Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Que nós achamos às vezes que ao pararmos, se calhar podemos perder algum terreno. Mas felizmente, eu sempre senti um grande carinho por parte do público. Tu falavas sobre a ação que nós fizemos na Nazaré, aquilo foi uma loucura. Aquelas ideias, quem trabalha comigo sabe que eu sou meio maluco às vezes. Eu disse: "Epá, malta, em vez de fazermos uma ação social com influencers, quero ir mesmo para o meio da rua, para o meio das pessoas", porque com o sucesso que a música está a ter, a mim faz-me todo o sentido estar próximo das pessoas e é uma forma de agradecimento também. E de repente eu achava que vai aparecer, sei lá, meia dúzia de pessoas. Mas de repente aquilo foi uma loucura, malta a chorar fora do autocarro, queria entrar e não conseguiam. Eu de repente mandava entrar à força a gente. O meu agente chegou a dizer: "Para com isso, já chega". Porque aquilo foi uma loucura. E portanto, são esse tipo de coisas que me emocionam muito.
Há histórias que se escrevem em palco e há outras que se escrevem no silêncio da família. Ele viveu ambas. Cresceu com a música a moldar-lhe o destino, enfrentou a responsabilidade de carregar um legado, mas conseguiu encontrar palco para a sua voz. Antes disso, aprendeu a lidar com comparações, a procurar a sua identidade e a viver com o peso, mas também com o privilégio de se chamar Carreira. A vida trouxe-lhe muitos sucessos, multidões e também perdas que mudam tudo. A paternidade tornou-se um refúgio e o regresso à música, um verdadeiro renascimento. E hoje senta-se conosco para nos contar o que ficou por dizer, o que o silêncio também lhe ensinou e o que ainda sonha cantar. Mickael Carreira, em 40 minutos. Bem-vindo aqui à Rádio Observador.
Muito obrigado pelo convite. Como é que tu estás?
Está tudo bem. Vamos a isso, vamos conversar um bocadinho.
Vamos a isso.
O silêncio que falava aqui na introdução, e nós já vamos falar aqui de uma parte em específico da tua vida em que decidiste fazer essa pausa, ensinou-te o quê?
O silêncio ensinou-me que às vezes é necessário e é importante. E é engraçado que eu falava sobre isso, eu acho que foi agora há uns dias, já não me recordo com quem, mas falava sobre isso, de que às vezes quando tu estás num ritmo tão acelerado, com tanta coisa a acontecer. Felizmente, eu tive uma fase da minha vida onde estava aí tanta coisa. Imagina, viagens para fora, gravação do trabalho para o México, para a América Latina, gravação do The Voice, concertos, 28 concertos no mês, que às vezes acontecia muitas vezes. E eu próprio precisava de abrandar um pouco, ter um pouco de silêncio, como tu dizias, e bem. E acho que isso foi extremamente importante para tudo aquilo que eu tenho lançado ultimamente. Criativamente, acho que foi muito importante para mim. Para ganhar mais força, mais inspiração e todos os temas que eu tenho lançado, muitos deles surgiram nessa altura, portanto, acho que foi muito importante.
Mas tu no início, e quando surgiu essa necessidade, eras daquele tipo de pessoa que se sentia confortável no silêncio ou aprendeste a viver nessa fase?
Boa pergunta.
Porque às vezes, para um artista com uma vida como tu, que tinha tanta coisa, parar e saber que amanhã, por exemplo, não vou fazer uma determinada coisa e durante um, dois, três dias.
Eu tinha medo do silêncio, provavelmente. Por estupidez, às vezes, eu acho que nós achamos que por abrandarmos e desaparecermos um pouco, acharmos que pode pôr muita coisa em causa. Mas eu acho que às vezes é importante haver essa reflexão, esse silêncio, essa pausa. E é uma coisa que eu de vez em quando faço. Entre os trabalhos, às vezes, parar um pouco, eu acho que isso é importante. Em tudo na vida, eu acho tanto profissionalmente, na vida pessoal também, acho que esses momentos são muito importantes.
E descobriste novos lugares em que gostas mais de estar em silêncio? Sei lá, por exemplo, ir à praia e estar naquele momento só contigo, um lugar específico da tua casa, por exemplo?
Eu sou muito caseiro, porque eu adoro estar em casa, adoro estar sem fazer nada, que é algo que é raro acontecer, mas gosto de estar na sala, estar na cozinha e na piscina, supertranquilo. Geralmente quando eu estou sem trabalhar e estou nos meus momentos, estou em casa. Mas a praia, por acaso, é um lugar que me acalma bastante, o som do mar. E tenho a sorte e o privilégio de morar mesmo ao lado da praia. Portanto, muitas vezes eu vou a caminhar e fico ali uma hora e são momentos bons para mim.
Nesse silêncio, tu há bocadinho falavas da questão da criatividade. Tu sentiste que ganhaste tempo para pensar também a música, a tua forma de ser enquanto artista no meio dessa pausa?
Sim, imagina, eu sempre escrevi muito.
Tu tens muitas coisas na gaveta.
