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Mas há uma coisa fantástica de ter 40 anos, que me bateu mesmo algures entre os 39 e os 40, que foi: eu quero lá saber. E acho tão desinteressante. E acho que sinceramente, o caminho, é que isso vai se tornar cada vez mais desinteressante, ver caras que não mexem, que não têm linhas, que não têm história. As linhas que eu tenho no rosto são das lágrimas que eu chorei, das gargalhadas que eu dei, mas também que dei enquanto outras personagens. Eu acho isso tão bonito e acho que isso é mesmo o futuro, porque vai haver um momento, e eu acho que isso já está a começar a acontecer, em que as pessoas já estão a começar a apontar o dedo e: "pá, para de mexer." Ou melhor: "mexe a cara, para de mexer." E eu tenho uma segurança hoje em dia, em relação a mim e ao meu corpo e à minha cara, que não tinha quando tinha 20 e tal anos.

Começou cedo, foi rosto de uma geração inteira quando ainda era muito jovem, mas recusou ficar presa a um único momento. Saiu, voltou, arriscou, atravessou oceanos, trocou certezas por aprendizagem. Preferiu o desconforto do crescimento ao conforto da repetição. É atriz, mas também é inquieta, mãe, mulher, cidadã atenta, alguém que pensa o mundo e o seu lugar nele. Continua a fazer perguntas difíceis sobre trabalho, justiça, sobre o que significa ser boa pessoa num tempo barulhento e polarizado. Alguém que cresceu diante de todos nós e que continua todos os dias a crescer por dentro. Benedita Pereira, em "40 Minutos". Bem-vinda. Aqui é a Rádio Observador.

Obrigada. Uau! Gostei.

Não foi demasiado profundo.

Não, vocês são sempre muito simpáticos. Olhem lá o que eu sou.

E o que tu és?

Estou a brincar.

Conta-nos.

Não, mas é sempre assim: "ai, é assim que me veem? Que fixe."

Mas achas que as pessoas têm uma, não digo uma ideia errada, mas se calhar uma ideia um pouco diferente daquilo que tu és? Já são muitos anos.

Já são muitos anos. Isso eu acho que tem sido um bocadinho a história da minha vida. Acho que só agora, com 40 anos, é que devagarinho as pessoas vão começando a ver mais do que eu sou. Também tem a ver com o que nós deixamos passar ou não, mas em relação artisticamente, por exemplo, fiquei de facto colada a uma coisa que fiz, aos Morangos com Açúcar lá atrás, e parece que por muito que eu fizesse outras coisas, que não saía desse rótulo ou dessa imagem. E só agora é que vejo que, e também com essa apresentação que fizeste minha, é que percebo que ok, eu acho que agora já me veem de outra forma, como uma mulher 360, como uma atriz, com outras valências e com vontade, que não é só aquela atriz que faz aquilo que lhe aparece. E acho que devagarinho vou também eu própria estou a aprender o que eu quero. Então essa questão está dentro de mim. Não é que eu tenha a resposta. De facto, tenho sempre muitas perguntas. E por isso é que também acho que o nosso percurso, as pessoas têm um bocadinho essa tendência de nós estarmos um bocadinho dependentes de como nos veem, mas nós também podemos mudar a perspectiva que têm de nós. Só que demora muito tempo, não é imediato, de todo.

No teu caso, demorou quanto tempo?

Demorou bastante tempo. O meu percurso não existe só para as pessoas me verem de outra forma. O meu percurso é aquilo que eu quero fazer, mas de facto, às vezes embatemos com a maneira como as pessoas nos veem, porque isso às vezes é um entrave. E agora começa a deixar de ser.

Mas achas que o mercado hoje em dia te vê como uma atriz para lá da Benedita das novelas e dos Morangos com Açúcar?

Sabes como é que eu comecei a perceber? E isto começou há relativamente pouco tempo. É pessoas que me vêm perguntar: "Então, não está a fazer teatro? Qual é a próxima peça?" E eu pensei: "Já me veem como atriz de teatro." Isso é muito giro, porque passei muitos anos a fazer teatro e quase só teatro, mas ainda era sempre a menina da novela. Claro que isso ainda existe, obviamente, mas de repente há já um grupo alargado de pessoas, não só pessoas minhas amigas, pessoas conhecidas e pessoas que já me viram em teatro, pessoas na rua, que já me perguntam: "Então que peça é que está a fazer, que espetáculo está a fazer?" São pessoas que também já não veem televisão e veem teatro. Assim como há pessoas que só veem a televisão e não veem teatro, há ao contrário. E então comecei a ouvir isto muitas vezes, ultimamente. Curiosamente, uma altura em que não estou a fazer teatro e que estou a fazer televisão. Que é sempre o contrário, quando eu estava a fazer teatro, era assim: "Então quando é que faz novela?" E agora começo a ouvir o contrário. Isso para mim já é um pequeno indício de que já há uma perspectiva diferente sobre o que eu faço, sobre quem sou eu.

