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E o "Vencedor é das manhãs", 360 até perto das 9. Damos notas aos protagonistas da atualidade e pra isso, Luís, esta quinta-feira juntam-se a nós a Helena Matos, a Sara Antunes de Oliveira e Alexandra Machado.
E hoje há novos movimentos e também mais uma invasão de boys, mas começamos pela reunião de ontem sobre o INEM. Sara, o que é que retiras do encontro que aconteceu ontem no Ministério da Saúde?
Tiro uma nota positiva pra ministra da Saúde, Ana Paula Martins, fez da própria missão evitar esta greve a todo o custo, até o último segundo, disse ela aos jornalistas. E acho que faz muito bem. Aliás, não é esta greve, são estas greves, duas greves, duas segundas-feiras, são os dias da semana em que o INEM recebe mais chamadas e, portanto, não estamos a falar de uma coisa qualquer. E o problema aqui é que parece muito evidente que o problema entre as duas partes, entre o INEM e o sindicato, não são só as propostas de mudanças no próprio INEM, não são só as reivindicações. Há um problema de relação do Sindicato dos Técnicos de Emergência Médica com o presidente do INEM. Até já há uma queixa em tribunal, porque o sindicato ficou muito ofendido, porque Luís Cabral disse que havia interesses partidários ocultos. Claro que não, como é evidente que não, nem neste, nem noutro qualquer sindicato, como sabemos, o que seria é uma ofensa gravíssima e, portanto, como é evidente, vai tudo parar a tribunal. E também por isso a reunião de ontem terminou como nós sabíamos exatamente que terminaria, como toda a gente supunha que terminaria, que é sem acordo. O sindicato pôs-se aqui numa posição de sequestro do governo e do INEM. Não só marca duas greves, não marca uma pra ver o que é que acontece, marca duas greves, mais uma vez em duas segundas-feiras, como depois diz, na saída dessa reunião, que o que aconteceu na reunião foi: o sindicato teve a oportunidade de clarificar as suas reivindicações. Portanto, obviamente, não se moveu um milímetro daquilo que acha que deve acontecer. E a outra parte aproximou-se e deixou cair as duas grandes medidas que estavam aqui a levantar este problema, este diferendo. E, portanto, o INEM deixa cair dois dos problemas pra o sindicato. O sindicato limita-se a explicar exatamente o que é que quer e agora vai ver, o INEM vai detalhar essa contraproposta, vai enviar e o sindicato vai ver se deixa cair as greves ou não. E, portanto, no meio disto, no meio de todo este ácido que anda aqui dentro do INEM, a ministra, de facto, não tem alternativa a não ser fazer tudo o que puder até o último segundo e fazer aquilo que também já disse que ia fazer, que é convocar já, definir já, pedir já a definição de serviços mínimos pra evitar que aconteça aquilo que aconteceu há dois anos, em que muitas pessoas ficaram sem o socorro que deviam ter tido. Pra que isso não aconteça, Ana Paula Martins promete tomar as medidas adequadas e acho que faz muito bem, por isso a minha nota é um 14.
Um 14 para Ana Paula Martins. Alexandra, ontem ficámos a conhecer mais um movimento na política portuguesa, que surge desta vez pela mão do socialista Miguel Costa Matos, mas que, pelos vistos, pretende ir da esquerda até Isaltino Morais.