Sim, muita coisa. E algumas coisas que é melhor não saírem, porque algumas coisas não são assim tão boas. Mas eu acho que eu descobri, principalmente nessa pausa, de escrever também com outros compositores, autores, a cena dos campos, que é uma coisa que eu não fazia tanto, onde surgiram grandes canções como Pelos Cantos do Mundo, O Beijo, agora recentemente saiu numa dessas ocasiões. E portanto, sim, por exemplo, o Pelos Cantos do Mundo, que eu escrevi com o Scalema, por exemplo, juntar esta malta, eu acho que é uma cena boa e aprendi isso nessa fase. Apesar de eu achar e sentir muito aquilo que eu quero, a direção que eu quero tomar, mas eu acho que é bom trabalhar em grupo.
E o trabalhar com esses artistas que falaste, também o Matias Damásio, o Toy, o teu pai, Tony Carreira, o que é que te tem trazido agora nestes últimos tempos, depois desta fase de maior silêncio e em que agora está a surgir muita coisa e tu estás quase a fazer 20 anos de carreira?
É verdade.
Isto é um peso? É um peso. Pensas nisso como um peso ou como uma responsabilidade acrescida?
Uma responsabilidade. Sim, quando comecei com 20 anos, nunca achei que um dia ia estar 20 anos de carreira. Portanto, é um marco, eu acho que é um privilégio e eu costumo falar sobre isso muitas vezes. Com o passar dos anos, mais recentemente nós lançamos o "Beijo", que tem sido um sucesso incrível, o que me deixa muito feliz por depois de tantos anos continuar a estar na preferência do público e a malta continuar a querer ouvir-te cantar é algo que me emociona bastante. Entretanto, eu perdi-me. Qual era a pergunta mesmo?
Estava a te perguntar em relação ao trabalho com artistas, que agora estás a lançar vários singles, o Matias Damásio, os Calema, o Tony Carreira, o Toy também, o Assan Ralph. Essa experiência, tu falavas que escreves muito pra ti, não é? E tens muitas coisas na gaveta, mas esse trabalho em grupo tem trazido, se calhar, uma vertente que tu até então não conhecias de ti enquanto artista.
Eu já tinha colaborado com outros artistas no passado. Canções como "Bailando" com o Henrique Iglesias.
Esse então, não é? Um sucesso estrondoso.
É verdade.
Ainda hoje.
Essa música foi uma loucura. Eu vou te ser muito honesto, eu nunca achei que essa música ia ter tanto sucesso na altura que eu gravei com o Henrique. Aquele foi um bugigante.
Mas por quê?
Eu vou te ser muito honesto, eu acho que não tinha noção daquilo que essa música viria a ser. Inicialmente, quando eu gravei com ele, foi mais naquela de: "Vou gravar com o gajo".
Sim.
Porque já era muito fã do Henrique Iglesias há muitos anos e de repente foi quase um miminho pra um menino que está a gravar com uma estrela daquelas. Portanto, foi incrível. Mas respondendo à tua pergunta, eu acho que quando as coisas fazem sentido, quando eu escrevi o "Pelos Cantos do Mundo", inicialmente era só eu. O "Beijo" era só eu. Mas quando eu sinto que aquele artista em questão pode trazer algo de diferente e a música ainda pode crescer mais, é nestes momentos que eu decido convidar esses artistas. Aconteceu com o Matias. O "Beijo" foi realmente uma ideia louca, fora da caixa, porque de repente juntar artistas tão diferentes.
Sim, com sonoridades tão diferentes.
Exatamente. O Assan mais ligado à música afro, o meu pai à música mais romântica, o Toy à música um pouco mais popular, mas foi um desafio muito interessante.
E tu no meio disso te situas onde?
Muito boa pergunta. Eu situo-me, sem dúvida alguma, é aquilo que eu acho cada vez mais, cantor romântico, pop romântico, porque todas as letras, se tu prestares atenção, falam muito sobre amor e desamor.
Sim.
E é realmente aquilo que me inspira e é toda a música que eu ouvi ao longo da minha vida, sei lá, de artistas como alguns que não são assim tão conhecidos cá em Portugal, como o Luís Miguel, por exemplo, o Luís Fontes e o David Bisbal. Portanto, sim, pop romântico.
E são as tuas referências, estas que acabaste de dizer?
Não, tenho várias. São algumas delas, mas tenho muitos.
Tu viveste uma parte da tua vida, 15 anos, em França, ocupa aqui grande parte da tua infância.
À Paris.
Não me vou atrever. Não domine de todo. A música francesa também te influenciou de alguma forma ou nessa altura também já ouvias muita música portuguesa?
É uma excelente questão, porque eu ouvia muita música em francês, sei lá, desde Charles Aznavour, Édith Piaf, tantos outros e distintos, mas eu sempre tive uma grande ligação com a nossa música, a música portuguesa, e a música latina também, a música da América Latina. Eu falava do Luís Miguel, o Cristian Castro, o próprio Henrique Iglesias, durante uma fase da minha vida acabava por ouvir bastante, o David Bisbal, de Espanha. Portanto, eu acho que era mais ligado à música portuguesa e à música latina do que propriamente à música francesa.