O que tu quererias nos próximos tempos? Agora tens uma nova novela, não é? A "Terra Forte".

Sim.

O que quererias para ti como atriz e como profissional nos próximos tempos, Benedita?

Eu gosto sempre muito de ter um percurso variado e é isso que eu tenho tentado fazer e por isso é que também não é o mais fácil ou o mais previsível. E então eu gosto muito de fazer teatro, isso não há dúvida nenhuma, e quero continuar a fazer. Tenho um projeto que vamos iniciar no fim deste ano para estrear no início de, portanto, daqui a um ano, em janeiro, mas isto é assim no teatro, demora muito tempo.

Vamos.

Vamos, porque eu não faço sozinha. Não faço, não. Se vocês quiserem, por favor, venham. Pelo menos ver, acho que têm que vir. Eu estou a fazer este projeto com a Sara Carinhas, ela vai encenar. São coisas que demoram muito tempo a ser concretizadas. Já andamos nisto há quase dois anos e já estamos a falar de uma coisa que vai começar no fim deste ano. Mas quero muito continuar a fazer televisão em formato série. Agora, como estou a fazer esta novela, acho que nos próximos tempos não vou fazer outra tão cedo. É normal, não se fazem de seguida, ou pelo menos assim aprendi a fazer, que é para não enjoar, nem eu nem o público.

Tens essa preocupação com o desgaste da imagem, porque é uma coisa que se fala muitas vezes, que é: temos as novelas e quase sempre os mesmos atores a aparecerem a cada novo formato. E tu, pelo que sabemos, e aliás, pela tua carreira, que é visível, tens muito essa preocupação de fazer pelo menos ali um período de descanso ainda considerável.

Sim. Não é fácil, porque de facto as novelas são o que nos dão mais estabilidade financeira durante mais tempo.

Claro.

Mas também eu acho que o panorama está a mudar e eu não sei quanto mais tempo é que as novelas vão existir ou se vão existir neste formato. Agora estão a começar formatos mais curtos, ou seja, acaba por deixar de ser essa estabilidade, porque estamos a falar de ter trabalho durante nove meses seguidos, o que num percurso de ator é inacreditável. Portanto, é por aí que as pessoas também se vão agarrando às novelas. E eu, felizmente, nunca gostei de ter amarras e por isso é que também fui viver para fora. Só agora é que comprei uma casa, porque andava em casas alugadas, vivia fora. Mas claro, também fui crescendo e também sou mãe e começamos a ter outras preocupações, mas eu não gostava muito desta coisa de estar presa a uma coisa durante tanto tempo. Claro que não vejo as coisas da mesma forma, acho que se pode fazer perfeitamente e dá imenso jeito e é bom. Vamos lá ver, eu estou a adorar fazer esta novela. Não tenho qualquer preconceito em relação a fazer novela. Só que como é, de facto, um trabalho muito intenso e que exige muito de nós.

E és protagonista.

E sou protagonista. Acho que para mim funciona neste formato em que não estou a fazer várias de seguida, porque eu quando vou, vou muito entusiasmada. Eu gosto mesmo daquilo que faço, eu vou mesmo feliz trabalhar. Portanto, não vejam isto como uma coisa de: "Ah, é só por causa do dinheiro." Não é.

Isso fosse também não vinha mal ao mundo, não é?

Não, claro, nós todos trabalhamos por dinheiro. Ir lá fazer aquilo de graça também não tinha graça nenhuma.

Não, isso é escravidão. Olha, diz-me, tu és protagonista e coprotagonista de muitas novelas já há quase 20 anos. Sentes-te uma estrela?

Não, de todo.

Também não vinha mal ao mundo. As pessoas se veem como uma estrela? Tu podes não sentir, mas as pessoas podem ter essa perceção.

Eu acho que em Portugal, esta coisa da estrela é tudo muito relativo. Mesmo as pessoas que não são do meio têm noção que Portugal é muito pequeno e que, portanto, uma estrela aqui é um pontinho noutro sítio. Passamos a fronteira, já somos um pontinho muito pequeno.

Sim, mas a estrela vive aqui, não vive lá fora.

A estrela vive aqui. Agora, e de facto, há uma diferença entre estar em Lisboa, em que não se liga nenhuma, é estrelas a passar a toda hora, ou estar noutra cidade ou numa terra mais pequena no interior. Claro que eu sinto que sou muitas vezes mais bem tratada do que outras pessoas. Meu marido diz que nunca me vai largar porque sai mais bem tratado comigo do que sozinho. Estas coisinhas pequenas, o meu filho agora pergunta-me se eu sou famosa.

Já disse que ele tem?

Tem cinco.

Já começou a ter essa percepção.