Isso é o que parece, na realidade, porque há muito pouco do outro lado neste movimento. Aliás, basta olhar para os 170 subscritores que lá se encontram pra se ver que há muito PS neste movimento. Vi muito governo de António Costa ali plasmado. Aliás, eu até vi lá um António Costa e até fui lá pesquisar, afinal era um médico dentista. Mas há muito governo de António Costa, há muita ala, há muito aquela ala mais à esquerda do PS naquele movimento fundado por Miguel Costa Matos, que se chama Instituto Progresso, que quer ser um grupo de reflexão, mas diz que quer até ser mais do que isso, quer ser um do tank, para ser um fazedor, tá muito na moda. E promete estudar vários temas e lançar projetos pilotos na sociedade em áreas que não refere quais. Na realidade, pouco se sabe sobre se há áreas específicas que vão começar por analisar e o que é que vão, em concreto, estudar. Muito a favor destes movimentos, sou muito a favor de movimentos que partam da sociedade civil, que é coisa que este não parte da sociedade civil, parte de vertentes políticas. O Instituto Progresso parece ser assim um misto entre um movimento socialista e uma associação acadêmica, porque Miguel Costa Matos fez bem em ir buscar muitos jovens que serão eventualmente líderes futuros deste país. Tem um conjunto de jovens que podem vir a dar cartas no futuro, mas depois tem Isaltino Morais, Adão Silva e Duarte Pacheco. E estes três nomes são os tais associados. Isaltino Morais já não tá associado ao PSD, mas gravita ali naquela órbita. Mas são três nomes que não são mais do que os usados do PSD e por isso não se pode dizer que seja um movimento tão abrangente quanto se quer mostrar. Não consigo ver muito bem como é que alguns daqueles subscritores depois vão entender para concordarem em temáticas a analisar em projetos piloto. Estarei cá para ver isso, mas vê-se o que se está a passar agora com o estudo sobre a Segurança Social, que é usado para fomentar extremismos ideológicos e, portanto, eu também não estou a conseguir ver como é que algumas daquelas pessoas que subscreveram o manifesto vão conseguir entender-se, sequer quanto às áreas temáticas a estudar. E não é pelo manifesto. Estive a ler com atenção o manifesto e não se percebe muito bem qual é o caminho daquele grupo, que se assume sem espartilhos ideológicos, com vontade reformista. Lá vem a vontade reformista. O manifesto tem uns soundbites interessantes, mas que revelam pouco. Frases bonitas, que são fáceis, obviamente, de alguém aceitar e de subscrever, mas falta ver o que aí vem. Uma última palavra para a postura de José Luís Carneiro, que quis minimizar o impacto que este grupo pode vir a ter, mas há claramente concorrência interna no PS.
Pois, essa era uma das questões que se colocava.
Talvez a mais interessante até, no meio disto tudo.
Obrigada, estou aqui a falar há cinco minutos. Ainda bem que cheguei.
É o corolário de saber como é que um movimento com estas características e com estes subscritores se propõe a ter alguma influência, se não for de alguma forma contra ou pelo menos em concorrência com a atual liderança. Estará José Luís Carneiro disposto? Ele disse que sim. Está recetivo.
Ele não podia dizer outra coisa. E aliás, o facto de Luís Soares, seu chefe de gabinete, estar neste grupo.
Não és tu.
Não sou eu.
Não és tu, pois, é verdade. É o tal António Costa, António Costa, Luís Soares, Luís Soares. O facto de Luís Soares estar neste movimento quase que é para ver o que se vai passar internamente.
Está ali a funcionar como um espião infiltrado.
Exatamente, um espião infiltrado. Mas isto, para José Luís Carneiro, não vai ser pera doce. E claramente acho que é um crescente de concorrência interna que se vai começar a notar numa altura eventualmente menos boa para José Luís Carneiro, que está a preparar o seu caminho para as eleições legislativas.
Sejam elas quando forem?
Sim, sejam elas quando forem, mas José Luís Carneiro está já a fazer essa preparação e este movimento vem nessa altura em que o próprio José Luís Carneiro está a lançar uns géneros de estados gerais, novamente do PS. E, portanto, José Luís Carneiro vai ter aqui um grupo que vai desafiar.
Helena, este movimento vai ter impacto nos atores políticos vários do nosso dia a dia da política portuguesa?