Essa tua infância em França, tu já deste entrevistas, já falaste sobre isso, que agora não te imaginavas a viver de todo lá. Ainda assim, a infância foi um período feliz e queria te perguntar se tu te consegues transportar pra algum momento que te tenha marcado em específico dessa altura.
Isso já foi no século passado.
É um exercício complicado.
Imagina, eu nasci lá, portanto França foi muito importante na minha vida, porque eu nasci e vivi lá até os meus 15 anos. Portanto, a primeira grande parte da minha vida foi lá.
E a primeira vez que pisaste um palco foi lá.
A primeira vez que eu pisei um palco foi no Olympia com meu pai em 2001, acho que foi.
Tinhas 15 anos na altura, penso eu. 15, 16, por aí.
Exatamente. Estás bem informado.
Sim.
E sim, portanto, é uma grande ligação com França, mas eu acho que realmente na altura em que nós nos mudamos pra cá, foi realmente a melhor decisão, porque eu não me vejo a viver, eu acho que falei sobre isso há pouco tempo numa entrevista. Não me vejo a viver em outro país. Já tive o privilégio e a sorte de viajar um pouco por vários países através da música, mas Portugal é realmente o meu cantinho.
E o que tem Portugal, por exemplo, também à altura, se calhar, foi diferente. À altura que viveste em França, foi ali a questão da tua infância, da tua adolescência, mas assim que chegaste a Portugal, tu conseguiste perceber logo diferenças entre os dois países? Quer seja na questão da abertura.
Sentia muita coisa. A comida senti logo. A nossa é muito melhor, apesar de eles terem uma culinária incrível também, mas tu sentes em várias coisas, o próprio povo, a maneira de ser é totalmente diferente. E depois é muito mais agradável viver aqui ao pé da praia do que viver no meio de não sei quantos prédios.
Sim.
Apesar de Paris ser uma cidade incrível, mas Lisboa é maravilhosa. Eu acho que não respondi à tua pergunta, que é se eu me lembro de um momento em específico da minha infância.
Sim, faltou essa parte. Um momento que te tenha marcado, algo que ainda hoje te lembres.
Quando nós nos mudamos para cá, eu acho que foi uma viragem, provavelmente esse momento.
Em que vieste como?
Sim, que nós viemos para Portugal, eu acho que foi um momento importante, foi uma viragem.
E sentiste também isso por parte dos teus pais, essa vontade de querer vir para Portugal?
Sim, sentia. Imagina, eu acho que quem provocou essa nossa vinda aqui para Portugal fui eu.
A sério? Interessante.
Imagina, o meu pai passava muito tempo aqui em concertos.
Teu pai estava habituado a isso, a saltitar, vamos dizer assim, de um local para outro.
Grande parte da carreira dele era cá em Portugal, nós estávamos lá e eu acho que inevitavelmente eu acabei por sentir muita falta de estar mais perto dele e falava sobre isso muitas vezes: "Um dia vimos para Portugal". E as coisas acabaram por acontecer. Eu acho que foi um momento importante das nossas vidas. Acho que aí muita coisa mudou.
Se tu pudesses dar um conselho ao teu eu de 15 anos nessa altura, o que lhe dirias neste momento, sabendo o que tu sabes hoje?
Não sejas tão tímido. Eu era muito tímido. Eu era muito reservado.
Até mesmo na escola, com amigos?
Sim. Eu era tipo o patinho feio na escola.
A sério? Não diria.
Juro.
E até mesmo, por exemplo, quando vieste para Portugal, sentiste dificuldade nesse tipo de adaptação por causa da tua timidez ou não foi um problema?
Cá nem tanto. Aqui nem tanto, se calhar, eu acho. Mas lá, sim, sentia um pouco. Mas ainda hoje sou tímido.
Mas ninguém diz que o Mickael Carreira, com quase 20 anos de carreira, que sobe a um palco. Aliás, estávamos aqui a falar há pouco de um momento, a propósito do teu single, "Beijo", de um momento em que foste à Nazaré, num caminhão caixa aberta, certo?
Um trio elétrico.
E ficaste muito surpreendido, na altura, com o carinho das pessoas, com a quantidade de pessoas que estavam ali para te ver e para te sentir, no fundo.
É verdade.
Isso também se deve ao facto de teres parado algum tempo e teres achado que se calhar as pessoas já não te iam receber da mesma forma?
