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É presidente da Câmara Municipal de Aveiro, já não se pode recandidatar e nas últimas semanas houve algum rebuliço nas estruturas locais. E se as autárquicas são já daqui a poucos meses, as presidenciais têm aquecido bastante esta semana. Ribau Esteves, o nosso convidado, admitia há pouco tempo votar em Gouveia e Melo. Vai agora direto ao assunto. Muito bem-vindo.

Muito bem-vinda, boa tarde. Um abraço grande à Judite e à Vanessa e aos auditórios da nossa Rádio Observador.

Obrigada.

Que bom que está na antena.

Ontem escutámos aqui o também social-democrata Carlos Carreiras passar de um "não excluo" para um "vou votar", se o almirante avançar. Também já passou da possibilidade a uma decisão final, Ribau Esteves?

Não, claramente não. Até como gesto de protesto pelo facto de nós termos uma eleição presidencial a começar cedo demais. E ainda por cima, não é por eu ser autarca, mas sinceramente acho que para o país, para os portugueses, para a vida dos cidadãos, para o desenvolvimento do território, a eleição autárquica de setembro, outubro deste ano é muito mais importante que a eleição presidencial do próximo ano, em janeiro de 2026. E por isso, por mais que eu pudesse ter uma opção fechada no que respeita à eleição presidencial, que não tenho, até porque há candidatos a candidatos que ainda só são candidatos a candidatos, é cedo demais. E neste momento tenho que dar, julgo que o país deve dar, primazia à eleição autárquica, porque, repito, ela é mais importante do que a eleição presidencial para a vida dos portugueses e é aquela que está, em termos de calendário, mais próxima. E portanto, manterei toda a atenção aos desenvolvimentos, àqueles que já são candidatos, àqueles que são candidatos a candidatos e que se virão a afirmar. Gouveia e Melo, António José Seguro, António Vitorino, e seja lá mais quem aparecer, numa lógica tranquila de gerir uma eleição que tem quase um ano de distância, 11 meses, e obviamente de uma outra eleição que também acompanho e trabalho com uma acuidade mais forte, que é a eleição autárquica. Portanto, não há segredo nenhum. Em termos de ponderação, tenho a minha mente aberta, mas obviamente é preciso dar tempo ao tempo e gerir este processo com calma.

Gouveia e Melo ainda na semana passada assinou um artigo no Expresso, ontem marcou presença na convenção Pensar Portugal, da SEDES. Aliás, passaram cinco candidatos e protocandidatos, candidatos a candidatos, como dizia há pouco. O almirante parece que não tem pressa, mas esta participação cívica, como o próprio define, beneficia ou prejudica uma eventual candidatura?

A minha análise é muito simples. Gouveia e Melo não é candidato, mas vai ser candidato. Tenho isto muito claro na minha análise política e na abordagem. A calma dele tem a ver, obviamente, com uma fase de transição de alguém que foi militar no ativo e com um cargo muito importante de Chefe do Estado-Maior da Armada até há pouco tempo e tem obviamente que fazer este processo de transição. Chamando-lhe, e bem, acho que está bem escolhida a expressão, participação cívica, seja com o artigo do Expresso, seja com a participação de ontem na convenção da SEDES, seja com outras coisas que vamos ver nos próximos dias e semanas, até ao dia em que, é minha profunda convicção, Gouveia e Melo apresentará a sua candidatura. Depois temos também António Vitorino, que participou no mesmo evento que Gouveia e Melo, e António José Seguro. Enfim, havendo evidências, e temos que ficar por aqui, a análise das evidências de que António José Seguro será candidato. Ontem eu deduzi, mas obviamente fica o risco da minha dedução, de que António Vitorino tem também vontade de o ser e vamos ver em que é que tudo isto dá.

Como diz o próprio, está à beira de tomar uma decisão. Mas olhando aqui ainda só para Gouveia e Melo, no artigo que publicou no Expresso na semana passada, e vinha sendo acusado de falta de pensamento político e escreveu um longo artigo. Defende, por exemplo, que o Presidente da República pode demitir o governo quando não cumpre as promessas eleitorais. Não sei o entender isto não a ir contra a Constituição.

