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Este é o Som do Ivens Oreias, das manhãs 360. Já sabe que para além de nos ouvir na rádio, também nos pode ver. É só acompanhar-nos em direto através das nossas redes sociais ou do site do Observador. E Carla, esta segunda-feira está conosco em estúdio o Ricardo Conceição. E esta manhã vamos voltar ao Martim Moniz, vamos dar nota ao ex-diretor executivo do SNS e também às presidenciais. Bruno, como é que o PS está a lidar com tantos candidatos ou protocandidatos?
O PS está a lidar muito mal com os protocandidatos, mas com um em particular, que é António José Seguro. Uma parte importante dos socialistas e do atual Partido Socialista odeia António José Seguro, não suporta António José Seguro. Isso é visível na forma como se referem publicamente ao antigo líder do partido, como reagem à possibilidade, cada vez mais forte, de Seguro se candidatar. E eu não duvido que António José Seguro acabe mesmo por se candidatar, mesmo sem o apoio do partido. A questão é saber do que vale para António José Seguro o apoio contrariado do partido, porque se o Partido Socialista decidir apoiar uma candidatura de António José Seguro, é óbvio que o partido não vai estar todo mobilizado nesse apoio. Isso é mais do que óbvio. E a pergunta é: António José Seguro prefere mesmo assim tentar ter a todo o trânsito o apoio do partido. Apoiar Seguro, o apoio a Seguro do Partido Socialista, quando é óbvio que muitas figuras com muito peso no Partido Socialista não suportam António José Seguro, eu não sei se isto será bom, porque para o PS também não será bom, mas para António José Seguro não será, certamente. E para o Partido Socialista a questão é saber se haverá aqui uma solução menos má, porque apoiar Seguro quando não suporta Seguro, apoiar outro que não Seguro ou não apoiar ninguém.
Outra vez.
Outra vez. Tudo isto parecem soluções negativas. É natural que o partido se agarre a alguns nomes, nomeadamente a António Vitorino.
Chama a festa na infestança.
Não, porque é o único que não parece uma solução de recurso.
Não, tem sido solução de recurso em cada eleição. Solução não, hipótese de recurso. Está fora da vida política ativa, se quisermos, há 20 anos.
Há uma geração inteira que não sabe quem é António Vitorino.
Uma pessoa que tenha 40 anos não sabe quem é António Vitorino.
Não, mas isto é para dar a perceber o grau de acrimônia que há dentro do PS em relação a António José Seguro, porque parece que preferem qualquer outro a António José Seguro. Obviamente, não é todo o PS, não serão todos os militantes socialistas.
Não, de todo. Aliás, neste fim de semana houve uns socialistas precisos a defender claramente.
Exatamente. O que eu estranho também é que Seguro, ao longo destes anos em que esteve fora da política ativa, não tenha melhorado o seu instinto político e não tenha percebido qual a temperatura na sala.
Eu acho que ele percebeu. Ele não vem ao engano para isto.
Sim, mas então por que anda em almoços com Pedro Nuno Santos? Vamos a uma coisa. Toda a gente diz que as candidaturas presidenciais são pessoais e acho que essa é uma das grandes vantagens que António José Seguro pode ter nisto tudo, que é mostrar que uma candidatura presidencial não é uma manobra partidária, não depende de jogadas de bastidores, de cozinhados fora da esfera pública, de jogadas pensadas nos bastidores e que depende mais de um imperativo de consciência. Essa é a vantagem que Seguro pode ter neste momento.
Eu acho que ele até agora está a seguir, de alguma forma, esse caminho.
Pois, eu não sei. Parece-me que já se encontrou, já se reuniu com Pedro Nuno Santos.
Mas eu acho que não é por aí, sinceramente. Eu acho que Seguro está a fazer o caminho que ele acha que deve fazer. O problema do PS é o problema do PS.
Claro!
Pedro Nuno Santos que resolva o problema do PS.
Mas o problema do PS, no meu entender, pode ser a grande vantagem agora para Seguro.
Claro, se houver uma indicação de voto.
Independentemente do PS apoiar ou não a minha candidatura, eu vou avançar, porque é uma decisão pessoal.
Ganha independência.