Há sempre esse receio. Isso é um problema muitas vezes. Imagina, eu acho que quando tu paras, daí a questão do silêncio, tu falavas, e bem, há pouco sobre isso, de que nós achamos às vezes que ao pararmos, se calhar podemos perder algum terreno. Mas felizmente, eu sempre senti um grande carinho por parte do público. Tu falavas sobre a ação que nós fizemos na Nazaré, aquilo foi uma loucura, porque aquelas ideias, quem trabalha comigo sabe que eu sou meio maluco às vezes. Eu disse: "Epá, malta, em vez de fazermos uma ação social com influencers, quero ir mesmo para o meio da rua, para o meio das pessoas", porque com o sucesso que a música está a ter, a mim faz-me todo o sentido estar próximo das pessoas e é uma forma de agradecimento também. Eu achava que vai aparecer, sei lá, meia dúzia de pessoas, mas de repente aquilo foi uma loucura, malta a chorar fora do autocarro, queria entrar e não conseguiam. Eu de repente mandava entrar à força a gente. O meu agente chegou a dizer: "Para com isso, já chega", porque aquilo foi uma loucura. São esse tipo de coisas que me emocionam muito. Imagina a turnê que está quase a acabar, a turnê 2025. Nós estivemos por vários pontos do país e sentir realmente que a malta canta não só as canções mais recentes, mas as mais antigas, como o "Porque Ainda Te Amo", "Tatuagem", imagina o 'Tatuagem" de 2010. E outro dia falava sobre isso com o meu turnê manager. Eu dizia: "Epá, é impressionante, esta malta, 2010 foi há 15 anos".
Sim.
E a malta a cantar e a curtir, me deixa muito feliz.
E essa sensação de nostalgia, de voltar ao passado, revisitar esses temas nos teus concertos, é uma sensação boa também fazer essa viagem pelo teu percurso, não é, no fundo? Se calhar, há músicas que escreveste naquela altura da tua vida que te levam a essas memórias, não é?
Sim, há músicas que escrevi naquela altura que se calhar hoje não escrevia. Não é não escrever de, imagina o "Tatuagem" é uma cena mais pop rock. Naquela altura, apetecia-me fazer uma cena mais pop rock.
Sim, a sonoridade é isso mesmo, é ligeiramente diferente daquilo que tu nos habituaste.
Exato. Imagina, as coisas vão evoluindo. Eu acho que o ADN mais romântico está sempre presente ao longo dos anos, mas depois há coisas que tu vais experimentando. Eu sempre tive essa sorte, musicalmente falando, enquanto músico, de nunca gostar de me fechar num género só. Dizer: "Epá, cantas pop rock e vais cantar pop rock para o resto da tua vida". Não, de brincar um pouquinho com isso. E tenho tido a sorte de trabalhar também com grandes produtores, grandes autores, grandes compositores, que me permitiram ao longo dos anos brincar um pouquinho com isso.
E o lado romântico, acredito que alguém-
É de família.
Sim, mas há aí alguém que se calhar inspira mais esse lado romântico. A Laura é uma das responsáveis por isso?
Sim. Sabes que é engraçado, a Laura é, sem dúvida alguma, quando eu escrevo uma música ou estou quase a lançar um trabalho, é provavelmente a primeira pessoa que eu peço a opinião, porque ela é extremamente crítica. Eu acho que ela tem um olhar muito válido sobre as coisas.
Isso é bom?
Sim.
Ter alguém ao nosso lado que-
E muito honesta, muito sincera. Sabes que às vezes tens aquela malta que diz: "Epá, ya, está fixe".
Está ótimo.
Prefiro que me digam: "Olha, isso não está nada fixe". E a Laura tem muito, também já são muitos anos juntos. Portanto, é sem dúvida alguma uma fonte de inspiração para mim, sim.
E os teus filhos, acredito que também.
Também.
Ao longo desta vida. Nós vamos fazer aqui uma curta pausa. Vamos falar ainda muito sobre música na segunda parte do 40 Minutos. Hoje com Mickael Carreira. Até já. Estamos de regresso. Segunda parte do 'Em 40 Minutos'. Esta semana estamos com o Mickael Carreira. Vamos começar esta segunda parte. Eu quero abordar este tema, porque geralmente não falamos muito da questão da idade com homens. Falamos mais desta questão com mulheres, que sentem muito mais essa pressão através das redes sociais, também das pressões e das comparações constantes. Como é que tu te sentes aos 39 anos? Tu acabaste de fazer há pouco tempo também uma transformação que te mudou um bocadinho. É visível. Como é que te sentes aos 39 anos?
Sinto-me melhor do que nunca.
Na tua melhor fase?
Sim, sem dúvida. Eu acho que isso foi uma grande mudança na minha vida. Tanto a nível de alimentação, de energia, o treino. É uma cena que eu sinto diariamente, no cotidiano. Ao acordar, sinto-me com muito mais energia, nos concertos com muito mais energia. Portanto, sim, foi uma grande mudança, mas valeu a pena mesmo. Vou te ser honesto, foi um desafio. Foram quatro meses. Uma semana antes da capa, nós estávamos num desafio enorme, porque nós treinávamos quatro, dependia dos dias, quatro, seis vezes por dia, com uma alimentação superrestrita. Mas é isso. E depois tu falas com uma pessoa que adora comer. Eu sou bom garfo. Eu vou para um restaurante.
Qual é o teu prato favorito da cozinha portuguesa?
Eu gosto de boas entradas, de um bom prato, bem servido, sobremesa. Desculpe, o que estavas a dizer?