Não, claro que não é ir contra a Constituição. É uma visão política, devo dizer que a subscrevo. Enfim, como é que essa perspectiva se traduz em ato material no dia em que o presidente da República Gouveia e Melo fizer isso ao governo, seja ele qual for. Obviamente que depois quando vamos à aplicação prática dessa definição do princípio, aí poderemos verificar que o preceito constitucional está cumprido ou não está cumprido. Não vale a pena é vir já dizer que essa ideia de base de Gouveia e Melo é inconstitucional. Eu lembro sempre o motivo que Jorge Sampaio usou para acabar com o governo de Santana Lopes, que assentava numa maioria parlamentar. E enfim, por analogia, iríamos dizer que o que Jorge Sampaio fez foi uma grave inconstitucionalidade. Nada disso, obviamente, faz sentido na lógica da análise literal da Constituição. Faz todo o sentido na lógica da disputa política, porque obviamente quem veio falar sobre isso, nomeadamente Marques Mendes, já está na disputa presidencial e obviamente vai olhando para Gouveia e Melo como um potencial candidato, sabendo ele que também sabe Que é potencial hoje, mas daqui a X semanas, não faço ideia de quantas são, mas pressuponho que não serão muitas, Gouveia e Melo passará de candidato a candidato a candidato. Portanto, julgo que estamos na ambiência das perspectivas individuais. Julgo que o artigo de Gouveia e Melo é um artigo claro e positivo. Alguém como eu, que conhece e lida com Gouveia e Melo há 40 anos, sabe bem do seu pensamento político, que o tem, da sua perspectiva sobre o país, sobre a Europa e sobre o mundo, que a tem. Mas o país não conhece. E portanto, as especulações à volta disso são perfeitamente admissíveis.

Mas vai ter tempo para o conhecer?

Já vamos tendo, porque esta fase de participação cívica, estou a repetir a expressão que Gouveia e Melo escolheu, já permite aos cidadãos, lendo o artigo do Expresso, as notícias que a comunicação social deu sobre a participação dele na conferência de ontem e outras participações cívicas que ele terá nas próximas semanas, e os cidadãos, todos nós, vamos tendo acesso ao seu pensamento. Quando entrarmos na disputa eleitoral ou pré-eleitoral, a partir do momento que ele apresenta sua candidatura, e repito, para não haver dúvidas, é minha profunda convicção que Gouveia e Melo vai ser candidato e portanto, daqui a X semanas apresentará a sua candidatura, como Marques Mendes já o fez. E assim acontecerá com os outros, António José Seguro, António Vitorino, seja quem for. E aí, obviamente, entramos numa disputa aberta e clara, democrática, e eu julgo que vai ser pelos indicadores que já temos, daqueles que já são candidatos e dos tais candidatos a candidatos, julgo que vamos ter uma disputa animada, elegante, civilizada, positiva. E isso é bom, obviamente, para a disputa presidencial. A minha discordância é só que este processo começou cedo demais, é só a esse nível. Ao nível da dialética entre os candidatos e da disputa, viva a democracia, como é evidente.

Não conseguimos controlar essa parte do cedo demais, porque os próprios candidatos fizeram-se, de alguma forma, à estrada. Deixe-me só perguntar-lhe em relação ainda a esta questão de que falava há pouco, o pré-manifesto no Expresso. Esta questão de estar entre o socialismo e a social-democracia, tem sido acusado de ser uma espécie de catch-all e estar de alguma forma a tentar estar próximo de toda a gente para conquistar mais votos e retirar votos, nomeadamente ao Partido Socialista e ao PSD.

A área política de Gouveia e Melo, e está a falar uma pessoa que o conhece bem, é essa mesma, é esta área do centro político onde está o PSD, onde está o Partido Socialista. Se quisermos aqui viajar um bocadinho ala esquerda do PSD, ala direita do Partido Socialista, se é que essas denominações fazem algum sentido, é nesta ambiência que está o pensamento político, a perspectiva sobre o país, a Europa e o mundo de Gouveia e Melo. Isso eu posso testemunhar, porque assim é. E é natural que haja acusações, porque sendo ele candidato a candidato, é dos portugueses que têm sido alvo de sondagens, de estudos de opinião sobre as presidenciais, é aquele que aparece em primeiro lugar e destacado de todos os outros. O que torna absolutamente natural que qualquer coisa que faça, diga, escreva ou não faça Gouveia e Melo, seja alvo de referências positivas ou negativas dos outros e obviamente negativas daqueles que são seus potenciais adversários.

