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Decisão Benfica. Seja muito bem-vindo ao programa de debates da Rádio Observador, dedicado às eleições de 25 de outubro. Na Rádio Observador, sentamos à mesma mesa os candidatos às eleições do Sport Lisboa e Benfica. Eu sou o Miguel Cordeiro e em estúdio contamos com candidatos ou representantes das candidaturas que se propõem a liderar o futuro do Clube da Luz. Em estúdio, Cristóvão Carvalho, candidato à presidência do Benfica, Martim Ayer, candidato também à presidência do Clube da Luz, João Antunes, representante da candidatura de Luís Filipe Vieira, Filipe Gomes, vice-presidente para as modalidades na candidatura de João Noronha Lopes e Vítor Pataco, vice-presidente para as modalidades na candidatura de João Diogo Mantegas. A candidatura de Rui Costa, mais uma vez, não se faz representar neste debate. Eu reforço que todas as candidaturas foram convidadas. No programa de hoje, falamos de modalidades. Futsal, hóquei em patins, basquetebol, andebol e voleibol. Nestas grandes modalidades profissionais, o Benfica é campeão atualmente em duas: futsal e basquetebol. No feminino, é campeão em quatro. Falhou a conquista no futsal, um título que já vencia há sete anos. Vamos tentar abordar estas modalidades, outras também, as amadoras, ditas amadoras, e também um pouco do projeto olímpico do Benfica ao longo deste programa. João Antunes, começo por si. Muito boa tarde. É representante da candidatura de Luís Filipe Vieira. O site de campanha desta candidatura não tem muita informação sobre modalidades. Este tema também não tem sido propriamente abordado por esta candidatura nas entrevistas, nas declarações que temos visto de Luís Filipe Vieira. Identifica trabalho por fazer em algumas modalidades do Benfica e se há alguma proposta a apresentar nesse sentido?
Sim, boa tarde a todos. A todos cumprimento para este debate sobre uma área também tão importante para o Benfica, que é a área das modalidades. E a área das modalidades liga com o ecletismo. Eu dividia este problema em três dimensões: a dimensão do projeto olímpico, a dimensão das modalidades de pavilhão e a dimensão social do Benfica relativamente à formação de jovens atletas e à prática do desporto, que o Benfica, não nos podemos esquecer que, além da maior instituição desportiva portuguesa, é também responsável por milhares e milhares de jovens poderem praticar desporto. Neste tema das modalidades, essa dimensão também entra aqui. Relativamente às modalidades, o que existe para fazer? Eu acho que é um tema que divide, às vezes, os benfiquistas, porque não podemos fugir desse propósito, porque o Benfica, naturalmente, como toda a população portuguesa, do ponto de vista desportivo, liga ao futebol eminentemente, e as modalidades têm um conjunto de adeptos que olha para elas de uma determinada maneira, do ponto de vista social, e outros que olham de uma maneira muito competitiva. E é nesta dualidade entre a competitividade que as modalidades, nomeadamente as modalidades que falou, as modalidades de pavilhão, que existe para fazer, e que não existe um consenso nos benfiquistas. Na minha perspectiva, daquilo que vamos acompanhando nas casas do Benfica e sempre que estamos com os sócios, uns defendem determinadas modalidades, outros defendem outras, o que é perfeitamente normal. Mas há aqui uma coisa que tem que ficar clara: o Benfica, nas modalidades em que é competitivo, entra para ganhar. Agora, pode ter modelos para ganhar de diferentes investimentos. Eu diria que há duas ou três modalidades que sem investimento, nós com a formação, não vamos conseguir lá chegar.
Muito bem. Quer identificar essas modalidades rapidamente, antes de passar aqui a palavra?
Eu sou muito rápido. As modalidades tradicionais em que o Benfica, por exemplo, no hóquei em patins, nós em Portugal temos uma tradição no hóquei em patins e nós achamos que com a prata da casa, com os jogadores portugueses, nós podemos ganhar. Relativamente ao basquetebol, dificilmente, por exemplo, que é um desporto que está em crescimento, é um desporto que precisamos de investimento para poder ganhar e podemos ter uma dimensão europeia. E temos que escolher quais são as dimensões europeias e quais é que não são as dimensões europeias.
Vamos ouvir outras candidaturas. Vítor Pataco, vice-presidente para as modalidades na candidatura de João Diogo Mantegas. Esta candidatura diz que quer garantir a competitividade e o sucesso contínuo do Sport Lisboa e Benfica nas diversas modalidades. João Diogo Mantegas já disse também que quer uma organização mais curta, mas extremamente focada no sucesso. Como é que isto se faz?