Não, o teu prato favorito da cozinha portuguesa.
Tenho vários. Sei lá, feijoada.
Pois, que é uma coisa um bocadinho pesada, não é? Para alguém que nessa altura estava...
Não, nada disso. Mas eu acho que é tudo uma questão de equilíbrio. É algo que eu tento fazer hoje em dia. Eu acho que comer é uma cena supersocial. Tu vais sair com amigos, com família e de repente estás ali a conviver, a beber um vinho.
Qualquer pretexto é bom para estar à conversa e a comer.
Estás a comer e ainda por cima temos comida tão boa. Mas eu acho que é encontrares o equilíbrio de: se calhar esta semana vou comer o que me apetece uma ou duas vezes e depois vou entrar na linha outra vez e treinar.
Qual foi o mais difícil? Foi incluir o treino mais diário ou de uma forma mais permanente na tua vida, ou a questão da alimentação? O que é que custou mais?
A alimentação, sem dúvida alguma. Porque eu adoro comer. Imagina, treinar, quando tu começas a ganhar o gosto e ainda começas a entrar no ritmo, é quase, vou chamar assim entre aspas, uma droga, porque de repente-
E começas a ver resultados, não é?
Começas a ver resultados, começas a ficar viciado e é incrível. A comida já é mais... Eu lembro-me que estava no Algarve, na fase final, e o meu pai apareceu. E o meu pai adora comer. Estava eu numa dieta super-restrita e a ver ali costeletas e comidas boas.
Tortura.
É uma tortura.
Falávamos aqui dos 39 anos. Já falámos também na primeira parte da questão dos 20 anos de carreira. Sei que vêm aí novidades para o próximo ano, porque é o ano que marca esses 20 anos. O que tu podes adiantar, para já, sendo eu muito cusco, daquilo que aí vem? Porque tens vindo a lançar vários singles, já falámos aqui do "Beijo", do single também com os Calema, com o Matias Damásio. O que é que aí vem agora em concreto? Tem de ser alguém grande. Tu habituaste o teu público a isso mesmo.
Há muitos projetos que nós temos preparados para o próximo ano. Eu acho que os 20 anos de carreira é um marco. Realmente, eu acho que é uma comemoração com os meus fãs, tudo aquilo que nós temos vivido ao longo desses anos, numa história que eu considero incrível, porque foram 20 anos intensos com muita coisa. Portanto, sim, estamos a preparar um grande concerto para os 20 anos, que ainda não posso revelar. E há projetos também que estão ligados aos 20 anos. A própria tour dos 20 anos, que vai ser pensada muito à volta da retrospectiva, de ter essa viagem no tempo ao longo desses anos, com as músicas mais marcantes, com novos arranjos, um novo cenário. Portanto, sim, vai ser uma data importante.
Essa parte da preparação, do pensar em tudo, tira-te muitas vezes o sono ou nem por isso?
Eu tenho fases. Enquanto estou no lançamento de um single ou a preparar um videoclipe, ou quando estou em fases mais intensas, eu vivo tudo muito intensamente. Muitas vezes eu levo muita coisa de trabalho para casa e a cabeça não para, principalmente. Mas eu acho que isso é bom. Quando tu tens paixão por aquilo que tu fazes, dificilmente tu consegues desligar. Às vezes tenho essa dificuldade, mas sempre fui assim, acho que nunca vou mudar.
E quando queres mesmo desligar, como é que fazes esse desligar do botão?
Quando eu quero mesmo desligar, eu acho que é não fazer nada, obrigar-me a não fazer nada, mas geralmente não dura muito.
Com a Laura a dar-te na cabeça?
Sim, às vezes já aconteceu também, mas geralmente não dura muito tempo. Nunca fui pessoa de tirar uma ou duas semanas de férias, mas se calhar tiro três, quatro dias com a Laura e com os miúdos. Muitas vezes nem saímos do país ou ficamos em casa ou vamos para o Algarve ou para o Norte. Portanto, sim, mas tenho essa dificuldade de desligar.
Tu aqui há bocadinho, acho que foi na primeira parte, falaste da questão das redes sociais, de uma campanha. Estavam a perceber o que é que queriam fazer, se queriam fazer com influencers ou a questão da ação de campanha que acabaram por fazer na Nazaré. Eu acredito que tu Fizeste a tua pausa e depois voltaste à música. Sentiste muito, se calhar, a diferença e o impacto das redes sociais para um artista, na forma como fazem o seu trabalho?
Sim.
Como é que tens vindo a lidar também com essa nova realidade?
Acabaste de me chamar velho, não é? Estou a brincar.
Não, é a questão de tu teres feito a tua pausa.
Estava a meter contigo, obviamente.
Sim, mas acho que é importante falarmos sobre isto, porque a música e a forma como se faz música, até mesmo a questão dos discos, é diferente.
Ao longo dos anos, eu acho que a forma como se consome a música mudou muito. Imagina, quando eu comecei com 20 anos, o primeiro disco, acho que vendemos cerca de 180 mil, 200 mil unidades. O que hoje em dia é impensável, já não se vende disco físico, portanto, está muito mais virado para o digital.