Sim, e há aqui outro ator que é o Presidente da República. Eu chamo a atenção para um título do Expresso, que não sei se corresponde ou não à realidade, que é: "Novo movimento quer falar para eleitorado que elegeu, portanto, o Presidente da República, António José Seguro." Nós estamos a falar de algo, António José Seguro foi eleito com mais de três milhões e meio de votos e, portanto, aquela maioria presidencial pode surgir como muito interessante. Eu não creio que ela seja recombinável para algo mais que para a eleição de António José Seguro contra André Ventura, mas é óbvio que António José Seguro não, penso eu, ao ler este título e ao ler algumas das notícias sobre este instituto, deve ter-se sentido ligeiramente incomodado, porque a questão da maioria presidencial que o levou a Belém é algo que ele sabe, porque esteve na política, esteve na política partidária, que surge como objetivamente muito interessante, se puder ser catapultada e transposta para outras eleições, coisa que eu não acho possível, mas não é por isso que não deixa de ser um fator de pressão sobre António José Seguro. E portanto, é uma espécie de movimento recorrente de lembrar a António José Seguro que ele veio da esquerda e que é de esquerda, e de uma determinada esquerda. Ao lembrar-lhe isso, penso que será algo que não o deixará extraordinariamente confortável. Até porque este movimento, e é curioso a Alexandra referir isso aqui, ele apresenta-se e diz que pretende ir até algumas figuras de direita, mas quando nós vamos ao manifesto, aquilo que encontramos é o invocar de algo que há muito tempo ou há algum tempo, historicamente o PS tinha deixado de fazer, não só porque é um erro histórico, mas também porque é o recordar de um momento absolutamente fraturante e desperdiçado na história de Portugal. Estou a falar da Primeira República. Ele se refere: "Portugal, na sua história, conheceu momentos decisivos do resultado da aplicação acumulada da razão." O constitucionalismo subordinou o poder à lei. A República consolidou a soberania popular e a separação entre a Igreja e Estado, e depois o 25 de Abril devolveu-nos a democracia. Se isto é absolutamente verdade sobre o 25 de Abril, sobre a República, que eles nem sequer põem primeira. Não se pode dizer que a Primeira República tenha consolidado a soberania popular e sequer a separação entre a Igreja e o Estado. Realmente, a Primeira República, que aqui não está sequer identificada como primeira, não consolidou a soberania popular, aliás, restringiu até a base eleitoral e, portanto, nunca conseguiu ser isso. Não percebo o porquê desta invocação. Há aqui, por um lado, uma invocação de uma memória. Eles aliás dizem que cada um destes momentos partilhou dois traços, foi uma decisão deliberada e não um acaso da história. O que este Instituto Progresso, de facto, quer? Tem declarações no sentido de conseguir chegar a figuras de centro para direita ou do centro, mas, por outro lado, o seu discurso, nomeadamente neste manifesto, é muito mais radical e muito mais deslocalizado. Não quero dizer radical, muito mais deslocalizado para a esquerda. Quem é que sobra no meio disto tudo? O homem que conseguiu os votos de toda esta parte e que se chama António José Seguro. Portanto, se é certo que, como a Alexandra referia, isto pode ser incómodo para José Luís Carneiro, também achei interessante aquilo dele vir dizer que não era também agora para estar sempre a aparecer, a falar. Não foi assim que ele se referiu, mas sim, preocupado com a visibilidade que este instituto possa vir a ter, mas isso está-lhe na mão muito mais controlá-lo. Ou seja, ao líder do Partido Socialista pode restar habilidade para controlar este instituto ou para não se deixar apanhar nas intervenções que venha a ter. Para o presidente da República, isso é muito mais difícil. Eu tenho me habituado a seguir, há muitos anos, os títulos do Expresso, sobretudo nestas áreas presidenciais, não tanto como dando notícias, mas como muitas vezes retratando situações aspiracionais. Agora que as fontes de Belém parecem estar secas, porque António José Seguro é um homem muito diferente de Marcelo nessa matéria.
É que ainda estiveram os dois lado a lado ontem, estiveram a almoçar, pelos vistos.
E pelos vistos não chegou nada cá fora, o que já é uma diferença substancial. Agora, o que pode começar a haver é uma espécie de pressão sobre Belém, porque António José Seguro não é apenas o homem que teve mais de 3 milhões e meio de votos, é o homem que é de esquerda e uma certa esquerda vai querer lembrar-lhe isso muitas vezes. Portanto, vamos ver. Não sei se António José Seguro recebeu esta notícia da criação deste instituto com particular tranquilidade, porque para ele não lhe basta o talento, como eu acho que pode bastar a José Luís Carneiro. Não estou a dizer que o tenha, estou a dizer que lhe pode bastar, embora seja difícil gerir isto. Em relação a António José Seguro, este é um escolhozinho no seu caminho, porque a tal maioria presidencial é feita de muitas partes.
E a tua nota então vai para quem?
Vai para António José Seguro, o homem que secou as fontes de Belém, metaforicamente falando.
Que são as noticiosas, não as de água.