Boa tarde a todos, boa tarde aos nossos ouvintes, aqui aos nossos companheiros de conversa, ao Miguel. Vamos lá ver. Contrariamente àquilo que diz o João, eu acho que existe um consenso bastante alargado relativamente às modalidades do Benfica. E esse consenso é histórico, as modalidades são uma matriz e o ecletismo do Benfica é uma matriz que faz parte da sua história e julgo que não há nenhuma controvérsia, independentemente de haver ou não uma opinião que possa divergir sobre essa matéria, mas esse consenso penso que é mesmo muito alargado. Relativamente àquilo que é possível fazer e àquilo que é a proposta da candidatura de João Diogo Mantegas, é que começa pelo próprio modelo organizativo, a simplificação desse modelo organizativo, que vai ter uma dimensão desportiva propriamente dita e uma dimensão mais técnico-administrativa, mais organizativa, com dois diretores-gerais, e depois, a partir daí, deriva para cada uma das modalidades. Há uma preocupação muito grande na simplificação de processos Para quê? Para evitar demoras que prejudicam o desenvolvimento das modalidades. Dou-lhe um exemplo. Fazer um contrato com o jogador numa das equipas principais pode demorar três, quatro, oito semanas. Isto não faz sentido. Tem que haver uma agilidade do ponto de vista organizativo para que essas coisas sejam resolvidas. Depois, há uma aposta muito clara numa dimensão, que é uma matriz também muito forte do Benfica e que deve ser desenvolvida e continuada a desenvolver, que tem a ver com a formação. Portanto, a formação é um pilar fundamental desta candidatura e esse pilar, as questões da formação, também tem aqui uma derivação muito grande de aspectos como a relação com as escolas, resolver um dos constrangimentos mais fortes que existe, por exemplo, na cidade de Lisboa, que tem a ver com as infraestruturas desportivas, os locais de prática. Há milhares de pais, há milhares de crianças que querem praticar no Benfica, querem competir, mesmo que seja só por algum tempo. Os pais têm o orgulho imenso em que os seus filhos estejam no Benfica, nas instalações do Benfica, pertencer aos quadros do Benfica. Ora, o Benfica tem esta tração emocional e, portanto, dar resposta a isso para estas camadas, implica ter locais, alargar este pilar da formação. Muitas vezes esse constrangimento é dado precisamente pelo constrangimento das infraestruturas. E nessa matéria, temos algumas soluções no sentido de alargar essa base, porque esse pilar da formação é fundamental para este projeto.
E vê trabalho para fazer aí. Claro, infraestruturas é também um tema que vamos falar no próximo debate. Sabendo, claro, que isto está tudo ligado e que é difícil falar de modalidades sem falar também desse déficit de infraestruturas. Martin Mehler, no site da sua candidatura está escrito que no masculino o Benfica tem andado longe de ter o nível de sucesso a que o Benfica tem a obrigação de conseguir, com os recursos financeiros e humanos de que dispõe e que são superiores a todos os rivais. Como é que pode meter este Benfica, neste caso, a ganhar mais nas modalidades?
Primeiro, fazendo com que haja um alinhamento de interesse entre os atletas e os sócios totalmente diferente. Isso faz-se através de contratos de diferente estrutura. O Benfica assina contratos com atletas que contrata para as equipes senior de muito longa duração, com uma base 100% fixa. Eu não sou a favor de que se faça isso. Eu sou a favor de que se baixe a base fixa e que, à imagem de outros grandes clubes da Europa, se estabeleçam objetivos diretamente relacionados com a obtenção de títulos. Isso mudará completamente a motivação das equipes, porque para todos os efeitos, o que é certo é que nós, do ponto de vista dos recursos que temos para investir nas modalidades, não há nenhum clube a nível nacional que tenha a nossa capacidade. Não vamos pôr em causa o conhecimento e toda a infraestrutura que pomos ao dispor dos atletas, porque ela também é imbatível. Portanto, há muito conhecimento. É, de facto, preciso estimular os atletas e criar espírito de equipe para conseguir ter mais títulos. Falta falar da infraestrutura, estávamos a falar há bocadinho, eu acho que há aqui algo de muito qualitativo também para trazer para cima da mesa. Aquilo que o Vítor disse, eu revejo-me integralmente no que o Vítor disse. A infraestrutura do Benfica é péssima, porque está dispersa por toda a cidade de Lisboa. E por isso é que nós, como iremos ter a oportunidade de dizer no módulo do património, achamos que é prioritário encontrar espaço para investir 60 a 70 milhões de euros, que é aquilo que já entendemos ser possível, num campus Benfica Modalidades, e é assim que iremos fazê-lo. Portanto, isso é absolutamente crítico também para a parte competitiva, porque isto tudo de estar disperso pela cidade não promove essa aceleração da competitividade e não permite um projeto estruturado desde os escalões mais jovens até aos escalões senior. E, portanto, é preciso fazer isso, porque logo a seguir podemos fazer outra coisa muito relevante, que é apostar cada vez mais com risco na nossa gente. Portanto, contratar menos de fora e apostar mais na nossa gente.
Filipe Gomes, candidato a vice-presidente para as modalidades na candidatura de João Noronha Lopes. Esta candidatura apresenta um vasto projeto para as modalidades, como outras aqui que já tentei detalhar. No site está escrito desta candidatura: "Antes de falarmos de títulos, temos de falar de liderança". E logo depois é referido que o Benfica precisa de uma reestruturação organizativa real nas modalidades, com visão estratégica e profissionalismo. Esta candidatura de Noronha Lopes quer criar três cargos, vice-presidente profissional, também para ser criado o cargo de coordenador-geral de operações de suporte, um coordenador-geral desportivo. Dizem que querem acabar com os silos, a gestão avulsa e a improvisação. Há aqui muita coisa para fazer, de acordo com esta candidatura. O Benfica está assim tão carente de mudança nas modalidades?
