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Começa agora o E o Vencedor É na Rádio Observador. É aqui que todos os dias pontuamos diariamente os protagonistas da atualidade. Hoje, André Maia, temos a sorte de ter aqui os dois participantes em estúdio.

Privilégio.

Temos conosco Luís Rosa, redator principal do Observador, e também Pedro Benevides, jornalista da TVI. A moderação é contigo, André Maia.

Bom dia, Luís Rosa, Pedro Benevides, como estão? Tudo bem convosco? O microfone desligado, não consigo ouvir os bons dias do Pedro.

Bom dia, agora sim. Este é um botão, eu estava aqui confuso.

Uma voz mítica que quero ouvir.

Mítica, exatamente. É isso mesmo. Puxar pela minha autoestima logo no começo do programa.

Mas quero perguntar se já começaram a colocar os efeitos na vossa casa. Efeitos de Natal, a árvore, as fitazinhas.

Ainda não. Eu sou aquele clássico do 1 de dezembro.

1 de dezembro, eu também. Também sou a equipa 1 de dezembro.

Começo logo em novembro.

Pergunto isto por quê? Porque ontem tivemos os primeiros efeitos na Assembleia da República, só que não foram de Natal. Tivemos tarjas a serem colocadas pelo partido Chega durante a discussão do Orçamento do Estado e esse vai ser um dos temas que vamos estar aqui a discutir no E o Vencedor É. Pedro Benevides, começo por ti. Queres falar da estratégia de comunicação do Chega? Foi uma estratégia acertada esta de, e André Ventura disse isso na discussão do orçamento, numa daquelas interpelações à mesa, que era uma estratégia de comunicação para o exterior, aquelas tarjas que foram colocadas. O que é que te parece?

Eu não sei se foi acertada, mas que foi eficaz, não tenho nenhuma dúvida. Nós podemos pensar o que quisermos sobre aquilo que se passou ontem e eu penso muitas coisas, nenhuma delas particularmente positiva.

Queres verbalizá-las também?

Sim, verbalizarei. Acho que aquilo foi um exercício de populismo rasca. Tu não deves lembrar, porque tu és novo.

Lembro, mas ando na mesma.

Sim, pronto, ficou pra história, talvez por isso. Havia aquela expressão que ficou famosa da geração rasca. Nem é à rasca. A tua frase é à rasca. Eu adoro que estejamos aqui a perder minutos a dizer esta palavra tão bonita. Eu pensei que ia passar por ela, mas não. Estamos aqui nisto. E de facto aquilo foi um exercício de populismo do mais rasteiro que nós vimos, porque a palavra vergonha que foi usada, que é clássica já no discurso do Chega, foi usada várias vezes naquele contexto e de facto aplicava-se no sentido em que havia muita vergonha daquilo que se estava a passar no Parlamento, um total desrespeito pelas instituições democráticas. Claro que isto faz parte do papel do Chega, que é apropriar-se daquilo que é o discurso popular do seu eleitorado e transformá-lo em ação política. E isto tem naturalmente riscos. Para já porque a questão dos salários dos políticos era um problema que tinha de ser resolvido rapidamente. Nós não estamos a falar, ao contrário do que o Chega diz, de aumentos salariais para os políticos. E até podíamos estar a fazê-lo, porque os políticos em Portugal não ganham bem e isso tem um risco, que é não conseguimos atrair talvez os melhores de entre a nossa sociedade para serem os nossos representantes no Parlamento, para serem os nossos legisladores, para pensarem e darem forma ao país que somos. E esse é um cargo de extrema importância, devem ser escolhidos os melhores e devem ser devidamente pagos para fazer esse exercício. Isto é o que eu penso. Mas aqui o que estava em causa nem sequer era isso, era apenas repor cortes salariais que tinham vindo dos anos negros da pré-troika e que ficaram durante a troika e depois ficaram assim porque os políticos não têm a coragem de resolver determinados problemas com medo da pressão da opinião pública. Houve finalmente aqui uma decisão corajosa que teve o apoio do maior partido da oposição, neste caso do PS, e depois o Chega veio apropriar-se desta questão fazendo o seu número habitual. São políticos a dizerem mal de políticos, porque basicamente é isso que eles estavam a fazer. Estavam eles próprios a colocar-se fora do papel de políticos, que é o deles, para criticar os políticos como os homens do poleiro que querem é sacar dinheiro ao povo enquanto o povo ganha mal. Portanto, um discurso muito rasteiro e que na verdade configura aquilo que é o objetivo político do Chega, que é destruir por dentro as instituições democráticas. Agora, aquilo que era apenas uma nota de rodapé passou a ser o assunto principal da aprovação na especialidade do Orçamento do Estado. Foi o assunto que abriu os jornais de todo lado, foi o assunto que manteve-se em manchete em todos os jornais que estavam a acompanhar o caso ao minuto, que centrou as atenções de toda a gente e à noite, depois, toda a gente estava a dissecar quanto é que afinal ganham os políticos, quanto é que não ganham, quanto é que não sei o quê. Portanto, do ponto de vista da comunicação externa, como diz o Chega, foi um exercício, apesar de lamentável, altamente eficaz. E como eu estou preso àquela lógica de dar boas notas, porque isto se chama o vencedor é, eu tive que encontrar aqui um ângulo para dar uma vitória ao Chega.