Ganha independência e nós vimos o que aconteceu quando Manuel Alegre se candidatou sem o apoio.
E correu muito bem.
Maria de Belém, Ana Gomes.
Exato.
Sim, mas no caso de Manuel Alegre correu-lhe muito bem nas eleições.
Sim, no caso, quem correu melhor foi Manuel Alegre, mas Ana Gomes, podemos dizer, também não correu muito mal. Quem correu mesmo muito mal foi Maria de Belém, depois teve que ir pagar as contas do bolso dela, portanto a coisa foi mais complicada. Nos outros casos correu relativamente bem. Mas eu acho que aí, mais do que criticar os candidatos, cada um sabe de si, avançam com a candidatura, sabem os riscos que correm. O problema são os partidos que não sabem gerir isso.
Exatamente.
E eu acho que o PS está a dar uma De facto, a passar uma imagem, e Pedro Nuno Santos, de absoluta falta de liderança neste tema. Não definiu uma boa estratégia no início. Luís Montenegro, ao menos, definiu logo um quadro: queremos um militante que saia do partido, obviamente, e que se enquadre naquilo que são os valores e os propósitos. Uma coisa muito vaga, mas tem ali o militante, logo.
Sim, e o que exclui logo muita gente.
Exclui logo alguns possíveis candidatos. No caso do PS, não foi definido rigorosamente nada. Pedro Nuno Santos deixou andar ao sabor da corrente tudo e a confiar na sorte, que passaria alguma figura que se destacaria no meio daqueles do espaço político do PS. Mário Centeno não era sequer militante do PS. E que a coisa havia de se resolver. Pois, provavelmente não se resolve sozinha.
E há uma grande diferença entre o PS e o PSD: o PSD, apesar de poder não haver unanimidade no apoio a Marques Mendes, não revela o mesmo sentimento, quase de repulsa, que uma parte do PS revela em relação a António José Seguro.
Isto é pior para António José Seguro ou para o Partido Socialista, Ricardo?
Eu acho que é para o Partido Socialista e para Pedro Nuno Santos. Foi ele quem disse que queria ter um candidato presidencial apoiado pelo Partido Socialista, foi ele que se pôs a jeito, no fundo, e agora, este fim de semana, foi incapaz de controlar aquelas palpitações que o inquietam e pede que se chegue aí à frente de uma vez por todas para ele poder decidir. Ora, tudo isto é revelador de um desnorte, de uma divisão a que o Partido Socialista já nos habituou. Já há pouco aludiamos a isso, aos casos de Maria de Belém, Mário Soares, também Sampaio da Nova. A esquerda tem este dom de se conseguir dividir, por vezes nestas situações, de uma forma fratricida, praticamente. Tivemos Francisco Assis este fim de semana a apelar à calma, a pedir regras de civilidade mínima, contenção e elevação no debate. Isto porque Augusto Santos Silva, aí vai ele, trauliteiro mor, portanto, pronto para malhar, desta vez malhou em Seguro. Tudo isto revela desnorte. Do outro lado, no centro-direita, temos Marques Mendes a medir tudo ao milímetro. Eu até diria que se calhar está a olhar para as estreles para ver se há um alinhamento que lhe permita, com grande grau de certeza, ir. Com isto tudo, o nosso almirante, Gouveia e Melo, à vontade, não está em sentido, está à vontade na parada.
Siga a Marinha.
Siga a Marinha, mudo e quedo. O senhor nem fala, nem se mexe e soma. Eu diria que o nosso almirante é o sonho de qualquer capitalista, porque ele não se mexe e o dinheiro continua a crescer.
O capital a crescer.
Sim, todos os outros estão a dar este mau exemplo e a fazer esta má figura de desnorte.
A quem vais dar nota, Ricardo?
Eu dou um 16 ao almirante. É quem ganha nisto, quieto e calado, e soma e segue.
Quando os teus adversários estão a cometer erros, não os interrompas.
Exato, não te distraias. Deixa-os estar.
Bruno, a tua nota.