E Luís Marques Mendes quando apresentou a candidatura, logo nas primeiras linhas do discurso, acabou por enviar algumas indiretas. Já está oficialmente na corrida, este que vai ser o candidato à partida apoiado pelo PSD. Pelo que tem visto e ouvido, Ribau Esteves, pode Marques Mendes convencer ou acredita que ainda pode surgir um outro candidato da ala social-democrata?

Obviamente que durante muitos meses, anos, e talvez anos, mas enfim, vamos ser mais gestores do tempo próximo. Durante muitos meses, e ainda se vai falando, o nome de Pedro Passos Coelho esteve na Rádio Observador, na comunicação social, nas conversas sobre essas matérias. E obviamente que Pedro Passos Coelho seria, e eu estou a dizer seria, porque também partilho da perspectiva de que ele não será candidato, Pedro Passos Coelho seria um candidato muito forte. É minha convicção que mais forte do que Marques Mendes, e é isso que nalgumas sondagens que usaram os dois nomes, Pedro Passos Coelho sempre apareceu à frente de Marques Mendes e nessas mesmas sondagens era o nome que se aproximava mais, em termos de perspetivas eleitorais, de Gouveia e Melo.

Se fosse Passos Coelho não tinha dúvidas neste momento?

Peço desculpa, eu não percebi a pergunta.

Se fosse Passos Coelho, não tinha dúvidas neste momento em quem é que votaria?

Repito, eu não vou tomar decisões nesta fase da minha vida por ninguém. Estou a dar uma análise política e entendo que, da análise política, da constatação das sondagens que usaram o nome de Pedro Passos Coelho, Pedro Passos Coelho é um nome que tem mais aceitação no eleitorado que Marques Mendes e dos nomes testados é de todos aquele que mais se aproxima de Gouveia e Melo. Estou a falar de fatos e que obviamente, nesta ambiência, Pedro Passos Coelho era um nome forte, esses indicadores não deixam dúvida nenhuma. Aquilo que vamos tendo, mas certezas absolutas neste processo só existem quando fechar a apresentação formal das candidaturas.

Mas há mais alguém além de Passos Coelho que lhe surge?

É minha convicção que não.

Vamos passar então para as autárquicas. O nosso tempo está aqui a correr. Têm suscitado aqui alguma tensão em Aveiro. O que se está a passar, de forma breve, se nos puder explicar, nas estruturas locais? O senhor demitiu-se este mês de presidente da mesa do plenário de militantes do PSD de Aveiro, já depois de outras demissões.

O processo de Aveiro está fechado. Portanto, há um tempo político de tomar decisões. As decisões foram tomadas pelo presidente do PSD, escolhendo Luís Soto Miranda. Eu tomei a minha posição política e o presidente da concelhia também, que foi: discordamos da decisão, tínhamos a nossa proposta de decisão, que era o doutor Rogério Carlos, meu vice-presidente, meu número dois, por um conjunto de motivos que apresentamos de forma muito clara. O presidente do partido legitimamente decidiu como decidiu. Esse processo está fechado.

Mas por que demorou vários dias a demitir-se? Chegou a ser criticado por ter deixado cair os seus principais soldados, o líder e conselheiro Simão Santana e também Rogério Carlos, de que estava a falar, o vice-presidente.

Às vezes as coisas que se dizem não fazem sentido. Simão Santana, além de presidente da concelhia do PSD que foi excelente, é meu adjunto na Câmara Municipal. Portanto, nós somos uma equipa a sério, ninguém faz nada sem falarmos uns com os outros, somos equipa mesmo. Eu só não me demiti no mesmo dia do Simão Santana, porque como presidente da mesa tinha que receber a demissão dele, tinha que a enviar aos órgãos distritais e ao secretário-geral do PSD e, ato imediato a esse envio, demitir-me eu próprio. Portanto, foi uma questão meramente de procedimento. Os dois ou três dias de intervalo não têm questão nenhuma. Portanto, esse assunto está fechado em Aveiro. Temos um candidato, o PSD tem o seu candidato, está a fazer o seu trabalho. Assunto terminado. Eu sou presidente da Câmara e manterei o meu empenho ao mais elevado nível como presidente de câmara, que também valoriza, obviamente, por esse trabalho, a bandeira do PSD, que é a minha bandeira como presidente de câmara, com a minha aliança com o CDS e com o PPM, até ao dia da tomada de posse do meu sucessor.