E eu: "Mas o que é para ti ser famosa?" "É, muitas pessoas conhecem-te." E eu: "As pessoas conhecem-me por causa do meu trabalho." O meu trabalho só existe se as pessoas virem. Uma peça de teatro só faz sentido, só é um espetáculo, se houver espectadores. Uma novela, um filme, só faz sentido se as pessoas virem, porque senão é só uma coisa que já nem sei se se pode chamar espetáculo de teatro, não houver pessoas. Portanto, eu tento lhe explicar que a minha profissão é diferente da outra pessoa, que está aqui, que está num escritório e que as pessoas não o conhecem pelo que faz, e que se calar tem muito mais valor do que o que eu faço, não sei. Mas pronto, eu acho que o estrela também tem a ver com modo de vida. As pessoas pensam que o estrela tem um modo de vida, um glamour, uma coisa que na minha vida, desculpem, não existe.

Não é algo que tu procures também.

Não é isso. Claro que eu adoro de vez em quando ir a um evento e aquela coisa de uma pessoa se arranjar e de sentir uma estrela, mas mesmo assim eu sou um bocadinho preguiçosa. Todo o processo cansa-me imenso.

Tu já falaste aqui dos Estados Unidos. Eu e o João Miguel, na preparação desta conversa, foi algo que nos suscitou muito interesse, porque agora também com todas estas transformações que estamos a viver no país, as políticas de Donald Trump, muitas transformações. Tu viveste lá em alturas distintas, porque também viveste lá algumas alturas, depois voltaste para Portugal, voltaste para lá. Consegues te posicionar neste momento e perceber e estabelecer uma diferença entre aquilo que se vive agora e aquilo que tu viveste nessas alturas?

Uma das coisas é: eu não tenho vontade nenhuma de lá ir agora, que é estranhíssimo, porque quando voltei para Portugal e depois fazia umas doses de um mês, dois meses por ano ou duas vezes por ano, fazia isso e tinha sempre muitas saudades e muita vontade de lá voltar. Neste momento, não tenho vontade nenhuma de lá voltar.

Por quê?

E é, obviamente, por razões políticas. Primeiro, sinto que provavelmente nem sequer sou bem-vinda. Se de facto forem ver coisas ao meu Instagram, não vão gostar.

Mas tu que viveste nos Estados Unidos, Benedita, encontras explicação para o momento particular que vive o país nesta altura?

É um país muito polarizado desde sempre. Eu quando fui para lá, no primeiro ano ou segundo ano em que lá estava, o Obama foi eleito a primeira vez. Eu sou muito antiga. E o entusiasmo que se viveu nas ruas quando ele ganhou é uma coisa que eu até tenho muita vontade de sentir isso um dia em Portugal. A esperança toda que aquelas pessoas tinham naquela pessoa, não era um bocadinho o que nós sentimos aqui, ou pelo menos eu sinto também bastante e sinto que é uma coisa que é: "Bem, do mal ao menos, o melhorzinho é não sei o quê" ou é por exclusão de partes, em vez de ser por nós de facto acreditarmos numa pessoa. E eu vivi esse momento lá e foi muito entusiasmante e inspirador. Nos últimos anos, o que eu fui sentindo, e eu já não estava lá a viver quando o Trump foi eleito a primeira vez, foi quando eu tinha acabado de voltar para Portugal. Ainda lá fui várias vezes durante o primeiro mandato. Mas o que se sentia é que a certa altura nem sequer se podia falar de política uns com os outros. E isso também fui falando com os meus amigos lá, e passou a ser tabu, porque era tão polarizado que as pessoas não se conseguiam entender, não conseguem conversar. Há um bocadinho disto em Portugal, mas em doses mais pequeninas, mais homeopáticas.

Lá é constreito, não é?

É. Eu vivia em Nova Iorque, eu vivia rodeada de pessoas que pensavam mais ou menos como eu penso, que não eram Trumpistas.

Que é um microcosmos da América.

Sim.

Tu tiveste a oportunidade de conhecer o país para lá de Nova Iorque?

Tive. Apesar de Nova Iorque sugar um bocadinho as pessoas, primeiro porque é um mundo em si só e depois porque as viagens dentro do país não são muito baratas. Eu conheci bastante a Califórnia também, Los Angeles, e também conheci zonas da Flórida, à volta de Boston, por aí, mas não fui muito ao Middle America. Conheci muitas pessoas lá, porque há muitas pessoas que vão para Nova Iorque que são de outros estados, mas lá nós temos tendência a dar-nos com as pessoas com quem temos mais coisas em comum.

Com quem nos identificamos.

Com quem nos identificamos. E também sendo artista. A ignorância é mesmo uma realidade e a ignorância abre portas a um populismo e a uma saída fácil e o bode expiatório. O grande mal do nosso país é este. E as pessoas: "Pois é, tem toda a razão." E como há uma América muito ignorante, claro que isto é generalizar, obviamente.

Também há uma América muito culta, não é?