Não as que dão água aos passarinhos que acho maravilhosas naqueles jardins. Eu sei que a mulher dele está no setor farmacêutico e, portanto, precisa sim daquelas coisas que reforçam a calma das pessoas. Portanto, estará certamente bem aconselhado. Eu dou-lhe um 13, que tanto pode ser um número de sorte como de azar para lidar com isto.
Nós estamos com notas altas. Alexandra, a tua nota vai para quem neste tema?
Eu, apesar de tudo, vou dar nota ao Miguel Costa Matos, porque os movimentos acabam por ser bem-vindos, quer seja por ambição política do próprio deputado ou não. Também é legítimo que ele o faça nesse seu caminho, mas não tentem vender que isto é um movimento da esquerda à direita. Mas por estes movimentos e reflexões da sociedade, eu vou dar, neste caso, só um 11, porque tem ali pessoas pouco recomendáveis, mas vou dar um 11 e também porque não sabemos muito bem o que é que vão fazer e ficamos à espera de saber que reflexões é que vão ser feitas neste grupo.
Reflexões e mais do que reflexões.
Jeto piloto.
É, e coisas para fazer. É o do think.
Exato. Não é fácil.
Daí optar pelo do em vez do think.
Exatamente.
Sobre estes movimentos, deixa-me dizer uma coisa, porque eles normalmente são apresentados como livres de amarras partidárias ou ideológicas, mas vêm sempre de dentro dos partidos. Já vimos uma coisa semelhante com aquele anúncio do João Cotrim de Figueiredo, também porque um movimento mais transversal, amplo, mas vêm pessoas que têm objetivos legítimos, ambições políticas, pessoais, que são legítimas, mas ao mesmo tempo lançam aqui uma sombra Se não de suspeita, pelo menos de alguma desconfiança em relação aos próprios partidos. Como se os partidos não conseguissem refletir, não conseguissem ter os mecanismos internos para fazer essa reflexão. É isso que se espera dos partidos. Olhando de uma forma um pouco mais severa para estes movimentos, eles seriam redundantes em relação aos próprios partidos. Não significa que não possam existir movimentos no interior dos próprios partidos, à margem até das lideranças, com gente vinda da sociedade civil. Não parece exatamente que seja este o caso, mas lança uma sombra de desconfiança quanto à capacidade dos partidos de promoverem essas próprias-
E normalmente são lançados por pessoas divergentes das lideranças. Aliás, Rita Matias, agora, do Chega também vai fazer parte do movimento. Rita Matias, nos últimos tempos, também houve umas fricções internas com André Ventura.
Mas o que eu acho que é mesmo importante, desculpe-me logo, é que trabalhem, porque eu percebo que está aqui na cabeça de toda a gente, ou de algumas destas pessoas, o impacto que tem tido o Mais Liberdade, que se pode dizer que está mais associado aos liberais, mas a verdade é que o Mais Liberdade apresenta estudos, apresenta trabalho e muitas vezes pode dizer-se: "Bem, os estudos têm uma determinada perspectiva ou o trabalho que fazem, tudo isso." Mas fazem. O que acontece muitas vezes é que esse tipo de movimentos, de grupos, acabam por ser meramente declarativos e mais uma caixa de produção de declarações. Portanto, o que é importante é que comecem realmente a trabalhar e a apresentar estudos.
Sim, que alimentem, que deem aquilo que José Luís Carnide dizia, ótimos contributos, que os partidos sejam capazes de aproveitar. Não há nenhum problema que isso aconteça. Quanto a mim, o problema é outro, se calhar as intenções de muitos dos proponentes destes movimentos que estarão mais preocupados com o seu próprio futuro político do que propriamente com o dos partidos.
E falando em futuro político, nem de propósito, Bruno, há mais uma invasão de boys?
É uma pequena invasão de boys. Tem sido a norma, seja qual for o governo, seja de que partido for, e agora aconteceu aqui no Centro Distrital do Instituto de Emprego e Formação Profissional do centro do país, em que no início de agosto foram aqui nomeados novos diretores. E curiosamente, ou não, são todos militantes do PSD, foram nomeados em regime de substituição, ou seja, sem passarem pela avaliação da CRESAP, pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública. Há umas semanas o presidente da CRESAP tinha alertado para esta situação, não neste caso, obviamente, mas noutros, quando referiu que 85% das nomeações recaíam sobre dirigentes que já ocupavam o cargo em substituição. Portanto, aqui o regime de substituição é uma forma de pôr lá a pessoa que se pretende fazer uma nomeação direta, que depois, obviamente, quando é lançado o concurso, tem uma vantagem sobre outros candidatos. E o regime de substituição, que deveria ser exceção, torna-se regra. E torna-se regra porque convém, porque é fácil.
