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Bem-vindos a mais uma edição de "E o Campeão É". Hoje, em que se assinalam oito anos da vitória de Portugal no Euro 2016. Já vamos ao jogo de ontem entre a Espanha e a França e ao craque Lamine Yamal, mas ia começar por aí numa ronda rápida. Gabriel Alves, oito anos depois da vitória, a seleção portuguesa deu passos em frente ou nem por isso?

Oito anos depois da vitória, esperava-se mais da seleção portuguesa. Não que conquistasse títulos, porque estão lá outros adversários também de grande qualidade, mas que fosse mais forte na discussão desses títulos, que chegasse mais lá. E a verdade é que não chegou mais lá, a não ser na Taça das Nações, que também venceu. Portanto, está como naquele poema do quase, quando não precisava de ser quase, precisava de ser mais.

Mariana Fernandes, a mesma questão. Oito anos depois, o balanço.

Eu acho que-

Riso nervoso.

Sim, é um riso nervoso. Eu acho que o Gabriel resumiu bem. É óbvio que ninguém esperava que depois daquela vitória no Europeu, Portugal desatasse a conquistar todos os campeonatos da Europa, todos os campeonatos do mundo, todas as casas, todas as finais. Também era muito improvável e não era por aí. Agora, se calhar esperava-se que Portugal tivesse chegado a outra final. Esperava-se que Portugal tivesse chegado às meias-finais deste Europeu, tivesse chegado às meias-finais do Euro 2020. Eu acho que é um pouco mais por aí, não necessariamente, obviamente, a conquista de títulos, porque como o Gabriel explicava, existem adversários, não somos os únicos a competir. Mas eu acho que tendo em conta a geração que se criou a partir daí, quase a matar desse borrego nessa altura, nessa final, portanto, a ideia de que nós também conseguimos lá chegar e também conseguimos ganhar, esperava-se um pouco mais. Esperava-se mais finais, se calhar. Esperava-se mais disputas diretas-

Estar mais perto da taça

...por troféus. Um pouco mais de sofrimento e acho que temos tido, infelizmente, pouco sofrimento, porque ficamos pelo caminho demasiado cedo.

Ou sofrimento negativo, só que é muito precoce. Pedro Henriques, a mesma pergunta, o balanço destes oito anos.

Podemos abordar isso de várias maneiras. Eu diria que uma das questões, para mim, mais relevante e importante, é que nós não evoluímos ao nível do mais relevante e importante, que é o selecionador. Eu acho que essa é que é a questão. Depois do Fernando Santos, com o seu estilo, e a ter resultados, e depois de ter havido ali uma decisão, porque se via claramente que o problema não estava já nos títulos conquistados, mas era com este talento tem que se jogar mais, ou seja, a qualidade do futebol praticado tem que ser superior e parecia que isso não acontecia. E a ideia era que era um pouco culpa do selecionador e das suas opções, nomeadamente nos 11 e nas substituições, e nós percebemos claramente que não evoluímos, mas não evoluímos por culpa própria, não evoluímos porque fomos puxar um selecionador que já era isto. Pôs a Bélgica em número um, a ganhar todos os jogos àqueles clubes que estão ao nível aqui da minha terra, do Alcaínça, e depois quando chega a jogar nos momentos decisivos, não conseguem ganhar. E portanto, já se sabia que era assim. Havia, se calhar, a esperança que ele podia mudar, não mudou. Continuamos mais no mesmo, temos qualidade individual, temos muito talento, falta exatamente jogar um pouco mais e produzir outro tipo de futebol. Não é ganhar títulos, como foi aqui dito e muito bem, mas era produzir outro tipo de futebol. Isso não está a acontecer, mas a minha esperança é que vai haver eleições e toda uma grande parte de quem neste momento está à frente da Federação Portuguesa de Futebol vai mesmo ter que se ir embora, inclusive a arbitragem, e a minha esperança é que quem vier dificilmente vai fazer pior.

Luís Pinto Coelho, esperava-se mais nestes oito anos?

