Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora uma edição extra do E o Campeão É. Eu sou a Maria João Simões, comigo e com o Bruno Vieira Amaral estão o editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro, e o antigo árbitro internacional e comentador da Rádio Observador, o Pedro Henriques. Bom dia aos dois. Muito obrigada por se juntarem a nós.
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio num extenso comunicado onde esclarece o que motivou a saída do estágio da seleção. Assume que errou, pede para ser castigado pela federação, sem qualquer atenuante e com a agravante de ser capitão, acusa o sancionador de autoritarismo e de faltar à palavra e mais, garante que não renuncia e que volta assim que cumprir o castigo. Vamos à análise. Bruno Roseiro, quando o Ronaldo pede à Federação Portuguesa de Futebol que o castigue, não está a passar um atestado de incompetência a Pedro Proença? Não o fragiliza, como se fosse preciso ter luz verde do capitão para a federação avançar com o castigo?
Primeiro, está a pedir uma coisa que não pode acontecer. Não há qualquer tipo de possibilidade de poder haver um castigo enquanto não houver um processo disciplinar. Tendo em conta que nem sequer foi aberto um processo disciplinar, a hipótese de ser castigado, nesta altura, não se coloca. Essa parte do longo comunicado que, sinceramente, quando se percebe aquilo que lá está, poderia ser muito mais curto e poderia não dizer muitas coisas que diz, porque não me parece que contribuam muito para qualquer solução. Mas essa parte em específico do comunicado a dizer: "Eu devo ser castigado". Por um lado, tem aqui um ponto de coerência entre algumas incoerências que o comunicado tem, tem aqui um ponto de coerência, que defende, para ele, aquilo que defendeu em 2011 para Ricardo Carvalho. Mas, por outro lado, confirma aquilo que se vai percebendo ao longo do comunicado, é que a federação é muito mais esfera CR7 do que nós pensávamos. E basta ver quem é que esteve nas reuniões com Jorge Jesus, quem é que esteve na videochamada com Jorge Jesus e, sobretudo, os oito pontos do documento que foram entregues a Jorge Jesus para serem lidos na conferência. Esse, para mim, é o ponto fundamental. Jorge Jesus, felizmente, não o leu, porque num minuto a seguir teria de pedir demissão se o fizesse. Agora, aquilo que fica ali comprovado no comunicado é que a esfera federação é tudo, menos esfera apenas federação.
Pedro Henriques, pela primeira vez, Ronaldo admite publicamente que errou. Este pedido de desculpas limpa a imagem do capitão ou o dano de reputação já está feito?
Bom dia, uma vez mais. Eu resumi em cinco pontos aquilo que penso sobre isto e respondendo à tua questão também. O tal pedido de penalização, quando ele abandona o estágio, já sabemos todos que é o tal artigo 160, parágrafo 1 do regulamento disciplinar da FPF, que dá uma multa para qualquer jogador que abandone o estágio de 500 a 1000 € e que pode levar à suspensão de um mês a seis meses. Obviamente que para isso é preciso abrir um processo disciplinar.
E por que não foi aberto? Conseguimos perceber.
Conseguimos perceber em relação àquilo que é o meu terceiro ponto. Ou seja, há aqui um pedido de desculpa por parte do capitão que percebe aquilo que nós já todos tínhamos dito e que, infelizmente, aqueles que rodeiam, os yes-mens que rodeiam o Cristiano Ronaldo, não lhe conseguiram dizer, porque têm medo, não querem perder o seu trabalho, porque se o Cristiano Ronaldo se rodeasse de pessoas que não fossem yes-mens, se calhar lhe tinham dito: "Olha, que tu estás a suplente, não entraste, ok. És capitão da equipa, tens de ser o primeiro a entrar e ir aos adeptos portugueses aplaudir e receber os aplausos com toda a equipa que até ganhou na Noruega. Não podes abandonar." E ele reconhece que errou aí. E também não podes abandonar um estágio, porque houve pessoas que o incentivaram a abandonar o estágio, e já se percebeu. Este é o meu primeiro ponto e pelo menos o Cristiano Ronaldo aqui tem o mérito de reconhecer que errou. Infelizmente, se deixares cair uma chávena no chão e ela partir-se, depois não adianta agarrares nos cacos e pedires desculpa. Não adianta nada. Já não vai a tempo. Ponto número dois tem a ver com este pedido, realmente, que ele faz para ser castigado, para que no fundo seja tratado de igual forma, e aqui mete alguma coerência com o que ele disse sobre o Ricardo Carvalho e obviamente está disponível para competir e disponível para competir abre a porta para ser de novo selecionado, desde que marque gols e esteja bem e que o Jorge Jesus, obviamente, vamos lá ver se depois disto o vai fazer, que tinha dito que se ele estiver bem, foi o próprio Jorge Jesus, se ele estiver bem e quiser regressar, também lhe tinha aberto a porta, pode regressar. O ponto três tem a ver com esta questão da Federação Portuguesa de Futebol e esta falta de liderança, porque repara que tanto na primeira reunião terça-feira à noite, está Jorge Jesus, Simão Coutinho e está CR7, e depois o pedido de videoconferência está Simão Coutinho, Jorge Jesus e Tiago Craveiro. E a pergunta que eu faço: onde é que está a Federação Portuguesa de Futebol? Que obviamente, por proatividade, por antecipação, tem que ter. Eles têm lá Lourenço Pinto, têm lá João Vieira Pinto, têm lá o Toni, têm lá tanta gente, estou-me a lembrar destes nomes, ou outras pessoas que são diretores, têm que estar presentes. E isso para mim era fundamental. E se encarna no outro ponto, que tem a ver com a produção propriamente deste documento que foi realmente produzido e que supostamente o Jorge Jesus aceitou para depois falar na conferência de imprensa. Ele até fala à maneira dele em cinco dos oito pontos. Já foi feito esse levantamento.