Eu vou dar uma nota positiva a António José Seguro, apesar dessa fraca leitura, essa incapacidade de ler essa temperatura dentro do seu próprio partido, partido do qual ele foi líder. Mesmo assim, acho que tem aqui uma oportunidade para mostrar independência e autonomia em relação ao partido. Portanto, quer tenha ou não o apoio do PS, António José Seguro, se quer mesmo candidatar-se, pode ter aqui uma vantagem com esta confusão que há dentro do PS em relação às presidenciais.
É um?
Eu vou dar um 14.
Um 14 para António José Seguro. E toda esta luta interna no Partido Socialista quase que apagou um grande caso deste fim de semana, Paulo, que foi a demissão do agora ex-diretor executivo do SNS.
Do SNS, é verdade. Isto noutro contexto, sem o PS, de facto, envolvido lá numa luta interna por causa das presidenciais, o assunto teria seguramente feito mais caminho, até porque é uma fragilidade do Governo. Porque é uma demissão que acontece oito meses depois de funções e por um daqueles erros crassos que nós já vimos no passado a tantos outros governos e que teimamos em não aprender, de alguma maneira. António Grande Almeida, de facto, apresentou a demissão na sexta-feira à noite, logo após uma reportagem da SIC ter revelado que ele terá recebido cerca de € 200 mil com a acumulação de funções incompatíveis quando era líder do INEM, era o diretor do INEM Norte. E não podia exercer outro tipo de funções, nomeadamente ser médico tarefeiro e, ao que parece, ele através de uma empresa que entretanto passou para o nome dos filhos.
E esse pormenor não é despiciendo, ele ser através da empresa.
Claro.
E ainda por cima denota que houve uma tentativa de encobrimento, pelo menos apagar algum rasto a isto. Vamos ver o que é que dão as inspeções e o que a Justiça vai dizer, obviamente. A única coisa boa deste caso foi a absoluta rapidez com que ele apresentou a demissão e a rapidez com que foi aceite pelo ministro.
A peça também estava bem feita e seria inevitável depois daquilo.
O rapaz conseguiu ser mais rápido do que a reportagem.
Não era inevitável. Nós temos vários exemplos entretanto e o que temos de memória do governo António Costa, que deixou arrastado.
É tudo tão flagrante e tão preocupante. Quer dizer
Claro, sem dúvida. Ou seja, ele prestava serviço como tarefeiro, à hora, os tais não sei se são €40, €50 a hora que uma série de médicos cobra porque o SNS, quem se põe a jeito aí é o SNS.
No Algarve.
No Algarve.
Com uma falta de médicos enorme.
Exatamente. O problema são os médicos tarefeiros. Não, os médicos tarefeiros pedem e o SNS paga. Quem se põe a jeito para isto, por falta de meios, é o SNS. A culpa aqui é do SNS, não é dos médicos que dizem: "Olhe, o meu preço é 50 a hora, querem ou não querem?" Quero. Qual é a culpa aqui? Agora, neste caso concreto, ele não podia acumular esses rendimentos sendo líder no INEM. Portanto, a questão não está em ser médico tarefeiro "too good" para mim. Agora, esta demissão denota mais uma vez a fragilidade do recrutamento.
Ora aí está.
Como é que isto tudo acontece? Como é que se contrata uma pessoa sem fazer um screening para um cargo destes, com uma exposição e já polémico?
É que não há questionário, não deve haver questionário.
Se não havia haver, se não há questionário formal, estás-te a referir ao questionário de 36 perguntas que António Costa, depois de N casos também decidiu: "Então agora vamos fazer um questionário."
Mas, Paulo, não estamos a falar de funções que ele tenha desempenhado no setor privado.
Não, é público.
Estamos a falar no setor público, no SNS. Não seria muito difícil, creio eu.
Não sei, porque se pesquisares numa base de dados o nome dele, provavelmente não aparece, mas aparece provavelmente uma Primavera Cor-de-Rosa Limitada, aquelas empresas na hora.
Raiz, eu acho que é qualquer coisa raiz binária.
Não sei, estou a inventar agora, mas aparece o nome de uma empresa que não é imediatamente associada a cada pessoa. Mas não se faz um screening com perguntas básicas, não se pede à pessoa para ela pôr a mão na consciência e para pensar se em exercício de funções públicas ou privadas não terá porventura cometido, não tem que ser uma ilegalidade, algum ato que possa ser complicado e polémico nesse exercício de funções.