Eu divido aqui em dois patamares diferentes. Tivemos a Liga das Nações, que foi logo um sucesso a seguir ao Europeu. Eu acho que nos Mundiais podíamos ter feito um pouco mais, principalmente fomos eliminados por aquele Uruguai que estava numa fase de transição para uma nova geração, e depois por Marrocos. Nos Europeus, eu acho que perder em pênaltis com a França, sendo superior à França nesse jogo, não me parece que seja algo muito questionável. Acho que é difícil. E no último Europeu, para mal dos nossos pecados, o Roberto Martínez é fraco, mas eliminou Portugal no último Campeonato da Europa. Por isso, acho que o problema não é esse. Acho que o problema nem é um problema, acho que Portugal tem talento como os outros têm. Eu não acho que Portugal tenha muito mais talento do que algumas outras seleções. Podemos aqui e acolá ser um pouco mais competitivos, mas eu olho para o copo mais cheio do que vazio.

E por falar em olhar para o futuro, a Espanha venceu ontem a França por 2 x 1, com um nome em destaque. Gabriel Alves, estamos a ver um novo fenômeno do futebol?

Felizmente, temos um futebolista que traz o romantismo ao futebol. Que traz o apetite para o futebol, traz a arte, a execução, o movimento, a inteligência da ocupação dos espaços, o repentismo que desafia a imaginação, a criatividade, que empolga a utopia do futebol. 16 anos de arte, maravilha. Pois bem, e depois há quem devia estar calado. O Radiou, naturalmente, devia estar calado, está em casa, porque andou para aí a dizer: "Se Lamine quer jogar uma final, terá que fazer mais coisas do que fez até agora". Pois claro que sim. Olha, foi na tua cara. Toma lá. Ora bem, esta super Espanha trouxe um projeto de futebol espetáculo e que está a executar e encantar neste campeonato da trigonometria tática, não é da aritmética. É aquela coisa muito difícil. E executa-o com jovens sedentos de presente e futuro numa verdadeira equipa, onde os processos são executados tendo em mira uma coisa que é fundamental: o gol, o futebol de área. Em ataque, coloca lá na área quatro jogadores, no mínimo. É um futebol vertical, com dinâmica de extremos, dois meninos, um de 16 anos, um portento de arte, que já o dissemos, e futebol, o tal Lamine Yamal, e o outro aquele rapazinho perigoso a jogar a bola. Vejam como o Nico desenvolve aquele espanto de verticalidade e velocidade em busca da baliza. É um meio-campo na Espanha, glorioso no eixo que tem Rodri, um jogador maduro, um grande futebolista, aquilo que se chama patrão. Tudo começa ali. A dinâmica do jogo fiesta é ali que se conquista. E Fabian é o pulmão que enche os espaços e dinamiza os movimentos. Olmo Que substitui Pedri, um menino outro, fantástico, magoado. Enfim, é outra história. Lamenta-se. Mas Olmo é inteligência em constante envolvimento entre linhas nos desequilíbrios seguidos que provoca. Primeiro jogador de La Roja a marcar em três encontros seguidos. Quanto a Morata, aquele capitão todo-o-terreno está onde a formação precisa dele, isto é, a equipa desde a condição defensiva à condição ofensiva numa entrega total. E depois temos aquele futebol exterior com muita arte, que já falámos, mas há o saber em futebol interior onde se finalizam os momentos cruciais. Uma boa inserção dos defesas laterais com os extremos e dos centrais em avanços de criação de linhas de superioridade numérica face ao adversário, perfurando espaços e oferecendo pressão na busca do futebol de ataque. Laporte? Dizia-se tanto do rapaz que é francês, mas joga em Espanha, mas que foi criado no País Basco, especialista na função. No primeiro passo ontem teve 83 intervenções, 76 passes com 69% de eficácia e depois teve 16 passes com Rodri e 24 com Cucurella. Explica bem toda a harmonia do jogo. Pois é, é assim, mais um grande jogo da Espanha, esta é que é a verdade, e tem lá um treinador. Tem sim um treinador, que é psicólogo e professor, mas é um treinador, chama-se Luis de la Fuente.