Há, e era essa que me fascinava. Não fiquei lá por acaso. Há uma América com uma pluralidade de cultura, de background, que me fascinou. Eu via aquelas pessoas todas de religiões, de culturas, mesmo de línguas, que me fascinava, que eu queria saber mais sobre aquilo e como é que eles conviviam, porque na verdade, há uma maneira de todos conviverem e estarem todos tranquilos. Portanto, a minha imagem é muito diferente desta imagem do não podemos deixar entrar mais ninguém e o inimigo é quem vem de fora, porque eu via toda a gente a viver. Claro que há sempre rivalidades. Basta sermos duas pessoas para haver asneira, mas as coisas estavam bem organizadas.

Era outro ambiente social e político.

Sim, eu imagino que em Nova Iorque as coisas continuem a ser um bocadinho uma bolha. E agora com a vitória do novo presidente. Deu ali um rasgo de esperança quando eu vi aquilo. Porque é uma bolha, mas não deixa de estar dentro dos Estados Unidos.

Muito bem. Diz, termina.

Daí vem a minha não vontade de lá ir. Não sei até onde é que isto vai, mas vai.

Vamos ver. Olha, vamos aligeirar um bocadinho a conversa sobre o teu período americano, digamos assim. Foste colega de quarto da Daniela Ruah, não é?

Sim.

Ela é uma boa roommate?

Hoje em dia, não sei.

Conta-nos segredos, Benedita Pereira.

Já contei os segredos todos dela, ela está farta. Mas ela era um bocadinho desarrumada, um bocadinho destrambelhada. E eu vivi a minha vida toda com a minha mãe a dizer: "Meu Deus, arruma o teu quarto!" E eu tinha a lata de dizer à minha mãe: "Mãe, não posso ser perfeita em tudo." Tinha a lata de dizer este tipo de coisas, mas vivia com esta ideia de que eu sou uma pessoa desarrumada. E depois conheci a Daniela e tudo mudou.

Viveste no apartamento quanto tempo com a Daniela Ruah?

Eu vivi um ano só eu e ela, e depois um segundo ano, que não chegou a ser completo, porque eu depois vim para Portugal fazer uma série e ela depois também acabou por ir para Los Angeles. Já éramos três, eu, ela e a Mariana, que era nossa outra colega, também era portuguesa e que ainda vive nos Estados Unidos, mas ela faz produção e trabalha na Netflix.

E está lançada. Está como a Daniela, não é? Tens falado com a Daniela Ruah?

Tenho. A última vez ela veio ver um espetáculo meu no verão, e depois tivemos tempo para estar um bocadinho juntas.

Matar saudades.

Matar saudades. Mas eu percebo ela como imigrante e como mãe de filhos, às vezes é complicado aquela coisa do vir cá e estar com toda a gente. E eu também sofri um bocadinho disso Eu não consigo ligar a toda a gente. Portanto, eu não levo nada mal. Às vezes passamos umas temporadas sem nos vermos e sem falarmos, mas é daquelas amizades que a gente põe em pausa e depois carrega no play. Era como se estivéssemos há 10 anos atrás.

Como se estivesse sempre perto. Benedita Pereira, em "40 Minutos" esta semana. Vamos só fazer aqui uma curta pausa para as notícias e já regressamos.

Até já.

Estamos de regresso para a segunda parte do "Em 40 Minutos". Benedita Pereira é a nossa convidada esta semana. Acabamos a primeira parte a falar dos Estados Unidos, mas João Miguel Santos, temos aqui alguém à nossa frente que quando era muito jovem, queria ser o Herman José feminino. Não sei se há cassetes que nos recordem desses momentos. Não sei se a Benedita Pereira quer exemplificar aquilo que seria hoje se fosse um Herman José feminino. Essa figura.

Bom, isso era delírio, pessoal, vamos lá ver. Era o delírio de uma criança.

Mas é uma figura inspiradora, não é, o Herman?

É. Era e é. Faz parte também do nosso imaginário coletivo. Hoje em dia eu acho que as crianças já não vão ter esta coisa de todos estarem a ver a mesma coisa. Porque já ninguém vê só um canal ou dois, porque tudo está à disposição de um clique. Agora, nós víamos todos aquilo. E meu pai era muito fã do Herman e nós tínhamos as VHS dos programas todos. Tínhamos uma gaveta só dedicada ao Herman.

Uau!

E que nós víamos consecutivamente. Portanto, claro que havia coisas que eu tentava imitar. Felizmente, temos pessoas muito melhores a fazer humor do que eu. Eu gosto muito de fazer comédia, mas não é bem a minha cena. Não sou a melhor a fazer sketches e claro que me divertiria. E já fiz alguns, mas o meu caminho desviou-se um bocadinho desse. Mas o Herman, o poder de transformação dele, mesmo agora, como atriz um bocadinho mais séria, a maneira como ele se transformava, eu lembro-me de ser pequenina e achar que ele era outra pessoa, que ele não era ele.