Algum ato que obrigue à demissão 30 minutos depois da notícia aparecer.
Claro, exatamente. Imagine, não se fala com pessoas próximas que tenham trabalhado com ela. António Costa fez o tal questionário, 36 perguntas, já depois de muitos casos terem surgido também nos governos dele. Há uma falta de senso dos convidados, mas nós temos CReSAPes, temos os questionários, temos os chamados agora procedimentos concursais, ou concursos. Nós inventamos sempre mais uma palavra para complicar, que têm sete fases, que vão da abertura à publicitação, à escolha de um júri, método de seleção, garantia, estou a ler mesmo no site da Direção-Geral da Administração Pública, lista de final de candidatos, portanto, estão aqui os passos todos, a burocracia está cá toda, mas depois tudo falha. Temos o recurso à mobilidade, temos a contratação e substituição, temos N figuras. Não há uma figura que basicamente ponha bom senso nisto. E enquanto os governos continuarem a fazer as coisas assim, as polémicas vão surgindo e estes casos inaceitáveis vão aparecendo, e obviamente que os governos passam por isto, pagam por erro próprio. Não o erro cometido, neste caso, o ex-diretor do SNS, mas o erro do mau recrutamento, que continua a ser basicamente o padrão.
E se calhar era uma ótima oportunidade para pensar se aquilo faz sentido ou não.
Claro, sem dúvida.
Sim, não é a primeira pessoa que este fim de semana já lançou também essa discussão. Quem vais dar nota, Paulo?
Olha, vou dar ao próprio um quatro, porque ele sabia. Mas vou dar ainda assim à Ministra da Saúde também, e aqui extensível ao governo e aos governos, Ana Paula Martins, um oito, porque o recrutamento é muito fraquinho, a forma como se faz o recrutamento. Tanta regra, tanta estrutura, tanto não sei o quê, depois tanto buraco no meio.
Até ao final da próxima semana está prometido que teremos um substituto para André Oliveira. Já há uma shortlist, de acordo com as notícias. José Manuel, por que queres voltar ao Martim Moniz?
Olha, enfim, não são boas notícias. Nós durante o fim de semana soubemos que terá havido uma tentativa de violação naquela zona, não exatamente no Martim Moniz, numas escadinhas que penso que saem do Martim Moniz, onde até há agora uma escada rolante.
Para a Mouraria.
Na Mouraria, exatamente. Infelizmente, é uma zona onde as coisas não estão bem, onde sabemos que as coisas não estão bem, mas onde não se pode discutir nada sem ser imediatamente tudo instrumentalizado e hiperpolitizado, infelizmente, por quase todos os protagonistas. Neste caso concreto, ter-se-á tratado de uma jovem italiana que está a estudar cá em Portugal com Erasmus, que estava a regressar a casa de madrugada, alta madrugada, 4h, e que foi abordada por dois, três homens, que além de lhe roubarem pelo menos o telemóvel, a terão claramente molestado e tudo indica que violado. Isto é o que de alguma forma as polícias informaram. Há mais alguns dados, enfim, houve muito poucas presenças de reportagem no local. Só consegui descobrir duas, uma fala apenas de homens e outra vai um bocadinho mais longe, mas aqui o relevante não é isso. O relevante é que houve um órgão de informação, pouco conhecido, que transformou os homens logo taxativamente em nordestânicos. É possível que seja, não faço ideia, mas que não são os únicos que existem ali. Não naquela zona exatamente. Quando nós conhecemos, falamos muito da Rua do Bem Formoso, que é perto, mas aquilo não é exatamente a Rua do Bem Formoso. E imediatamente há dois posts nas redes sociais de André Ventura que eu não posso ignorar. O primeiro, que apareceu apenas no Twitter Uma mulher foi violada no Martim Moniz por três indo-estânicos. Ele dá isto já como adquirido. Isto tem de parar, não podemos continuar a receber imigrantes de países ou culturas em que as mulheres são simples objetos para escravidão doméstica ou sexual. Nós sabemos que isto é um problema, mas não há nenhuma possibilidade de afirmar que eles são, de facto, três indo-estânicos neste momento. Mas depois no Instagram, a outra rede social, essa curiosamente não é do Trump. A frase de André Ventura já é bastante mais radical. Ele usa como imagem um título daquilo que parece uma notícia normal, mas que é uma notícia do órgão de informação do Chega, do jornal do Chega, e depois diz: "Não querem que os encostem à parede." E agora a frase complicada é esta: "Deviam ser arrastados pelo chão e pagar caro pelo que andam a fazer às mulheres europeias." Pode-se discutir muita coisa sobre isso, não se pode falar assim. Purissimamente um político não pode falar assim.