E a Espanha está mesmo na final. Mariana Fernandes, acaba por ser uma surpresa, ou seja, à partida para o Euro não havia tanta expectativa sobre esta seleção, não era a principal favorita, mas assim que começou a jogar...

Sim, eu acho que a Espanha conquistou ao longo do Europeu esse estatuto de grande favorita. Eu acho que ali já na segunda jornada da fase de grupos, todos dizíamos: "Não, a Espanha vai limpar isto e vai ganhar o Campeonato da Europa". É certo que ainda falta um jogo e é verdade é que ainda falta até um adversário, porque ainda não sabemos quem é que ganha hoje a outra meia-final, mas eu acho que Espanha nesta altura tem todo o favoritismo pela simples lógica de ser a melhor equipa de futebol que está neste Campeonato da Europa. Ou seja, enquanto que outros não conseguiram propriamente representar esse favoritismo ou não conseguiram cumprir esse favoritismo, tanto a nível individual ou coletivo, a Alemanha, Portugal, França, a própria Inglaterra e os Países Baixos, que estão nas meias-finais, mas que também não estão a fazer o mesmo Campeonato Europeu, nem de longe, que Espanha está a fazer. E Espanha acaba por conseguir esse favoritismo por mérito próprio, não é por demérito dos outros, é por mérito próprio. É a melhor equipa que está neste momento no Campeonato da Europa, é a equipa que está a ser também melhor treinada no Campeonato da Europa, com processos muito simples, com sistema tático muito simples, sempre o mesmo, sempre a jogar da mesma maneira, muito assente em dois extremos muito jovens, o Lamine Yamal, mas também o Nico Williams, que está a fazer um Europeu extraordinário, um avançado com muita experiência, que goste-se ou não, é o capitão daquela equipa e é a grande referência ofensiva, que é o Morata, um meio-campo muito sólido. Quando sai o Pedri, entra o Dani Olmo e é um dos melhores jogadores em campo ontem. Portanto, é uma equipa que está muito bem construída, mesmo nas suas segundas linhas. Não tinha à partida, se olhássemos para esta convocatória, enormes individualidades, mas a verdade é que tem jogadores que neste momento estão a ser dos melhores do Europeu. O Nico, o Yamal, o próprio Fabián Ruiz, que parece sempre um jogador um bocadinho desvalorizado, digamos assim, até no próprio PSG, que está a fazer uma grande competição. Portanto, é a melhor equipa e parte para esta final como grande favorita. Pode correr tudo mal e podemos estar aqui na segunda-feira.

Se pensam que joga melhor, ganha a final.

Exatamente. Devemos estar aqui na segunda-feira a falar sobre a grande surpresa que é a Inglaterra ou os Países Baixos serem campeões da Europa. Mas eu acho que não, acho mesmo que Espanha vai carimbar este favoritismo todo.

Até não sei se vou dizer uma barbaridade, mas o Fabián Ruiz era habitualmente suplente de Vitinha no PSG, salvo erro.

Sim. Foi durante toda a temporada. Aliás, não era propriamente um dos jogadores cartaz desta seleção, muito longe disso. E a verdade é que está a ser um dos melhores jogadores de Luis de la Fuente.

Pedro Henriques, sobre este jogo, mas também queria-te perguntar sobre o discurso de Mbappé, que ontem assumiu que realmente não esteve a grande nível e que o resultado disso foi a eliminação de França.

