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Habemus taça. Fez-se taça ontem, terceira ronda e uma razia entre os clubes da Primeira Liga nesta prova rainha. Ficaram pelo caminho aos pés de equipes de escalões inferiores, Alverca, Académico de Viseu, Santa Clara e Famalicão. Amanhã temos esse Porto PSV no Dragão para a Liga dos Campeões e tivemos também os Mundiais de Ciclismo de Pista com Portugal em destaque. Ontem mais uma medalha prata para Iúri Leitão e também para Ivo Oliveira. De resto, Portugal fecha esta competição de ciclismo de pista com quatro medalhas, a melhor participação nacional de sempre nesta modalidade e nesta competição. Para a análise e os comentários da atualidade esportiva, Gabriel Alves, Mariana Fernandes, Luís Pinto Coelho e Pedro Henriques. Muito bem-vindos, campeões. Vou começar pela Mariana Fernandes, que está comigo em estúdio. De fato, a festa da taça fez-se ontem com equipes de escalões superiores a caírem com equipes teoricamente mais fracas, só porque estão em escalões inferiores, e isso ficou bem patente no resultado. Talvez aqui a surpresa para Académico de Viseu e Santa Clara, que estão em ótimo plano no campeonato. São uma das surpresas deste campeonato, mas no melhor plano caiu a nódoa e deixaram esta prova rainha bastante cedo. Que resumo fazes desta terceira ronda e que destaques fazes nos resultados? Há outras equipes, mesmo na Primeira Liga, para além destas que caíram, que tiveram muitas dificuldades também, ou prolongamentos, ou pênaltis.

É óbvio que, não fui ver isto e não sei, mas parece-me que seis equipes de Primeira Liga caírem desde logo numa fase tão embrionária da competição, digamos assim, provavelmente teremos de recuar uns anos ou não sei se sequer se alguma vez aconteceu. Ou seja, são muitas equipes a ficarem desde logo de fora. Claro que podemos fazer uma análise um bocadinho mais fria, digamos assim, e dizer que o futebol é assim, que sabemos que também em campeonatos da Europa, em campeonatos do mundo, em competições a eliminar, muitas vezes o David acaba por ganhar ao Golias. Ou seja, existe aqui esta questão do jogo a eliminar, ser apenas 90 minutos ou 120, ou às vezes até nas grandes penalidades, e de não ser assim tão raro uma equipe teoricamente, como dizias, inferior, ganhar a uma equipe teoricamente superior. Ainda assim, eu acho que olhando para estas seis equipes que foram eliminadas, olhando para as seis equipes que conseguiram o apuramento e olhando para o futebol português de uma forma geral, e se calhar usando esta eliminatória também para fazer uma análise àquilo que se vai passando, eu acho que acaba por ser o espelho de um futebol português cada vez mais competitivo nos seus escalões inferiores, o que não é necessariamente bom olhando para a Primeira Liga. Ou seja, aquilo que me parece cada vez mais é que, se calhar excluindo aqui um bocadinho o Campeonato de Portugal, mas também o Campeonato de Portugal, mas olhando para a Liga 3, olhando para a Segunda Liga, eu não vejo assim uma diferença tão grande em termos de valor e em termos de qualidade e até em termos de investimento, o que é triste, para a segunda metade da primeira liga portuguesa. E obviamente que aqui temos equipes que até estão na primeira metade da liga portuguesa, mas eu acho que a diferença começa a ser demasiado pequena entre a segunda metade da Primeira Liga e a Segunda Liga e até a Liga 3. E com isto não estou a dizer que as equipes da Segunda Liga e da Liga 3, obviamente, não têm as suas valências, as suas oportunidades e até não gostamos todos muito que aconteça a tal festa da taça e que aconteçam autênticos contos de fadas como o do Torquense o ano passado. Mas eu acho que existe uma Primeira Liga por algum motivo, e esse primeiro motivo tem de ser a qualidade superior das equipes da Primeira Liga. E eu acho que é cada vez mais que caminhamos para um sítio onde não porque estamos a melhorar o futebol português, não porque a Segunda Liga e a Liga 3 são muito melhores do que eram há uns anos, mas porque a segunda metade da Primeira Liga tem uma décalage gigante para a primeira metade, que parece cada vez mais viver o seu próprio campeonato e estar cada vez mais numa divisão à parte. Acho que essa avaliação tem de ser feita, se de fato estamos a falar, e eu espero que sim, estamos a falar de um aumento ou de uma subida de competitividade e de qualidade da Liga 3 e da Segunda Liga, e por isso é que estamos a assistir a estes fenômenos, ou se estamos a falar cada vez mais do esvaziar da segunda metade da Primeira Liga, da ausência de competitividade, de investimento e de qualidade dessa segunda metade, e daí também, obviamente, este tipo de surpresas que já não são assim tão surpresas.