Isso é simplesmente incitação à violência, como é evidente.
Isto é exatamente o que estás a dizer. E ele que está muito contente hoje, porque entretanto já está em Washington para a posse de Trump, deixou ontem este rasto e tenho que lhe dar, vai zero mesmo, nem vai o quatro.
Mas isso não está previsto na lei? Além das regras das redes sociais, que tentam de alguma forma travar isso com a moderação.
Não sei.
Já não há moderação.
Sim, vão acabando com ela.
Repara no caso do Instagram, que penso que pertence à Meta, ainda há moderação, supostamente. Não é o Twitter, ainda há moderação.
Mas o que se passa é que está a haver já uma banalização das frases chocantes, já perdemos um bocadinho a capacidade de te sustar.
E vem de certos atores e André Ventura é um deles, obviamente. Já esperamos um bocadinho quase tudo dali, quer dizer, aquilo que é inaceitável ou seria inaceitável a outros protagonistas e noutro tempo, não é preciso recuar mais do que meia dúzia de anos, vamos de alguma forma habituando. É o André Ventura, encolhe os ombros, seguimos em frente e as coisas não podem ser assim, mas para isso haverá leis, certamente.
Não sei. André Ventura é deputado. Eu tenho uma posição, neste caso, em que defendo total liberdade de expressão, mesmo para dizer asneiras e parvoíces. Acho que quem deve aferir são os eleitores. Os eleitores devem olhar para tudo isto e devem fazer a sua ponderação.
Eu não creio que isto se resolva em tribunais.
Claro.
Nisso estou contigo, Ricardo. Agora acha que não pode passar impune.
Claro, deve ser assinalado, como é óbvio.
Tem de ser assinalado, tem que se falar disto.
Claro, como é óbvio.
Encolher os ombros não é a resposta.
Não é encolher os ombros, mas é discutir isto com política, com factos, com argumentos e contrariar estas asneiras que vão sendo ditas.
Estamos aqui a falar de um caso onde não há ainda certezas, sobretudo sobre a autoria.
Passa uma mosca e André Ventura cavalga a mosca, o que quer que seja.
Tudo o que eu consegui ver ontem, o trabalho mais completo foi da TVI. Amanhã nós vamos ficar a saber tudo, porque entre outras coisas, a jovem italiana depois conseguiu entrar em casa, não tinha meio de comunicação porque lhe roubaram o telemóvel, ficou à espera que chegasse uma amiga, que só chegou muitas horas depois. Ela tomou banho pelo caminho, inclusivamente, como é óbvio e natural, depois daquilo que terá acontecido e isso complica a investigação que vai ser feita agora pela Polícia Judiciária. Vamos ver. Mesmo assim, haverá indícios suficientes para perceber o que se possa ter passado. Ela dirigiu-se para o Hospital de São José, que é mesmo ali ao lado, é do outro lado do Martim Moniz, é relativamente perto. O que se passou é grave. Nós tínhamos já muitas indicações que de facto naquela região, naquela zona de Lisboa, infelizmente se passam muitas coisas destas, muita gente que já tem medo de sair à rua, por muitos motivos, alguns deles que claramente têm a ver com a presença de muita imigração naquela região, mas também com a presença de droga e com outros problemas, mas não se pode falar desta forma a partir deste acontecimento.
E a tua nota não vai para o acontecimento, mas é para a reação de André Ventura.
O acontecimento em si, confirmamos, também mereceria um zero, mas aqui vai para a reação, para esse tipo de reação.
E por isso ficamos aqui com o zero a André Ventura no final deste "O Vencedor é". Estamos de regresso amanhã. Até lá.