Antes de mais, boa tarde a todos. Fico bastante feliz de ver que estamos todos mais ou menos alinhados de que é importante discutir e falar de modalidades, porque modalidades é, sem dúvida, parte do ecletismo e da força do Benfica. Quando nós temos um líder, um atual presidente do Sporting Benfica, que não tem uma visão estratégica e que nem se digna a estar presente neste debate, eu acho que diz bem do abandono que as modalidades vivem no Benfica. E daí a nossa visão estratégica e organizativa para termos umas modalidades do Benfica ao nível daquilo que os benfiquistas nos exigem, porque grande parte, senão todo o investimento que temos nas modalidades, vem dos sócios e dos sócios do Benfica. E daí propormos exatamente essa reestruturação Com o cargo de coordenador geral operacional. É alguém que nós temos já identificado e que iremos anunciar a seu tempo, com muita experiência no desporto nacional. A nível da coordenação desportiva, será a pessoa que vai garantir que as cinco modalidades de pavilhão, o projeto olímpico e as restantes modalidades estão todas a trabalhar dentro da mesma visão estratégica e também é alguém que vamos apresentar nos próximos dias, que tem uma experiência institucional e federativa a toda a linha das federações. E depois também sabemos que existem muito boas pessoas dentro do Benfica, porque eu próprio fui um antigo atleta do Sport Lisboa e Benfica, formado nas escolas do Benfica e reconheço que há muitos treinadores de formação, que há muita gente no Benfica que faz um trabalho meritório em prol de um clube muito grande como o Sport Lisboa e Benfica, e que não é reconhecido atualmente por esta direção porque não tem estratégia. E este fim de semana foi um fim de semana à Benfica para as modalidades. Todos nós concordamos que vimos no sábado futsal, basquetebol, andebol e futsal feminino num só dia e não tínhamos mais do que 400 pessoas dentro de um pavilhão. E esse trabalho tem que ser feito pela estrutura, pela direção, e se a direção nos divide, é natural que as modalidades também não vão ser bem-sucedidas. E o que nós nos propomos é exatamente uma estrutura dedicada para garantir que os atletas, mas também os adeptos e os sócios do Benfica, não só no Estádio da Luz, mas de norte a sul do país, porque é outro ponto que nós tocamos no programa. As modalidades vivem-se de segunda a segunda-feira. Eu acho que todos nós temos consciência de que quando uma equipa de juvenis de futsal vai a Covilhã jogar, esse pavilhão tem mais gente do que as pessoas que estão no Pavilhão da Luz a ver o futsal dos juvenis a jogar. E, portanto, essa representação dessa camisa é feita por todos os atletas e todas as equipas de formação e alta competição, e nós temos que ter equipas dedicadas para esse projeto.
Muito bem. Cristóvão Carvalho, no programa da sua candidatura, Cristóvão submete as desportivas concretas. Nas cinco principais modalidades coletivas de pavilhão, basquetebol, andebol, futsal, hóquei em patins e voleibol, pretende vencer três em cada cinco campeonatos e Taças de Portugal no setor masculino e quatro em cada cinco no setor feminino. Nas modalidades amadoras individuais, o objetivo que escreve nesta candidatura é conquistar pelo menos 50% dos títulos nacionais com equipas compostas maioritariamente por atletas formados no clube. Quer explicar como é que pretende fazer isto e como é que chegou a estes números, a esta ambição que define?
Muito boa tarde a todos. Cumprimentar todos os representantes da candidatura e também o meu colega Martim. Mais uma vez, um gosto rever-te aqui neste painel. Tudo o que eu ouvi aqui e no que toca às modalidades, genericamente, nós não fugimos de um diapasão, porque ele está à vista e é muito mais fácil de identificar. E eu, antes de tudo e das soluções, eu falei exatamente como diz, da ambição. Ou seja, nós percebemos o que é preciso ser feito nas modalidades, mas não podemos perder essa ambição. E essa ambição é esta que eu estou aqui, que não foge muito do que já tivemos. Portanto, temos que ter esta ambição, porque somos claramente hegemônicos e queremos continuar a ser hegemônicos nesta matéria. Agora, torna-se evidente.
Cristóvão, desculpe interromper. Não somos hegemônicos, atualmente.
Sim, não somos hegemônicos, mas fomos hegemônicos, e em muitas delas somos claramente hegemônicos. No feminino, somos altamente hegemônicos. Vimos vindo a perder e por este andar, vamos perder mais, estamos de acordo. Portanto, a minha ideia é que não vamos perder a ambição. Esta é a ambição. Para quê? Para que o investimento que tivermos de fazer, a reorganização que tivermos de fazer, nunca percamos de vista esta ambição. Mas muitas das coisas que aqui foram ditas fazem todo o sentido. Ou seja, neste momento existe no Sport Lisboa e Benfica, no que toca a modalidades, uma desorganização absoluta. O próprio modelo em si, que é o modelo manifestamente amador, faliu, não funciona. Portanto, já percebemos isso. Ou seja, a existência de um vice-presidente que toca estas modalidades todas não está claramente a funcionar, não há visão estratégica. Portanto, o que é que se tem de fazer?
Peço desculpa interromper, Cristóvão. Modelo? Qual modelo? A questão é que eu, vindo de fora, não consigo identificar o modelo.
Sim. Ok, é exatamente isso.
Uma ideia clara sobre a matéria.