Mas não foi suficiente.
Não foi suficiente. Então à espera que o Jorge Jesus vá ler um documento daquela natureza. E finalmente, o último ponto, tem a ver com os oito pontos elaborados. E eu aqui tenho dificuldade, tenho medo até de falar, porque o nível de QI e de QE, para as pessoas, QI, coeficiente de inteligência, QE, coeficiente de emocionalidade, é uma coisa que me deixa completamente surpreendido. E não sei se foi o Simão Coutinho que produziu, não sei se foi o Tiago Craveiro que produziu o documento, porque o Cristiano Ronaldo não foi, que escreveu aquelas linhas, revela bem de que, eu nem sei explicar, o nível de ignorância Aqueles oito pontos, e vai ser a minha nota de campeão, em que eu fui buscar as cinco coisas mais bonitas que ouvi sobre este comunicado e que vou dar como nota de campeão no final, mas é, ao nível de inteligência e de emocionalidade, vale zero. E o Cristiano Ronaldo validou aquilo. É impossível alguém produzir, nem a pior inteligência artificial do mundo consegue escrever tão mal e de forma tão errada aquilo que está ali, porque realmente é uma coisa impressionante e que não faz sentido nenhum. E, portanto, vou deixar para a minha nota de campeão aquilo que eu penso sobre o comunicado.
Bruno Viana Amaral, hoje tenho que dizer o teu nome todo, porque temos outro Bruno conosco. Ronaldo diz que cumpre o castigo e volta. Vai ser assim tão fácil?
O que Ronaldo consegue com este comunicado é passar a responsabilidade da sua eventual saída da seleção novamente para o selecionador e para a federação. A federação e Jorge Jesus tinham conseguido passar a batata quente, por assim dizer, para Cristiano Ronaldo, ao dizerem: "Bem, isso não é assim tão grave. Não se passou nada de assim tão grave que justificasse aquela decisão do Ronaldo, mas as portas estão abertas, portanto ele, se quiser, pode voltar". E ninguém estava à espera, honestamente, que Cristiano Ronaldo se disponibilizasse a voltar. Só que ele disponibiliza-se a voltar em circunstâncias que se alteram radicalmente a partir do momento em que existe este comunicado, porque vamos ser honestos, isto é um comunicado completamente arrasador para Jorge Jesus, que ele nem trata pelo nome. Jorge Jesus falou durante todo este tempo, nas conferências de imprensa que deu de antevisão e no pós-jogo, falou sempre do Cris. O Cris para aqui, o Cris para ali, e: "Eu adoro o Cris e amo o Cris e convoquei-o e quis que ele viesse". E esqueceu-se de uma coisa que agora chocou com ele de frente, que é: o Cris não existe. O que existe é CR7 SA. Uma empresa! E uma empresa muito mais profissional, muito mais competente do que a Federação Portuguesa de Futebol, que é gerida, como nós vemos, por amadores. São amadores. Como é que se deixa um selecionador nacional sozinho numa reunião com o capitão em que quem está presente é alguém da entourage de Cristiano Ronaldo? Como é que o selecionador não é protegido? Como é que ele próprio, o selecionador, se deixa cair numa situação destas? E deixa-se por quê? Porque ele acha que está a falar com o Cristiano, com o Cris, e não está. Está a falar com uma máquina, com uma máquina empresarial e que é uma máquina completamente implacável, que não tem receio qualquer de mandar quem quer que seja para debaixo das rodas do caminhão. Aconteceu com o Fernando Santos. Jorge Jesus não viu o que aconteceu com o Fernando Santos?