Então o vencedor é o Chega?

É o Chega, claramente. A estratégia de comunicação do Chega.

E que nota dás?

Vou dar um 14 porque apesar de tudo foi uma estratégia com alguma lama e eu não gosto de coisas sujas. Fica um 14, acho que é bom.

Luís Rosa, queres falar de André Ventura? Não sei se pelo mesmo tema.

Não vou dizer coisas muito diferentes. Se calhar daqui a pouco já vamos discordar um pouco, mas agora não vou dizer coisas muito diferentes do que o Pedro acabou de dizer. Acho que de facto o objetivo político foi alcançado, que foi pôr o país a discutir os salários dos políticos. Mas nós jornalistas estamos aqui também para dar esse contexto, que é: justifica-se que os políticos sejam aumentados. Estamos constantemente a dizer que a classe política é mal representada, que não vão os melhores para a política e as pessoas que vão para a política também têm que ganhar dinheiro, ninguém trabalha de graça.

Até porque têm uma responsabilidade acima de muitas outras pessoas.

O salário que o primeiro-ministro tem ou que o presidente da República tem

Não vou dizer que têm que ganhar o mesmo que os CEOs das principais empresas da bolsa portuguesa, não é isso que está em causa, mas a discrepância é muito grande. Isso não faz com que nós consigamos recrutar para a política os melhores. Eu não estou a dizer, repito, que têm que ganhar o mesmo. Obviamente que há aqui um serviço público que é feito. Por exemplo, nos Estados Unidos há muitos políticos que só vão para a política depois de terem enriquecido, entre aspas, ou depois de terem tido uma vida empreendarial muito ativa.

New York é um excelente exemplo.

Um exemplo muito significativo e só aí é que vão para a política. Tem essa lógica, essa tradição. Nós na Europa não temos bem essa tradição, é uma lógica muito diferente, mas nós temos que pagar bem aos políticos e portanto a demagogia e o populismo do Chega é evidente. Agora, conseguiram, de facto, pôr o país a falar. Eu, como sou um defensor muito agudo da liberdade de expressão, acho que os partidos políticos têm direito a expressar as suas ideias. Acho que nós jornalistas não temos o direito de censurar essas ideias, portanto, nós devemos discutir isso mesmo. E acho que o contexto que tem sido dado na comunicação social sobre o salário dos políticos também me parece correto. Enfim, é um dos paradoxos da democracia, que é nós termos no Parlamento um partido que é um adversário do nosso sistema democrático, pelo menos que foi constituído desde o 25 de novembro de 75, e esse partido está a tentar destruir esse sistema. E infelizmente tem que as estratégias de comunicação são muito eficazes. Acho que os partidos moderados também poderiam tentar aprender alguma coisa, não copiando, obviamente, mas poderiam tentar aprender alguma eficácia também, às vezes, para tentar passar a sua mensagem, coisa que não acontece. E já vamos falar disso daqui a pouco.

Claro. E quem é o teu vencedor então, neste caso?

Eu dou um 12 a André Ventura pela mesma razão que o Pedro acabou de dizer, pela eficácia na comunicação, porque nós também, só para dar essa nota, acho que nós jornalistas também temos que aprender a avaliar o Chega e o Ventura também pelo objetivo da sua comunicação. Porque, às vezes, por exemplo, nos debates das últimas campanhas, parece que eu assisto aos debates e não era assim. Mas acho que isso é importante nós também termos aqui algum critério.

Mas mesmo que ele concretize o seu objetivo através destes meios? Ou seja, vocês consideram que é na mesma uma vitória? Não, atenção, porque penso que o Luís também se estava a referir a isso. Ou seja, há de facto aqui estratégias de comunicação. Eu não defendo que agora, de repente, PS e PSD passem...