Não existe esse modelo, como diz, e muito bem. Portanto, o que é necessário fazer? Na nossa ótica, é que profissionalizar as modalidades. Por quê? Neste momento, os vice-presidentes do clube serão profissionais, também há que as profissionalizar utilizando como mecanismo, um mecanismo muito próximo da SAD, que acontece no futebol, trazer essa ideia para as modalidades e implementá-la. A partir daqui, tudo o que aqui foi dito é preciso ser feito, ou seja, tem de haver aqui, como eu digo também, a construção do complexo desportivo de alto rendimento e que abarca as modalidades, por quê? O sistema que nós temos é um sistema do século passado, ou seja, alugar de pavilhões, Lisboa não chega, temos de ir para Cascais, temos de ir para o Porto.
E criar essa centralização.
Tudo isso tem de ser feito. Depois, relativamente a cada uma delas, claramente entendo, e posso explicar, se não tivermos tempo agora.
Vamos a seguir, nós vamos fazer uma curta pausa, Cristóvão.
Neste slot, tem de se dar aqui um passo atrás para depois poder dar um passo à frente.
Muito bem, já vamos continuar a conversa sobre modalidades no Sport Lisboa e Benfica. Fazemos para já uma curta pausa. Segunda parte do Decisão Benfica, programa da Rádio Observador, em que juntamos as candidaturas que se apresentam às eleições de 25 de outubro. Estamos a falar de modalidades. Já foi aqui dito, neste programa, que é preciso apostar na formação, é preciso mais competitividade e para algumas candidaturas é preciso criar um grande espaço para acolher modalidades, portanto, uma mudança naquilo que são as infraestruturas neste aspeto. Há muito para fazer. Eu gostaria de perceber por onde é que começariam, Vítor Pataco. Há uma prioridade? A vencer esta candidatura que aqui representa João Diogo Mantegas, por onde é que se começava? O que seria para fazer de mais imediato?
Repare, nós não somos milagreiros, nem o João Diogo Mantegas, nem o Vítor Pataco. Aquilo que nós temos que fazer com muita urgência é uma análise de diagnóstico com as pessoas dentro do Benfica, no sentido de perceber exatamente o que está bem e o que está mal. Isso é uma coisa que é óbvia para qualquer um de nós.
Mas já conseguem identificar algumas coisas que estão mal e que querem mudar.
Claro que sim. Aquilo que o Filipe Gomes disse é verdade, há muitas pessoas qualificadas, bem preparadas, com muito conhecimento dentro do Benfica. O que nós precisamos? De encaixar esse conhecimento naquilo que é um projeto e uma ideia.
Mas há uma modalidade prioritária para mexer?
Não, não há modalidades prioritárias. Acho que é consensual as cinco modalidades de pavilhão são prioritárias. E eu estou de acordo com aquilo que disse o candidato Martim Maia relativamente aos objetivos. É preciso haver objetivos. Todos. Eu não acredito que não haja uma modalidade que não tenha objetivos. O problema é como é que nós vamos chegar a esses objetivos. E é nessa matéria que nós podemos fazer diferente. E fazer diferente é, ao nível dos processos e ao nível daquilo que é a nossa experiência, podermos ver com o conhecimento que temos acumulado, eu que passo a presunção, mas vamos colocar ao serviço do Benfica todo o trajeto que temos na relação institucional, no conhecimento das pessoas, no conhecimento concreto. Eu estive à frente do Centro de Alto Rendimento do Jamor, portanto, sei quais são as necessidades específicas para alimentar o trajeto de um praticante desportivo até chegar ao sucesso internacional ou de uma equipa. Portanto, alinhar essas variáveis para conseguirmos chegar àquilo que todos nós queremos. Nós não podemos, do meu ponto de vista, porque acho que todos concordamos com isso, não podemos investir milhões e não ser campeões.
Mas está investido demasiado o Benfica nas modalidades?
Não, eu não estou a dizer isso. Não estou a dizer que está investido demasiado. O que eu estou a dizer é que o resultado desse investimento, admitimos que pode ser melhor, porque o desporto tem uma beleza que é incontornável, que é a incerteza do resultado. Ganhar, todos os que estão aqui querem ganhar, mas a virtuosidade do desporto é exatamente essa. Ninguém sabe qual é o final do resultado. O Filipe Gomes sempre que esteve em campo e quis sempre ganhar, mas houve muitas vezes que perdeu. E, portanto, é exatamente essa a questão. Fazer esse trajeto em conjunto com o gestão, fazer essa análise de diagnóstico e depois avançar com a relação com as escolas. Aquilo que o Martim Maia disse em relação às infraestruturas, estão muito dispersas. Sem dúvida que sim, mas é preciso ter soluções de curto prazo e soluções de médio e longo prazo. De curto prazo, ninguém vai construir um pavilhão que é manifestamente necessário e reconhecido por todos essa necessidade. O pavilhão não se constrói amanhã, mas há relações que se estabelecem na cidade de Lisboa, há encontrar espaços que podem servir de treino e alargar um dos pilares fundamentais que é as bases de treino para a formação no Benfica, nas diferentes modalidades. E isso passa por ter criatividade, passa por ter relações institucionais, passa por encontrar soluções com outros parceiros, como um rival nosso já fez, que encontrou um armazém nas arredores de Lisboa e tem lá uma das modalidades que construiu, é uma estrutura simplificada, e é esse tipo de soluções que nós temos que ter para alargar a base da formação.
Há aqui um gancho muito bom.
Uma de cada vez então.
Luís.
Só acrescentar aqui um ponto.
Filipe, peço desculpa, sim.