Confeccionou tal amizade, sempre, com o Cris.
Isto é de loucos, porque Jorge Jesus vai falar do ano de amizade com Cristiano Ronaldo. Então e os anos de amizade de Cristiano Ronaldo com Fernando Santos? Ronaldo cortou relações com Fernando Santos, nunca mais as reatou e nunca pediu desculpa. Portanto, aquilo que eu realço deste comunicado não é tanto os pedidos de desculpa estratégicos de Cristiano Ronaldo, é o completo corte com Jorge Jesus. É impossível. Das duas, uma: ou Jorge Jesus convoca Cristiano Ronaldo e perde completamente toda a autoridade que possa ter, ou então não convoca e é ele o responsável pela saída de Cristiano Ronaldo. Eu, neste momento, se fosse Jorge Jesus, punha o meu lugar à disposição a Pedro Proença para que fosse ele a decidir.
Bruno Rosário, lá está, Ronaldo acusa JJ de faltar à verdade e de ter uma atitude autoritária. Depois disto, vês qualquer solução para esta relação? Concordas com o Bruno? Está destinada ao fracasso?
Não vejo. Já não via. Pareceu-me, desde o início, que o corte entre Ronaldo e Jorge Jesus seria irreversível. Faz muita confusão quando o Cristiano Ronaldo se coloca à disposição para competir, porque aquilo que ele diz ali é: "Eu não quero jogos de despedida. Se é para jogar, é para jogar os jogos a sério da Liga das Nações." E Jorge Jesus, pela primeira vez enquanto selecionador, é um selecionador português que olha para os méritos desportivos e percebe aquilo que cada um dos jogadores pode dar e não quantos milhões de seguidores é que pode ou não acrescentar. E no meio de tudo isto e destas partes de algum exercício de egocentrisismo misturado com narcisismo, aquilo que eu mais lamento, e percebendo que a solução está cada vez mais longe, é no ponto cinco ou seis, e respondendo a uma dúvida que o Pedro tinha, quem escreveu este comunicado foi Tiago Craveiro, com inputs de Cristiano Ronaldo. Portanto, podem dizer o que quiserem, foi isto que se passou. O mesmo Tiago Craveiro que poderia agora, em termos públicos, dizer se é verdade ou não que ligou a uma pessoa ligada a Jorge Jesus para dizer: "Ou ele lê o comunicado ou vai embora." Também era importante definir se isso é ou não verdade. Mas nesses oito pontos, há uma certa altura onde Jorge Jesus, com a sua habilidade ou falta dela, na conferência de imprensa, refere os nomes de Pelé e Maradona, e até nisso, o nome do Lionel Messi teve que ser corrido. Ou seja, grandes jogadores, grandes mitos do futebol é Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo. E aquilo que eu mais lamento no meio disto tudo é: o Messi fez uma carta de despedida da seleção depois da morte do pai, depois também de perder a final do Mundial 2026, e nós estamos a comentar um comunicado que Cristiano Ronaldo fez. Messi teve o seu jogo de despedida com milhares e milhares de pessoas a chorar o seu último jogo e Ronaldo não sabe sequer se já fez ou não o seu último jogo pela seleção. Isto é que nos devia fazer refletir um bocadinho a todos.
Pedro Henriques, é normal este silêncio de toda a federação desde a saída do Ronaldo? Não passa a imagem de que está sem saber o que fazer?