O Herman foi a razão pela qual decidiste abraçar a arte da representação?

Foi uma das razões. Sim, porque era o que eu via em casa. Uma das coisas que eu via, depois também via coisas tipo de "La Féria".

Sim.

E os meus pais de vez em quando levavam-me a ver uma coisa ou outra. Às vezes vínhamos a Lisboa, ao teatro.

És do Porto, não é?

Sim, eu sou do Porto.

Uma beta da Foz.

Sou uma beta da Foz, é verdade. Mas depois andei numa escola de teatro que era assim super avant-garde e que fazíamos coisas que não tinha. Eu com 12 ou 13 anos estávamos a fazer espetáculos baseados no "1984" ou no "Admirava o Mundo Novo", que eu nem sequer sabia muito bem o que aquilo era e já estávamos a fazer.

Isso com que idade? 12 anos?

Sim, 12, 13. Eu vivia assim entre dois mundos que não tinham nada a ver, e mesmo em termos de referências.

Isso é muito precoce, não é?

Era um bocadinho precoce. O nosso professor achou que era uma boa ideia. Estávamos nos anos 90. Nunca fiz teatro infantil. Eu andava no teatro desde os oito anos, mas nunca fiz uma peça de beá-bá. Fiz um espetáculo, estreamos no São João também com 13 anos, a fazer um espetáculo da Luísa Costa Gomes, que era um juvenil. Nunca fiz teatro infantil.

Não era infantil.

Não, era tudo assim um bocadinho avant-garde.

O que se sente nessa idade ao subir a um palco como o do Teatro Nacional de São João, com 13 anos? Sente-se alguma coisa? Não se tem noção daquilo que se está a fazer?

Eu já tinha alguma noção nessa altura. Com oito anos, quando fui para o teatro e quando disse que queria fazer atriz. Olhando para trás, não tinha noção nenhuma, mas só sabia que gostava e queria continuar.

Mas qual era a paixão inerente a isso? Era gostar de entreter os outros, era gostar de interpretar vidas, era ser conhecida, era ser estrela?

Era um bocadinho a vida do backstage. Havia um bocadinho o que se vivia ali, o experimentar, o que se partilhava, e depois esse nervosismo, porque é um bocadinho aditivo. Acho que é um bocadinho a nossa droga, pelo menos a minha é. Tudo isso, não te sei explicar muito bem o que era na altura, mas era um bocadinho essa vivência do backstage e da criação.

Lembras-te assim de algum momento particular do início da tua carreira, Benedita Pereira?

Eu lembro-me deste espetáculo com 13 anos no teatro.

No São João.

Nós estivemos a ensaiar durante uns três meses. Estávamos na escola, depois saía da escola e ia diretamente para o teatro, e aquela coisa de andar naqueles corredores e o cheiro daquele teatro, que ainda hoje é o mesmo. Quando lá vou é uma coisa incrível. E lembro-me também de fazer um espetáculo com 40 de febre. Aquilo foi em dezembro, e eu estava a fazer o espetáculo e estava doente, mas tínhamos muito esta coisa do: "The show must go on" e fazemos o espetáculo. E eu lembro-me de estar a tremer e fazer o espetáculo e sair de lá E os meus pais medirem-me a febre e me levarem para o hospital. E eu fui diretamente do palco para o hospital.

Isso é à diva.

É um bocadinho à diva, já com 15 anos. Mas era um bocadinho esta a ideia que eu acho que temos de cumprir, não podemos falhar o nosso público, mas que havia esta coisa do sacrifício, que a certa altura é um bocadinho só parvo. Porque não nos queremos levar ao limite, mas havia um bocadinho isso incutido, era uma escola um bocadinho mais antiga. Hoje em dia, não temos tanto isto, já há um bocadinho de: "Eu não estou bem, se calhar é melhor poupar-me." Eu ainda tenho um bocadinho esta coisa de: "Não, vamos até ao fim", mas acho que tem que haver um limite, como é óbvio, temos que respeitar o nosso corpo. Mas eu já com esta idade achava. E eu a tremer-me toda, mas tinha que fazer o espetáculo até ao fim.

Isso é interessante, porque tu começaste muito cedo e queria te perguntar se não sentes que por teres começado muito cedo, não te começaste também muito cedo a levar demasiado a sério.

Sim, completamente. Tu imagina. Eu olhava para trás.

Dizes isso a rir.

E depois te a rir porque é estúpido.

Agora a voltar atrás.

Sim, porque nós quando somos crianças, não temos muita noção. Crianças, jovens.

Fatalista tudo, não é?

Sim.

Se eu falhar, acabou tudo.

É isso, é horrível. Lembro-me dos nervos de falhar qualquer coisa antes de um espetáculo de escola. Mais nervosa do que se calhar estou hoje em dia antes.