O diagnóstico do nosso lado e da equipa do João Nuno Aragão Lopes está feito desde janeiro, fevereiro deste ano, que começamos a entrar em profundidade no tema das modalidades. Nós vamos entrar, se tudo correr como nós gostaríamos que corresse, no dia 26 de outubro, à frente do Benfica, e o Benfica vai estar em competição em todas as modalidades. Portanto, temos que ter em consideração que estas equipas não podem ser destabilizadas e têm que estar focadas em ganhar as competições em que estão envolvidas este ano. E a nossa estrutura está preparada exatamente para entrar, e o João Nuno Aragão Lopes já o disse várias vezes nas suas intervenções, em que vamos reunir nos pavilhões do Estádio da Luz, todas as pessoas que estão envolvidas nas modalidades. Vamos apresentar os nossos objetivos, vamos apresentar a forma como vamos trabalhar, para estarmos todos dentro da mesma página e sermos uma única equipa. E aquilo que se verifica atualmente é que não temos essa equipa e temos modalidades cada um por si, a desenvolver os seus planos e os seus objetivos. E a união é importante, e estamos também todos de acordo, mas temos uma época em curso e, portanto, temos que considerar que temos que dar-lhes estabilidade. Agora, tudo está identificado no diagnóstico de dificuldades que nós temos.
Posso só complementar e dar aqui uma nota?
Nas dificuldades de infraestruturas, todos nós sabemos as dificuldades que temos. Temos cerca de € 2 milhões investidos em pavilhões atualmente e que têm que ser rentabilizados. Eu próprio, e o Martim também quando foi atleta, convivíamos muito no Estádio da Luz, entre as várias modalidades, e isso até permitia aumentar o benfiquismo entre todos, uma forma da vivência e de vivermos outras modalidades. Eu, como basquetebolista, ia ver o andebol, ia ver o hóquei, ia ver o futsal. E hoje em dia estamos dispersos.
Martim, ia também acrescentar aqui algo sobre aquilo que estávamos a falar?
Não, eu ia dar nota aqui. É incontornável falar de dinheiro. E nós temos um orçamento não aprovado de € 27 milhões. Desses € 27 milhões, € 14 milhões dizem respeito a fornecimentos que são alocados às modalidades.
Supostamente.
Supostamente. É aí que há o problema. E o que é que conseguimos fazer? E o como é muito importante. O responder como é que vamos fazer é muito importante. Nós já propusemos, e nas modalidades isso é óbvio, que há grandes ganhos a fazer uma auditoria Kaizen à forma organizativa do clube. Isso permitirá poupar destes € 14 milhões, sensivelmente um terço. É muito dinheiro. Porque o valor aplicado em plantéis e equipas técnicas é para manter. O Benfica tem que investir e cada vez investir mais. O que acontece?
Mas tem que ser melhor.
Tem que investir melhor. O que acontece é que com a auditoria Kaizen, que permite motivar altamente todos os grandes profissionais, sublinho o que o Vítor disse e o Filipe disse, temos grandes profissionais nas modalidades, pessoas que suam a camisola há anos, há décadas a fio no Benfica e têm muito valor. O que nós precisamos é aplicar melhor esse dinheiro. E uma vez identificado onde está o desperdício, pode-se deslocalizar desde logo esse investimento para o Benfica Campus das Modalidades. E isto muda o paradigma das modalidades. Portanto, isto não desestabiliza as modalidades como elas estão, pelo contrário, é um trabalho de fundo que pode ser feito desde o primeiro dia, mas que permite trabalhar em paralelo com a realidade atual e com outra realidade. Até porque se nós queremos, como eu entendo, jogar com a nossa gente, esta infraestrutura será crítica para trazer talento para cima da mesa.
Martim, então pelo que percebo, a sua prioridade seria aplicar este instituto Kaizen e perceber onde é que o Benfica poderia buscar dinheiro. Seria a primeira coisa que iria fazer a nível de modalidades.
É que o desperdício não tem só a ver com gastar mal o dinheiro, tem a ver com falta de motivação. Toda a gente está desmotivada quando não se aplicam os fundos de uma forma eficiente.
Muito bem. Filipe, estávamos a falar há pouco, perceber também qual é que seria a primeira coisa a fazer por esta candidatura neste aspeto, era a reunião com todas as modalidades.
Portanto, o diagnóstico do nosso lado está feito. Nós não estamos a ganhar o que teríamos ganhar. Temos o investimento.
Mas há alguma modalidade em que isso seja mais crítico?
Todas as modalidades têm um objetivo a nível nacional, que é ganhar todas as suas competições. Aquilo que nós verificamos é que, por exemplo, a nível do hóquei patins, existe um grande investimento e temos um dos melhores planteis do mundo, e temos claramente que ganhar mais do que os nossos adversários. E isso não está a acontecer. E temos que perceber por que que não está a acontecer. E esse diagnóstico, e volto a dizer, como nós não estamos neste projeto há um mês ou dois meses, estamos preparados para começar no primeiro dia de trabalho e identificar exatamente esses pontos. Não há consistência nas estratégias desportivas e na estratégia de gestão. E aí concordo com o Martim, que na estratégia de gestão, se houver consistência e se houver metodologia, e se houver gestão e liderança, vamos encontrar mais-valias para poderem ser aplicadas em outras modalidades e em outros recursos. E um recurso fundamental é, sem dúvida, a formação. Nós sabemos atualmente que há técnicos no Benfica de formação que estão a formar rapazes e raparigas para o futuro, não só para alta competição, mas para o futuro, e que são pagos entre 150 e 200 euros. Portanto, nós temos que reavaliar todo o modelo de formação, investir na formação e investir na gestão das modalidades.