Hoje em dia, só se ouve no Spotify, por exemplo, na rádio.
iTunes, Spotify, no YouTube, rádio. Naquela altura, já existia a rádio também, mas de uma forma diferente.
Sim.
E portanto, eu acho que o desafio com o passar dos anos é realmente perceberes que dentro daquilo que tu és enquanto artista e não perderes o teu ADN, a tua identidade, é realmente poderes crescer com aquilo que está a acontecer. E quem me segue acho que consegue sentir isso, de que há realmente um grande cuidado nos conteúdos que nós apresentamos, quer que seja em concertos, no dia a dia. E é algo que também gosto, vou te ser muito honesto. Esse lado mais digital também.
Mas aprendeste a gostar ou já era algo que te identificavas?
Aprendi a gostar. Também tive a sorte de trabalhar com pessoas muito competentes nessa área. E vou te ser muito honesto, há dias que não me apetece aparecer nas redes. E quem me segue também sabe disso. Imagina, às vezes estou se calhar dois, três dias sem pôr um story, de repente ponho 10 stories. É a questão do silêncio. Às vezes apetece-me estar mais tranquilo e naquele dia não me apetece gravar nada.
A questão do público te acompanhar agora de uma forma mais próxima, aliás, a ti ou qualquer artista que consiga ter essa relação com as redes sociais, sentiste que se tornou de maior proximidade?
Sim, eu acho que hoje em dia tu com as redes sociais, tu tens uma proximidade com as pessoas de que não tinhas se calhar há 15 anos. Eu acho que nesse aspeto é uma grande ferramenta também para comunicares aquilo que tu vais fazer e as pessoas também acabarem por conhecer um pouco mais de ti. Eu acho que na minha carreira houve programas como o The Voice, por exemplo, que acabou por mostrar outra faceta que muitas vezes as pessoas não conheciam lá em casa. Mas eu acho que as redes sociais também têm essa capacidade de poderes comunicar com o teu público e ao fim e ao cabo és a companhia, às vezes, deles durante a semana, durante vários dias e portanto acho que é uma grande ferramenta, sem dúvida alguma.
Essa experiência do The Voice, tu contactaste com muitos talentos.
Certo.
Foi uma experiência, se calhar, que também te mudou um bocadinho a forma como olhas para a música. O que te trouxe essa tua vertente enquanto mentor de jovens talentos, algumas pessoas também mais velhas? Recordas como um passo bem dado na tua vida?
Sim, eu acho que o The Voice foi, sem dúvida alguma, já disse isso várias vezes, principalmente para mim, divirto-me muito a fazer este programa. Eu acho que isso é notório. Nós fizemos agora o The Voice Gerações há pouco tempo. E portanto acho que para nós, enquanto mentores, poder avaliar novos talentos, eu acho que é um privilégio. Imagina, há vozes como, por exemplo, eu lembro-me do Fernando Daniel que estava na minha equipa, o Nuno Ribeiro e Costa que estava na minha equipa também, a Bárbara Tinoco também que participou. Tu vês que realmente eu acho que o The Voice lançou muitas carreiras e durante o programa, já dura há, sei lá, provavelmente há quase 15 anos.
Sim, perto disso.
Portanto, num país, vamos chamar assim, tão pequeno, somos 10 milhões, mas realmente é enorme, temos tanto talento e a prova disso é que este programa já dura há tantos anos e tem nos dado a oportunidade de descobrir realmente grandes vozes.
E parece que a cada edição nós pensamos assim: "A próxima se calhar vai ser mais fraquinha, já se mostrou tudo", e depois vem sempre alguém que consegue.
Eu próprio fico surpreendido, e depois sou muito competitivo. Imagina, quando eu quero muito um concorrente, aí dou tudo.
Sim. É visível, não é? Acho que quem fica, percebe.
Eu acho que a malta que já acompanha o programa já percebeu isso.
E às tantas depois contagiam-se todos uns aos outros e aquilo fica de facto uma boa energia.
E às vezes controverso, às vezes é uma picardia maior, mas é giro.
Há bocadinho falávamos aqui da questão das redes sociais, mas há uma questão que nós muitas vezes não controlamos, que é a questão da imprensa e de notícias que vão saindo, sejam boas ou sejam más.
Certo.
Como é que tu, enquanto artista, lidas com essa parte que está ligada a ti, tendo em conta a exposição mediática que tu tens?
Imagina, hoje em dia, vou te ser muito honesto, eu passo um bocadinho ao lado.
Mas não ligas, não lês? Ou as coisas chegam até ti e tu sabes filtrar?
Acaba por chegar, mas não perco muito tempo com isso. Nem vou gastar muitas energias com isso. Há certas coisas que eu acho que são mais delicadas, quando se toca à família. Mas o resto é o resto. O resto não me afeta muito, honestamente.
Tu falavas aqui da questão da família. Temos de falar, claro, da paternidade.
Certo.
Mudou-te como homem, mas acima de tudo também como artista. Sentiste essa diferença de quando chegou a Beatriz?