Olha, coisas graciosas. Em primeiro lugar, estou preocupado com o nosso colega Luís Pinto Coelho, que está em modo Roberto Martinez, onde há o caos, consegue ver coisas positivas, mas fico feliz. Alguma coisa boa está a acontecer na vida, que ele está muito positivo com o Roberto Martinez e esta malta toda. Mas quanto em relação ao Mbappé, ontem também já tínhamos aqui falado sobre isso, eu acho que ele reconhece que não faz realmente um grande Europeu e está desiludido com ele próprio. Eu acho que não é indiferente aquilo que aconteceu. Ontem tinha abordado isto aqui, teres feito uma lesão daquelas, estar uma marcha aquilo não ajuda, nada. E quem andou lá dentro sabe perfeitamente que quando tens uma pequena lesão, o foco já não está naquilo que tens que fazer, no jogo propriamente dito, e eu falo por mim como árbitro de futebol, e o foco está: "Vamos lá ver se isto não rasga outra vez, vamos lá ver se isto não piora, vamos lá ver". E estás a defender e obviamente que perdes no resto. E eu acho que ele também acaba por ser prejudicado por aquele primeiro jogo e por aquela lesão que acaba por ter no nariz. Contudo, mas sim, foi um bocadinho de desilusão. Ele conhece isso, a França é sempre candidata a tudo. Em relação à Espanha, dizer que a Espanha, em termos de votação, quando iniciou o campeonato, a favorita número um, caso não se recordem, era a Inglaterra. E nós achávamos todos que era a França pelos jogos jogados, mas a Inglaterra é que estava colocada em primeiro lugar, depois a França, e depois a Alemanha, e depois a Espanha e só depois Portugal e depois os Países Baixos. A maior parte das casas de apostas estavam neste andamento, enquanto a Espanha era favorita.

Pedro, então estás-me a dar razão. Afinal, Portugal não era assim tão favorito.

Não, em termos de casas das apostas, para mim, eu lá estou, para mim a França era o mais favorito e Portugal, pela primeira vez, era a equipa que estava logo a seguir da França. São duas coisas distintas. Uma coisa é o que dizem as casas de apostas e aquilo que todos apostam. Outra coisa é a pressão individual, que curiosamente todos nós aqui neste programa do "Campeão" dizíamos: França número um, mas Portugal apresenta-se como nunca se apresentou para esse favoritismo. Portanto, é um bocadinho por aí, mas continuamos bem, continuamos positivos. E termino só com isto, que é dizer o seguinte: neste momento o mundo curva-se perante, eu gosto de ver o futebol de todas as formas, o grande golo do Nino e que realmente contra a França está espetacular. Noutra qualquer outra atividade, neste momento, o Ministério Público estava a investigar como é que uma criança de 16 anos Estava a trabalhar às 11 da noite. Isto remete-nos para um problema que não é assim tão menor relativamente àquilo que é o futebol no contexto geral. Para umas coisas as leis existem para o trabalho e os impostos, e depois para as outras não existem. E remete-nos para um aspeto que é: é certo? Será que ele tem boas etapas todas? Será que isto é bom para o desenvolvimento dele? Neste momento é fantástico, é um jogador que a gente nem percebe que ele tem 16 anos, mas remete-nos para um pensamento muito mais profundo daquilo que é o futebol, o desporto de uma forma geral, e depois a alta competição, o alto rendimento e o vale tudo para se conseguir efetivamente. E agora daqui esticamos para os Jogos Olímpicos e para algumas crianças também lá vão, sobretudo nas ginásticas, etc. Isso remete para até que ponto é que este mundo está bem ou se calhar estamos a exceder limites que não devíamos ter.

Luís Pinto Coelho, a França acaba por desiludir ou é natural que perante este poderio de Espanha, o resultado acabe por fazer todo sentido?

Se olharmos para os resultados, a França é sempre candidata, quer a títulos europeus, quer a títulos mundiais, por isso ficar pelo caminho é sempre uma desilusão para os franceses. Eu acho que ontem o jogo prova muitas coisas do futebol, que é a França entra bem, faz um zero, pode fazer o dois zero, e depois o talento individual de dois jogadores, principalmente o Yamal, coloca a Espanha no jogo e a partir daí a Espanha sentiu-se confortável. E esta Espanha tem algo diferente que não tinha no passado. Sempre controlou muito bem a posse de bola, mas era pouco vertical e objetiva. E com Yamal e Nico Williams, tem isso e libertou esse talento individual. E depois há um outro pormenor que me parece aqui vital, que é os minutos ao longo da época. Fabian Ruiz, o próprio outro jogador do meio-campo, está-me a faltar agora o nome, o Dani Olmo, são jogadores que têm 2000 e poucos minutos na época, estão frescos fisicamente e mentalmente, e isso nota-se na forma solta que a Espanha está a jogar. É uma seleção jovem e que tem poucos minutos nas pernas ao longo da época. Portugal, Inglaterra e França têm muitos mais minutos e isso fez-se sentir um bocadinho neste campeonato.