Para além daquelas que referi no início, há também o Nacional da Madeira que não está nada bem também no campeonato e que também fica fora da taça, perde com o Sanjoanense. Há depois também a vitória do Aves sobre o Muraiense, é outra equipe também da Primeira Liga que fica pelo caminho. Gabriel Alves, ia pedir teu comentário, em particular a esta questão de Carlos Carvalhal no Famalicão. O Famalicão fica fora da taça, também não está nada bem no campeonato. Um treinador com tanto currículo não está conseguindo mudar de paradigma aqui no Famalicão. Está a ficar com vida complicada Carlos Carvalhal?

Boa tarde. Mas não se centre só no Carlos Carvalhal, tem que se centrar em tudo mais, em tudo o que envolve. Portanto, quando tu perdes jogadores e depois não recuperas, naturalmente não queiras milagres. Eu subscrevo tudo que Mariana disse, nem vou extender, porque está tudo muito bem dito, muito bem espelhado, eu diria mesmo. É uma página concreta, objetiva, pragmática. Só meto uma adenda. Depois não se admirem que as equipes que vão à Europa, que obviamente sentem logo uma competitividade, não tem nada a ver Não tendo competitividade interna, estou a falar de Benfica, Porto, Sporting, Braga, que estão na Europa. Obviamente, se tu não tens competitividade interna, quando chegas à Europa, sentes isso de uma forma dolorosa. Portanto, fica a utopia, ficam as pipocas, fica o "pois pode ser", "pois vai ser". E quando não é, temos os árbitros e temos as outras coisas todas que hoje, não só em Portugal, mas também por aí, vão sendo o pretexto para aquilo que é o insucesso.

E Pedro Henriques, e o Mafra? Grande vitória sobre o Santa Clara.

Sim, senhor. Não é que o Mafra esteja no patamar que eu acho que a estrutura tem possibilidade de estar, que é numa Liga 1, uma Liga 2, mas de qualquer maneira, foi um dos casos que se encaixa naquilo que aqui foi dito. Eu destacaria, não tirando uma palavra daquilo que foi dito, que eu acho que os dois aspectos mais relevantes e importantes que fazem e justificam isto são outros. E para mim são, primeiro, olhem lá para os 11 das equipas como o Mafra, que jogou ontem, e como a equipa do Santa Clara e percebem que as equipas, entre aspas, menores, rodam muito pouco e jogam com os seus melhores 11. As equipas dos escalões superiores, quase que rodam a equipa inteira. E este é um dos motivos pelos quais muitas vezes há esta surpresa. Aliás, para mim é um dos motivos principais. E o segundo tem a ver com a motivação. Para uma equipa de um escalão inferior e quem vive nas terrinhas e nos arredores como eu vivo, eu vivo no meio das ovelhas, percebe-se que esta é uma semana de festa. É tudo diferente. Vêm cá os jornalistas que não costumam vir, vem cá uma televisão ou duas, que hoje há muitos canais, que não costumam vir. Portanto, é uma semana completamente diferente e a motivação, a maneira como tu entras no campo, psicologicamente, é totalmente diferente. Para as equipas ditas grandes, é uma chatice, é uma semana chata. E tu dizes: "Mas é profissional, é de escalão superior, tem que estar motivado". Claro que sim, mas por muito que tu transmitas essa ideia, que tens que estar motivado e encarar isto como um jogo absolutamente igual aos outros e aqueles que vão jogar, que normalmente não são habituais e que também os tentas motivar para agarrar a oportunidade, não consegues. Não é não consegues, é difícil. E entre esta questão da motivação e muitas vezes o fator casa, aliado a essa motivação, porque não foi só o caso, houve equipas que jogaram fora e também conseguiram ter esse desígnio. E a questão das alterações muito radicais que são projetadas ou feitas nos 11, para complementar aquilo que a Mariana disse e muito bem, está também um dos motivos pelo qual estas surpresas acontecem. Não é normal, como disse a Mariana e bem, se calhar temos que recuar, não tenho aqui nenhuma estatística, não vi, para tentar perceber quando é que numa jornada só da Taça de Portugal terá havido no passado recente tantas quedas dos chamados bombas gigantes, mas o fato é que aconteceu e também há aqui este aspecto da aproximação, que é claro e evidente, basta ver o que acontece com a Liga 3. A partir do momento que começaram a ter transmissões televisivas, o patamar elevou-se, a qualidade percebe-se que existe e, portanto, há uma certa aproximação ou maior aproximação e associada com tudo isso que já foi dito pela Mariana, pelo Gabriel e por mim, acabam por arredondar nestas situações.