Pará-los.
Exatamente. No fundo, estão a fazer formação profissional on the job, e depois são nomeados. Isso acontece, tem acontecido em diferentes áreas. Aliás, "O Observador" aqui também há uns meses falou da substituição dos diretores distritais da Segurança Social, em que foram substituídos 15 dos 18 diretores distritais da Segurança Social, também em regime de substituição, na maior parte dos casos. E agora ouvimos o PS fazer críticas a estas substituições, mas na verdade, o que o PSD fez foi substituir diretores que tinham sido nomeados pelos governos de António Costa. Isto para dizer que nós sabemos que é assim que funciona, mas algum dia isto terá de deixar de acontecer. Digo eu, porque nós olhamos agora aqui para estas nomeações, bem aqui numa notícia da Revista Sábado, e temos três nomeações: a nova diretora do Centro de Emprego e Formação Profissional de Leiria, que acumula com a gestão dos centros de Figueiró dos Vinhos e de Marinha Grande, é fisioterapeuta na Unidade Local de Saúde de Leiria, não tem experiência nesta área do trabalho, mas o que tem é experiência política, é militante do PSD, ex-candidata autárquica do PSD e outro dos novos dirigentes, que neste caso é ex-deputado, também é professor do ensino básico, a sua profissão, não está ligado à administração pública, não tem experiência nesta área do emprego e vai também acumular a gestão, ser responsável por dois centros de emprego e formação profissional, no caso da Guarda e de Pinhel, e tem aqui como outra das suas valências o ter sido candidato à presidência da Câmara da Guarda nas últimas autárquicas, perdeu. E portanto, estes centros de emprego e formação profissional, na verdade, são mesmo centros de emprego para militantes.
E formação profissional.
E formação profissional, porque eles depois ganham essa bagagem que lhes permite, nos concursos abertos posteriormente, ter uma vantagem sobre os outros candidatos. Até se podem revelar pessoas com extraordinárias qualidades e competentes Mas algum dia isto terá de acabar. O que nós vemos é ciclicamente, muda o governo, mudam os dirigentes, mudam as nomeações. Depois aqueles que estavam no governo passam para a oposição e criticam estas substituições, mas na verdade continuamos nisto há décadas.
Deixa-me lembrar aqui o Hélder Rosalino, que foi secretário de Estado da Administração Pública em 2012, no tempo de Passos Coelho, escreveu um ensaio há poucos dias no Observador, muito interessante, a propósito da CReSAP e dessas nomeações, em que fazia um conjunto de sugestões para alterar a nomeação de dirigentes e uma delas era precisamente limitar os regimes de substituição, que são abusadamente utilizados por todos os governos, pelo poder político para nomear. E eu aconselho a irem buscar esse texto de Hélder Rosalino, esse ensaio, porque dá dicas importantes de como se deveria mexer no sistema da CReSAP, que claramente teve o seu papel, mas que está cada vez mais a morrer na praia. E achei interessante esta questão do regime de substituição, em particular de Hélder Rosalino propor que haja uma limitação.
Bruno, a tua nota vai para quem?
Eu vou dar um três.
Tinhas que estragar a média.
Eu tinha que baixar severamente. Tenho que dar um três, porque cada um dos novos diretores dos centros, é um para cada um deles. Mas um três, sobretudo, neste caso, para o governo, que é quem faz estas nomeações, que é um três, uma nota negativa extensível a todos os governos, porque fazem sempre o mesmo.
E fica por aqui este "Juvens Store", que está de regresso mais logo.
Hoje mais cedo do que o habitual, logo a seguir ao jornal das 16h, com notas da Judite França, do Alexandre Borges e do Nuno Gonçalo Poças. E é mais cedo porque às 18h40 entramos em emissão especial para acompanhar o Ares-Benfica.