E hoje há duas equipas que vão lutar por estar na final frente a Espanha. Gabriel Alves, entre Países Baixos e Inglaterra, quem é que parte com favoritismo?

Eu diria que é uma luta bonita entre tulipas e rosas. E aquilo que apetece dizer é que seja um jardim bonito de futebol. Mas acho que Koeman, com aquele seu ar de bom nasceu, e ainda bom discípulo daquilo que era a laranja mecânica, poderá levar vantagem sobre o banqueiro conservador que é Southgate. E depois temos alguns duelos que me parecem, saco aqui dois, que podem ser engraçados, que é entre o Bellingham e o Gakpo e aquele entre o Dipay e o Saka. Portanto, deem asas, deixem que as equipas, de facto, espetem. Portanto, se soltem e que haja logo à noite romantismo no futebol.

Veremos se vamos ter artistas para isso. Mariana Fernandes, entre Inglaterra e Países Baixos, é Bellingham e mais 10, isto resulta ou não?

Não tem sido. A questão é que não tem sido Bellingham e mais 10. Começou bem. A verdade é que começou bem o Campeonato da Europa, tem vindo a cair, como aliás toda a equipa. Ninguém tem estado propriamente bem naquela equipa a nível individual. Bellingham também não tem conseguido estar. Ou seja, é certo que às passes, quando tem a bola nos pés e quando levanta a cabeça, é um jogador completamente diferenciado e isso nota-se e movimenta a equipa de Gareth Southgate, mas não tem estado ao nível demonstrado ao longo da temporada no Real Madrid. Eu acho que isso também explica, obviamente não explica tudo, mas explica também o porquê de Inglaterra não estar a conseguir atingir todo o potencial que à partida tinha. Eu acho que os Países Baixos partem com favoritismo para esta meia final, porque têm sido melhores. Ou seja, se virmos os jogos de Inglaterra e os jogos dos Países Baixos, a equipa de Ronald Koeman tem sido melhor. Conta com Gakpo, que parece que quando veste a camisola da seleção é muito melhor do que quando veste a camisola do Liverpool, está em grande nível. Tem vários jogadores que estão neste momento a contribuir de forma, se calhar, superior àquele que se achava, a questão mesmo do Reijnders no meio-campo. Não é propriamente um jogador muito conhecido, não é um jogador da primeira linha do futebol europeu e está a fazer um grande campeonato da Europa. Portanto, eu acho que os Países Baixos partem com vantagem. Acho que vão estar na final de domingo contra a Espanha. Agora, é voltar ao mesmo. Ou seja, nada nos impede de estar aqui amanhã a dizer: "Olha, que grande surpresa, a Inglaterra venceu os Países Baixos". Portanto, tudo depende daquilo que acontece em campo. Agora, acho que sim, acho que os Países Baixos merecem e são melhor equipa do que a Inglaterra.

Partem com esse favoritismo. Pedro Henriques, face àquilo que se esperava no arranque do Euro, os Países Baixos podem surpreender a Inglaterra?

Eu diria o seguinte, eu acho que vai dar empate o jogo, portanto, estamos perante uma situação de empate de 90 minutos, na minha opinião, mas também acho que os Países Baixos são claramente favoritos por aquilo que é a produção de futebolística. E por isso também diria que, afinal, a Espanha vai ter os Países Baixos. Agora, vamos lá ver se a Inglaterra, que realmente e claramente não tem produzido um futebol que agrade, não estará aí em modo Fernando Santos, na perspetiva de devagarinho, com um gol no fim, com mais isto, com mais aquilo, e de repente aparecem ali na final e depois sabemos como são as finais. Mas claramente, em termos de futebol produzido, os Países Baixos estão, no meu ponto de vista, a um patamar acima da Inglaterra.