E eras daquelas que ficava sempre na fila da frente.

Sim. Eu levava as coisas mesmo a sério, mas por outro lado, foi da maneira que os meus pais e as pessoas à minha volta também me levavam a sério com esta ideia de querer ser atriz, porque eu queria fazer as coisas bem. Queria estar lá e se havia coisas extra para fazer, eu fazia. Eu queria criar uma coisa para a amostra, não sei das quantas.

Mas isso é bom, isso é ter uma atitude competente.

Sério, sim, mas levava-me super a sério, como é óbvio.

Eu depreendi que a pergunta do João era mais no sentido de te achar já grande.

Não.

"Eu já sou uma atriz."

Não, o que eu estava a dizer era levar a sério esta coisa de eu quero ser atriz. E eu dizia com oito anos ou nove anos, eu dizia isto na escola e eles queriam ser veterinários, todos e tudo, normal.

Tu nunca tiveste nenhum sonho assim de profissão mais convencional?

Não, o que eu queria ser antes disso era reformada.

Que é uma ótima resposta também. Se deve ser para isso.

Porque a minha mãe reformou-se antecipadamente e eu achava aquilo o máximo. E eu assim: "Então, eu trabalho um dia e reformo-me." Não sabia lá o que era.

Um cheque de dinheiro que caía na conta todos os 26.

Sim, achava que fazia todo sentido. E depois disso, foi ser atriz. No fundo, isto é uma carta de amor aos meus pais. Porque eles é que me levaram a sério, mas eu acho que era porque eu me levava a sério. Mas nesse sentido, não, eu acho que nunca achei que agora era uma grande atriz. Acho que não.

Quando é que te dá esse clique?

Que eu era uma grande atriz, nenhum. Nunca.

Tirando a parte do grande.

Sei lá. Eu acho que quando comecei a trabalhar profissionalmente e só a fazer isto, percebi que eu estou a fazer a profissão que eu disse que ia fazer. Mas depois tens sempre o síndrome do impostor, que é: "Mas eu mereço isto?" Quer dizer, de repente fui protagonista de uma série juvenil, que no início ninguém dava nada por aquilo e eu nem sequer tinha muita noção do peso que isso teria, mas ao mesmo tempo sentia o peso da responsabilidade. Não sei bem explicar, mas é um misto de: "Ok, isto está a acontecer. Será que eu mereço que isto esteja a acontecer?" E acho que também foi uma das razões que me fez também querer ir para fora. Foi um bocadinho ter esta noção do és uma estrela aqui, mas és um pontinho lá fora.

Até porque tu tinhas, e já partilhaste isto, a carreira praticamente bem encaminhada. Tinhas sido convidada para ser protagonista numa novela na altura da TVI e foi na altura que foste para os Estados Unidos. E se calhar, para alguém com uma mentalidade de se querer estabelecer mais por cá em Portugal, tornar-se mais uma estrela.

Teria sido o caminho mais óbvio.

Teria sido o caminho mais óbvio, sim?

Mas para mim, eu não sei se por exemplo, se a minha carreira teria a longevidade que eu quero que tenha se eu tivesse escolhido esse caminho. Não sei, nunca vamos saber.

Sim.

Mas eu acho que há um momento em que nós chegamos a esta linda idade dos 40 anos e nós somos muitas. Somos imensas atrizes boas, trabalhadoras, com capacidades. Nós somos muitas e vamos continuar a ser e vamos continuar a envelhecer e vai haver menos papéis. E, portanto, o que é que vai acontecer nessa altura? Ninguém sabe, mas nós temos que criar caminhos e não ficar só dependentes da televisão, ou não só ficar dependentes da novela. Sim, podia-me ter especializado em ser protagonista da novela, mas eu preferi ir ver outras coisas e experimentar outras coisas e pôr-me à prova e estudar. Porque entretanto eu também tinha ficado isso pelo caminho. Com 17 anos tinha vindo para Lisboa trabalhar, sentia falta disso. Portanto, foi o caminho que foi.

Falaste desse número 40 anos. Para atrizes, se calhar, existe mais, diria essa comparação, a ditadura da imagem.

Sabemos isso através das redes sociais, de comentários que muitas vezes surgem e que são despropositados. Isso assusta de alguma forma?

Cada vez menos.

E porquê?

