está no "El País", há uma crônica, um artigo de opinião, se quisermos, que tem um título, como sempre, sugestivo: "Por que as crianças são incômodas nos restaurantes?" Esta pergunta é o ponto de arranque do artigo de Maria Nicolau.

Ainda bem que diz que é nos restaurantes. Podia dizer só: "Por que as crianças são incômodas?"

São incômodas, exato. Mas podemos ir por aí um dia destes. Neste caso, Maria Nicolau é cozinheira, por mais de 25 anos trabalhou em restaurantes em Espanha e França. Agora dirige a cozinha de um restaurante de comida catalã em Barcelona e é autora de um livro com nome sugestivo também, que é "Cozinha ou Barbárie", que é um livro best-seller em Espanha. Bom, mas ela vai aqui ao tema, de facto, e vamos aqui ver quais são os argumentos dela. Até há pouco tempo, diz ela, escreve ela, era comum em muitos estabelecimentos ditos familiares, como redes americanas de fast food ou restaurantes de resort, presentearem as crianças com um balão na entrada, muitas vezes amarrado no pulso pelo próprio gerente. Este presente foi usado para entreter as crianças por um tempo, é claro, mas tinha uma segunda função: tornar mais fácil para os empregados saberem a localização exata das crianças em todo momento. Escreve ela: quando nos movemos com uma bandeja cheia de pratos e copos cheios, tudo o que se eleva a menos de 1,5 metro do chão e 1,5 metro ao nosso redor está no nosso ponto cego. Portanto, isto não é um problema quando se trata de objetos inertes ou objetos com trajetória previsível, como mesas e cadeiras, que, diz ela, não sei se já repararam, mas também neste tipo de restaurantes, mesmo as mesas e cadeiras estão fixados ao chão de alguma forma, estão ali amarrados. Mas é uma questão crítica no caso dos filhotes humanos, que não apenas se movem, mas muitas vezes o fazem de forma errática e surpreendente. Portanto, um balão num boneco minúsculo funciona como uma boia de ancoragem e indica a sua presença. E, portanto, para os empregados, para um empregado que esteja na segunda semana de trabalho de verão, sair da cozinha com uma bandeja cheia, a visão de um balão vermelho voando na sua direção pode ser a salvação. Sem o balão, a catástrofe é inevitável. Graças ao balão, há alguma margem de manobra. Depois Maria Nicolau continua, diz que, de facto, desde que ir almoçar ou jantar fora, comer fora, se tornou regular e ao alcance de uma maioria de pessoas, o que aconteceu não há muito tempo em países como a Espanha ou em Portugal. De facto, quando isso começou, os restaurantes tiveram que resolver o problema das crianças. É óbvio que os filhos não são um problema por serem crianças, escreve ela, mas porque estão em processo de inserção no sistema de normas e consensos sociais. Sabemos como é que é isso, que regem as nossas interações da vida adulta e que nos libertam, de facto, do caos e dos acidentes. Essa coisa do balão já está em perigo de extinção neste momento por questões ambientais. Aquilo é feito de plásticos, borrachas e por aí fora. Imagino que a reciclagem de um balão deva ser coisa para durar muito. Um balão retalhado, obviamente, em ardís. Mas é comum, de facto, as crianças agora receberem brinquedos, jogos pra colorir, toalhas de mesa com passatempos que estão lá impressos, histórias, enfim, tudo para mantê-las basicamente paradas no seu lugar pelo maior tempo possível. E quando isto falha, aparecem palhaços, animais de quinta nas traseiras do restaurante ou então espaços anexos com escorregas, com baloiços e com castelos insufláveis. Basicamente, não se trata de impedir que as crianças levantem das suas mesas, o que se trata, de facto, neste caso já é um caso considerado perdido, mas sim mantê-las basicamente dentro de uma zona controlada. Quando estão ali à vista, não estão a fazer disparates. Ela também já falou, repete que este hábito de fixar as mesas e cadeiras no chão, mas não falou ainda sobre um objeto secreto da forma do cardápio infantil, que não é satisfazer um paladar imaturo, mas evitar ao máximo, de facto, uma discussão ou uma birra em público. Ela, de facto, só vê uma solução definitiva para este problema das crianças e este dilema, restaurantes com crianças, sim ou não. Qual é a solução? É basicamente, com ironia, ela diz, um sistema universal de graduação em gastronomia, uma espécie de controle do nível de educação e comportamento que seria recebido por cada indivíduo, após o qual se obtinha uma espécie de certificado, permissão para circular livremente nos restaurantes. E ela diz que isto não incluiria nenhum tipo de requisito de idade, portanto, para adultos e para crianças também. Esta coisa dos bons modos, se quiserem, nos restaurantes. Maria Nicolau, cozinheira, colunista do "El País".

E depois dá-se um tablet e esses problemas ficam todos resolvidos.

Cada vez mais.

Aliás, quantos restaurantes não têm já nas mesas fixados também os tablets.

É verdade.

Os restaurantes já têm.

Alguns, sim.

Sobretudo fast-food.

Exato.

Certo. Ok.

Cadeias de hambúrgueres e tal.

Sim, não desconhecia. Muito bem. Eu trago um artigo completamente diferente. Li hoje no jornal de notícias e ainda tem a ver com o novo Patriarca de Lisboa. Maria Anabela Silva assinou um artigo e houve aqui um trabalho de perceber quem é este homem. É apaixonado por ciclismo e defendeu a casa de família de um fogo. O JN, Maria Anabela Silva, falou com o padre António Pereira, que foi professor do até agora bispo das Forças Armadas no seminário dos Monfortinos em Fátima, onde Rui Valério entrou aos 10 anos e recorda-o como um aluno muito aplicado no francês e nas atividades desportivas. Diz ele que é intelectualmente completo, humilde, próximo do povo, terra a terra é o palco dele. Diz que gostava particularmente de atletismo e de ciclismo. Era bom corredor de cross, um apaixonado pelas bicicletas e pela Volta à França. A fé entra na vida do Rui Valério aos sete anos. Ele sofreu queimaduras que o obrigaram a ficar largos meses internado e contou que essa experiência pode ter influenciado o percurso que seguiu, porque viveu literalmente meses no antigo Hospital Universitário de Coimbra e diz Rui Valério, isto numa entrevista ao jornal Leiria em 2019, que é citada no artigo de hoje do JN: "Aprendi a ter confiança cega em Deus e não na ciência, que ia fazendo tentativa atrás de tentativa até finalmente acertar". O JN falou com várias pessoas de Urgeira, a terra natal do padre, e que lhe apontam a simplicidade e a humildade como as principais características. Dizem que, de fato, ele nunca escondeu as suas raízes e destaco uma conversa, uma entrevista que fizeram ao Mário Duarte. O Mário Duarte brincou em criança com o Rui Valério, diz que depois da escola costumavam jogar à apanhada e às escondidas. E agora diz o seguinte: "Quem diria, o filho da Tigra Cinda e do senhor Valério num cargo tão importante? É porque merece". É um bom retrato, muito próximo do novo Patriarca de Lisboa no JN.

Foi mais uma conferência de imprensa das manhãs 360 e sempre em podcast. Segunda-feira, já sabe, há uma nova edição para ouvir.