Luís Pinto Coelho, a Inglaterra vai finalmente “it's coming home” ou nem por isso? Ou vai ser surpreendida pelos Países Baixos?

É difícil dizer, porque a Inglaterra tem muito talento individual e em qualquer jogo pode decidir, e como já decidiu, até estava praticamente eliminada e o Bellingham fez aquele gol de pontapé de bicicleta. Os Países Baixos estão melhores. Parece-me uma equipa mais confiante, mais solta, mais atrativa até para o espetador. Acho que pode ser um belo jogo, porque os jogos com os Países Baixos têm sido muito interessantes. Com a Turquia foi um jogo muito engraçado de se ver. E eu aposto nos Países Baixos. Apostei na vitória dos Países Baixos, mas é sempre um jogo 50-50. Neste momento, mesmo a Inglaterra não estando tão bem, é sempre uma seleção perigosa.

Veremos então o que vai dar esse jogo e amanhã cá estaremos para analisar o resultado. 30 segundos para cada um, ronda final, campeão do dia de hoje. Gabriel Alves, quem é o teu?

O meu campeão, vou deixar o Luís Lafuente, por aquilo que está a fazer e por aquilo que ele disse ontem: "Conheço muito bem os jogadores que trago para a seleção, porque estão comigo há muitos anos. Eles foram campeões em tudo nas categorias inferiores e sei do que são capazes. Desde que fui nomeado, tive a clareza do caminho e os jogadores com quem o iria percorrer." Lendo isto, lendo essas declarações de Luís Lafuente, lembrei-me de dizer e respeito muito a pessoa de quem vou falar, porque tenho enorme apreço pessoal e profissional pela pessoa que é. Rui Jorge, assume-te! Certamente Portugal agradecer-te-á.

E vamos seguir para Mariana, quem é o teu campeão de hoje?

Fugindo aqui um bocadinho ao Europeu, a Espanha, o Lamine Yamal e essas coisas todas, dar aqui, por agora, um 16 ao Carlos Alcaraz, que está nas meias-finais de Wimbledon, vai jogar contra o Medvedev. Tem um jogo extraordinário contra o Frances Tiafoe na terceira ronda, em que está a perder, parece que tudo vai correr mal, consegue dar a volta, tem depois um jogo um bocadinho mais fácil, digamos assim, com o Hugo Humbert, mas acaba por ter aqui mais uns quartos-final muito complicados, perde o primeiro set com o Paul e acaba por ganhar os três seguintes para chegar às meias-finais. Está a fazer um Wimbledon fantástico depois de ganhar Roland-Garros, depois de um início de temporada que não foi assim tão positivo. Tudo pode correr mal. Voltamos a bater na mesma tecla, tudo pode correr mal já na sexta-feira, na meia-final contra o Medvedev, mas acho que não. E acho que vamos ter Djokovic e Alcaraz na final.

É a final desejada por muitos. Pedro Henriques, o teu campeão de hoje, quem é?

Nota 18 para a Espanha, que está na final por mérito, está na final porque é a melhor seleção a praticar futebol e está na final por uma coisa muito simples: é talvez das poucas seleções que sabe que o golo é a coisa mais importante do jogo. Sabendo isso e trabalhando para isso, tudo é diferente. Por isso, claramente, nota 18 para a Espanha, que joga para marcar golos.

Depois dessa vitória de ontem, Luís Pinto Coelho, o teu campeão de hoje?

Vou dar um 18 para o Rodrigo Mora, que renovou contrato com o Futebol Clube do Porto. Ele é o meu Yamal e por isso espero que seja uma peça importante no futuro do Futebol Clube do Porto. Tem um talento absolutamente brutal e é importante esta renovação e o carinho que parece que está a ter de toda a estrutura do Porto para que possa crescer sustentadamente e que não passe por algumas das coisas que estão a passar outros jovens no Futebol Clube do Porto, que são de tentar desviar os jogadores nesta idade e criar todos esses problemas. Por isso, um 18 para esta renovação.

E para já está blindado. Luís Pinto Coelho, Pedro Henriques, Mariana Fernandes e Gabriel Alves no "Campeão É". De hoje.