Não sei explicar, mas há uma coisa fantástica de ter 40 anos, que me bateu mesmo algures entre os 39 e os 40, que foi: eu quero lá saber. Tenho alguma sorte genética, não vou mentir. Não é que eu não me cuide. Eu gosto de me cuidar, gosto de me sentir bonita, gosto de pôr uma maquiagemzinha, gosto dos cremes XPTO, gosto de fazer um tratamento, mas não quero ficar escrava disso. E acho tão desinteressante. E acho que sinceramente, o caminho é que isso vai se tornar cada vez mais desinteressante, ver caras que não mexem, que não têm linhas, que não têm história. Os atores, nós além de sermos a nossa própria história, somos a história das nossas personagens. As linhas que eu tenho no rosto são das lágrimas que eu chorei, das gargalhadas que eu dei, mas também que dei enquanto outras personagens. Eu acho isso tão bonito e acho que isso é mesmo o futuro, porque vai haver um momento, e eu acho que isso já está a começar a acontecer, em que as pessoas já estão a começar a apontar o dedo e: "pá, para de mexer ou melhor, mexe a cara, para de mexer ". E eu tenho uma segurança hoje em dia, em relação a mim e ao meu corpo e à minha cara, que não tinha quando tinha 20 e tal anos.

Os 40 são os novos 20 .

Eu não te sei explicar, mas isto está a acontecer e isto vai de dentro para fora, porque as pessoas dizem-me isso: "ai, estás mais bonita", e eu penso assim: se calhar está a resultar, se calhar este é o caminho.

Ajudará a explicar isso que tu sentes, o facto de seres mãe? É que para muitas mulheres, há uma vida nova que se abre com a maternidade. Isso aconteceu contigo ou não?

Sem dúvida que há uma vida nova. Não sei se é este o caminho, se é o caminho do sentirmos bem conosco próprias, até porque há um caminho da maternidade que é terrível nesse sentido. Em que o nosso corpo muda e que nós temos que aprender a lidar com isso, e que depois queremos voltar ao que éramos, mas ao mesmo tempo nunca mais vamos voltar a ser o que éramos. Depois há o caminho da aceitação e ao mesmo tempo queremos ser a nossa melhor versão. Há aqui muita coisa para trabalhar e para manusear. Mas eu acho que para mim, claro que sim, há uma porta que se abre com a maternidade, em relação à maneira como eu vejo e como me vejo também no mundo. Mas esta coisa um bocadinho mais, se calhar, egoísta, egocêntrica em relação a mim, ao meu corpo, à imagem e à profissão, acho que é uma coisa que veio, não sei explicar muito bem, acho que foi por magia. Não sei se é o número 40, se é porque, de facto, estou a viver um momento bom, muito bom, em que eu estou a fazer exatamente aquilo que eu quero estar a fazer, em que tenho perspectivas de continuar a fazer, mas sem ser aquela coisa do estou aqui parada à espera que as coisas venham. Mas estou com muita vontade, estou muito feliz e acho que essa confiança vem daí e depois isso também transparece para os outros. Portanto, acho que é um misto de coisas. Não vem só com a maternidade. E também vem com o observar o que está a acontecer no mundo e pensar: "eu não quero ser assim."

É outra maturidade, se calhar, os 40, não é?

Sim, é mesmo. E é bom. É uma coisa que assustava. Com 20 e tal, 30: "ai, meu Deus!". Eu estava há bocado a falar sobre a profissão e sobre há menos papéis. Não, os papéis mais interessantes são os que estão a vir agora. Sem dúvida, porque a vida de uma pessoa com 40 anos é muito mais interessante do que uma vida de uma pessoa com 20. Eu vejo isso pela minha. Agora, é preciso é que isto continue.

Tu achas que os 40 te vão trazer na tua carreira ou te vão abrir a possibilidade de interpretar personagens mais desafiantes e que isso pode ser bom para a tua carreira, Benedita Pereira?

Sim. Sem dúvida, eu acho que as melhores coisas que eu tenho feito têm sido feitas nos últimos anos e mesmo recente. Claro que, obviamente que isto é o percurso natural. Nós temos tendência a melhorar, todos.

E temos tendência a achar sempre o mais recente melhor do que aquilo que fizemos há 10, não é?

Sim. A não ser as nossas fotografias, que é quando olhamos para nós e assim: "eu era tão boa, era tão gira e na altura não achava que era . Agora tenho um bocadinho esta coisa." Mas em relação aos trabalhos, claro que sim. Quer dizer, eu vejo coisas de antigamente e fico com aquele momento cringe, de vergonha.

Mas tens assim algum papel que te tenha envergonhado ou que sintas particular vergonha quando olhas para ele?

Eu não tenho vergonha.

Ou arrependimento. Cringe é aquela coisa.

Arrependimento é uma coisa.

Arrependeste algum trabalho ou de ter interpretado alguma personagem, Benedita Pereira?