Miguel, só para complementar isto, porque vamos lá ver, o diagnóstico nós conseguimos fazer. Peço desculpa. O diagnóstico, todos nós já fizemos em todas as candidaturas. Nós temos que afinar essa análise de diagnóstico, e há coisas que são fundamentais, relacionadas com-
Eu sei que há coisas que são fundamentais, mas tem de dar espaço para que as outras pessoas também emitam as ideias. Estamos numa democracia, no debate. Se vocês não fazem isso, vocês vão nos obrigar a estar sempre a interromper.
Vitor, nós já vamos fazer uma ronda e eu vou querer ouvir esses pontos fundamentais. Cristóvão, deixa-me fazer-lhe esta pergunta sobre aquilo que será a sua prioridade, porque quis colocar no topo da sua candidatura esta questão dos objetivos imediatos, daquilo que são as metas. Portanto, quando chega ao clube num cenário em que vence estas eleições, qual é a primeira coisa que faz?
O que eu vou dizer é o facto, os problemas eu estou de acordo com eles, mas nas soluções que aqui apresentaram, o que eu estou a sentir, e ainda bem que existe este debate, é uma extrema cautela do que está aqui a ser apresentado relativamente às modalidades. Eu vou lá, vou reestruturar, vou pensar, vou alocar custos desta para a outra, temos aqui uma candidatura. Não, este ano nem vamos fazer grande coisa porque não podemos alterar o sistema. Portanto, fazer investimentos agora, estar a fazer um pavilhão, também nem pensar nisso, agora um pavilhão. A realidade é esta, não tem solução nenhuma, porque a solução é fazer exatamente o que estão a fazer. E estas soluções são soluções, levam tempo. Não vamos esperar um mandato para pensar se temos que fazer um pavilhão. Deixe-me terminar. Você tem que ter calma, está muito nervoso.
Não, diga qual é a solução.
Eu não o interrompi, tive essa amabilidade, deixe-me terminar o raciocínio até ao fim. No final, se não entender o meu raciocínio, faz-me uma pergunta e eu dá-lhe a resposta. Senão, os debates ficam assim. O que é que tem de acontecer? Diferentemente ao que eu ouvi aqui, que é se está a gastar muito nas modalidades, está-se a gastar efetivamente muito e está-se a gastar mal. Desse muito que se está a gastar, uma parte terá de ser alocada, outra parte terá de ser entendida como investimento. O Benfica tem de assumir claramente que tem de fazer investimento nas modalidades, nas infraestruturas e em algumas destas modalidades. Numas delas temos de dar um passo atrás, noutras temos de investir fortemente, como por exemplo, no basquetebol e no voleibol, e eventualmente, no andebol. Temos de fazer um investimento para jogar as Super Ligas. Por quê? Porque é aquelas onde nós podemos tirar rendimento, são as que melhor vendem, são aquelas que têm televisão. Nas outras, temos de efetivamente dar um passo atrás nestas equipas milionárias e então dar a oportunidade à nossa formação para que, com alguma calma, possamos efetivamente começar a construir grandes equipas com a prata da casa. Um desses exemplos é o hóquei patins. No hóquei patins, nem sequer temos que comprar jogadores fora. Em Portugal, há fantásticos jogadores de hóquei patins em todos os escalões. E o Benfica tem essa capacidade de os ir buscar e ter uma equipa fortíssima só com jogadores portugueses. Aí está uma decisão absolutamente errada neste momento do pessoal de Lisboa e do Benfica. Nas outras, temos de dar a oportunidade à nossa formação de chegar à equipa principal. Provavelmente não sermos tão competitivos, mas com o tempo irmos aprimorando, irmos fazendo melhores equipas. Agora, a questão da construção de um complexo é fundamental, do investimento é fundamental, de escolher quais são as duas, três modalidades onde o Benfica tem de investir fortemente é fundamental. E depois, com profissionalismo.
Mas é fundamental para este mandato.
Claro que é para este mandato, é para isso que eu me estou a candidatar, não é para daqui a três mandatos, é agora.
Muitos vamos falando de projetos a longo prazo.
Eu também falo num projeto a 12 anos.
Exato, sei que lhe estou a perguntar.
Mas no meu projeto a 12 anos inclui várias coisas, entre as quais esta. Esta é prioritária. Temos de chegar às modalidades. Primeira, você manda o que é? Organização. Tem de ser uma organização profissional, ponto um. A seguir, investimento. A seguir, escolha de modalidades onde temos de investir, outras onde temos de dar um passo atrás. E estou certo que em dois, três anos estamos muito mais
Competitivos. O Benfica pode até não estar a ganhar tantos títulos, pode até nem estar, mas estamos muito mais preparados para a partir daí ganharmos muito mais do que estamos a ganhar hoje.
Muito bem. João Antunes, o que faria esta candidatura a vencer as eleições logo que tomasse posse a nível de modalidades?
Muito bem. Antes de mais, eu queria só referir duas coisas. Uma, a conversa está boa, mas eu disse no início que nós temos que olhar para isto nas várias dimensões. Estamos a misturar as dimensões todas. Queremos falar de modalidades, dos cinco pavilhões seniores. Então desculpem lá, profissionalismo, ponto final. Eu fui jogador de basquete, também no Benfica, durante muitos anos, e o basquete é altamente profissionalizado, o andebol é profissional. Estamos a falar de seniores. Portanto, se calhar, fazia sentido constituir uma SAD para profissionalizarmos as modalidades seniores.