É normal na questão da dependência que tem da marca CR7. Eu até posso entender que não quisessem fazer o tal corte umbilical com o Cristiano Ronaldo, porque estando a acabar a carreira, tendo no horizonte 2030, e pela importância, porque há aqui um aspecto que nós não podemos esquecer. Não se apaga os 23 anos que estão para trás do Cristiano Ronaldo. E eu nesse aspecto sou um defensor. Para mim, é o melhor jogador português de todos os tempos. Obviamente que eu não ponho aqui na equação o Eusébio, porque embora tenha 61 anos, não vivi propriamente dito aquilo que foi a realidade do Eusébio. Tirando esse impacto, o Cristiano Ronaldo é uma marca e é uma personalidade que é muito importante para Portugal e não apaga as alegrias e a carreira que fez e que tem. Isso não apaga. Agora, há aqui uma dependência e há, sobretudo, uma questão que eu acho que é muito relevante e importante, que é a questão da proatividade, que se revela em pequenas coisas. Repare que ontem, a dado momento, só para nós percebermos o nível de falta de alguém que pensa as coisas à frente. É uma coisa simples: ontem as câmaras foram logo para a Cidade do Futebol. E o que é que apanharam? Porque aquilo é tudo envidraçado, a reunião do Pedro Proença com os assessores. De repente, alguém se lembrou: "Se calhar podemos estar a ser observados, podem ter visto na televisão e resolveu alguém baixar as persianas." Isto revela, uma vez mais, que as pessoas estão rodeadas. E o Pedro Proença está cada vez mais a perder, não vou aqui falar de nomes, e nem sequer estou a falar da questão do Duarte Gomes que saiu da federação por outros motivos. É só olhar quem começou com ele e quem está com ele neste momento. A perder as pessoas certas que o deviam rodear e está cada vez mais a ficar, à semelhança do que acontece com o Cristiano Ronaldo, com os que lhe batem palmadinhas nas costas porque têm medo, que é que eles não querem perder o emprego, que são os chavudos, são os yes-mens. E não é assim que uma pessoa ou uma empresa vai para a frente. São estas pequenas coisas que ninguém pensou. Antes de começar a reunião, vamos para uma sala onde não estejamos a ser vistos por uma câmara ou vamos baixar as persianas antes. Parece um pormenor de nada, mas isto revela o desnorte da própria Federação Portuguesa de Futebol, que se reflete exatamente nestes aspetos, como foi a questão da reunião que não pôs lá ninguém, a falta de proatividade, que de repente já não vai ao jogo do sub-21 e tem que ir a voar para lá, quando se calhar ou devia lá estar ou devia já ter alguém sempre colado ao Jorge Jesus para estas circunstâncias. Proatividade, perceber o que vem a seguir. É por isso que uns são melhores que outros, obviamente.
Isto tudo ainda vai dar muito o que falar. Vamos às notas, agora que se conhece o outro lado da história, quem é o vosso campeão, Bruno Vieira Amaral?
Eu vou dar um zero a Cristiano Ronaldo e às pessoas que estão à volta dele, porque aquele comunicado, aqueles oito pontos que queriam que Jorge Jesus lesse, é sintoma de completa rutura com a realidade.
É uma bolha, não é?
Não, é o planeta Ronaldo. Vivem todos no planeta Ronaldo e defendem, tudo bem, são pagos para isso. Mas exigir que um homem como Jorge Jesus fosse para uma conferência de imprensa ler aquele comunicado, porque Jesus até acabou por falar de vários pontos que estão ali. Portanto, ele até acabou por seguir o que estava no guião em grande parte, só que não o fez no tom certo para Ronaldo e para a restante comitiva. Portanto, o que estavam à espera é que Jorge Jesus se humilhasse completamente, chegasse à conferência de imprensa, não respondesse às perguntas, lesse aquilo que estava escrito e aí, sim, ficariam satisfeitos. Ora, isto é completamente inadmissível e dou um zero a Cristiano Ronaldo e à entourage dele, mas também à Federação Portuguesa de Futebol, por não tomar até ao momento uma atitude.
Bruno Rosário, para quem vai a tua nota?
Acompanho também o zero, neste caso, não para a federação, mas para o universo CR7 S.A. Para a federação, diria que temos que esperar um pouquinho mais, porque tendo em conta a falta de comparência, também é complicado dar uma nota. E gostaria também de dar duas notas 20, uma a Ronaldo e outra a Lionel Messi. Foram os dois melhores jogadores, foram e são os dois melhores jogadores do século. Um soube se respeitar até o final e perceber que a única coisa impossível para ele era parar o tempo, o outro ainda não conseguiu perceber isso.
Pedro Henriques, a tua nota.
Sim, começo por dizer que sou e serei sempre um defensor do Cristiano Ronaldo e daquilo que é a sua carreira e daquilo que ele representa para Portugal e para os portugueses. Para mim é, e dificilmente vai ser batido isso, o melhor jogador português de todos os tempos. Dito isto, dou nota zero para o conteúdo do comunicado, para aquilo que está lá escrito em si.
A forma é tudo, não é?
Exatamente. Primeiro para dizer que quando falam em selfies, o rei das selfies é e continuará a ser o professor Marcelo. E depois só duas coisas em relação ao comunicado: é a verdadeira obra-prima escrita a azeite e, por favor, parem com o vinho de pacote que não lhes está nada a cair bem.
Pedro Henriques, Bruno Rosário, muito obrigada aos dois. E o "Campeão" vai regressar à hora habitual depois do Jornal da Uma.