Não, eu não me arrependo. Não consigo dizer que me arrependo de ter interpretado uma personagem. Agora, eu olho para trás e consigo perceber que eu era tão verdinha, era tão canastrona, como nós dizemos. Claro que as pessoas dizem: "eu estou a ver outra vez As Morangos", ou mesmo a série que eu tenho agora no ar, que vai estrear agora a segunda temporada, Ninguém como tu. Eu fiz a original, a novela Há pessoas que estão a ver agora a novela e eu já vi bocadinhos de coisas e penso: "Que canastrona!" Claro, tinha 19 anos ou 20 anos, é normal. Mas o que eu podia fazer diferente? Era o melhor que eu sabia fazer na altura. E eu acho que fui aprendendo muito a trabalhar, não tenho dúvidas nenhumas. Tive escola, tive workshops. Tenho uma pessoa específica que eu acho que é a minha mestra, aprendi muito a estudar e a praticar na sala de aula, mas não há melhor do que aprender a trabalhar e obviamente que isto tem tendência a melhorar. Agora, eu acho que também as personagens são mais interessantes.

Agora.

Pelo menos as que me têm aparecido são mais interessantes agora, ou pelo menos eu consigo, mesmo as que à partida até podem não ser as mais interessantes, eu acho que já consigo ir a camadas e ver coisas que com 20 anos não conseguia, porque nós temos uma visão um bocadinho menos vivida.

Não te vou fazer essa maldade, mas quando ainda hoje falam contigo em qualquer entrevista e te perguntam sobre os brancos com açúcar, tu mentalmente já reviras os olhos ou ainda falas disso com orgulho e vaidade?

Eu reviro os olhos quando fazem perguntas muito básicas sobre essa altura.

Como foi ser a-

Que é tipo: "Como é que foi agora lidar com a fama?" E eu: "Pelo amor de Deus, amigos, já passaram tantos anos, eu sei lá, eu nem sei o que é que comi ontem ao jantar, quanto mais..." De certa forma, eu me sinto muito importante, porque acho que fiz parte de uma coisa histórica, que está na memória das pessoas e mesmo aqueles que não existiam na altura, hoje em dia veem porque os pais lhes mostram. Isto é uma cena estranhíssima, é um fenómeno que eu às vezes até acho estranho de compreender, mas por um lado tenho o maior orgulho de fazer parte da história da televisão em Portugal. É isto. Não sou uma estrela, mas faço parte da história.

Não, não te consideras uma estrela.

Isso.

Mas faço parte da história.

Mas fazes parte do estrelato de Portugal, isso é um facto.

Achas?

Então claro, estás aqui. Se não fosses uma estrela, não estarias aqui a dar uma entrevista, como é óbvio.

Exato. Pronto, olha, subi na vida, vou chegar a casa e dizer: "Filho, sou uma estrela."

Era vir à Rádio Observador. Bem, vamos fechar este "Em 40 minutos". Benedita Pereira, o que te inquieta mais neste mundo que agora vivemos, considerando-te uma pessoa bastante inquieta?

Tanta coisa, nem sei por onde começar.

Top três das tuas preocupações.

Não, na verdade, o que me inquieta mais tem a ver com o meu filho, tem a ver com o mundo que lhe vamos deixar. E às vezes é difícil, primeiro explicar-lhe coisas e tentar perceber o que pode explicar, o que não pode explicar. Fomos a manifestações na altura pró-Palestina e tentar explicar o que estava a acontecer, mas ao mesmo tempo tem cinco anos, vais explicar o quê? O que está a acontecer no mundo é um bocado do geral para o particular. O que aconteceu agora recentemente, por exemplo, Trump, Venezuela e de repente tudo ser possível neste momento.

E a Gronelândia.

E a Gronelândia. Tudo ser possível, de não haver travão para um mauzão daqueles, porque o meu filho vê o mundo como os maus e os bons. Um bocadinho assim. E não é. Quer dizer, nós temos que explicar que o mundo não está dividido assim, que somos todos pessoas, mas já começa a ser um bocadinho difícil. E de repente, quando se fala do Trump, ele no outro dia viu o Trump no "Sozinho em Casa 2", que ele faz aquele cameo, e nós falámos disso e depois tivemos que lhe explicar e de repente ele: "Mas ele é mau, ele é bom?" E eu assim: "É mau." Já não consigo ir buscar nada de bom ali. E portanto, as minhas inquietações têm a ver com que mundo é que deixamos para a próxima geração, se eles de facto vão ser a nossa salvação ou não. E o que nós podemos fazer, como nós lhes podemos explicar, se os protegemos, se lhes explicamos, como nós lhes deixamos, qual é o nosso legado para eles. Isto engloba tudo o que estamos a viver agora e o que se adivinha. Mas vamos dando o nosso melhor.

E há esperança, acima de tudo.

Há esperança, quer dizer, eu olho para a cara dele e penso: "Se calhar são eles." Porque há um bocadinho aquela coisa, há uma geração que faz bem, depois há uma geração que destrói tudo, depois há uma geração que faz bem. Se calhar são eles, mas nós não podemos descartar isso. "São eles." Não, como é que nós passamos esse testemunho?

Benedita Pereira, foi ótimo. Muito obrigado por teres vindo aqui à Rádio Observador e ao "Em 40 minutos". Muito sucesso, obrigado.

Obrigada vocês.

Obrigado.