Eu também não, não é isso que está em causa.

Até porque este tipo de ações tem aqui um certo enquadramento legal do que é permitido, do que não é permitido. E depois tem também uma avaliação política daquilo que é feito. E, por exemplo, Aguiar Branco ontem, quanto a mim, olhou para este caso do ponto de vista completamente errado. Eu, que cheguei a defendê-lo quando houve a polêmica também com o Chega, quando o Chega falou da construção do aeroporto e que estava a falar de como é que era possível demorar 10 anos um aeroporto em Portugal quando os turcos não eram conhecidos por ser o povo mais trabalhador do mundo. Portanto, uma frase que foi altamente polêmica e altamente escrutinada dentro do próprio Parlamento e que se perguntou ao presidente da Assembleia da República se se podia dizer que uma determinada etnia era assim ou assado, e o presidente da Assembleia da República defendeu que, do ponto de vista dele, sim, porque a liberdade de expressão está consagrada na Constituição e depois a avaliação daquilo que foi dito será feita pelos eleitores. Foi uma tomada de posição que eu defendi na altura, porque efetivamente eu acho que há riscos piores quando de repente o Parlamento começa a impor barreiras do que se deve e do que não se deve dizer. E portanto, isso é toda uma outra conversa. Ontem, contudo, eu acho que Aguiar Branco olhou para a questão do ponto de vista completamente errado e até me pareceu um bocadinho absurdo quando parecia que ele estava, não como presidente da Assembleia da República, portanto, como presidente da Casa da Democracia, como é costume chamar-se, mas como presidente do IPHAN, ou não sei como é que se chama aquele instituto da preservação dos monumentos. E portanto, aquilo que era a indignação de Aguiar Branco, e eu vou citar o que ele disse, ele falava de uma vandalização política, aí estamos de acordo, de um monumento nacional. Parecia que era essa que era a questão.

Ele estava a tentar encontrar um pretexto formal para mandar retirar aquelas fitas.

Mas eu acho que olhou para o lado. Ou seja, aquilo que ele fez na questão da liberdade de expressão e que se adequava perfeitamente, por muito que alguém pudesse discordar do ponto de vista dele, ontem eu acho que ele olhou para a questão do ponto de vista errado. Estamos a falar de um órgão de soberania, há leis que enquadram este tipo de ações e que proíbem determinadas ações. Nós não sabemos se aquilo é crime ou se não é crime ou o que é que é. Mas como presidente da Assembleia da República, ele tinha toda a legitimidade para olhar e condenar aquele ato por aquilo que aquele ato era. Era efetivamente um ataque à nossa forma de funcionar enquanto democracia. E eu acho que Aguiar Branco devia ter se posicionado como um guardião da democracia liberal que é a nossa, em vez de guardião dos monumentos nacionais. Ainda assim, pela defesa que ele fez do patrimônio, eu era menino para lhe dar uma boa nota na mesma. Que nota lhe davas? Dava-lhe um 16, porque de uma forma completamente contracorrente e anti bom senso, ele fez uma defesa de um monumento nacional, que no fundo também é o dele, é o de todos nós.

Eu só vou fazer uma coisa muito rápida. Quando eu estava a dizer que os partidos moderados deviam tentar ter uma comunicação política tão eficaz quanto a do Chega, eu não estou a dizer que eles devem copiar os métodos errados. Estou a falar no conteúdo da comunicação, na eficácia, é isso que eu estou a dizer. Devem ser os mais eficazes possível, como o Chega costuma ser. Só isso, mais nada.

Luís Rosa, vamos falar aqui de Luís Montenegro. Eu sei que o Pedro Benoitides também quer falar do primeiro-ministro. Queres falar sobre a conferência de imprensa que foi dada esta semana sobre a insegurança. Achas que conseguiu deixar mais seguros os portugueses ou acabou por passar maior insegurança com essa comunicação?