Isso é fundamental.
Porque estamos a tratar de um negócio. Não vamos fingir que isto não é verdade, porque isto é exatamente assim. Portanto, se discutirmos as modalidades seniores para ganhar títulos, vamos discutir profissionalmente. Temos que ter uma estrutura profissional só dedicada a isso e se calhar faz sentido constituirmos uma SAD para isso. Se quisermos falar de formação, então temos que falar de infraestruturas para nós podermos fazer captação, nós termos cerca de mil atletas nas várias modalidades, com dezenas de equipas. E portanto, nós temos que pensar como é que vamos acomodar estas modalidades todas. O Benfica não tem só cinco modalidades, depois tem o projeto olímpico, tem um conjunto de outras modalidades. Como é que começam a fazer treinos destas modalidades todas e ocupar essas modalidades todas, se quisermos também falar no rugby, se quisermos falar nas modalidades. Portanto, a conversa está boa, mas nós estamos a misturar as conversas todas e não definimos cada um dos itens. Modalidades, para sermos campeões, profissionalizar. Temos de ter sponsors. Nós temos um orçamento de 10 milhões nas cinco modalidades. Pavilhão. E como é que nós resolvemos isso? Temos em média cerca de 2,5 milhões, 3 milhões de sponsorização. Portanto, temos um gap de 7 milhões.
Mas há mercado para isso?
Mas o que nós queremos? A pergunta é: o que nós queremos? Por isso é que há bocado disse que havia benfiquistas que achavam que devíamos investir na Euroleague, por exemplo, na NBA, que vai vir para a Europa, se devemos ter o basquete, todos que se calhar preferem, acham que é mais fácil no andebol, porque é mais fácil conquistar rapidamente títulos. Outros, no hóquei em patins, acho que é um consenso. Portugal é líder praticamente com a Espanha de hóquei em patins. Portanto, quando nós estamos a discutir, não podemos pôr modalidades. Misturamos formação, misturamos tudo e isso depois no final, sai nada. E fico contente, porque já foi aqui dito que nós temos que recuperar a hegemonia. Quer dizer que nós já fomos hegemônicos, não somos agora. Portanto, alguma coisa fizemos bem para sermos hegemônicos. Agora, o que nós temos é que pensar que aos dias de hoje, se calhar, as coisas não funcionam da mesma maneira que funcionavam uns anos atrás. Portanto, quando nós estamos aqui a discutir, eu acho que discutir modalidades e ecletismo é uma coisa muito vaga. Vamos partir as coisas e vamos falar de cada projeto. Portanto, eu diria, a sua pergunta era se é modalidades seniores para ganhar, constituir, se calhar, uma SAD profissional.
Seria a prioridade.
Miguel, permita-me só dar aqui uma nota, porque esta questão do João Antunes não deixa de ser pertinente, mas eu recordava aqui a história, nomeadamente do basquetebol, que em tempos quis ser uma modalidade profissional. A única modalidade profissional que temos em Portugal é o futebol. Depois nós temos é intérpretes, portanto, os jogadores é que são profissionais, a competição não é profissional. E essa experiência do basquetebol teve que recuar por uma razão muito simples, é que o nosso mercado empresarial não é suficientemente robusto, infelizmente, para financiar as modalidades. Portanto, nós estarmos a criar uma SAD, não sei se será o melhor caminho, porque estamos a acrescentar camadas administrativas e de organização, que podem ser discutíveis, sendo que não deixa de ser um caminho, mas do meu ponto de vista, não nos parece que seja a melhor solução. Não, não ficamos iguais. É possível fazer bem com uma estrutura profissional e a modalidade não tem que ser profissional e não tem que ser criada uma SAD, mas é possível fazer caminho. Uma coisa muito importante, e aí estamos de acordo, é encontrar um main sponsor, que é uma das prioridades fundamentais para todas as modalidades, que acompanhe uma gestão transversal, como é aquela proposta que já foi feita pelo candidato João Diogo Mantegas, e essa gestão transversal vai cozinhar todas as modalidades e deixar espaço também para patrocínios mais específicos para cada uma das modalidades.
Vitor, nós estamos a chegar ao final do nosso tempo. Eu tenho uma pergunta de saída para todos, relativamente a esta questão das modalidades e começo por si, Martin. O Benfica identifica alguma modalidade que precise de entrar no Benfica ou alguma que o Benfica tenha atualmente que talvez devesse cair?
É injusto ser eu o primeiro a responder, porque todos vamos responder o mesmo, Miguel. Vem no nosso emblema e eu não faço esta resposta minha, faço esta resposta destas cinco candidaturas que aqui estão, porque seria injusto não fazer. Obviamente, todos temos o sonho do ciclismo, todos temos o sonho de voltar a ver uma equipe de ciclismo à Benfica. Sabemos que é um investimento pesado. Sabemos que para entrar não é como curiosos durante dois ou três ou cinco anos, para entrar é para entrar. E portanto, o que eu acho que tem que acontecer é o mesmo do que tem que acontecer nas modalidades em geral. Temos que equilibrar financeiramente o clube e relembro que neste mandato, em média, temos 70 milhões de euros para resolver todos os anos e temos que começar por aí. Primeiro, as primeiras coisas. As modalidades que temos já são
Muitas. 27 milhões de euros é muito dinheiro.