Luís Pinto Coelho, vamos agora para uma próxima fase, já com os três grandes também em competição. Para essas equipas, esta foi uma boa ronda, que deixou de fora algumas equipas teoricamente mais fortes?

Olá, boa tarde. Teoricamente, sim, porque o Santa Clara, o Famalicão, por exemplo, estas duas, o próprio Moreirense, são equipas que iriam dar trabalho. Jogando em casa, por exemplo, são equipas que poderiam perfeitamente bater os grandes. Eu diria, principalmente, na Liga 3, o crescimento da Liga 3. Eu conheço, por exemplo, dois projetos bem, o do Leça e o do Paredes. E eu diria que as condições que dão aos jogadores desses clubes estão quase ao nível da Primeira Liga. E já há muito pouca diferença na forma de trabalhar, nas condições oferecidas, mas também é preciso analisar isso, como a Mariana Fernandes referiu, a questão de um decréscimo de qualidade na segunda metade da Primeira Liga. Acho que há equipas bastante débeis e basta rodar um bocadinho o plantel, como o Pedro referiu, e isso nota-se logo. A diferença esbate-se logo e as equipas da Segunda Liga, a Liga 3 jogando em casa, não rodando muito o plantel, ficam quase ao nível das equipas da Primeira Liga, que é algo que pode aqui depois, no futuro, ser preocupante para o futebol português.

Luís, fico contigo também para uma ligeira antevisão a esse Porto-PSV. Amanhã no Dragão, Farioli e Pablo Rosário já fizeram também conferência de imprensa há instantes. Perspetivar essa partida. Pablo Rosário dizer-se contente pelo sorteio, porque vai defrontar uma equipa onde já jogou. Por outro lado, Farioli poderá ter aqui um ajuste de contas a fazer com esta equipa dos Países Baixos, já que lhe roubou de alguma forma o título quando estava no Ajax.

Sim, esperemos que sim, que é um jogo fundamental para o Porto. O Porto tem agora dois jogos em casa que tem que fazer seis pontos para começar a recuperar. Eu acho que o calendário do Porto é interessante, tirando a deslocação ao Liverpool. Acho que o Porto pode, jogando o seu normal, estando concentrado, não cometendo erros infantis como cometeu em Sevilha, fazer aqui vários pontos. E estes dois jogos são fundamentais, até pela questão anímica. E jogando em casa, parece-me que o Porto é claramente favorito. E tem outro fator importante, que é Bernárdez que vai jogar e Pablo Rosário vai passar para o meio-campo e isso vai fazer logo toda a diferença. Tenho aqui uma dúvida ainda para o 11, que é o ponta de lança que vai jogar. Eu acho que pode jogar qualquer um dos três.

Deixou elogios a Santi Gimenez.

Sim, pode jogar qualquer um dos três. Acho que é difícil de prever quem vai jogar. Acho que à esquerda jogará Zaidu, parece-me. Acho que vai ser

A aposta vai ser no jogador nigeriano. Acho que o resto do 11 vai ser mais ou menos o mesmo. Pietro Zeski talvez comece já de início, mas é um jogo fundamental pro Porto e acredito que o Porto vai dar uma resposta afirmativa e vai conseguir os três pontos.

Amanhã temos emissão especial de desporto para acompanhar este Porto PSV. Mariana Farioli falava de uma montanha para escalar depois dos pontos perdidos nos dois primeiros jogos. Ainda assim, poderá estar otimista a equipe portista, tendo em conta o calendário que se avizinha?

Sim, e o PSV também não está numa boa fase. O PSV também ainda não ganhou nesta Liga dos Campeões. É certo que tem um ponto, acho que empatou o primeiro jogo, perdeu o segundo contra o Leipzig, portanto também não está aqui numa fase extraordinária. Acho que a experiência que Farioli acaba por ter nos Países Baixos pode ajudar. É certo que já foi há alguns anos, mas é diferente jogar uma equipe que não se conhece por completo do que jogar contra uma equipe que já foi o nosso principal rival, no caso de Farioli. E acho que podem existir aqui uma data de questões que podem favorecer o foco do Porto. Ainda assim, eu acho que a questão dos zero pontos pode começar a pesar, pelo menos psicologicamente e ao nível de prioridades também. É certo que sabemos, e temos o exemplo do Benfica o ano passado, que esteve praticamente arregado e parecia impossível passar ao playoff e depois, de repente, com José Mourinho, conseguiu de fato esse apuramento quase histórico. Ninguém estava à espera. Portanto, sabemos que nesta fase de liga, neste novo formato, a possibilidade das equipes, mesmo com zero pontos nesta altura, ainda se poderem apurar, existe. Agora, acho que este é um foco do Porto que, não estando dependente deste jogo, pode estar dependente deste jogo para começar a afinar essas tais prioridades. Ou seja, sair da terceira jornada da Liga dos Campeões com zero pontos, com três derrotas, pode levar, eventualmente, Farioli a decidir que se calhar a Liga dos Campeões deixa de ser uma das prioridades da temporada e o foco para o campeonato começa a estar ainda mais vincado, tendo em conta a situação difícil na Liga dos Campeões. Uma eventual vitória, uma eventual chegada desses primeiros três pontos pode fazer precisamente o contrário. Pode levar a equipe, obviamente, a olhar para a Liga dos Campeões ainda como um objetivo a este apuramento para o playoff, eventualmente para os octavos de final.