Sim, sem dúvida alguma. Ser pai, isso pode parecer clichê, porque é o que toda a gente diz, mas realmente muda-te a 1000%. Hoje em dia vejo-me muito mais calmo, ponderado. A minha maior missão é, sem dúvida alguma, os meus filhos, é dar-lhes os melhores valores e educá-los da melhor forma. Portanto, eu acho que ser pai é uma cena que te muda para sempre.
O que é que te fazia ser-
E vais ver todos os dias. É isso, é incrível.
O que é que te fazia ser mais impulsivo antes da chegada da Beatriz? O que é que te tirava assim do sério?
Muita coisa.
Coisas que podes dizer aqui ou nem por isso?
É melhor não. Antigamente eu reagia muito mais a quente e hoje em dia acho que mais calmo, mais caseiro, até estar muito mais em casa. Não que não me apetecesse antes, mas quando tu tens filhos, realmente queres ir para casa para estar-
Claro
...abraçar-te logo quando eles acabam a escola, logo queres estar em casa. E portanto, sim, eu acho que ser pai é incrível.
No que é que se resume tempo de qualidade em família para ti e o que é que define um bom dia na tua vida?
Um bom dia? Há várias formas de ter um bom dia. Essa é complicada, mas sim. Imagina, quando tenho concerto, para mim é um bom dia. Eu adoro estar na estrada, adoro andar em concertos. Imagina, na pandemia, foi algo que mexeu um pouquinho comigo, porque quando tu estás habituado a estar todos os anos a dar vários concertos, de repente aquilo foi um choque. Portanto, sim, respondendo à tua pergunta, estar na estrada em concertos, estar com os meus filhos, com a minha família, ter uma boa refeição de vez em quando.
Voltam-nos aqui à comida.
Voltamos à comida. Há muita coisa que me deixa muito feliz. Estar em estúdio. De repente: "Olha, estou em casa, vou levar aqui uma mala, vamos para o estúdio e vamos escrever música". É isso. Ir à praia também, quando está bom tempo. Há muita coisa.
Os teus filhos com certeza te têm ensinado muita coisa ao longo deste caminho, a Beatriz e o Gabriel. Se tivesses só de enumerar uma das lições, a melhor coisa que aprendeste com eles, qual é que seria?
A melhor coisa que eu aprendi com eles. Uma excelente pergunta. Eu acho que as pequenas coisas realmente têm muita força, muita importância. Só um pequeno abraço. Por exemplo, hoje o meu filho fui levá-lo à escola, antes de ir para o ginásio, e eu lembro de ele chegar e dar-me o bom dia, abraçar-me com muita força. É isso. Às vezes, na correria, nas coisas que acontecem na nossa vida, de toda a gente, mas eu acho que os pequenos momentos e os pequenos gestos são muito importantes.
Tu falas que na tua infância sentiste um bocadinho a ausência do teu pai, porque ele andava constantemente em concertos, até muitas vezes longe de ti. Como é que tu também vês agora a relação do teu pai com os teus filhos? Que é sem dúvida, é muito diferente, não é?
É muito engraçado. O meu pai costuma dizer que o Gabriel é o terrorista da família, porque ele é incrível. É algo que te enche o coração, ver os teus pais com os teus filhos. Realmente, eles são avós babados. E é isso. O que eu te posso dizer é muito bom, sem dúvida alguma.
Tu quando sentias essa questão da ausência, tu depois mais à frente procuraste respostas para isso e isso influenciou de alguma forma a tua vida e tu tentaste resolver essa questão ou isso foi com o tempo que resolveste?
Eu acho que até uma certa idade tinha alguma dificuldade, se calhar, em perceber, porque eu acho que é normal, eu acho que é inevitável. Eu acho que, se calhar, minha filha hoje muitas vezes ela diz: "Por que tens que ir embora hoje?" "Tenho que ir porque o papá tem que ir trabalhar". Mas eu acho que é normal. Imagina, quando eu comecei com 20 anos, já tinha percebido isso, obviamente, antes, mas é impossível. Principalmente nós que passamos muito tempo longe de casa, na estrada, de um lado para o outro. Não só nos concertos, mas também em gravações. Eu passei muito tempo durante uma fase da minha carreira, onde eu gravava em Miami. Hoje em dia já gravo mais cá. Mas há muitas ausências e é normal, faz parte. Mas se calhar para uma criança, às vezes, demoras algum tempo a perceber.
Esse é um dos teus maiores medos, a questão da distância e de não estar tão presente, se calhar, em algumas partes importantes, porque às vezes acaba por ser inevitável.
É, mas também por outro lado, eu acho que é inevitável. Imagina, quando tu amas realmente aquilo que tu fazes e na nossa profissão, tu passas muito tempo de um lado para o outro, é impossível teres uma vida, vamos chamar assim, normal, onde tu sais de casa às 9h e chegas às 17h, 18h. Portanto, sim, eu acho que faz parte, é assim.
Esta questão da paternidade é sem dúvida muito importante e também porque tens uma mulher ao teu lado que te ajuda imenso, a Laura.