Mas deixe-me só perceber se a direção nacional do PSD o ouviu sobre esse candidato do PSD à Câmara de Aveiro, tendo em conta que o senhor já não se pode recandidatar. E queria acrescentar aqui outra pergunta: se se demarca dessa escolha de Luís Soto, apesar de vir a apoiá-lo depois.

A liderança do PSD ouviu-me. Este processo em termos de conversações formalmente abertas, começou em abril de 2023, e depois teve muitas reuniões, muitas conversas com o coordenador nacional autárquico, com o secretário-geral Hugo Soares, com o presidente do PSD, Luís Montenegro. Portanto, foi um processo muito conversado, muito discutido, porque nós próprios aqui na concelhia decidimos que nós não vamos tomar a nossa decisão, nós queremos ser parte da decisão do PSD. Sabe que eu fui candidato três vezes e sempre fui vítima de guerras dentro das estruturas. A concelhia não queria, a distrital queria. Portanto, guerras entre estruturas. O que nós decidimos com o presidente Simão Santana, presidente da concelhia, e comigo, presidente do plenário, foi: nós não vamos tomar a decisão da concelhia, nós vamos ser parte da decisão do PSD, que além da estrutura concelhia, tem a distrital e tem a nacional. E foi isso que fizemos. Chegamos ao fim dessa discussão. A decisão do presidente do partido foi uma decisão diferente daquela que era a nossa proposta e tem a nossa discordância e o nosso respeito. E é por aqui que o processo termina e que Luís Soto está no terreno a fazer o seu trabalho em nome do PSD e obviamente, essa é a bandeira.

Mas acredita que tem hipóteses de ganhar a Câmara de Aveiro, Luís Soto?

Tem hipótese de ganhar a Câmara de Aveiro, claramente sim, mas tem que obviamente trabalhar muito e bem, porque o Partido Socialista também tem hipótese de ganhar a Câmara de Aveiro.

E agora o senhor, Ribau Esteves, estamos também a chegar ao fim da nossa entrevista, tendo em conta que Aveiro já não dá, a Câmara de Gaia é uma hipótese, vai ser candidato?

Disse, e repito mais uma vez na antena do Observador, que eu tenho 28 anos de presidente de Câmara, 58 anos de idade, ganhei sete eleições autárquicas, governei sete mandatos com maioria absoluta e com uma avaliação reconhecidamente de excelência. E nesta fase da minha vida fui convidado por duas câmaras municipais auscultar parceiros. Agradeci muito. Recusei. É sempre delicado recusar um convite, mas obviamente pedi compreensão, porque gostava muito de fazer outras coisas na minha vida, nesta fase em que estou. Não há nenhum português que tenha sido presidente de câmara de três câmaras diferentes. Não há nenhum português que, nos últimos 28 anos, seja presidente de câmara com dois municípios diferentes e com maiorias absolutas. Não há nenhum, só há um, chama-se Ferro Ribau Esteves. Portanto, gostava muito de fazer outras coisas na vida. Na política, se houver espaço para isso, porque sou um político, ou regressar às empresas, que é o mundo de onde eu venho. E portanto, eu gosto muito das câmaras municipais. Se eu mandasse em tudo, na lei, na política, na vontade dos cidadãos, eu fazia mais um mandato na Câmara de Aveiro, mas a vida é como é, a lei é como é, e obviamente haverá outras coisas na vida para fazer e eu sou um cidadão ativo, empenhado e seguramente haverá oportunidades para a minha vida a partir do final do próximo mês de outubro.

Mas deixe-me só perguntar-lhe, mesmo para terminar, se Luís Montenegro está ciente dessa sua vontade de abraçar novos desafios.

Está ciente e conhecedor, e obviamente já há conversas há muito tempo sobre essa matéria. Somos companheiros, conhecemo-nos bem um ao outro, as competências, as capacidades, as vontades, e obviamente está ciente e já há pensamento mútuo sobre essa matéria. Não há é decisões, nem este é ainda o tempo de haver decisões sobre essa matéria.

Ribau Esteves, muito obrigada por ter ido direto ao assunto.

Muito gosto. Um abraço. Muito obrigado.

Obrigada.