Galvanizar o grupo.

Sim, obviamente.

Vamos ao teu campeão. Mariana, estamos também aqui a ficar sem tempo.

O meu campeão, e assinalando também o início da NBA, começa amanhã, mas não estou cá amanhã, estou cá hoje. Portanto, assinalando esse início da NBA amanhã, o meu campeão acaba por ser o Ben Simmons pela infelicidade. É um jogador brutal, tem 30 anos, foi uma escolha número um do draft, creio que em 2016. Passou a temporada passada toda de fora por lesão. Assinou com os Sacramento Kings para tentar relançar a carreira, para tentar voltar. E entretanto, rompeu o tendão daquilo, portanto, vai estar mais um ano, no total dois anos, completamente fora. É um jogador muito talentoso que acaba por ter a carreira completamente ensombrada por lesões. Dificilmente voltará ao seu melhor nível, obviamente, depois de dois anos de fora. Portanto, fica um 20 para ele, obviamente, porque é mais um daqueles casos de um grande jogador que poderia ter sido ainda melhor se não fossem as lesões.

E aproximam-se noites mal dormidas com a NBA a voltar. Gabriel Alves, vamos à tua nota de campeão hoje.

Olha, a minha nota de campeão vai para o Valdano. Ontem num programa desportivo depois do Real Madrid e Sevilha, disse: "Estou farto, o futebol fica pela arbitragem." Foi pegando no que se passou. A gravidade é esta transmissão televisiva. E Mourinho acaba por ter razão com o seu ar, portanto, com o seu cinismo doutoral. Se mostrarem uma imagem concludente, muito bem. Há uma imagem, de fato, de Arda Güler que dá uma cotovelada, é para cartão vermelho. Só que a televisão não mostrou. Não mostrou aquela imagem, muito fugidia, e não teve aquelas imagens que naturalmente tem, e tem o dever, não a obrigação, é dever de mostrar quando acontece como houve outra também na sequência do segundo gol do Real Madrid, um lance com Konaté que também não repetiu. Portanto, o que se está aqui a passar em termos de futebol é, na realidade, no negócio, no comércio, nos acionistas, é de fato degradante. À conta do povo, que é esse quem paga o futebol. Esta aqui é a verdade, criando aqui gestualidade de ódios, etc. Porque se Arda Güler tivesse sido expulso, como deveria ser, não teria marcado o primeiro gol. Se Konaté, aquele lance, eu não estou a falar da qualidade dos gols, fantásticos.

Sim, mas na influência do resultado.

Exatamente. E isto, agora põe assim, fora o contrário. Fora o jogador do Sevilha a dar no Arda Güler e não haviam uma imagenzinha? Claro, o que seria hoje? Tudo isto é de fato degradante. Portanto, eu deixo, olha, Valdano, que é um homem que vive lá, vive lá há muitos anos.

Qual é a nota?

20 para Valdano. Tem que alguém ter que começar a dizer isto. Está-se a ficar farto.

Pedro Henriques, vamos à tua nota.

Vou para o ciclismo, repetindo a minha nota de ontem, mas agora com mais dados. Portanto, o Iúri já sabíamos, o Iúri Leitão pode ser ouro no ômnium, no sábado. Depois a questão de ontem, o Iúri Leitão e o Ivo Oliveira terem também conquistado prata. E finalmente o Portugal em si, que é Portugal, ciclismo, que fecha os mundiais de pista deste ano com quatro medalhas, o que é fantástico. Portanto, nota 20 para mais este sucesso do ciclismo e especificamente para o Iúri Leitão.

E a nota do Luís Pinto Coelho?

Olha, vou dar um 20 ao Paredes. É uma vitória muito impactante e acho que é um clube que se vai ouvir falar muito nos próximos tempos. Tem um grande projeto e acredito que vai crescer bastante.

Está feita a edição de hoje de "E o Campeão É". Amanhã estamos de regresso também com a antevisão desse Porto PSV.