É verdade.
A vossa relação, como é que ela tem evoluído também ao longo deste tempo e ao longo destes anos? Porque o fruto está aqui, dois filhos. Essa relação que tu falas de muita proximidade.
Sim. A Laura é, sem dúvida alguma, eu acho que falava sobre isso há pouco, um grande apoio na minha vida, uma grande conselheira, uma mulher incrível, uma mãe incrível.
Os olhos brilhantes falam por si, neste momento. Para quem só nos está a ouvir, mas tinha de dizer isto.
Não, mas são muitos anos. Como em tudo na vida, eu acho que depois provavelmente há fases um pouco mais difíceis, mas se ela está comigo há tantos anos é que realmente me ama muito. Porque a nossa profissão às vezes não é assim tão fácil.
Eu perguntava precisamente por isso, porque é uma profissão de cedências, de muito esforço, às vezes.
Sim, imagina, nós estamos juntos há relativamente pouco tempo. Estamos juntos há dois ou três anos e foi precisamente naquela altura que eu gravava fora, em Miami, e passava muito tempo fora de casa. Em gravações no estrangeiro e depois tinha que ir pro México pros lançamentos das músicas, depois a gravação de um programa, muitos concertos a acontecer. E a Laura nunca desistiu de mim e sempre esteve do meu lado e, portanto, é por isso que eu digo, por várias razões, que é uma mulher incrível.
E fica aqui patente no final, tudo vale a pena. Não sei se pensas nisto regularmente ou não, mas como é que tu medes o teu sucesso? Porque é inegável pensar em ti e pensar que realmente és um homem de sucesso. Ao fim de 20 anos, mesmo com a pausa que fizeste, continuava-se a falar de ti, continuava-se a ouvir Mickael Carreira. Como é que tu medes e como é que tu olhas pra essa questão? É em números, é no apoio que recebes? Como é que isso se manifesta?
Como é que tu medes o sucesso? Eu acho que é quase impossível medir o sucesso. Eu acho que o sucesso pode ter várias leituras e interpretações.
Sim.
O meu maior sucesso é realmente fazer aquilo que eu mais gosto, que eu mais amo. No final do dia é isso. E tenho falado sobre isso ultimamente nos concertos com os fãs, que é realmente 20 anos, quase, que vamos completar no próximo ano, de uma história que eu considero maravilhosa e que eu consegui escrever à minha maneira, sem muitas grandes influências pelo meio. Porque o público sempre me permitiu fazer isso. Imagina, se não houvesse sucesso, como tu dizias, se as coisas não corressem bem, tinha acabado muito rapidamente. Portanto, evidentemente que depois há coisas que são palpáveis. Imagino o que está a acontecer agora com o "Beijo", mais recentemente, tem sido um sucesso incrível. E traduz-se também não só pelos números, é algo que eu sinto realmente na rua e que me toca bastante. Acontece-me tanta coisa com o "Beijo". Imagina, há pouco tempo, ia correr perto de casa e de repente ouço o som a tocar. Eu assim: "O que está acontecendo?" Aconteceu um churrasco com muita malta lá em casa.
E tu já a pensar: "Será que estou a ouvir vozes na minha cabeça?"
E eu depois pensei: "Se calhar vou chegar ali e vou surpreendê-los. Olha, sou eu". Mas depois não tive coragem de o fazer.
A parte da timidez.
A parte da timidez. Mas depois, coisas do dia a dia. Vais ao peixe, vais ao talho, vais às compras e genuinamente a malta dizer: "Gosto muito da música, adoro a música". No final do dia, pra mim, sucesso, respondendo à tua pergunta, é seres feliz a fazer aquilo que tu mais amas. Isso pra mim é ter sucesso a sério.
Mickael Carreira, nós estamos aqui a chegar ao final do nosso tempo no "Em 40 Minutos". Quando se desligam as luzes do estúdio, quando não estás em palco, quando não estás a criar, quem é realmente o Mickael Carreira?
Quem é realmente o Mickael Carreira? Eu não ia dizer um miúdo, já não é miúdo.
É válido.
Um rapaz supertranquilo. Quem me conhece também sabe disso. É engraçado, porque nos concertos tem sempre aquela imagem mais cuidada, em aparições, em programas. Mas depois no dia a dia gosto de andar de treino, supertranquilo, gosto de ir jantar fora, gosto de aproveitar a vida. Portanto, uma pessoa perfeitamente normal, como é óbvio.
E sempre com comida boa, não se esqueçam. Se quiserem convidar o Mickael.
Se me convidarem, se houver comida, eu vou logo, direto.
Mickael Carreira, foi um gosto receber-te aqui no "Em 40 Minutos". Foi uma grande conversa. Acho que deu pra conhecermos ainda mais camadas sobre ti, sobre a tua vida e este percurso que está prestes a fazer 20 anos de carreira. Que seja longo ainda, que ainda há muita estrada pra andar. Muito obrigado e até breve.
Foi um prazer falar contigo e obrigado pelo convite.
Obrigado.