Demasiadas?
Nunca demasiadas, mas já são muitas. Portanto, primeiro temos que trazer equilíbrio financeiro e depois o ciclismo, como todos queremos.
Filipe, a mesma pergunta: para além do ciclismo, identifica alguma? Ou se é esta a aposta que o Benfica tem de fazer e se há alguma em demasia no Benfica.
Nós, acima de tudo, somos uma candidatura responsável e, portanto, o investimento que é feito no Benfica é o investimento adequado para as modalidades que temos neste momento. Temos ouvido os sócios, temos ouvido por todo o país, nas casas onde passamos, a vontade de voltar a ter o ciclismo. Nós queremos tentar ter as condições para isso. Temos um projeto em cima da mesa apresentado por um grupo de investidores para termos essa equipa de ciclismo. No entanto, não queremos que aconteça o que aconteceu ao nosso rival, que montou uma equipa e que depois todos nós sabemos o que aconteceu. O ciclismo para nós é uma ferramenta de comunicação, de marketing, de benfiquismo, de norte a sul do país. Leva a marca Benfica a todo o lado e fora de Portugal.
E ajuda a construir a marca da fundação.
E é transversal, não só nos centros cosmopolitas, mas nas regiões com menos pessoas. Portanto, o ciclismo, sem dúvida, pela história, faz parte disso. Não vamos olhar para as outras modalidades numa lógica de diminuir as modalidades. Não, temos é que nos reorganizar, temos capacidade para fazer. Não concordamos com o tema da SAD, porque também achamos que não estamos ainda preparados para esse nível. A nível de patrocínios e os meus 10 anos de diretor de patrocínios da Sagres, da Heineken e da NOS, posso garantir que é possível fazer muito mais, mas temos que ter uma estratégia transversal.
Muito bem. Vítor Pataco, mesma pergunta, e se também vê essa necessidade do ciclismo voltar.
Muito rapidamente, qualquer modalidade ou novas modalidades no projeto do Benfica, do meu ponto de vista, tem que cumprir duas dimensões: sustentabilidade financeira, portanto, responsabilidade, e ambição desportiva. Obviamente que o ciclismo é uma das modalidades que é muito procurada e muito querida por muitos benfiquistas. Também já ouvimos os sócios, até pelas audições que temos estado a fazer, que gostavam de dar uma dimensão maior ao boxe. Portanto, a ambição de novas modalidades ou o incremento daquelas que já existem é para todos. E portanto, aquilo que é preciso é, por um lado, assegurar sustentabilidade e, por outro, clarificar qual é a ambição desportiva.
Mas há alguma que não tenha ambição neste momento?
Não, estou falando nas novas modalidades.
Nas novas, muito bem.
Portanto, investir numa modalidade como a ciclismo, é preciso ter noção que são precisos vários milhões e muito conhecimento específico para essa modalidade ter sucesso no plano nacional e internacional. E depois também há questões de natureza ética de várias modalidades, que é preciso também ter em consideração, porque a imagem do Benfica é preciso ser preservada e, portanto, é preciso ter garantias em todos os planos e em todas as dimensões.
Cristóvão, a mesma questão.
Dois pontos prévios muito simples, que são estes: acredito que o profissionalismo é absolutamente fundamental entrar nas modalidades, ponto um. Ponto dois, o investimento tem que ser reforçado e o que está a ser feito está também a ser muito mal feito, tem que ser realocado. No ciclismo, não vale a pena falarmos sobre esse tema. Todos gostaríamos, todos adoraríamos. O Benfica, nos próximos anos, não tem capacidade, nesta ótica, para ter uma equipa de ciclismo sustentável, porque a marca Benfica é demasiadamente forte e o patrocinador não tirava o retorno específico disso. Estamos resolvidos quanto a isto. Noutra matéria, concordo exatamente com o que foi dito. Temos algumas modalidades, e eu não concordo com isso, que o Benfica a única coisa que faz é dar o nome e abstém-se disso. Não pode ser. O Benfica tem de entrar também na gestão dessas modalidades e torná-las sustentáveis. Com isto, teremos sucesso. Sem esta solução, não teremos.
Muito bem, para terminar, João Antunes.
Obrigado, e dá-me aqui a possibilidade de terminar. Eu vou ser um bocadinho disruptivo, porque acho que o Benfica tem que olhar para o futuro e, portanto, o e-sport é fundamental e os desportos emergentes ao nível do digital, o Benfica tem que entrar neles com muita urgência e com força suficiente, porque o Benfica precisa de captar juventude. E estas modalidades são as modalidades pouco físicas, nós temos toda a necessidade de entrar nesse mercado.
Muito bem. Ciclismo não vê essa necessidade?
Não, ciclismo era um sonho que eu também cumpria. Portanto, estamos todos de acordo. O Martim já disse.
Era só para clarificar.
Não, perfeitamente. Mas eu diria como prioridade para o Benfica, o Benfica tem que olhar para o futuro, não pode continuar só a acreditar naquilo que foi capaz de fazer e tem que voltar a continuar a fazer bem. O resto tem que olhar para o futuro. O Benfica precisa de continuar a regenerar-se para as novas gerações.
Muito bem, termina assim esta decisão Benfica.