Bem, eu acho que há uma quase unanimidade no espaço público, nos comentadores, de praticamente o Montenegro foi arrasado pela esmagadora maioria dos comentadores. Eu confesso que vou tentar, não é costume, mas vou ser um bocadinho, se calhar, uma voz quase isolada. Eu compreendo a ideia política do Montenegro desde o início do seu governo. Ele está a tentar combater politicamente o Chega e a tentar recuperar os eleitores que o PSD perdeu para o Chega, porque o PSD Os céus deste Passos Coelho deixou de falar para esse eleitorado e perder muitos eleitores por si. Portanto, há temas em que o Governo e Montenegro têm tido a coragem de enfrentar. Temas que os partidos deixaram de falar. A imigração, por exemplo, há uma grande diferença entre o PSD e o PS. O PSD tem tido a coragem de tentar enfrentar este tema com moderação, tentando regular a imigração. Ouvir o Pedro Nuno Santos dizer que o PSD criou um problema na imigração é realmente de rir à gargalhada, quando o PS foi um partido autenticamente neoliberal nesta matéria, no sentido de portas abertas e sem haver 400 mil pessoas para terem alguma espécie de regulação na entrada no país. Isto feito com humanidade, feito com respeito pelas pessoas, pela dignidade humana, isso é muito importante. E também a questão da criminalidade. Acho que Montenegro falou, se calhar, cedo demais. Se calhar é a maior crítica que se pode fazer. Pode-se também fazer a crítica à forma, ou seja, reunir todas as polícias, dar uma comunicação às 20h. Acho que houve ali um exagero na forma da comunicação.

Eles vão falar ao país sobre...

Sim, acho que houve um exagero. Acho que o timing também foi errado. Agora registra as minhas palavras: nós vamos voltar a falar disso no vencedor é. No início do próximo ano, quando sair o relatório da segurança interna, nós vamos voltar a falar desse tema. E nessa altura vamos ver os números da criminalidade, que já estão a aumentar, já há indícios nesse sentido, e vamos ter números mais consolidados. Portanto, a maior crítica que eu faço a Montenegro é, e aí concordo, se calhar, com a maior parte das pessoas, falou cedo demais. Aquela forma de comunicação foi exagerada. E eu não acho que ele tenha criado um sentimento de insegurança. Eu acho que ele tentou falar para o eleitorado diretamente, tentou falar para as pessoas, e nesse aspecto faz-me lembrar um bocadinho Cavaco Silva pra primeiro-ministro, tentar falar diretamente para as pessoas, mesmo com a comunicação social toda a criticá-lo. E ele tem tido essa política e essa estratégia. Acho que isso é positivo para um político, ter uma estratégia, ter um objetivo a curto, médio e longo prazo, e saber ser fiel a ele. Agora, nós vamos voltar a falar desse tema de insegurança. E provavelmente aqueles que hoje criticaram, se calhar daqui a três ou quatro meses até podem estar a dar razão. Agora, é um tema que tem que ser enfrentado. E é um tema também, aqui pra terminar, eu já tenho dito isso várias vezes, aliás, desde que fiz um programa no "Justiça Cega" sobre a segurança, e vou voltar a fazer mais programas.

Podem ouvir na Rádio Observadores, todas as semanas.

Exatamente. Todas as terças-feiras, às 19h. Nós não sabemos, sempre batido nesse ponto, a relação entre o aumento da criminalidade e a imigração. Nós não sabemos. Ouvimos no espaço público e constantemente proclamações de que não há uma relação, não há dados estatísticos que permitam dizer uma coisa e o seu contrário. Nem que há relação, nem que não há relação. Por quê? Porque Portugal não trata os dados estatísticos de acordo com a nacionalidade. E há países da União Europeia que tratam. E era muito importante, se calhar, que o governo pensasse em alterar essa regra, em tratar os dados estatísticos da criminalidade, nem que seja só para as polícias terem conhecimento dessa informação. Mas era importante pra nós chegarmos a uma conclusão, se há uma relação ou não. Agora, pra concluir, a criminalidade está a aumentar, a criminalidade violenta também está a aumentar e há um ativo econômico, e concordo absolutamente com o Luís Montenegro, há um ativo econômico que Portugal tem. Portugal é dos países mais seguros do mundo desde há muitos anos e tem que fazer tudo para manter esse ativo, porque senão não conseguimos captar investimento, porque senão não conseguimos ter turismo. Enfim, esse ativo é muito valioso e acho que o Governo faz muito bem em fazer tudo para que esse ativo se mantenha valioso.

Quem é o teu vencedor?

O meu vencedor é o Luís Montenegro, no sentido de vou lhe dar um 11. É uma nota positiva, apesar de tudo. Aliás, desculpa, vou lhe dar um 12. Peço desculpa, vou lhe dar um 12. É uma nota positiva. Acho que exagerou na forma, acho que se calhar o timing não foi o timing certo, mas acho que a mensagem que ali está, em termos estruturais, acho que ela está certa.

Pedro Benavides, querias falar também do Luís Montenegro e eu nem acredito que fiz isto, porque eu não acredito muito nisto.

Não sei se és crente.

Não, tu disseste que querias falar do Mercúrio retrógrado do Luís Montenegro.

Sim, o quê? Há até uma estátua aqui agora no programa?

Não é isso. Eu fui ver o Mercúrio retrógrado desta altura, de 25 de novembro a 15 de dezembro, é pra quem é Sagitário, e eu fui ver, Luís Montenegro é Aquário. Fui confirmar isso.

Mas é assim, se tu percebesses disso como eu percebo, porque a astrologia é a minha segunda paixão, tu saberias que o Mercúrio retrógrado tem uma capacidade de se espalhar por todos os outros signos.

É contagioso.

É contagioso, é tipo fumo que se espalha. Não temos tempo agora pra explicar a ciência do Mercúrio retrógrado, mas ela é muito interessante, eu leio muito sobre isso.

Mas por que está em Mercúrio retrógrado, o Luís Montenegro?

Olha, pra já, começando aqui pela conferência de imprensa, que eu quero concordar com o Luís Rosa, dizendo que ele de fato é uma voz isolada, eu concordo pouco com a leitura que ele está a fazer desta conferência de imprensa. Discordo até, desde logo, quando o Luís Rosa diz que foi cedo demais. Eu acho que foi tarde demais. Ele devia tê-la feito às 15h e não às 20h, porque às 15h é hora mais ou menos consensual para o primeiro-ministro dizer umas banalidades. Não é que o assunto não seja sério, porque é.

Anunciando ao país que vai fazer uma declaração às 20h para dizer aquilo que, francamente, um ministro do seu governo ou até um secretário de Estado ou até um membro da polícia podia fazer, transformou aquela declaração num conjunto de banalidades. E isto é um problema, quanto a mim, que primeiro desvaloriza aquilo que é o simbolismo de uma declaração ao país de um presidente ou de um primeiro-ministro, porque o país, e quando eu falo o país, estamos a falar de todos nós, órgãos de comunicação social, que desse ponto de vista somos os olhos e os ouvidos do país, estão a olhar para aquilo, interrompem o que estiverem a fazer para transmitir aquela declaração, porque é a declaração das 20h. Desvalorizou o próprio conteúdo de uma declaração daquelas, ou seja, quem para ver o que é que o primeiro-ministro vai anunciar, da próxima vez provavelmente vai desvalorizar aquilo que o primeiro-ministro está a fazer e eu acho que ele até desvalorizou o seu próprio cargo institucionalmente. Portanto, acho que correu-lhe francamente mal, tirando o Luís Rosa, que viu ali alguns aspetos positivos, que eu acho que são pontos importantes que o Luís aqui salientou.

Nós temos perspetivas diferentes. Hás-de falar na forma ou devo falar no conteúdo?

Exatamente. E eu acho que há aqui questões que são importantes, mas não deviam ter sido tratadas desta forma, não neste contexto, evidentemente.

Podia ter sido uma comunicação que pudesse ter sido feita pela Ministra da Administração Interna, por exemplo.

Podia, perfeitamente.

Se ela estivesse cheia para comunicar.

Isso depois é todo um outro problema, que também tem a ver com o Mercúrio retrógrado de Luís Montenegro, que tem problemas com alguns ministros esta semana. Esta foi uma semana difícil para ele. Teve aquele problema com o ministro da Educação que apesar de tudo era daqueles que tinha mais poder de sedução, digamos assim, porque tinha todo um perfil e um currículo que fazia olhar para ele como: "Este ministro tem competências técnicas".

E conseguiu alcançar um objetivo, de facto, há mais alunos com aulas do que havia há um ano.

Pronto, só que depois aquela baralhada com os números foi uma coisa inexplicável, ele próprio de repente ter descrença sobre os números. Ele pediu desculpa, o que é um facto, mas não deixou de ser mais um episódio lamentável, que depois praticamente terminou na semana com aquilo que se passou no Parlamento e com o governo a ser derrotado nalgumas das propostas. Desde logo, eu vinha a caminho da rádio, já o PS tem cartazes a dizer, apesar do governo PS, por causa do PS, vão aumentar as pensões. Há também ali um certo discurso demagógico. Aquilo que aconteceu foi as chamadas coligações negativas, que o PSD também não é propriamente virgem nessa matéria, porque também já as fez quando era o governo do PS.

Quem é o teu vencedor?

Calma, que eu ainda estou aqui a falar. O meu vencedor é Luís Montenegro. Eu estou aqui a olhar para o contador, eu sei exatamente a que horas ao segundo que é que vamos ter de contar. O meu vencedor acabou por ser Montenegro, porque ele conseguiu contrariar o Mercúrio retrógrado e as pessoas como tu, que não estão a levar este assunto a sério, deviam estudar e ler, porque efetivamente isto é um assunto sério, é praticamente ciência. E ele conseguiu ver não só a notícia ao final do dia de sexta-feira de que a Polícia Judiciária não tinha encontrado indícios de crime naquele caso da casa dele que estava a construir, que construiu uma casa de luxo, não sei quantos pisos. E depois ficou a saber também que o Ministério Público vai também arquivar ou já arquivou.

Não, vai arquivar.

Vai arquivar o caso. Isto tem a ver com questões de benefícios fiscais e também com questões de licenciamento que estavam ali duvidosas e Luís Montenegro conseguiu que essas suspeitas para já se desvanecessem no ar, tal como o Mercúrio retrógrado se vai desvanecendo.

Desta vez ele foi ouvido, não me parece que tenha sido, acho que foi a própria Polícia Judiciária que chegou a essa conclusão.

O que é uma boa notícia para ele. E portanto prova-se, e agora aqui concluo, prova-se que efetivamente o Mercúrio retrógrado aplica-se diretamente a Sagitário. Se ele fosse Sagitário, talvez isto não tivesse acontecido, mas apesar de tudo, ele conseguiu vencer esta nuvem negra que está aqui até não sei quantos de dezembro e por isso merece um 18, porque estamos a falar de uma coisa muito séria que é o Mercúrio retrógrado.

Sim, claro. E eu acredito plenamente nisso. Ora, Luís Rosa.

Depois desta lição de astrologia, não sei o que é que eu faço à minha vida.

Luís Rosa, depois do programa acabar vamos um café e eu explico-te.

Vou falar sobre o Leão hoje.

Mas a carta que eu te tiro na tua sina é que só tens 40 segundos para falar de António Costa. Ainda por cima logo quando eu ia falar para Bruxelas, pode ser que a Rádio Observador esteja a ouvir em Bruxelas.

É, é. Com certeza.

Nomeadamente para o chefe da delegação do Financial Times, Henry Foy, que entrevistou o António Costa para a minha seção favorita, que é o Lunch with FT, no meu jornal favorito, que é o Financial Times. E então eu li coisas extraordinárias. Primeiro passei a saber que o escritório do Sampaio Caldas, onde António Costa começou a sua carreira de advogado, afinal era um escritório familiar. Eu não sabia. Não sei se o Pedro também sabia, mas é verdade que o tio trabalhava no escritório. Era o sócio também do escritório, mas isso não fazia com que o escritório fosse um escritório de António Costa. Ali era o escritório de Jorge Sampaio e de Castro Caldas e também do tio de António Costa. E também passei a saber, António Costa dá uma explicação fantástica sobre quando o correspondente do FT o confronta com a Operação Influencer. Não tem problema nenhum, ninguém fala da Operação Influencer em Portugal. Eu senti-me tentado a investigar informação sobre a Operação Influencer.

Olha que nota dás.

Mas enfim, espera, não me deixa tão aflito.

Não, nós temos de ir embora. Para o relógio.

Muito rápido já. Eu espero que António Costa, agora nas suas novas funções, tenha cuidado a escolher o chefe de gabinete. Não escolha um chefe de gabinete que tenha 105 mil horas em notas no gabinete em Bruxelas.

Ou que não tenha livros.

A polícia belga não vai achar piada a isso, acredita. E que tenha cuidado a nomear assessores, por exemplo, aqui em Portugal. Ele diz que vai ser presidente do Conselho Europeu, como foi primeiro-ministro. Em Portugal, ele nomeou um coordenador do processo legislativo que viola, que era João Tiago Viveiros, sócio de Amorim Leitão, do Simplex Industrial, portanto, do processo legislativo Simplex Industrial, e esse coordenador violava todas as políticas de conflito de interesse europeias. Só não violará as da América Latina e as de África. Portanto, eu espero que António Costa não leve esse padrão para o Conselho Europeu.

E que nota dás?

O padrão africano ou da América Latina. O que noto é que eu dou-lhe um 10, ou seja, estou a partir do ponto neutro e espero que ele faça um bom mandato, mas tenha cuidado com estas coisas.

Gosto muito de fazer isto convosco. Organizar o tempo, mas convosco vale a pena. Até amanhã, meus caros. Até amanhã.

Até amanhã.